O mais importante: hereditariedade ou meio?

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anasofia
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O mais importante: hereditariedade ou meio?

Mensagempor anasofia » quarta mai 28, 2008 7:02 pm

Olá a todos.
Já ouvi algumas pessoas dizerem que a hereditariedade é mais importante que o meio; enquanto outros referem que o meio é mais determinante.. depois ainda há aqueles que dizem que estão equilibrados...

O que acham, vocÊs?
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Mensagempor Psycologo » sexta mai 30, 2008 10:10 am

Essa questão não faz grande sentido, posta nesses termos. Não há uma resposta adequada.
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Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » sexta mai 30, 2008 12:20 pm

A questão não deve ser colocada em termos de qual é mais importante mas sim em termos da dinâmica entre ambos. Ou seja: como é que a hereditariedade se desenvolve no meio?

Dou um exemplo. Há predisposição genética para se desenvolver uma determinada doença, mas nuns casos, na relação com o meio, a mesma desenvolve-se e noutros casos não. Que factores do meio contribuem para o desenvolvimento ou não de uma determinada hereditariedade?

Parece-me que a questão assim colocada faz mais sentido, pois não podemos separar ambas na sua importância.

Cristina Silva
anasofia
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Mensagempor anasofia » sexta mai 30, 2008 12:54 pm

Já vi que nao me fiz entender...
pode parecer uma pergunta parva, mas por exemplo no outro dia dois psicologos , num programa televisivo, discutiam sobre este aspecto:
uma criança é deliquente. Um deles dizia que tudo isso provém do meio em que está inserido, outro diziia que provavelmente se devia a factores hereditários, visto os pais serem toxicodependentes.
:roll: era uma opinião deste tipo que perguntava. já sei que cada caso é um caso mas, em geral, acham que este tipo de problemas é mais fortemente influenciado pelo meio em que se está inserido, ou pela hereditariedade.
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Mensagempor Sete-Luas » sexta mai 30, 2008 4:15 pm

Dificilmente chegar-se-á a um consenso. Se tivermos em conta as guerras que existem entre as ciências exactas (como por exemplo, a Medicina e a Biologia) e as ciências humanas e sociais (como por exemplo, a Sociologia e a Antropologia) entendemos a verdadeira dimensão desta questão. Mas se diminuirmos o espectro de reflexão, para o campo da Psicologia, não precisamos de pensar muito para constatar as disputas, a título de exemplo, entre os modelos Behavioristas e Cognitivistas.

Deste modo, a opinião que tenho sobre a dicotomia meio/hereditariedade é que está já um pouco "ultrapassada", porque me parece explícita a sua junção, mas isto deve-se em muito ao meu "desinteresse". Entretanto surgiram as características idiossincráticas.
Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » sexta mai 30, 2008 7:22 pm

Essa de se ser delinquente por factores hereditários, no caso considerar-se hereditariedade a toxicodependência, deixa muito a desejar.

Eu sou mais pela influência do meio, nomeadamente a influência das relações. Para mim, é na relação que a Pessoa se torna! Se estrutura, se personaliza.

Cristina Silva
Última edição por Cristina Silva em sexta mai 30, 2008 8:18 pm, editado 1 vez no total.
Marília
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Mensagempor Marília » sexta mai 30, 2008 7:31 pm

Como já foi dito, esta questão tem de ser pensada em termos de uma interacção entre hereditariedade e meio e não de exclusividade de um dos factores.
Relativamente a esse exemplo de toxicodependência há muitas investigações que apontam para uma predisposição genética para comportamentos aditivos.
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Mensagempor Cristina Silva » sexta mai 30, 2008 8:32 pm

Eu diria que uma personalidade dependente tem propensão a comportamentos aditivos. Para mim, o problema da adição é a personalidade dependente.

Como é que se estruturou essa personalidade? Mesmo que geneticamente a pessoa estivesse predestinada a uma propensão aditiva, tal podia ser modificado ou incentivado conforme a influência do meio, nomeadamente das relações.

Ou seja, mesmo que haja o gene da dependência, isso não significa determinação, pois o meio influência o percurso, sem dúvida alguma. Ou seja, o meio (que engloba muita coisa) pode activar ou inibir a tal determinação genética ou hereditária.

Lá está, não podemos separar as coisas e continuar a cair no “erro de Descartes”.

Esses dois psicólogos “bipolarizaram-se” em vez de integrarem, o que eu acho deveras estranho nos dias de hoje, e com o nível de conhecimento científico a que chegámos.

Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » sexta mai 30, 2008 8:36 pm

Só para acrescentar que isso foi matéria que dei no 1º ano do curso: a questão da hereditariedade e do meio e das experiências efectuadas, as mais conhecidas, com gémeos!
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Mensagempor anasofia » sexta mai 30, 2008 8:58 pm

Sim, Cristina, também estou a dar essa matéria em psicologia do desenvolvimento, mas quando ouvi esse programa fiquei intrigada e pensei que talvez não tivesse a perceber bem a questão...
enfim... coisas que ás vezes nos ocorrem.
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Mensagempor Ana Rita » sexta mai 30, 2008 9:06 pm

Como refere a Cristina Silva, também penso que é nas relações mais precoces que se começa a estruturar uma personalidade, com base nas predisposições genéticas, mas não determinada por estas. Não faz qualquer sentido medir qual a "percentagem" da influência do meio e da hereditariedade pois numa integração isso não é possível. Hereditariedade e meio influenciam-se mutuamente e a personalidade molda-se em padrões relacionais e vivenciais. Pais toxicodependentes transmitem aos filhos não só a parte genética, como o seu padrão de funcionamento ao nível de comportamentos e emoções que vai interagir com a forma como a ciança recebe esse padrão. Ou seja, não é uma relação de causa e efeito. Tal como hereditariedade e meio se integram, o que os pais dão com a forma como a criança recebe também se integra pois esta não é um simples receptor passivo.
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Mensagempor Cristina Silva » sexta mai 30, 2008 11:30 pm

Ana Rita Escreveu: Ou seja, não é uma relação de causa e efeito. Tal como hereditariedade e meio se integram, o que os pais dão com a forma como a criança recebe também se integra pois esta não é um simples receptor passivo.


Exactamente! Relação implica estar o Eu e o Outro, o Outro e o Eu, as idiossincrasias de cada um, o peso genético e hereditário de cada um, e por aí!
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