Ajuda em questões de poder paternal?

Espaço dedicado ao público em geral: aqui poderá apresentar as suas questões e dúvidas, e contar com o apoio dos utilizadores deste fórum. IMPORTANTE: leia as Regras de Utilização antes de participar
Regras do Fórum
-----------
O Psicologia.pt não é responsável pelas intervenções dos vários participantes neste Fórum, sendo o teor desses conteúdos, bem como a utilização que se faça dos mesmos, da exclusiva e total responsabilidade de cada utilizador.
Com o objectivo de permitir o total anonimato, o fórum "Pergunte ao Psicólogo" é o único onde é possível a publicação de tópicos por utilizadores não registados.
Ao mesmo tempo, e como deve ser do entendimento de todos, o carácter "anónimo" dos fóruns faz com que este espaço não ofereça condições para interações que se desenvolvam para além da mera "troca de opiniões".
É expressamente proibida neste fórum a divulgação de serviços de psicologia bem como de quaisquer contactos de psicólogos (nomes, nºs de telefone, moradas e outros contactos).
O Psicologia.pt não se responsabiliza pelo rigor técnico e científico, idoneidade e respeito pelos princípios éticos e deontológicos de toda e qualquer participação.
dulcemarques
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 46
Registado: sexta jan 25, 2008 6:13 pm
Localização: Porto

Ajuda em questões de poder paternal?

Mensagempor dulcemarques » sexta jul 18, 2008 11:23 am

Boa tarde colegas:
Surgiu-me ontem pela primeira vez, desde que dou consultas, uma avó a pedir-me para ver a neta dela pois os pais estão a divorciar-se há um ano e neste momento estão em tribunal para discussão do poder paternal.
A minha questão relativamente a este assunto, e visto que depois terei que fazer os relatórios, possivelmente para apresentação em tribunal, é sobre os melhores métodos de avaliação desta criança com 10 anos.
Eu estava a pensar em passar-lhe o Roberts Percepcion Test, o Pata Negra e talvez o Desenho da Família, o que é que vocês acham? Alguém já teve casos deste?
Agradecia ajuda, estou mesmo a precisar. Obrigada a quem se disponibilizar a responder. Podem fazê-lo para aqui ou para as mensagens privadas.

Cumprimentos, Dulce Marques
resomar
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 195
Registado: domingo fev 24, 2008 2:35 pm
Localização: Porto

Mensagempor resomar » sexta jul 18, 2008 12:00 pm

O familly relation test pode ser uma excelente opção neste tipo de avaliação, fornecendo muita informação quanto à interacção entre membros da familia e aos sentimentos que a criança "envia" e percepciona quanto ao agregado familiar. Além do que lhe fornece muita informação complementar ao desenho da familia.
Pessoalmente, não me faz muito sentido aplicar o RACT e o Pata Negra em conjunto.
E acima de tudo, colega, cuidado com este tipo de pedidos de avaliação. Os pais concordam? Já ouviu todas as partes? Porque, de facto, muitas vezes o psicólogo é instrumentalizado neste tipo de casos.
dulcemarques
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 46
Registado: sexta jan 25, 2008 6:13 pm
Localização: Porto

Mensagempor dulcemarques » sexta jul 18, 2008 12:17 pm

Olá colega resomar:
Obrigada por ter respondido. O pedido foi feito pela avó da criança é certo, mas com o consentimento do pai que amanha virá falar comigo sobre a situação de divórcio pela qual está a viver. Eu sei que muitas vezes uma das partes que instrumentalizar o psicólogo e isso é uma questão que vou deixar bem esclarecida, pois acima de tudo a imparcialidade.
Quanto ao teste que referiu - O Family Relation Test - não o conheço, será que me pode arranjar ou dar indicações de como o posso adquirir? E entre o RATC e o Pata Negra qual é que acha mais correcto aplicar? Então acha que devo aplicar o desenho da família em associação com o Family Relation Test e por ex o RATC ou o Pata Negra?

Cumprimentos
*Marta*
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 959
Registado: sexta abr 06, 2007 9:17 pm

Mensagempor *Marta* » sexta jul 18, 2008 1:03 pm

Olá Dulce,

Eu tenho um caso semelhante ao teu, em que tenho um menino de 8 anos cujos pais estão em processo de divórcio há praticamente um ano, com discussões atrás de discussões, com tribunal, conferências de pais e CPCJ à mistura e em que o pedido foi feito pela mãe.
Eu utilizei o RATC, o desenho da família e o desenho livre. O desenho livre foi utilizado logo na consulta inicial, não só como forma de quebra-gelo mas também para verificar qual a temática desenhada pela criança. Mais à frente, e de forma mais qualitativa, levei-lhe uma família de bonecos e uma família de carros (para verificar que tipo de ligações ele estabelecia) e lemos, em conjunto, um livro que está à venda na Webboom e que se chama "Os meus pais separaram-se", comparando a história da personagem à sua história pessoal.

Espero ter ajudado!
dulcemarques
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 46
Registado: sexta jan 25, 2008 6:13 pm
Localização: Porto

Mensagempor dulcemarques » sexta jul 18, 2008 9:55 pm

Ajudaste bastante Marta.
Muito obrigada pela partilha da tua experiência neste tema. Gostava por isso, se possível, ir falando contigo caso me surjam algumas dúvidas, pois só amanha de manhã é que vou falar com o pai da criança para me inteirar acerca da situação. Como é a primeira vez que vou ter um caso tão forte estou a ter algumas dúvidas, e também receios, de como actuar da melhor maneira.

Obrigada mais uma vez. Cumprimentos
resomar
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 195
Registado: domingo fev 24, 2008 2:35 pm
Localização: Porto

Mensagempor resomar » sábado jul 19, 2008 12:06 am

Ora bem, por pontos:


1. Por uma questão pessoal, prefiro o RACT. Até porque a sua cotação é mais funcional e menos morosa que o pata negra. Para além de poder através deste teste identificar caracteristicas que podem determinar um estado de "crise", permite-lhe obter um retrato fiel sobre o funcionamento da criança.

2. Quanto ao Family Relations Test, penso que só requisitando em alguma faculdade, por exemplo. Na FPCEUP foi realizada alguma investigação nesta àrea, assim como a tradução dos procedimentos de aplicação e cotação. Não lhe sei afiançar se existe na biblioteca desta faculdade ou não.

3. De modo a perceber o comportamento da criança nos seus contextos de vida e sinais e sintomas que possam existir , poderá ser interessante também aplicar a Children Beahviour Check List (CBCL) a ambos os pais e a avó, e analisar as diferenças nas respostas dos mesmos. De certeza que encontrará dados muito interessantes.

4. As estratégias a usar dependerão sobretudo dos modos preferenciais de expressão da criança, embora na minha opinião a dramatização e o desenho sejam sempre estrategias fortes. Como a colega Marta referiu o desenho pode ser também uma forma de quebrar o gelo, e em conjunto com outras estrategias lúdicas, uma forma de estabelecer e consolidar a relação terapeutica.

5. Contudo, se a criança apreciar criar historias, o criar um livro que registe o processo e que a ajude a integrar a sua historia de vida e registar as novas narrativas e significações que for alcançando, é uma estratégia que pessoalmente considero bastante interessante. Pode ser um complemento à exploração inicial de uma historia sobre a temática. A colecção "É urgente ajudar" da estudio didactico tem um livro bastante interessante, adequado à faixa etária em questão e que se chama "´Tu serás sempre meu pai", que aborda não só o divórcio, mas a reestruturação das relações familiares.
dulcemarques
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 46
Registado: sexta jan 25, 2008 6:13 pm
Localização: Porto

Mensagempor dulcemarques » sábado jul 19, 2008 9:56 am

Resomar e Marta:

Obrigada por esta síntese, ambas estão a ajudar-me imenso a clarificar o melhor modo de actuação.
Não me esquecerei desta vossa partilha e conselhos. Muito obrigada + uma vez.

Cumprimentos a ambas
*Marta*
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 959
Registado: sexta abr 06, 2007 9:17 pm

Mensagempor *Marta* » domingo jul 20, 2008 12:55 pm

De nada, Dulce!

Apenas mais uma dica: procura falar com todos os intervenientes, nomeadamente o pai e a mãe, se necessário em separado. Muito provavelmente, se a relação for conflituosa, irão falar mal um do outro e dar-te dados contraditórios. O mesmo para a CBCL: muitas vezes, os pais têm tendência para exagerar os dados que colocam. Posso dizer-te que, no caso que estou a acompanhar, a mãe atribui as discussões entre irmãos (perfeitamente normais, que todos os irmãos têm) à ausência do pai. Apliquei-lhe a CBCL e foi completamente enviesada.
Se a criança que acompanhas gostar de falar sobre o assunto (factor que não tive sorte nenhuma), podes criar um diário com ela ou um registo de auto-monitorização, em especial se notares algum tipo de sintomatologia ansiosa ou depressiva.

Qualquer coisa, estou ao dispor!

Voltar para “Pergunte ao Psicólogo”

Quem está ligado:

Utilizadores neste fórum: Nenhum utilizador registado e 8 visitantes