PUB


 

 

Quando o coração mingua, a mente agradece

2019
pedrosampaiominassa@gmail.com
Graduando em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo (Brasil)

A- A A+
Quando o coração mingua, a mente agradece

Como é difícil colocar a razão no comando da nossa existência, por vezes, a emoção nos rouba sem sequer percebermos. Cremos equivocadamente que a racionalidade é uma característica da personalidade de cada um, dizemos, então, que uns a tem, outros nem tanto, que uns são mais passionais, outros mais racionais. Tudo falácia! Por óbvio, algumas pessoas conseguem ter maior controle sobre si próprias, conseguindo ter um equilíbrio maior entre os dois pesos, porém cheguei à conclusão de que não existem pessoas totalmente racionais ou inteiramente emocionais. Somos sempre um misto de sentimentos, os quais pouco controlamos.

Por mais que queiramos racionalidade em momentos complexos da vida, invariavelmente, pegamo-nos no domínio da emoção. A vida é um pêndulo entre os dois polos, ora estamos mais para a razão, ora mais para a emoção. E, acredite, não é como se pudéssemos controlar isso, pois ambas chegam sem avisar. O jogo entre coração e mente é escatológico, nos torna reféns de nós mesmos, somos marionetes nas mãos desses dois elementos, um puxa para um lado, outro para o outro e assim vamos levando a vida numa eterna balança pendente para cada lado, na medida em que os acontecimentos externos nos incidem.

A busca pelo equilíbrio da balança “coração-mente” passa pelo autocontrole, uma metodologia sempre inacabada que cada um tem de ter consigo mesmo. Todos nós já nos deparamos alguma vez com a pergunta: a quem devo ouvir, meu coração ou minha mente? Os que se dizem racionais e que provavelmente já se deram mal muitas vezes com a emoção, respondem sem hesitar que a mente é melhor opção a tomar, enquanto os passionais e utópicos pesam para o coração, confiando na intuição como fato decisivo, tendo um sem número de vezes sido também trapaceados. Julgo que a resposta ao enigma da esfinge dos sentimentos deva ser não se assumir como racional ou passional, mas se reconhecer humano, volúvel aos dois extremos.

O autocontrole passa pelo autoconhecimento, e este último, pela autocrítica. Se nos conhecermos objetivamente e não esperarmos que alguém nos defina, saberemos nós mesmos fazer a crítica pertinente aos nossos atos e assim controlar nossos impulsos. Fato é que quando o coração mingua, a mente agradece e quando esta conquista, aquele padece. Dar voz à emoção faz parte da essência sensível do homem e ao mesmo tempo de sua bestialidade, e dar voz somente à razão é também forçar o impossível e se ver cair no insensível. O exagero, pois, de um ou de outro, nunca será positivo. A busca constante, pois, é o nivelamento diário da balança, uma conquista sobre nosso maior inimigo, o qual a filosofia já anunciou há algum tempo: vencer a si próprio.