Estudos de casos de pedófilos portugueses à luz da neuropsicologia *Luis Alberto Coelho Rebelo Maia, **Pedro Jorge Nunes Pombo, ***Débora Vanessa Xavier Monteiro, ****Miguel Pérez Fernandez lmaia@ubi.pt *Professor Universitário (UBI), Doutorado em Neuropsicologia Clínica, Universidade de Salamanca – USAL, Espanha), Mestre em Neurociências (Faculdade de Medicina de Lisboa), Graduado em Psicobiologia e Neuropsicologia Clínica (USAL) e em Ciências Médico-Legais (Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar). **Inspector da Polícia Judiciária, Aluno de Doutoramento em Neuropsicologia Clínica na USAL, Espanha). ***Psicóloga Clínica. ****Professor Titular da Faculdade de Psicologia da Universidade de Salamanca 2009
Idioma: Português Palavras-chave: Pedofilia, Neurociências, Neuropsicologia, Disfunção Cerebral
Resumo
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O crime de abuso sexual de crianças afigura-se como uma
problemática cada vez mais preocupante na nossa sociedade. Este estudo faz parte
de uma linha de investigação em desenvolvimento que tem como objectivo
compreender o abuso sexual de crianças estudando factores relacionados com o
abusador. Neste sentido, procuramos descodificar as relações entre o cérebro e
os processos cognitivos, emocionais e de comportamento, associando a violência
aos défices neuropsiquiátricos. Para tal foram realizadas entrevistas e
aplicadas provas neuroanatómicas (Ressonância Magnética) e neuropsicológicas a
13 abusadores, reclusos, devido a crimes de pedofilia. Os dados do presente
estudo sugerem que os abusadores sexuais apresentam disfunções típicas ao nível
do comportamento social, da atenção, transtorno de ansiedade, transtornos da
personalidade anti-social e alterações neuro-anátomo-funcionais. Nos casos aqui
apresentados salientamos a atrofia orbito-medial frontal, atrofia dorso lateral
frontal bilateral, atrofia pré-frontal generalizada e um caso de alterações
significativas do Corpo Caloso (apresentado aqui). Estes défices possibilitam
reflectir acerca da relação cérebro-mente no comportamento de crimes sexuais de
pedofilia, pelo que seria necessária a adequação de métodos e programas de
avaliação e intervenção para diminuição do risco deste crime bem como a sua
nefasta reincidência.
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