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Como usar os benefícios da inteligência emocional no seu meio laboral?

2019
andradesofia958@gmail.com
Mestre em Psicologia Clínica e de Aconselhamento. Formadora certificada pelo IEFP
Publicado no Psicologia.pt a: 2019-03-10

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Como usar os benefícios da inteligência emocional no seu meio laboral?

O que define afinal a inteligência emocional? Como aplicá-la no dia-a-dia e no meio laboral? A inteligência emocional prende-se com a capacidade que temos de compreender e gerir as nossas emoções e obter benefícios pragmáticos no ambiente de trabalho, ou seja, obter uma melhor cooperação entre colaboradores e aproveitar o melhor que cada um possui. Acreditamos que, como seres humanos em constante transformação, podemos ser felizes no meio laboral e não apenas quando deixamos o nosso trabalho ao final do dia. Apenas devemos saber usar certas competências como: a autoconsciência; a autogestão; a motivação; a empatia e por último as competências sociais.

De acordo com Daniel Goleman, a parte anatomicamente cerebral que suporta a inteligência emocional é o último circuito do cérebro a tornar-se adulto. De acordo com a neuroplasticidade, o cérebro molda-se com as experiências vivenciadas. Afinal, quando a inteligência emocional é posta em prática torna-se benéfica, tanto dentro como fora do local de trabalho.

Cada vez mais as empresas estão a apostar no bem-estar dos seus colaboradores, visando garantir a qualidade e a satisfação laboral. Começam, efetivamente, por garantir horários de trabalho mais alargados e novos serviços que apostem na formação e saúde dos seus trabalhadores, como por exemplo: formações, workshops direcionados para o desenvolvimento pessoal, seguros de saúde que cubram a saúde mental, cujas coberturas estão incluídas a contratação de psicólogos para integrarem equipas de recursos humanos, de forma a se obter resultados na relação colaborador-empregador.

Segundo Goleman, necessitamos de fazer a nossa autoavaliação e aprender a trabalhar as emoções. Para isso, é preciso praticarmos competências para se chegar a resultados que marquem a diferença. Coloca-se agora a questão: quais os elementos necessários para se desenvolver a inteligência emocional?

Podemos destacar a AUTOCONSCIÊNCIA, como sendo o conhecimento que temos de nós próprios, reconhecer os nossos pontos fortes e os nossos pontos fracos, bem como valores, e o impacto que isso tem nas outras pessoas. No meio laboral, se um gestor for emocionalmente inteligente e autoconsciente, consegue gerir e planear o seu tempo corretamente, fazendo com que determinado projeto seja concluído com a maior brevidade possível.

A AUTOGESTÃO define-se como a capacidade de se controlar os impulsos e as alterações de humor, de forma a não permitir que as emoções se desequilibrem diante de um desafio, organizando pensamentos de forma positiva e construtiva. Exemplo disso: quando um membro de uma equipa prejudicar algum projeto, o gestor hierárquico deverá, de forma assertiva, resistir ao máximo para não desencadear um comportamento emocionalmente irrefletido. Em vez disso, comunicar com os seus colaboradores e explicar as razões e consequências que poderão levar ao fracasso do projeto, explorando soluções em coletivo.

A MOTIVAÇÃO, consiste em levar até ao fim o objetivo pretendido, ou seja, o gosto pelo que se faz e o empenho em atingir esse mesmo objetivo são características de um indivíduo emocionalmente inteligente e motivado.

A EMPATIA e a COMPREENSÃO EMPÁTICA são importantes na inteligência emocional, no sentido de perceber e compreender o contexto emocional do outro. No meio laboral, compreende a contratação de pessoas especializadas para determinada área e a retenção de profissionais de topo, bem como a capacidade para unir pessoas, muitas das vezes diferentes culturalmente.

Por último, as COMPETÊNCIAS SOCIAIS, que são construídas e adquiridas pelos relacionamentos intergrupais, de forma a se atingir o caminho desejado. Podemos referir que, como seres humanos, somos todos emocionalmente inteligentes. Mas o que acontece por vezes é que não desenvolvemos nem praticamos certos princípios subjacentes à inteligência emocional. Quer-se com isto dizer que precisamos de nos autoavaliar e trabalhar emoções, de forma a pô-las em prática como em qualquer profissão.

 

Pensamos que seria útil para as organizações apostarem mais em formações de desenvolvimento de gestão, transmitindo conhecimentos a quem gere, para se poder obter resultados mais evidentes, e alcançar objetivos mais inteligentes, na compreensão e no conhecimento de equipas.

Para Goleman, a relação entre inteligência emocional e liderança nas organizações é evidente nas diferenças entre género. Por norma, as mulheres emocionalmente mais empáticas conseguem desenvolver mais a autoconsciência e a avaliação das suas emoções. Importa perceber que a troca de feedbacks de forma empática e respeitosa é imprescindível para se evoluir profissionalmente, e isto só será possível se o líder tiver habilidade para se relacionar com pessoas, sabendo conduzi-las para o objetivo organizacional, sem esquecer as suas necessidades enquanto ser humano.

A nível laboral, podemos afirmar que a inteligência emocional se resume em compreender e gerir bons relacionamentos de trabalho, encontrando soluções assertivas para resolver desafios sob pressão. O desenvolvimento da autoconsciência faz com que se consiga compreender mais facilmente as nossas próprias necessidades, contribuindo de certa forma para a avaliação de soluções alternativas, gerindo impulsos. Muitas vezes, quando se é promovido, considera-se que se tem que liderar os outros, mas em primeiro lugar temos de nos liderar a nós próprios.

Existe um princípio importante que devemos seguir, o qual consiste em começar pela base e ir-se evoluindo em áreas importantes tais como: liderar a empresa ou o negócio, liderar a nós próprios e liderar os outros. Embora o requisito mais importante seja liderar a nós próprios, para posteriormente contribuirmos para o bem-estar de alguém. Quando uma chefia conhece, por norma, o seu nível de inteligência emocional e as suas competências associadas, consegue facilmente desenvolver um trabalho muito mais eficiente e eficaz.

Quando se dá o desenvolvimento do autoconhecimento, como principal atributo na inteligência emocional, maior será a perceção e o conhecimento que temos de nós próprios, e mais facilidade teremos nos relacionamentos sociais. Os indivíduos emocionalmente inteligentes são os que tomam decisões mais assertivas e os que conseguem gerir bem as emoções, assim como gerir conflitos e promover boas relações de cooperação.

De acordo com Goleman, o ser humano tem duas mentes, a mente "racional", com capacidade de avaliar uma situação antes de tomar uma decisão de forma consciente, e a mente "emocional", mais impulsiva, a qual, quando trabalhada de forma interligada, permite que meios simbólicos de uma realidade se tornem reais para o indivíduo. Exemplo disso: quando um individuo é dominado por reações emocionais, nomeadamente apresentando respostas fisiológicas como uma maior concentração de sangue nos músculos e palidez, no caso do medo, sendo respostas rápidas a ameaças constantes.

Neste sentido, importa saber gerenciar as emoções e perceber como identificar certas respostas para se decidir racionalmente a melhor atitude a ser tomada. Trabalharmos a inteligência emocional permitir-nos-á identificar nos outros sentimentos e emoções os quais servirão de suporte na tomada de decisões, bem como numa situação apresentada de perigo iminente.

A maturidade emocional só é atingida quando se consegue aprofundar o autoconhecimento, o ser capaz de identificar o que desencadeia as atitudes, de forma a agir racionalmente e medir consequências das ações. O seu desenvolvimento dá-se quando nos conhecemos a nós próprios e fazemos uma introspeção, de forma a conhecer as nossas emoções, sentimentos, o que nos motiva e o que nos faz feliz, assim como o que foi negado e reprimido, como memórias e acontecimentos menos bons. Ao fazermos esta autoanálise vamos conseguir conhecer-nos na totalidade.

Podemos afirmar que a maneira como lidamos com as nossas emoções vai determinar a forma como nos relacionamos com os outros e, consequentemente, o resultado das tarefas em grupo. Não é demais frisar que trabalhar a empatia é outro aspeto importante no estabelecimento de boas relações interpessoais, ou seja, compreender e sermos capazes de nos pôr no lugar do outro, usando a assertividade na comunicação, como instrumento essencial nas lideranças corporativas.

Importa frisar que, para se obter sucesso no meio laboral, é preciso ser-se competente emocionalmente, capacidade essa adquirida através da inteligência emocional. Ter um bom quociente de inteligência (QI) não determina, à partida, o sucesso profissional. É como ter uma aptidão não desenvolvida  que, se não se praticar, não se desenvolve.

De acordo com estudos de vários autores reportados, o meio empresarial está a mudar a forma de avaliar os seus colaboradores aquando da contratação e da avaliação do desempenho. Muitas empresas optam por selecionar pessoas com capacidades emocionalmente desenvolvidas, como por exemplo: o saber lidar com o outro e consigo mesmo. Quando trabalhada e desenvolvida ao longo da vida, a competência emocional torna-se um diferencial de liderança, sendo usada para se ter capacidade de influenciar, de gerir equipas, de direcionar esforços para alcançar objetivos, bem como a autoconfiança e a visão política, como referencial dos líderes empresariais.

Para concluir, verificamos que a inteligência emocional tem vindo a ser explorada e debatida por vários autores, nomeadamente na compreensão e na influência do comportamento humano. Desenvolver esta aptidão vai-nos permitir elaborar melhor ideias e, consequentemente, ter atitudes mais adequadas e realistas na tomada de decisões. Hoje em dia, o novo modelo de gestão de pessoas tem uma visão mais abrangente. Não se atenta somente à produtividade em si, mas também se leva em consideração o valor humano e a qualidade de vida dos seus colaboradores. Importa cultivar o conhecimento emocional para se poder explorar o potencial de cada um, tornando os profissionais mais cooperativos e com maior facilidade de trabalhar em equipa, sendo um requisito essencial para o sucesso empresarial.

 

Referências Bibliográficas

Goleman, D. (2012). A Inteligência Emocional. Editora Objetiva.

Sofia Andrade

Sofia Alexandra de Jesus Andrade é psicóloga, especialista em Psicologia Clínica e de Aconselhamento. É Membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses, e Membro Associado do MDM. É também membro de uma IPSS em Lisboa. É Licenciada em Psicologia e Mestre em Psicologia Clínica e de Aconselhamento pela Universidade Autónoma de Lisboa, tendo realizado um estágio de mestrado via profissionalizante na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens do Seixal, onde adquiriu competências pessoais e sociais com crianças e jovens em risco. Realizou também um estágio de Licenciatura no Gabinete de Saúde Ocupacional da Câmara Municipal do Seixal, onde desenvolveu um estudo sobre o levantamento do Absentismo Prolongado dos trabalhadores, bem como consultas de desabituação tabágica. Trabalha há vários anos na Administração Pública, além de ser formadora certificada pelo IEFP e apoiar várias causas sociais e políticas, sendo participante ativa em causas voluntárias. Atualmente dedica-se também à escrita sendo autora do livro intitulado: “Crianças e Jovens em Perigo. Estudos de Caso”, publicado em https://www.morebooks.de

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