Psicoterapias Nvunda Tonet nvundat@gmail.com Licenciado em Psicologia Clínica pela Universidade Agostinho Neto e Mestre em Novas Tecnologias aplicadas à Educação pelo Instituto Universitário de Posgrado (Madrid - Reino de Espanha). Diplomado em Psicoterapia Sexual pelo Instituto Paulista de Sexualidade (São Paulo - Brasil). Docente na Universidade Óscar Ribas (cadeiras de Métodos de Observação em Psicologia Clínica, Psicopatologia Geral e Psicologia Clínica Hospitalar). Psicólogo Clínico no Hospital Psiquiátrico de Luanda e Autor do livro ´Psicólogos, porquê e para quê?´ 2012
Idioma: Português (Portugal) Palavras-chave:
Antes de qualquer consideração, é importante definir
o termo psicoterapia. Em sentido psiquiátrico, o termo psicoterapia
designa um tratamento que visa aliviar ou resolver os desajustamentos
mentais, especialmente os que originam de causas particularmente
psíquicas.
A psicoterapia subentende um efeito psíquico sobre o
psiquismo do indivíduo e portanto o estabelecimento de uma relação
humana, de pessoa a pessoa, na qual o psicoterapeuta utiliza apenas o
seu próprio psiquismo e ponto de vista para influir a self do paciente.
Neste sentido, o objectivo elementar é a influência, encontrar caminhos
de resolução e liberação aos conflitos, desejos, medos e tendências
ambivalentes.
Muitos problemas apresentados ao longo das sessões de
psicoterapia, neste caso refiro-me ao contexto angolano, são
característicos da época em que vivemos, partindo de um específico
tecido social em desequilíbrio e reestruturação mental. Muitos dos
pacientes que procuram os nossos serviços têm uma ideia desfasada sobre
a essência do trabalho realizado pelo psicólogo. Encontram para o
consultório em busca de “varinha mágica” para os seus problemas, medos,
angústias e ou dúvidas, e mais tocante ainda que os mesmos sejam
resolvidos numa única sessão. Essa crença quase mágica do poder de cura
do psicólogo contraste obviamente com o princípio elementar da
realidade: a terapia é um processo de crescimento pessoal, de
desenvolvimento de potencialidades, de aprofundamento do próprio
conhecer-se, que leva tempo em qualquer perspectiva.
Os problemas que levam a procurar um psicoterapeuta
são de natureza comportamental, de desajustamento familiar e social,
estados neuróticos, angústias, medo, problemas sexuais e escolares.
Na psicoterapia, torna-se necessário que haja uma
atitude de apoio do médico ao paciente, que deve confiar no médico e
tornar-se suficientemente desembaraçado para poder expor os seus
problemas, aprendendo a analisá-los e compreendê-los. O médico,
psicólogo ou outro profissional de saúde mental, deve mostrar interesse,
sinceridade e atenção pelo paciente, não sendo, de forma nenhuma, juiz
ou critico das atitudes analisadas. Inicialmente pode-se observar uma
atitude de desconfiança e resistência do paciente em relação ao trabalho
desenvolvido pelo terapeuta, porém, vencida essa primeira fase do
tratamento, estabelece-se um clima de confiança e torna-se possível ao
paciente aceitar a ajuda terapêutica.
No trabalho de interpretação, o terapeuta deve
colocar-se inteiramente do lado do paciente, de maneira que ele se
convença de que simpatiza e concorda com os seus pontos de vista. A
confiança despertada por uma atitude dessas, permite uma comunhão
espiritual sincera e a possibilidade de agir sobre o estado mental de
forma inteiramente aceitável para o doente. Ao mesmo tempo que eleva, no
paciente, o conceito de si mesmo, sua autoconfiança, faz com que procure
a aprovação, o aplauso e a satisfação. Devemos ter em mente que um
gesto, uma frase, uma atitude do terapeuta (iatrogênicos) podem provocar
alterações completas no paciente, modificando os seus conceitos, pontos
de vista e valores humanos.
A psicoterapia é pois, entenda-se em simples
palavras, uma relação de ajuda baseada em conhecimentos científicos e
específicos. Qualquer terapeuta trabalha sobre um referencial teórico
que é suporte para a sua intervenção na situação psicoterapêutica:
psicanálise, cognitivo-comportamental, fenomenológico, psicodrama,
existencial, entre outras.
No entanto, apesar da sua eficácia, a psicoterapia
não é indicada em todos os transtornos de personalidade e em determinado
tipo de psicoses. Em relação a duração podem ser breves (Orientação,
consulta terapêutica de 1 a 8 encontros) focalizadas (se centram num
problema especifico, por exemplo: afectivo ou laboral), ou de duração
não determinada (abarcam todas as problemáticas). Por último, em algumas
patologias é fundamental conciliar a medicação ao apoio e orientação
psicológica.
Como referi no meu livro “Psicólogos, porquê e
para quê?” na psicoterapia sexual devemos inicialmente descartar
qualquer problema orgânico no paciente, caso contrário, colocamos em
causa o esforço terapêutico. No entanto existem outras abordagens na
psicoterapia: infantil, analítica, de grupo, individual entre outras.
Finalmente corrobora da opinião Ieda Porchat que
afirma “um terapeuta precisa viver sem se proteger excessivamente dos
riscos que são inerentes à vida”. Outrossim, consiste no facto do
próprio terapeuta conhecer os seus limites e possibilidades de actuação;
cultivar a sua cultura e diversificar os interesses pessoais bem como
sensibilidade e criatividade.
Referências bibliográficas:
ANGERAMI-CAMON, Valdemar et alii, Psicologia
Hospitalar: teoria e prática, Pioneira Thompson Editora, S.P, 2003.
DORON, R. & PAROT, F., Dicionário de psicologia,
1ª ed., Climepsi Editores, Lisboa, Outubro de 2001
PESTANA, E. e PASCOA, A. Dicionário Breve de
Psicologia, 2ª edição, Lisboa, Presença, Fevereiro, 2002
MIELNIK, I. Dicionário de termos psiquiátricos,
1ª edição, São Paulo, Roca, 1987.
CORDIOLI, Aristides. Psicoterapias. Abordagens
atuais, 3ª edição, Porto Alegre, 2002.
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