olhar-se no espelho ter medo ou ver outra pessoa
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O Psicologia.pt não é responsável pelas intervenções dos vários participantes neste Fórum, sendo o teor desses conteúdos, bem como a utilização que se faça dos mesmos, da exclusiva e total responsabilidade de cada utilizador.
Com o objectivo de permitir o total anonimato, o fórum "Pergunte ao Psicólogo" é o único onde é possível a publicação de tópicos por utilizadores não registados.
Ao mesmo tempo, e como deve ser do entendimento de todos, o carácter "anónimo" dos fóruns faz com que este espaço não ofereça condições para interações que se desenvolvam para além da mera "troca de opiniões".
É expressamente proibida neste fórum a divulgação de serviços de psicologia bem como de quaisquer contactos de psicólogos (nomes, nºs de telefone, moradas e outros contactos).
O Psicologia.pt não se responsabiliza pelo rigor técnico e científico, idoneidade e respeito pelos princípios éticos e deontológicos de toda e qualquer participação.
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olhar-se no espelho ter medo ou ver outra pessoa
Boa Noite
Hoje dois alunos colocaram-me a seguinte questão á qual eu não consegui responder e para a qual preciso de orientação em termos de informação e de locais ou livros onde posso pesquisar.
A questão é esta:
Olham-me ao espelho e por vezes acontecem-lhes factos, os quais passo a descriminar:
a) Quando me vejo ao espelho e me olho nos olhos, tenho um medo terrível e por vezes fico em pânico. Se me distrair, o medo desaparece, mas se me concentrar nos olhos reflectidos, tenho muito medo;
b) Quando me vejo no espelho e olho para o meu nariz ou para os lábios, parece-me que eles não são meus, mas de uma outra pessoa que não conheço.
Estas questões foram-me colocados por dois alunos.
Peço que ajudem a saber como responder e onde posso encontrar bibliografia sobre este tema.
Muito Obrigado
Hoje dois alunos colocaram-me a seguinte questão á qual eu não consegui responder e para a qual preciso de orientação em termos de informação e de locais ou livros onde posso pesquisar.
A questão é esta:
Olham-me ao espelho e por vezes acontecem-lhes factos, os quais passo a descriminar:
a) Quando me vejo ao espelho e me olho nos olhos, tenho um medo terrível e por vezes fico em pânico. Se me distrair, o medo desaparece, mas se me concentrar nos olhos reflectidos, tenho muito medo;
b) Quando me vejo no espelho e olho para o meu nariz ou para os lábios, parece-me que eles não são meus, mas de uma outra pessoa que não conheço.
Estas questões foram-me colocados por dois alunos.
Peço que ajudem a saber como responder e onde posso encontrar bibliografia sobre este tema.
Muito Obrigado
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asilvestre
- Psicólogo Registado (PT)

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- Registado: quinta jun 28, 2007 4:15 pm
- Localização: Distrito Viseu
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Cristina Silva
- Psicólogo Registado (PT)

- Mensagens: 800
- Registado: quinta out 25, 2007 9:52 am
Não consigo dar diagnósticos, ou levantar hipóteses diagnósticas assim sem saber mais.
Isso até me faz lembrar Satre no livro a Náusea.
Já fizeram essa experiência? Eu já e de facto traz um sentimento de estranheza a nós próprios (olharmo-nos fixamente nos olhos (olhar para dentro dos olhos) ao espelho durante um bocado). Penso que é um fenómeno natural, que pode eventualmente assustar pela sensação de despersonalização (parece que a cara ou partes dela não nos pertence).
Penso que o melhor, com esses alunos é falar exactamente desse sentimento de estranheza e aconselho a experimentar esse exercício principalmente em alturas “mais frágeis” (tipo: com sono), para poder perceber o que é que eles querem dizer.
Acho que são precipitadas as hipóteses levantadas anteriormente, porque não me parece ser nem um caso nem outro.
Perceber também se esses alunos mostram alguma desorganização no geral, nomeadamente características mais paranóides e preocupantes, isto porque os olhos têm uma simbologia específica nesse contexto, digamos assim.
Caso não se revelem pessoas desorganizadas no seu conjunto, não me parece nada de especial.
Não sei se é professor (a), suponho que sim. Se tiver acesso a algum psicólogo(a), não perde nada em ter uma conversa informal sobre o assunto.
Espero ter ajudado de alguma maneira.
Cristina Silva
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Psicóloga Clínica
Isso até me faz lembrar Satre no livro a Náusea.
Já fizeram essa experiência? Eu já e de facto traz um sentimento de estranheza a nós próprios (olharmo-nos fixamente nos olhos (olhar para dentro dos olhos) ao espelho durante um bocado). Penso que é um fenómeno natural, que pode eventualmente assustar pela sensação de despersonalização (parece que a cara ou partes dela não nos pertence).
Penso que o melhor, com esses alunos é falar exactamente desse sentimento de estranheza e aconselho a experimentar esse exercício principalmente em alturas “mais frágeis” (tipo: com sono), para poder perceber o que é que eles querem dizer.
Acho que são precipitadas as hipóteses levantadas anteriormente, porque não me parece ser nem um caso nem outro.
Perceber também se esses alunos mostram alguma desorganização no geral, nomeadamente características mais paranóides e preocupantes, isto porque os olhos têm uma simbologia específica nesse contexto, digamos assim.
Caso não se revelem pessoas desorganizadas no seu conjunto, não me parece nada de especial.
Não sei se é professor (a), suponho que sim. Se tiver acesso a algum psicólogo(a), não perde nada em ter uma conversa informal sobre o assunto.
Espero ter ajudado de alguma maneira.
Cristina Silva
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Psicóloga Clínica
ver-se ao espelho e ter pânico
Boa tarde.
Agradeço a ajuda que me têm vindo a dar.
Parece-me que as questões levantadas não se relacionam com o medo dos espelhos ou o ver, no mesmo, aspectos deformados do rosto.
As questões que me foram postas foram mais respeitantes ao medo que o aluno diz sentir quando se olha no espelho, mas só tem medo quando se olha nos olhos.
O outro aluno refere, não o olhar-se nos olhos, mas o olhar para as outras partes do rosto e não as reconhecer como suas, podendo ser de outra pessoa, nomeadamente os lábios ou as orelhas.
Gsotava que me dessem agora a vossa opinião, depois de ter clarificado as questões que me colocaram.
Agradeço ainda, se possível que me indiquem uma provável bibliografia a consultar.
Sou efectivamente professor e queria ajudar e esclarecer os meus alunos
Muito obrigado
Agradeço a ajuda que me têm vindo a dar.
Parece-me que as questões levantadas não se relacionam com o medo dos espelhos ou o ver, no mesmo, aspectos deformados do rosto.
As questões que me foram postas foram mais respeitantes ao medo que o aluno diz sentir quando se olha no espelho, mas só tem medo quando se olha nos olhos.
O outro aluno refere, não o olhar-se nos olhos, mas o olhar para as outras partes do rosto e não as reconhecer como suas, podendo ser de outra pessoa, nomeadamente os lábios ou as orelhas.
Gsotava que me dessem agora a vossa opinião, depois de ter clarificado as questões que me colocaram.
Agradeço ainda, se possível que me indiquem uma provável bibliografia a consultar.
Sou efectivamente professor e queria ajudar e esclarecer os meus alunos
Muito obrigado
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Cristina Silva
- Psicólogo Registado (PT)

- Mensagens: 800
- Registado: quinta out 25, 2007 9:52 am
Peço desculpa mas continuo a achar pouca informação para o direccionarmos num sentido concreto.
Coloco-lhe algumas perguntas:
Que idade têm esses alunos?
Como é que eles são como pessoas?
Revelam alguma desorganização preocupante?
Em que contexto surgiu essa conversa?
Quanto ao medo, volto a enfatizar: Já fizeram essa experiência? Eu já e de facto traz um sentimento de estranheza a nós próprios (olharmo-nos fixamente nos olhos (olhar para dentro dos olhos) ao espelho durante um bocado). Penso que é um fenómeno natural, que pode eventualmente assustar pela sensação de despersonalização (parece que a cara ou partes dela não nos pertence).
O medo que o aluno sente é de quê? Esta é uma pergunta importante.
Para o podermos ajudar mais concretamente, são realmente necessárias mais informações e contextualizar-nos a situação.
Cristina Silva
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Psicóloga Clínica
Coloco-lhe algumas perguntas:
Que idade têm esses alunos?
Como é que eles são como pessoas?
Revelam alguma desorganização preocupante?
Em que contexto surgiu essa conversa?
Quanto ao medo, volto a enfatizar: Já fizeram essa experiência? Eu já e de facto traz um sentimento de estranheza a nós próprios (olharmo-nos fixamente nos olhos (olhar para dentro dos olhos) ao espelho durante um bocado). Penso que é um fenómeno natural, que pode eventualmente assustar pela sensação de despersonalização (parece que a cara ou partes dela não nos pertence).
O medo que o aluno sente é de quê? Esta é uma pergunta importante.
Para o podermos ajudar mais concretamente, são realmente necessárias mais informações e contextualizar-nos a situação.
Cristina Silva
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Psicóloga Clínica
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Cristina Silva
- Psicólogo Registado (PT)

- Mensagens: 800
- Registado: quinta out 25, 2007 9:52 am
Acrescento ainda, e indo de encontro ao colega psycologo, a questão da percepção visual.
Quanto a isso, pode consultar literatura ligada à Psicologia da Gestalt.
Agora, em relação à forma como é sentida uma determinada percepção visual, deformada ou não, tem muito a ver com a personalidade de cada um, daí a necessidade de mais informações quanto aos alunos, para se poder ir de encontro ao tal medo e pânico sentidos perante isso, que me parece que é o que mais o preocupa neste momento.
Cristina Silva
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Psicóloga Clínica
Quanto a isso, pode consultar literatura ligada à Psicologia da Gestalt.
Agora, em relação à forma como é sentida uma determinada percepção visual, deformada ou não, tem muito a ver com a personalidade de cada um, daí a necessidade de mais informações quanto aos alunos, para se poder ir de encontro ao tal medo e pânico sentidos perante isso, que me parece que é o que mais o preocupa neste momento.
Cristina Silva
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Psicóloga Clínica
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Ana Rita
- Psicólogo Registado (PT)

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- Registado: terça ago 31, 2004 1:44 pm
- Localização: Lisboa
Corroboro a colega Cristina e acrescento que essa estranheza pode ser provocada voluntariamente pelos alunos de uma forma mais obsessiva. Ou seja, ao experimentarem essa sensação procuram confirmá-la agindo da mesma forma em frente ao espelho. Daí quando se distraem não pensarem ou sentirem isso.
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
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AbLaZe
- Psicólogo Registado (PT)

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- Registado: sexta jun 01, 2007 12:27 pm
- Localização: Neverland
NunoF Escreveu:Psycologo Escreveu:Eu tinha um comportamento semelhante em miúdo, mas tal não me causava medo, .
Sem medo
Psycologo, não chora... Não chora! Não dói.
(O professor Moreira vai ficar chocado por causa dos off-topic!... Já agora, gostava que nos desse a sua opinião de "outsider" sobre esta questão, Moreira. É que já nos chamaram adolescentes inconsequentes por esta comunicação informal que ocorre entre alguns users cá do fórum... Obrigada!
Vi Veri Veniversum Vivus Vici
-
Cristina Silva
- Psicólogo Registado (PT)

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- Registado: quinta out 25, 2007 9:52 am
olhar-se no espelho ter medo ou ver outra pessoa
Quanto aos alunos, posso dizer que são alunos adultos, já reformados, que por vezes se sentem sós. Dou aulas numa das denominadas "Universidade da 3ª.Idade".
Estavamos a falar de assuntos de psicologia, nomeadamente de algumas situações que as pessoas vivem e estes assuntos foram abordados.
Em ambos os casos as pessoas eram do sexo feminino e referiram já ter estes sintomas há muito tempo.
Se precisarem de mais informação digam-me.
A minha opinião é que talvez tenham algum problema ligado á percepção ou que o espelho esteja a reflectir aquilo que eles são na realidade, pessoas desajustadas com os seus "inconscientes".
Talvez estejam a fazer "clivagens" inconscientes e a ver aquilo que o inconsciente lhes transmite
Estavamos a falar de assuntos de psicologia, nomeadamente de algumas situações que as pessoas vivem e estes assuntos foram abordados.
Em ambos os casos as pessoas eram do sexo feminino e referiram já ter estes sintomas há muito tempo.
Se precisarem de mais informação digam-me.
A minha opinião é que talvez tenham algum problema ligado á percepção ou que o espelho esteja a reflectir aquilo que eles são na realidade, pessoas desajustadas com os seus "inconscientes".
Talvez estejam a fazer "clivagens" inconscientes e a ver aquilo que o inconsciente lhes transmite
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AbLaZe
- Psicólogo Registado (PT)

- Mensagens: 1498
- Registado: sexta jun 01, 2007 12:27 pm
- Localização: Neverland
Tendo em conta a faixa etária de que falamos e daquilo que nos disse Moreira, creio tratar-se de um fenómeno despersonalização. O professor Moreira refere que os seus alunos lhe parecem sós. Também é este o caso dessas duas senhoras? A despersonalização pode ocorrer por diversos motivos e pode ser sintoma de algumas psicopatologias. Acontece com alguma frequência em pessoas deprimidas, por exemplo. Poderia ser este o caso das suas alunas, tendo em conta a idade e a situação social das mesmas. O isolamento não é positivo nestes casos e a despersonalização intensifica-se e os episódios repetem-se com maior frequência. A questão de se olhar no espelho, tal como a Cristina Silva refere no seu post, é altamente despersonalizante. Recordemo-nos que não estamos habituados a ver-nos a nós próprios e é sempre uma sensação estranha quando isso acontece, seja no espelho, seja em vídeo ou fotografias. O mesmo acontece com a nossa voz; parece-nos sempre distorcida.
O contributo da Ana Rita também aqui se enquadra muito bem. Se estivermos a falar de pessoas obsessivas, a despersonalização pode ser evocada, ou seja, ao olhar-se no espelho, fixam-se na sensação de despersonalização que tiveram uma ou outra vez, e a sensação repete-se.
Se isto resulta num problema para essas duas senhoras, parece-me que as deveria orientar para um profissional de saúde mental. Há que ter em conta uma série de factores que, tendo em conta a idade das senhoras, podem passar por patologias como depressão, transtornos obsessivos (como já referi) ou síndromes demenciais, a medicação que tomam, relato de outras situações em que se tenham sentido assim, apoio social que têm, entre outras questões importantes na anamnese. Importante também será saber se estas senhoras não estão expostas a maus tratos ou violência doméstica, física e/ ou psicológica, ou a stress constante, uma vez que estas condições também abrem portas à despersonalização.
Num relato na primeira pessoa, vou contar-vos um episódio de despersonalização pelo qual passei há cerca de 8 anos. Aos 15 anos comecei a ter crises alucinatórias visuais, devidas a um foco epiléptico temporal. Tomei Tegretol e as crises foram controladas. A condição era benigna e nunca tivera uma crise convulsiva. Em altura de exames, já no 1º ano do ensino superior, ainda a tomar Tegretol, decidi parar com o medicamento, uma vez que cismei que andava mais desatenta por causa dele e receava maus resultados nas frequências. Não tive crises durante o período dos exames e, depois de tudo feito, retomei a medicação. Erro crasso de uma adolescente inconsequente, que apesar de saber que estava a fazer mal, insistiu em retomar a dose tal e qual como antes, ou seja, em vez de recomeçar aos poucos, voltei a tomar a dose diária que tomava há quase 5 anos. No segundo dia em que recomecei a medicação, tive uma crise convulsiva, em pleno café, a meio de um trabalho de grupo, e com todo o aparato de uma crise epiléptica convulsiva geral. Quando voltei a mim, uma colega (e amiga) levou-me à casa-de-banho. Na casa de banho havia um espelho enorme, mesmo em frente à sanita (sítio estranho para se colocar um espelho...). Enquanto tentava urinar, amparada pela minha colega, perguntei-lhe 3 vezes: "Quem é aquela rapariga que está ali à frente a olhar para mim?"
Foi dos episódios mais estranhos que me ocorreu na vida, olhar para mim e pensar que era outra pessoa. É uma sensação indiscritível, olhar-nos com o mesmo retraímento, estranheza e curiosidade, como se olha alguém que nunca vimos antes.
Em relação à epilepsia, nesse mesmo ano deixei a droga. Passados 3 anos sem manifestações da epilepsia, à excepção desta, por andar a brincar com o Tegretol, fiz o desmame e nunca mais sofri uma crise. Nessas alturas, das crises, também entrava num universo paralelo, com uma sensação de dejá-vu fantástica e um cortejo de personagens que surgiam diante dos meus olhos, em primeiro plano, enquanto estava consciente do que se passava à minha volta, em segundo plano. Nunca consegui descrever exactamente o que via.
Agora, fica a recordação de uma sensação de dejá-vu, um aperto no peito e um filme surrealista a passar à minha frente. Ah! E a loucura da AbLaZe.
Já que deixo aqui este testemunho tão pessoal, posso sugerir que se abra um tópico sobre experiências deste género com os user's deste fórum. Relatos na primeira pessoa são preciosos. Já os temos na área do trabalho. E se os tivermos também na área psíquica? Afinal, também somos pessoas.
O contributo da Ana Rita também aqui se enquadra muito bem. Se estivermos a falar de pessoas obsessivas, a despersonalização pode ser evocada, ou seja, ao olhar-se no espelho, fixam-se na sensação de despersonalização que tiveram uma ou outra vez, e a sensação repete-se.
Se isto resulta num problema para essas duas senhoras, parece-me que as deveria orientar para um profissional de saúde mental. Há que ter em conta uma série de factores que, tendo em conta a idade das senhoras, podem passar por patologias como depressão, transtornos obsessivos (como já referi) ou síndromes demenciais, a medicação que tomam, relato de outras situações em que se tenham sentido assim, apoio social que têm, entre outras questões importantes na anamnese. Importante também será saber se estas senhoras não estão expostas a maus tratos ou violência doméstica, física e/ ou psicológica, ou a stress constante, uma vez que estas condições também abrem portas à despersonalização.
Num relato na primeira pessoa, vou contar-vos um episódio de despersonalização pelo qual passei há cerca de 8 anos. Aos 15 anos comecei a ter crises alucinatórias visuais, devidas a um foco epiléptico temporal. Tomei Tegretol e as crises foram controladas. A condição era benigna e nunca tivera uma crise convulsiva. Em altura de exames, já no 1º ano do ensino superior, ainda a tomar Tegretol, decidi parar com o medicamento, uma vez que cismei que andava mais desatenta por causa dele e receava maus resultados nas frequências. Não tive crises durante o período dos exames e, depois de tudo feito, retomei a medicação. Erro crasso de uma adolescente inconsequente, que apesar de saber que estava a fazer mal, insistiu em retomar a dose tal e qual como antes, ou seja, em vez de recomeçar aos poucos, voltei a tomar a dose diária que tomava há quase 5 anos. No segundo dia em que recomecei a medicação, tive uma crise convulsiva, em pleno café, a meio de um trabalho de grupo, e com todo o aparato de uma crise epiléptica convulsiva geral. Quando voltei a mim, uma colega (e amiga) levou-me à casa-de-banho. Na casa de banho havia um espelho enorme, mesmo em frente à sanita (sítio estranho para se colocar um espelho...). Enquanto tentava urinar, amparada pela minha colega, perguntei-lhe 3 vezes: "Quem é aquela rapariga que está ali à frente a olhar para mim?"
Foi dos episódios mais estranhos que me ocorreu na vida, olhar para mim e pensar que era outra pessoa. É uma sensação indiscritível, olhar-nos com o mesmo retraímento, estranheza e curiosidade, como se olha alguém que nunca vimos antes.
Em relação à epilepsia, nesse mesmo ano deixei a droga. Passados 3 anos sem manifestações da epilepsia, à excepção desta, por andar a brincar com o Tegretol, fiz o desmame e nunca mais sofri uma crise. Nessas alturas, das crises, também entrava num universo paralelo, com uma sensação de dejá-vu fantástica e um cortejo de personagens que surgiam diante dos meus olhos, em primeiro plano, enquanto estava consciente do que se passava à minha volta, em segundo plano. Nunca consegui descrever exactamente o que via.
Agora, fica a recordação de uma sensação de dejá-vu, um aperto no peito e um filme surrealista a passar à minha frente. Ah! E a loucura da AbLaZe.
Já que deixo aqui este testemunho tão pessoal, posso sugerir que se abra um tópico sobre experiências deste género com os user's deste fórum. Relatos na primeira pessoa são preciosos. Já os temos na área do trabalho. E se os tivermos também na área psíquica? Afinal, também somos pessoas.
Vi Veri Veniversum Vivus Vici
olhar-se no espelho ter medo ou ver outra pessoa
Em primeiro lugar quero agradecer as opiniões manifestadas que considero muito úteis.
Estes tópicos foram importantes para que os alunos podessem reflectir acerca dos seus comportamentos e levou-nos á pesquisa de outros temas relacionados com a psicologia.
Penso que estamos a fazer uma descoberta em conjunto
Muito obrigado
Estes tópicos foram importantes para que os alunos podessem reflectir acerca dos seus comportamentos e levou-nos á pesquisa de outros temas relacionados com a psicologia.
Penso que estamos a fazer uma descoberta em conjunto
Muito obrigado
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Cristina Silva
- Psicólogo Registado (PT)

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- Registado: quinta out 25, 2007 9:52 am
Moreira, um bem-haja à sua postura como professor!
Caso verifique que algum dos seus alunos não está bem psiquicamente, encaminhe-o para uma consulta própria.
Sempre que queira, cá estaremos para o ajudar em temas ligados à psicologia.
AblaZe, bem-haja para o seu belo testemunho tão pessoal. Estou a favor da sua sugestão de abrir um tópico sobre experiências deste género.
Cristina Silva
Caso verifique que algum dos seus alunos não está bem psiquicamente, encaminhe-o para uma consulta própria.
Sempre que queira, cá estaremos para o ajudar em temas ligados à psicologia.
AblaZe, bem-haja para o seu belo testemunho tão pessoal. Estou a favor da sua sugestão de abrir um tópico sobre experiências deste género.
Cristina Silva
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