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"Uma depressão pode ser definida como uma situação clínica que, surgida do entrecruzamento de factores predisponentes e precipitantes, determina uma alteração semi-permanente na regulação do humor, perspectivas pessoais e mecanismos de defesa biológica do indivíduo" (Serra, 1990, op. cit. pp. 5).

Considera-se, então, que a depressão pode prolongar-se por alguns meses ou mesmo anos, sem alterações da personalidade mas apenas do ânimo e trazendo consigo uma modificação das perspectivas pessoais, levando a que o indivíduo recorde apenas os aspectos negativos da sua vida, alterando as perspectivas passadas, presentes e futuras, com uma desvalorização pessoal e sentimentos de incapacidade, sendo acompanhada por transtornos do sono, apetite, peso, variações diurnas do humor e da líbido (Paúl, 1993).

Uma perda pode ser vista como irreparável, uma indiferença ocasional como rejeição total. O evento precipitante apresenta sempre um significado particular para o sujeito, envolvendo uma vivência de perda. Apesar de tudo, nem sempre é apenas um facto isolado, podendo também tomar o aspecto de um Stress insidioso, como é o caso da perda gradual do cônjuge. A depressão parece ser uma resposta afectiva ao fardo de ser um prestador de cuidados (Gallagher et al., 1989; cit. Dura, Stukenberg & Kiecolt-Glaser, 1990).

Prestar cuidados a um doente de Alzheimer está associado a uma grande prevalência de manifestações depressivas nos cuidadores. Contudo, o grau de prevalência de sintomas depressivos nos cuidadores de doentes de Alzheimer, varia consoante os estudos, a prevalência de depressão varia entre os 18% e os 83% em alguns estudos, enquanto que noutros trabalhos varia entre os 41% e 55% (Redinbaugh, MacCallim & Kiecolt-Glaser, 1995).

Cuidadores que lidem mais regularmente com situações de agressividade, embaraço, não-cooperação e comportamentos disruptivos por parte dos seus doentes de Alzheimer, apresentam mais sintomas depressivos do que aqueles cujos doentes se comportam de uma maneira mais sociável (Deimling & Bass, 1986; Pruchno & Resch, 1989; cit. Redinbaugh, MacCallun & Kiecolt-Glaser, 1995). Assim, cuidadores que tenham fortes reacções negativas aos comportamentos disruptivos do doente de Alzheimer, podem experienciar uma depressão mais acentuada do que aqueles cuidadores que não se sentem muito incomodados por estes comportamentos inapropriados (Redinbaugh, MacCallim & Kiecolt-Glaser, 1995).

Reforçando estas conclusões, certos estudos sugerem que alguns cuidadores apresentem níveis elevados de stress, incluindo ansiedade, hostilidade, sintomas obsessivo-compulsivos e histeria (Haley, West, Wadley, Ford, White, Barret, Harrel & Roth, 1995).

Por outro lado, Cavaleiro e Teixeira (1999) verificaram que embora a maioria dos 30 cuidadores de Doentes de Alzheimer inquiridos, não apresentassem níveis de depressão significativos, existiam alguns cuidadores em que se verificava um grau de depressão moderado (17% da amostra). Já segundo Cavaleiro e Ribeiro (2002), apenas 3% dos 258 cuidadores estudados apresentavam níveis significativos de depressão, enquanto que 6% apresentavam um grau de depressão moderada e 24% dos cuidadores apresentassem níveis de depressão leve.

Loss e Bowd (1997) efectuaram uma avaliação dos custos psicológicos de ser um cuidador, tendo concluído que embora os cuidadores se adaptem à situação, as consequências psicológicas negativas nunca eram totalmente eliminadas, persistindo apesar dos modelos individuais de coping e dos seus recursos pessoais.

Para além de cuidar de um familiar com Doença de Alzheimer ser uma fonte considerável de depressão, os esposos que cuidam dos seus companheiros parecem ser mais adversamente afectados do que os jovens que cuidam de um familiar. Os cuidadores esposos femininos parecem estar mais em risco do que os cuidadores esposos masculinos, apresentando níveis de depressão mais elevados (Rose-Rego, Strauss & Smyth, 1998).

Estes estudos, apesar de não totalmente convergentes nas suas conclusões, tornam notória a necessidade de intervir psicologicamente junto dos cuidadores de doentes de Alzheimer, de forma a minorar o mais possível o impacto negativo que a Doença tem, também, nos cuidadores.

Ter a noção de que as situações vivenciadas por alguém que cuida de um doente de Alzheimer, são susceptíveis de desencadear níveis de depressão/stress que aconselham um acompanhamento psicológico adequado, é também, um acto de ajuda ao doente porque esse acompanhamento pode dar ao cuidador um melhor equilíbrio emocional que se reflectirá na qualidade dos cuidados prestados. Por outro lado, é importante referir que este equilíbrio emocional terá resultados positivos não só em relação aos cuidados prestados ao doente, mas também em relação à forma como o cuidador se relaciona com a sua família e os seus amigos, e principalmente na forma como se relaciona consigo próprio.

Não deixe de solicitar ajuda para melhor poder ajudar!

 

Bibliografia

Cavaleiro & Ribeiro (2002). Caregiver’s Satisfaction with the Alzheimer’s Patients Hospital Care. Actas da 16th Conference of the European Health Psychology Society – Health Through the Life Cyrcle: A Life Span Perspectiva. ISPA.

Cavaleiro & Teixeira (1999). Satisfação dos cuidadores de doentes de Alzheimer em relação à qualidade dos cuidados de saúde hospitalares. Análise Psicológica, 17 (2), 369-373.

Dura, Stukenberg & Kiecolt-Glaser (1990). Chronic Stress and Depressive Disorders in Old Adults. Journal of Abnormal. Psychology, 99 (3), 284-290.

Haley, West, Wadley, Ford, White, Barret, Harrel & Roth (1995). Psychological, Social, and Health impact of caregiveng: A comparasion of Black and White dementia family caregivers and noncaregivers. Psychology and Aging, 10 (4), 540-552.

Loss & Bowd (1997). Caregivers of persons with Alzheimer’s disease: Some neglected implications of the experience of personal loss and grief. Death Studies, 5 (21), 501-514.

Paúl (1993). A depressão em idosos: estudo exploratório. Análise Psicológica, XI (4), 609-617.

Redinbaugh, MacCallim & Kiecolt-Glaser (1995). Recurrent Syndromal Depression in Caregivers. Psyclology and Aging, 10, (3), 358-368.

Rose-Rego, Strauss & Smyth (1998). Differences in the perceived well-being of wives and husbands caring for persons with Alzheimer’s disease. Gerontological Society of America Incorporated, Apr, 2, (38), 224-230.

Serra (1990). A Depressão na Prática Clínica. Porto: Boots pharmaceuticals e Paracélsia, Cadernos da Depressão, Um Serviço à Profissão Médica.

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