In Correiro da Manhã - 01/06/2008 - Curiosidade pura...

As diferentes correntes e modelos teóricos. Novas abordagens e novos contextos de intervenção. A teoria e a prática, os conceitos e as estratégias. Preocupações éticas e deontológicas. etc.

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Bacelar
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In Correiro da Manhã - 01/06/2008 - Curiosidade pura...

Mensagempor Bacelar » terça jun 10, 2008 5:41 pm

A felicidade nunca existiu
Três estudos. O primeiro diz que embora os britânicos estejam duas vezes mais ricos do que em 1988, estão menos felizes. No segundo, 85 % dos norte-americanos declararam-se 'muito felizes' ou 'felizes'. (Talvez devido ao curso mais popular da Universidade de Harvard – o de Psicologia Positiva -, de acordo com o qual a felicidade é uma competência que pode ser aprendida.)

O último, de uma faculdade italiana, indica que 'os índices mais elevados de ordenados, instrução e participação política não provêm dos indivíduos mais satisfeitos'. Será a felicidade uma prerrogativa dos tesos e ignorantes? Nem pensar. É que ela, em condições normais, é por definição como os faróis: intermitente.E historicamente camaleónica. A epígrafe do meu romance 'Estamos Todos Tão Sozinhos' (ed. ASA, recomendo vivamente) é de Jorge Luís Borges: 'Cometi o maior pecado que um homem pode cometer – não fui feliz'. Não que Borges e eu (ah, essa dupla promete!) saibamos do que estamos a falar, pois é difícil dizer o que traz a felicidade – tanto o dinheiro como a pobreza já fracassaram.

Na Antiguidade, a felicidade não era uma coisa a que as pessoas pudessem aspirar e perseguir: ela simplesmente lhes calhava por destino – ou podiam tirar o cavalinho da chuva. Daí que, em todas as línguas europeias, a felicidade tenha uma raiz que significa 'acaso'. *************** Já a doutrina Cristã conduziu a felicidade para fora deste Mundo – só marcava este golo quem estivesse fora de jogo (no Além). O Renascimento reagiu: para alguns, o sorriso maroto da Mona Lisa é o de uma mulher que acabou de enganar o marido.

O Iluminismo, com o seu optimismo e volúpia pelo progresso, tornou a ventura terrena não apenas possível como quase obrigatória. Como se um desgraçado só fosse desditoso por masoquismo – e assim sendo, bem vistas as coisas, também era feliz. O advento do Prozac selou a beatitude final. Todavia, persistem os nossos espasmos de tristeza – só que mais escondidos. Hoje,o triste é, acima de tudo, um chato (e um grandessíssimo piroso). O antídoto? Nicles. Pois tudo indica que a felicidade seja uma condição imaginária que, antigamente, os vivos atribuíam aos mortos, e que, hoje, é normalmente atribuída pelos adultos às crianças, e pelas crianças aos adultos. Uma treta? Pelo contrário: a felicidade é como as bruxas – não acreditamos nela, mas que existe, existe. Por isso, carpe diem (curtam o dia)! Virgem Santíssima, isso pareceu um livro de auto-ajuda… Retiro tudo o que disse!

in:
http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx ... 0000000240


Bacelar
Em fase de divagação mental "Até que ponto o conceito é universal para poder ser interpretado de igual forma por diferentes culturas?" Acaso? Incutido?
:roll:

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