Pedido de orientação

Espaço dedicado ao público em geral: aqui poderá apresentar as suas questões e dúvidas, e contar com o apoio dos utilizadores deste fórum. IMPORTANTE: leia as Regras de Utilização antes de participar
Regras do Fórum
-----------
O Psicologia.pt não é responsável pelas intervenções dos vários participantes neste Fórum, sendo o teor desses conteúdos, bem como a utilização que se faça dos mesmos, da exclusiva e total responsabilidade de cada utilizador.
Com o objectivo de permitir o total anonimato, o fórum "Pergunte ao Psicólogo" é o único onde é possível a publicação de tópicos por utilizadores não registados.
Ao mesmo tempo, e como deve ser do entendimento de todos, o carácter "anónimo" dos fóruns faz com que este espaço não ofereça condições para interações que se desenvolvam para além da mera "troca de opiniões".
É expressamente proibida neste fórum a divulgação de serviços de psicologia bem como de quaisquer contactos de psicólogos (nomes, nºs de telefone, moradas e outros contactos).
O Psicologia.pt não se responsabiliza pelo rigor técnico e científico, idoneidade e respeito pelos princípios éticos e deontológicos de toda e qualquer participação.
Deniserr
Membro Recém-Chegado
Membro Recém-Chegado
Mensagens: 3
Registado: segunda abr 20, 2009 8:43 am

Pedido de orientação

Mensagempor Deniserr » segunda abr 20, 2009 9:15 am

Olá!
Sou uma jovem que ando a pensar sair de casa brevemente. Até aí tudo certo, o problema é a minha mae. A minha mae tem uma vida muito desorganizada e está muito dependende dos outros. Vou expor o caso:
- A minha mae divorciou-se ha cerca de 10 anos e desde entao nao conseguiu reorganizar a sua vida. Nunca teve um trabalho estavel nem conseguiu ser autonoma.
- Ela sofreu uma depressao decorrente do divorcio, neste momento aparentemente nao tem depressao mas nao está psicologicamente saudavel.
- Quando arranja trabalho estes duram sempre pouco tempo porque, apesar de ela ser sempre uma boa influencia no local de trabalho (palavras dela), ha sempre conflitos com os superiores.
- Apesar de ela odiar o meu pai vive à custa dele, é o meu pai que paga todas as despesas da casa (incluindo alimentaçao) e ainda lhe dá cerca de 250euros para gastos extras. Contudo, mesmo com esta abundancia de dinheiro (pelo menos para quem não trabalha) ela nao consegue poupar nem um bocadinho, pelo contrario o dinheiro nunca lhe chega e sou eu que tenho de ajuda-la quando ela o gasta todo. Por exemplo, recebeu no sabado 50 euros e hoje (segunda) ja nao tem nada. Ela fuma bastante, o que a faz gastar muito dinheiro, mas mesmo assim nao justifica tanta desorganizaçao na gestão do dinheiro. Quando questionada sobre o que fez ao dinheiro nunca tem uma resposta objectiva
- Relativamente às relaçoes interpessoais tambem nao sao as melhores, tem poucos amigos e no campo amoroso (pelo o que ela me conta) as coisas tambem nao sao muito saudaveis
- Sempre que as coisas lhe correm mal atribuí isto a causas externas, diz que ha algo que nao a deixa andar para a frente e que as coisas do passado estão sempre a influencia-la negativamente. Para além disso já falou algumas vezes que os outros lhe roubam as coisas boas que ela tem (sejam sentimentos ou ideias)

Que ela precisa de ajuda psicologica ou psiquiatrica é obvio, mas o problema é que ela não está nada receptiva e, apesar de eu lhe dizer que quando sair de casa a coisa tem de mudar e já nao vou estar lá para ajuda-la monetariamente, ela adia sempre a mudança.

A questao é: gostaria que me ajudassem com uma estratégia para lhe fazer compreender a importancia de ser ajudada para além de um pedido de informações sobre sitios onde ela poderia ser ajudada e o tipo de tratamento que ela precisa. Convem referir que como ha muito gasto de dinheiro ha poucos fundos para o apoio psicologico... por isso se souberem de algo barato e bom era optimo.

Muito Obrigado
Bacelar
Membro Sénior
Membro Sénior
Mensagens: 358
Registado: terça mar 04, 2008 3:10 pm
Localização: Lisboa

Mensagempor Bacelar » terça abr 21, 2009 1:18 am

Sem querer inferir qualquer tipo de comentário desqualificativo ou induzir a qualquer presunção crítica, sabendo que a sua mãe apresenta sinais e sintomas de disfunção psicológica que interferem nos vários quadrantes da vida dela e, vivendo ela acompanhada, será que vivendo por ela própria sem a sua matriz de apoio irá subsistir a uma nova mudança? A uma nova alteração na vida dela? A uma nova adaptação? ... / Já tentou informar-se na junta de freguesia ou no centro de saúde da sua área?
Deniserr
Membro Recém-Chegado
Membro Recém-Chegado
Mensagens: 3
Registado: segunda abr 20, 2009 8:43 am

Mensagempor Deniserr » terça abr 21, 2009 11:58 am

Pois, é disso que tenho medo..que ela nao consiga se governar sozinha quando eu me for embora. Continuará a ter apoio monetário mas se ela nao aprende a organizar-se nunca será o suficiente. Mas eu nao vou atrasar a minha vida por causa dela (senao quem fica com uma depressao sou eu). A sua sugestão de ir aos centros de saude é boa..mas mesmo que encontre algo adequado o dificil é que ela aceite tratamento. O dificil é fazer-lhe entender que precisa de ajuda
Ana Rita
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 1794
Registado: terça ago 31, 2004 1:44 pm
Localização: Lisboa

Mensagempor Ana Rita » terça abr 21, 2009 12:19 pm

Deniserr, pelo que descreve é visível que tem tentado ajudar bastante a sua mãe, mas como também diz, precisa de pensar na sua vida.

A prática clínica diz-nos que por vezes uma pessoa não procura ajuda, porque tem sempre alguém que "apare" a sua desorganização (neste caso a Denise, que tenta gerir a sua desorganização e o seu pai, que independentemnte dela não saber gerir o dinheiro lhe garante o mesmo todos os meses). A sua mãe poderá estar disfuncionalmente habituada a poder contar sempre consigo (e também como ele) e isso fazer com que não sinta necessidade de gerar mudanças.
A sua saída de casa poderá, nesse sentido, ser um motor que crie a possibilidade dela aceitar que precisa de ajuda, se de facto lhe forem "entregues" o assumir das suas próprias responsabilidades (pelo menos as básicas do dia a dia).

Pode também mostrar-se disponível para a ajudar, mas mostrando-lhe que em primeiro lugar ela precisa de aceitar ser ajudada da forma correcta. Se ela não aceitar, mas se por outro lado a Denise já não estiver sempre lá, pode ser que assim ela aceite a ajuda que lhe pode oferecer, ou seja, ajuda no encaminhamento para um profissional. Esta atitude é muito difícil de tomar com pessoas próximas e que gostamos muito, mas por vezes é a única forma.

O que quero dizer é: neste momento o melhor não será fazê-la entender que necessita de ajuda, mas sim fazê-la sentir essa necessidade.

Salvaguardo que, como as descrições e comunicações num fórum são sempre mais pobres e consequentemente a nossa capacidade de as avaliar também, a Denise também pode optar por recorrer a um profissional, para que de uma forma menos especulativa a possam ajudar a lidar com esta situação e a receber o aconselhamento necessário.
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
Deniserr
Membro Recém-Chegado
Membro Recém-Chegado
Mensagens: 3
Registado: segunda abr 20, 2009 8:43 am

Mensagempor Deniserr » terça abr 21, 2009 2:13 pm

Obrigado Ana Rita, a sua recomendaçao foi optima. realmente ela tem de sentir necessidade de mudar...a mudança nao pode ser uma coisa imposta senao nunca será uma mudança profunda e verdadeira. E como disse é dificil para quem está proximo lidar com isto porque vai ser dificil ver as dificuldades e as queixas delas e de certo modo ignorar de modo a que ela cresça e aprenda a ser independente. Obg

Voltar para “Pergunte ao Psicólogo”

Quem está ligado:

Utilizadores neste fórum: Nenhum utilizador registado e 13 visitantes