Boa tarde colegas:
Surgiu-me ontem pela primeira vez, desde que dou consultas, uma avó a pedir-me para ver a neta dela pois os pais estão a divorciar-se há um ano e neste momento estão em tribunal para discussão do poder paternal.
A minha questão relativamente a este assunto, e visto que depois terei que fazer os relatórios, possivelmente para apresentação em tribunal, é sobre os melhores métodos de avaliação desta criança com 10 anos.
Eu estava a pensar em passar-lhe o Roberts Percepcion Test, o Pata Negra e talvez o Desenho da Família, o que é que vocês acham? Alguém já teve casos deste?
Agradecia ajuda, estou mesmo a precisar. Obrigada a quem se disponibilizar a responder. Podem fazê-lo para aqui ou para as mensagens privadas.
Cumprimentos, Dulce Marques
Ajuda em questões de poder paternal?
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O Psicologia.pt não é responsável pelas intervenções dos vários participantes neste Fórum, sendo o teor desses conteúdos, bem como a utilização que se faça dos mesmos, da exclusiva e total responsabilidade de cada utilizador.
Com o objectivo de permitir o total anonimato, o fórum "Pergunte ao Psicólogo" é o único onde é possível a publicação de tópicos por utilizadores não registados.
Ao mesmo tempo, e como deve ser do entendimento de todos, o carácter "anónimo" dos fóruns faz com que este espaço não ofereça condições para interações que se desenvolvam para além da mera "troca de opiniões".
É expressamente proibida neste fórum a divulgação de serviços de psicologia bem como de quaisquer contactos de psicólogos (nomes, nºs de telefone, moradas e outros contactos).
O Psicologia.pt não se responsabiliza pelo rigor técnico e científico, idoneidade e respeito pelos princípios éticos e deontológicos de toda e qualquer participação.
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dulcemarques
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resomar
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O familly relation test pode ser uma excelente opção neste tipo de avaliação, fornecendo muita informação quanto à interacção entre membros da familia e aos sentimentos que a criança "envia" e percepciona quanto ao agregado familiar. Além do que lhe fornece muita informação complementar ao desenho da familia.
Pessoalmente, não me faz muito sentido aplicar o RACT e o Pata Negra em conjunto.
E acima de tudo, colega, cuidado com este tipo de pedidos de avaliação. Os pais concordam? Já ouviu todas as partes? Porque, de facto, muitas vezes o psicólogo é instrumentalizado neste tipo de casos.
Pessoalmente, não me faz muito sentido aplicar o RACT e o Pata Negra em conjunto.
E acima de tudo, colega, cuidado com este tipo de pedidos de avaliação. Os pais concordam? Já ouviu todas as partes? Porque, de facto, muitas vezes o psicólogo é instrumentalizado neste tipo de casos.
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dulcemarques
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Olá colega resomar:
Obrigada por ter respondido. O pedido foi feito pela avó da criança é certo, mas com o consentimento do pai que amanha virá falar comigo sobre a situação de divórcio pela qual está a viver. Eu sei que muitas vezes uma das partes que instrumentalizar o psicólogo e isso é uma questão que vou deixar bem esclarecida, pois acima de tudo a imparcialidade.
Quanto ao teste que referiu - O Family Relation Test - não o conheço, será que me pode arranjar ou dar indicações de como o posso adquirir? E entre o RATC e o Pata Negra qual é que acha mais correcto aplicar? Então acha que devo aplicar o desenho da família em associação com o Family Relation Test e por ex o RATC ou o Pata Negra?
Cumprimentos
Obrigada por ter respondido. O pedido foi feito pela avó da criança é certo, mas com o consentimento do pai que amanha virá falar comigo sobre a situação de divórcio pela qual está a viver. Eu sei que muitas vezes uma das partes que instrumentalizar o psicólogo e isso é uma questão que vou deixar bem esclarecida, pois acima de tudo a imparcialidade.
Quanto ao teste que referiu - O Family Relation Test - não o conheço, será que me pode arranjar ou dar indicações de como o posso adquirir? E entre o RATC e o Pata Negra qual é que acha mais correcto aplicar? Então acha que devo aplicar o desenho da família em associação com o Family Relation Test e por ex o RATC ou o Pata Negra?
Cumprimentos
Olá Dulce,
Eu tenho um caso semelhante ao teu, em que tenho um menino de 8 anos cujos pais estão em processo de divórcio há praticamente um ano, com discussões atrás de discussões, com tribunal, conferências de pais e CPCJ à mistura e em que o pedido foi feito pela mãe.
Eu utilizei o RATC, o desenho da família e o desenho livre. O desenho livre foi utilizado logo na consulta inicial, não só como forma de quebra-gelo mas também para verificar qual a temática desenhada pela criança. Mais à frente, e de forma mais qualitativa, levei-lhe uma família de bonecos e uma família de carros (para verificar que tipo de ligações ele estabelecia) e lemos, em conjunto, um livro que está à venda na Webboom e que se chama "Os meus pais separaram-se", comparando a história da personagem à sua história pessoal.
Espero ter ajudado!
Eu tenho um caso semelhante ao teu, em que tenho um menino de 8 anos cujos pais estão em processo de divórcio há praticamente um ano, com discussões atrás de discussões, com tribunal, conferências de pais e CPCJ à mistura e em que o pedido foi feito pela mãe.
Eu utilizei o RATC, o desenho da família e o desenho livre. O desenho livre foi utilizado logo na consulta inicial, não só como forma de quebra-gelo mas também para verificar qual a temática desenhada pela criança. Mais à frente, e de forma mais qualitativa, levei-lhe uma família de bonecos e uma família de carros (para verificar que tipo de ligações ele estabelecia) e lemos, em conjunto, um livro que está à venda na Webboom e que se chama "Os meus pais separaram-se", comparando a história da personagem à sua história pessoal.
Espero ter ajudado!
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dulcemarques
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Ajudaste bastante Marta.
Muito obrigada pela partilha da tua experiência neste tema. Gostava por isso, se possível, ir falando contigo caso me surjam algumas dúvidas, pois só amanha de manhã é que vou falar com o pai da criança para me inteirar acerca da situação. Como é a primeira vez que vou ter um caso tão forte estou a ter algumas dúvidas, e também receios, de como actuar da melhor maneira.
Obrigada mais uma vez. Cumprimentos
Muito obrigada pela partilha da tua experiência neste tema. Gostava por isso, se possível, ir falando contigo caso me surjam algumas dúvidas, pois só amanha de manhã é que vou falar com o pai da criança para me inteirar acerca da situação. Como é a primeira vez que vou ter um caso tão forte estou a ter algumas dúvidas, e também receios, de como actuar da melhor maneira.
Obrigada mais uma vez. Cumprimentos
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resomar
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Ora bem, por pontos:
1. Por uma questão pessoal, prefiro o RACT. Até porque a sua cotação é mais funcional e menos morosa que o pata negra. Para além de poder através deste teste identificar caracteristicas que podem determinar um estado de "crise", permite-lhe obter um retrato fiel sobre o funcionamento da criança.
2. Quanto ao Family Relations Test, penso que só requisitando em alguma faculdade, por exemplo. Na FPCEUP foi realizada alguma investigação nesta àrea, assim como a tradução dos procedimentos de aplicação e cotação. Não lhe sei afiançar se existe na biblioteca desta faculdade ou não.
3. De modo a perceber o comportamento da criança nos seus contextos de vida e sinais e sintomas que possam existir , poderá ser interessante também aplicar a Children Beahviour Check List (CBCL) a ambos os pais e a avó, e analisar as diferenças nas respostas dos mesmos. De certeza que encontrará dados muito interessantes.
4. As estratégias a usar dependerão sobretudo dos modos preferenciais de expressão da criança, embora na minha opinião a dramatização e o desenho sejam sempre estrategias fortes. Como a colega Marta referiu o desenho pode ser também uma forma de quebrar o gelo, e em conjunto com outras estrategias lúdicas, uma forma de estabelecer e consolidar a relação terapeutica.
5. Contudo, se a criança apreciar criar historias, o criar um livro que registe o processo e que a ajude a integrar a sua historia de vida e registar as novas narrativas e significações que for alcançando, é uma estratégia que pessoalmente considero bastante interessante. Pode ser um complemento à exploração inicial de uma historia sobre a temática. A colecção "É urgente ajudar" da estudio didactico tem um livro bastante interessante, adequado à faixa etária em questão e que se chama "´Tu serás sempre meu pai", que aborda não só o divórcio, mas a reestruturação das relações familiares.
1. Por uma questão pessoal, prefiro o RACT. Até porque a sua cotação é mais funcional e menos morosa que o pata negra. Para além de poder através deste teste identificar caracteristicas que podem determinar um estado de "crise", permite-lhe obter um retrato fiel sobre o funcionamento da criança.
2. Quanto ao Family Relations Test, penso que só requisitando em alguma faculdade, por exemplo. Na FPCEUP foi realizada alguma investigação nesta àrea, assim como a tradução dos procedimentos de aplicação e cotação. Não lhe sei afiançar se existe na biblioteca desta faculdade ou não.
3. De modo a perceber o comportamento da criança nos seus contextos de vida e sinais e sintomas que possam existir , poderá ser interessante também aplicar a Children Beahviour Check List (CBCL) a ambos os pais e a avó, e analisar as diferenças nas respostas dos mesmos. De certeza que encontrará dados muito interessantes.
4. As estratégias a usar dependerão sobretudo dos modos preferenciais de expressão da criança, embora na minha opinião a dramatização e o desenho sejam sempre estrategias fortes. Como a colega Marta referiu o desenho pode ser também uma forma de quebrar o gelo, e em conjunto com outras estrategias lúdicas, uma forma de estabelecer e consolidar a relação terapeutica.
5. Contudo, se a criança apreciar criar historias, o criar um livro que registe o processo e que a ajude a integrar a sua historia de vida e registar as novas narrativas e significações que for alcançando, é uma estratégia que pessoalmente considero bastante interessante. Pode ser um complemento à exploração inicial de uma historia sobre a temática. A colecção "É urgente ajudar" da estudio didactico tem um livro bastante interessante, adequado à faixa etária em questão e que se chama "´Tu serás sempre meu pai", que aborda não só o divórcio, mas a reestruturação das relações familiares.
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dulcemarques
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De nada, Dulce!
Apenas mais uma dica: procura falar com todos os intervenientes, nomeadamente o pai e a mãe, se necessário em separado. Muito provavelmente, se a relação for conflituosa, irão falar mal um do outro e dar-te dados contraditórios. O mesmo para a CBCL: muitas vezes, os pais têm tendência para exagerar os dados que colocam. Posso dizer-te que, no caso que estou a acompanhar, a mãe atribui as discussões entre irmãos (perfeitamente normais, que todos os irmãos têm) à ausência do pai. Apliquei-lhe a CBCL e foi completamente enviesada.
Se a criança que acompanhas gostar de falar sobre o assunto (factor que não tive sorte nenhuma), podes criar um diário com ela ou um registo de auto-monitorização, em especial se notares algum tipo de sintomatologia ansiosa ou depressiva.
Qualquer coisa, estou ao dispor!
Apenas mais uma dica: procura falar com todos os intervenientes, nomeadamente o pai e a mãe, se necessário em separado. Muito provavelmente, se a relação for conflituosa, irão falar mal um do outro e dar-te dados contraditórios. O mesmo para a CBCL: muitas vezes, os pais têm tendência para exagerar os dados que colocam. Posso dizer-te que, no caso que estou a acompanhar, a mãe atribui as discussões entre irmãos (perfeitamente normais, que todos os irmãos têm) à ausência do pai. Apliquei-lhe a CBCL e foi completamente enviesada.
Se a criança que acompanhas gostar de falar sobre o assunto (factor que não tive sorte nenhuma), podes criar um diário com ela ou um registo de auto-monitorização, em especial se notares algum tipo de sintomatologia ansiosa ou depressiva.
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