Resolvi abrir novo tópico em vez de responder novamente com texto no tópico anterior porque acho que é o que vem referido a seguir que se tem vindo a passar. Aliás, acho que cada vez mais (e cada vez mais somos mais a pensar como eu) nos demarcamos de assumir as nossas responsabilidades pelo que fazemos. Como se o mundo nos fosse cair em cima! Dizia-me uma colega há pouco relativamente a um adolescente em consulta, "faltou-lhe sentir frustrações no crescimento, não sabe lidar com um não, com a possibilidade de ter de escolher".
A forma como nós, portugueses vivemos cada vez mais a frustração e o atribuir de culpas aos outros é impressionante. Cada vez mais todos nós nos demarcamos da nossa responsabilidade, pedir desculpas então é impensável, vai-nos cair 1 braço de certeza. Quando se chama a atenção a alguém, prontamente a pessoa ataca e culpa algo. Engraçado ver que quando as coisas nos correm bem é porque nos esforçámos e tivemos sorte, mas quando nos correm mal é sempre culpa dos outros. Não digo só isto para acusar, quantas vezes tenho de fazer exercício de consciência para compreender negações como abertura de outras oportunidades, e não como linchamentos pessoais. Foram todas as portas fechadas que tive na vida que me obrigaram a pegar em ferramentas e construir a minha casa com as minhas janelas. É doloroso, mas caso tenha "sorte" ou não, foram as minhas escolhas. Quero com isto dizer que oiço todos os dias, e leio muitas vezes até neste Fórum muita atribuição de culpa, muita crítica mas poucas oportunidades.
Não deve ser à toa que aparecemos em estatísticas como os mais negativos da Europa.
Isabel Leal in Caras
Responsabilização dos encarregados de educação
Quarta-feira, 8 de Abr de 2009 s 0:00
"Passada a fase em que os professores foram publicamente crucificados (...) convinha olhar para outros lados do processo educativo e questionar o sistema que nalguns aspectos é facilitista e trata os alunos como se eles fossem clientes de uma empresa de prestação de serviços de luxo."
Corre actualmente na internet uma "petição pela responsabilização efectiva das famílias nos casos de absentismo, abandono e indisciplina escolar". O objectivo é o de conseguir assinaturas que permitam que o tema vá à discussão da Assembleia da República e, eventualmente, se criem mecanismos que permitam a revisão da lei do aluno e outras leis conexas.
Independentemente do que acontecerá depois, há, de facto, uma extraordinária situação de impunidade dos alunos que vão, às vezes, à escola apenas porque é obrigatório. Em rigor, a escola e os professores podem fazer pouco quando os alunos se "baldam" e se estão "nas tintas" e os respectivos encarregados de educação também.
Passada a fase em que os professores foram publicamente crucificados como gente que trabalhava poucas horas e ganhava mais do que merecia, convinha olhar para outros lados do processo educativo e questionar o sistema que nalguns aspectos é facilitista e trata os alunos como se eles fossem clientes de uma empresa de prestação de serviços de luxo.
A obrigatoriedade da Escola, que aparentemente ninguém questiona, não pode ser só uma fórmula depositária de crianças e adolescentes durante uma parte do dia. Se pagamos todos um sistema de ensino público dos mais dispendiosos da Europa, é porque, colectivamente, assumimos que há um conjunto de aprendizagens e conhecimentos a adquirir por todas as crianças e jovens que são imprescindíveis neste nosso mundo.
Se, felizmente, para a maioria das famílias e das crianças o ir à escola tem sentido e dignidades próprias, aquela pequena minoria para quem assim não é chega para transformar algumas escolas e muitas turmas em lugares antipáticos e agressivos em que miúdos problemáticos e famílias desestruturadas, pouco investidas no processo escolar ou mesmo negligentes das crianças, exprimem os seus graus de insatisfação.
É, por isso, necessário descobrir dispositivos que, muito mais eficazmente do que os actuais, façam do ir à Escola a oportunidade única e insubstituível que de facto é.Responsabilizar as famílias nos casos de absentismo, abandono e indisciplina escolar não será tudo, mas é, seguramente, uma das partes importantes.
Responsabilização dos encarregados de educação
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O Psicologia.pt não é responsável pelas intervenções dos vários participantes neste Fórum, sendo o teor desses conteúdos, bem como a utilização que se faça dos mesmos, da exclusiva e total responsabilidade de cada utilizador.
Com o objectivo de permitir o total anonimato, o fórum "Pergunte ao Psicólogo" é o único onde é possível a publicação de tópicos por utilizadores não registados.
Ao mesmo tempo, e como deve ser do entendimento de todos, o carácter "anónimo" dos fóruns faz com que este espaço não ofereça condições para interações que se desenvolvam para além da mera "troca de opiniões".
É expressamente proibida neste fórum a divulgação de serviços de psicologia bem como de quaisquer contactos de psicólogos (nomes, nºs de telefone, moradas e outros contactos).
O Psicologia.pt não se responsabiliza pelo rigor técnico e científico, idoneidade e respeito pelos princípios éticos e deontológicos de toda e qualquer participação.
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vectrapc
- Psicólogo Registado (PT)

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Responsabilização dos encarregados de educação
É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão
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Ana Rita
- Psicólogo Registado (PT)

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Os tempos vão demarcando diferentes problemáticas e este artigo explica muito bem uma das questões mais preocupantes que estamos a atravessar no que toca à educação das crianças e jovens.
São inúmeras as vezes em que me deparo com pais que perante uma queixa do seu educando de que um colega fez isto, ou de que um professor fez aquilo, vêm disparados à escola pedir justificações, com a ideia antecipatória de que o que o filho disse corresponde fielmente à realidade. O problema não está no relato da crianças, mas na forma como este depois é muitas vezes mal gerido pelos pais e como não é corrigido pelo que realmente se passou.
Como a Vectrapc disse, o apontar imediato da culpa no exterior, que depois reforça na criança o sentimento de que de facto a culpa é do outro. A ênfase do pai ou da mãe na atribuição de culpados é tão grande, que a criança desvaloriza ou mesmo esquece o papel que ela própria poderá ter tido. E não é suposto nascermos com a noção de auto-crítica, precisamos que nos ensinem.
Outra coisa a que assisto, tem a ver com a repressão que gerações passadas tiveram. Pais que outrora na sua adolescência, jamais poderiam saír de casa, ou que por qualquer coisa levavam uma tareia, hoje, no estigma da educaçaõ que tiveram, representam o oposto, não conseguindo encontrar o equilíbrio entre a repressão e a excessiva liberdade ou impunidade. Nunca me esqueço duma mãe em particular, que por ter um filho que não consegue acatar uma regra sequer no espaço da escola nem em casa, ficou a chorar quando lhe falei na importância do castigo, como por exemplo não jogar na playstation. Na vida dela o castigo tinha sido de tal forma excessivo, que retirar uma simples playstation adquiria uma dimensão incrível.
A escola não dá as respostas adequadas, e isto tem a ver com o poder que é retirado aos professores e à própria escola (lá está, dantes era excessivo e os professores abusavam dele, hoje pouco acontece a um aluno que levanta a mão a um professor), mas se nos concentramos apenas na escola esquecemos a origem do problema, que não está nesta, mas sim fora desta.
São inúmeras as vezes em que me deparo com pais que perante uma queixa do seu educando de que um colega fez isto, ou de que um professor fez aquilo, vêm disparados à escola pedir justificações, com a ideia antecipatória de que o que o filho disse corresponde fielmente à realidade. O problema não está no relato da crianças, mas na forma como este depois é muitas vezes mal gerido pelos pais e como não é corrigido pelo que realmente se passou.
Como a Vectrapc disse, o apontar imediato da culpa no exterior, que depois reforça na criança o sentimento de que de facto a culpa é do outro. A ênfase do pai ou da mãe na atribuição de culpados é tão grande, que a criança desvaloriza ou mesmo esquece o papel que ela própria poderá ter tido. E não é suposto nascermos com a noção de auto-crítica, precisamos que nos ensinem.
Outra coisa a que assisto, tem a ver com a repressão que gerações passadas tiveram. Pais que outrora na sua adolescência, jamais poderiam saír de casa, ou que por qualquer coisa levavam uma tareia, hoje, no estigma da educaçaõ que tiveram, representam o oposto, não conseguindo encontrar o equilíbrio entre a repressão e a excessiva liberdade ou impunidade. Nunca me esqueço duma mãe em particular, que por ter um filho que não consegue acatar uma regra sequer no espaço da escola nem em casa, ficou a chorar quando lhe falei na importância do castigo, como por exemplo não jogar na playstation. Na vida dela o castigo tinha sido de tal forma excessivo, que retirar uma simples playstation adquiria uma dimensão incrível.
A escola não dá as respostas adequadas, e isto tem a ver com o poder que é retirado aos professores e à própria escola (lá está, dantes era excessivo e os professores abusavam dele, hoje pouco acontece a um aluno que levanta a mão a um professor), mas se nos concentramos apenas na escola esquecemos a origem do problema, que não está nesta, mas sim fora desta.
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
Parece-me que de facto o problema nasce fora da escola, cresce fora e dentro da escola, os Pais deveriam ser os primeiros interessados numa boa educação dos filhos... mas como responsabilizar os Pais?? Prender o Pai ou Mãe do miúdo que agrediu a professora?? Aplicar Coimas??
Como dar mais poder aos professores? Permitir que respondam também com violência??
A mim parece-me é que muitos dos casos que têm vindo a público, são casos de policia, e um miúdo que agride um professor, não pode ficar impune, é um caso de policia, que depois levaria a uma intervenção por parte de técnicos (Assistentes Sociais, Psicólogos, comissões..) etc etc, tem-se resolvido a coisa com expulsão da escola e transferência para outra. Assim não vamos lá.
Como dar mais poder aos professores? Permitir que respondam também com violência??
A mim parece-me é que muitos dos casos que têm vindo a público, são casos de policia, e um miúdo que agride um professor, não pode ficar impune, é um caso de policia, que depois levaria a uma intervenção por parte de técnicos (Assistentes Sociais, Psicólogos, comissões..) etc etc, tem-se resolvido a coisa com expulsão da escola e transferência para outra. Assim não vamos lá.
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