Pós graduação em Psicologia?

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4zbruno
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Mensagempor 4zbruno » segunda mai 05, 2008 11:29 am

okay, na minha gota de conhecimento perante um oceano, estava registado que a pós-graduação seria de uns 2 anos e não uns 2 meses....lol

Que poderei dizer agora? mudei a minha opiniao =) dps releio tudo, mas agora vou almoçar!
Ana Rita
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Mensagempor Ana Rita » segunda mai 05, 2008 12:54 pm

Algumas são 2 anos, outras 2 meses etc, não está definido o mínimo de carga horária. Mas mesmo as de 2 anos é imprescendível a formação de base em psicologia, ou seja os 5 anos. A não ser que a pessoa, mesmo não sendo psicólogo, faça uma formação de 5 anos numa sociedade para obter o título de psicoterapeuta.
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
Carla Alves
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PSICÓLOGOS

Mensagempor Carla Alves » sexta mai 09, 2008 10:22 am

Sou finalista de Psicologia e pelos vossos comentários continua a reforçar-se a minha ideia que os psicologos não se ajudam entre si, é uma classe que infelizmente se enterra substancialmente uns aos outros.
A humildade é uma característica muito bonita em todas as pessoas, especialmente nos psicologos.
A forma agressiva como respondem às pessoas é de completos ignorantes e não de psicologos registados e experts como se classificam.
Nem toda a gente pode tirar um curso de psicologia e ouvir os outros é a nossa função e não começar a descacar em toda a gente que faz perguntas sobre o tema tratando-os como reles ignorantes.
Realmente a vossa vida deve ser um bocado pobre, não têm interesse por mais nenhum assunto a não ser psicologia? Eu interesso-me por vários e as pessoas respondem-me sem qualquer tipo de problema e sem me chamarem ignorante.
Sejam humildes e não desprestigiem a classe dos psicologos. Apliquem o que supostamente aprenderam e não façam figuras tristes em fóruns públicos.
Carla Alves
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Re: PSICÓLOGOS

Mensagempor Psycologo » sexta mai 09, 2008 11:23 am

Futura colega, é verdade que a conversa foi-se desenrolando em alguns momentos com um tom (se assim se pode chamar) desadequado.
Não condeno quem quer possuir algumas bases na nossa área para complementar a sua, bem pelo contrário; mas também defendo que cada um deve desempenhar as funções para as quais tem competência.
Penso que as pessoas que não são da área deveriam ler o tópico; mitos sobre a psicologia.
Penso também, que a melhor forma de ajudar uma pessoa é encaminhá-la para um profissional que realmente tem competências para a ajudar, e não, a tarefa ficar a cargo de alguém que tem, desculpem a expressão: "umas luzes", porque a ideia de que: eu sou quase um psicólogo na minha profissão, porque as pessoas desabafam comigo ou, eu oiço os problemas das pessoas; não é a imagem que deve passar de um psicólogo, nem deve ser alimentada.
Desculpem também que diga isto, mas para alguém que não é da área, não é com uma pós-graduação que poderá ajudar a resolver "os problemas" dos utentes/clientes/pacientes. Poderá é ganhar um maior enquadramento do caso e encaminhá-lo mais rapidamente a um profissional da área em causa.
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Re: PSICÓLOGOS

Mensagempor psirui » sexta mai 09, 2008 12:56 pm

Psycologo Escreveu:Futura colega, é verdade que a conversa foi-se desenrolando em alguns momentos com um tom (se assim se pode chamar) desadequado.
Não condeno quem quer possuir algumas bases na nossa área para complementar a sua, bem pelo contrário; mas também defendo que cada um deve desempenhar as funções para as quais tem competência.
Penso que as pessoas que não são da área deveriam ler o tópico; mitos sobre a psicologia.
Penso também, que a melhor forma de ajudar uma pessoa é encaminhá-la para um profissional que realmente tem competências para a ajudar, e não, a tarefa ficar a cargo de alguém que tem, desculpem a expressão: "umas luzes", porque a ideia de que: eu sou quase um psicólogo na minha profissão, porque as pessoas desabafam comigo ou, eu oiço os problemas das pessoas; não é a imagem que deve passar de um psicólogo, nem deve ser alimentada.
Desculpem também que diga isto, mas para alguém que não é da área, não é com uma pós-graduação que poderá ajudar a resolver "os problemas" dos utentes/clientes/pacientes. Poderá é ganhar um maior enquadramento do caso e encaminhá-lo mais rapidamente a um profissional da área em causa.


Muito bem!!! Agora estou de acordo com o "laranjinha"! :wink:
FUI ROUBADO NO Nº DE MENSAGENS QUE TINHA NO FÒRUM E POR VEZES APAGAM OS MEUS POST´S!!!
Ana Rita
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Mensagempor Ana Rita » sexta mai 09, 2008 1:33 pm

Carla Alves, antes de psicólogos somos pessoas e não temos de transmitir nenhuma mensagem de perfeição ou de redoma à volta disso. Não deixa de ser curioso falar em humildade e posteriormente dizer que a nossa vida deve ser muito pobre...vejo precipitação e idealização da sua parte quanto ao que deve ser o nosso papel. Isto é um fórum, há-que "discutir", trocar ideias, até mesmo discordar com diferentes convicções como forma de evoluirmos. No dia em que se tirar um curso de santidade, aí sim, talvez não possamos ser simples pessoas num simples fórum.
Há uma grande diferença entre lutar por algo melhor e destruir o que está à volta, sendo que uma coisa não implica a outra. O objectivo aqui não é aniquilar as pessoas com quem discordamos, mas sim dar novas perspectivas e despertar consciências, ainda que para isso possamos dizer coisas que não são agradáveis de "ouvir". É importante defendermos o nosso papel e o nosso trabalho, não há arrogância nenhuma nisso.

Quando ler mais comentários e não apenas aqueles que lhe transmitem algo negativo, vai ver que muitos de nós somos muito ricos :D
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
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Aconselham-se Códigos de Ética Profissional a Estudante

Mensagempor Bacelar » quarta mai 28, 2008 12:50 am

Aconselho a futura colega a ler os códigos de ética e deontológicos... Frase a frase...

Entre os meus colegas a "terem uma vida podre"

ou a serem honestos nas suas expressões,
embora de forma desadequada ou não( é subjectivo),
prefiro que a segunda hipótese...

Que transmite desta forma, o facto de serem humildes e dizerem aquilo que pensam face ao que leram...



O facto de sermos «mais ou menos adequados» na forma de nos expressarmos, não nos define como incompetentes na nossa profissão.


Sem querer ferir susceptibilidades,
Com os melhores cumprimentos,
Bacelar
Hugo
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ois

Mensagempor Hugo » quarta mai 28, 2008 3:21 pm

Cara Brenda,

O que é a psicologia ou o que raio é que os psicólogos fazem? :)

Infelizmente a palavra escrita ocupa muito "papel" ou neste caso "página". Contudo... na minha opinião, acho que se podia resumir a dois pontos fundamentais:

- Psicologia é a ciência que estuda acerca dos processos mentais, a razão, a lógica, os pensamentos, os sentimentos e o comportamento humano (sendo que também existe a etologia, a nível animal, por exemplo).

- A psicologia como qualquer ciência... tem as suas várias valências. Sendo que as principais (mas não as únicas) podem ser divididas em: Clínica, Social e Organizacional, Educacional e Investigação. Mas multiplica-se em centenas de outras áreas dentro de cada uma destas.

Na área que coloca a sua questão (Clínica) também podemos resumir o seguinte:

- Um psicólogo na área clínica rege-se por: uma determinada teoria, conhecimentos científicos qualitativos e quantitativos, técnicas específicas de intervenção, modos específicos de entender a patologia.

São essas coisas todas juntas que nos possibilitam a nós psicólogos termos (se formos bem sucedidos) sucesso nos casos e que faz de nós isso mesmo... PSICÓLOGOS... na área da clínica...

Não é puramente "ouvir o outro desbobinar" e ir dizendo "coitadinho" ou ir dando conselhos baseados no "senso comum". É sermos capazes de ser sensíveis ao sofrimento do outro (CLARO) mas também nos regermos por um determinado corpo teórico-científico-prático que nos permita compreender como podemos auxiliar aquela pessoa a ultrapassar aquilo que lhe traz sofrimento e termos as técnicas que nos possibilitam a nós sermos um veículo de mudança.

Só para ser mais específico posso dar dois (resumidíssimos) exemplos:

Uma criança que nos aparece com problemas de conduta (comportamentos agressivos), numa determinada teoria (por exemplo a cognitivo comportamental) e não levando muito em conta a idade da criança (porque varia o entendimento e o tipo de intervenção):

- podemos procurar entender aquela "queixa" de um ponto de vista puramente comportamental, procurando estratégias para inibir ou fazer cessar o comportamento indesejável (seja através de treinamento de outros comportamentos - existem técnicas para isso -, seja através do reforço negativo - existem técnicas para isso -, etc etc etc), podemos também procurar entender e intervir sobre os pensamentos e sentimentos que povoam a cabeça da criança e ir entendendo com a lógica empírica o modo de enfrentar as crenças e os pensamentos automáticos que vão surgindo, etc etc etc;

- podemos noutra vertente (por exemplo numa vertente de terapia familiar) quais são os sistemas (num determinado nível de entendimento podemos dizer: os tipos de relacionamentos e vínculos existentes) naquela família que podem estar a provocar aquele tipo de comportamentos naquela criança (porque pode ser uma maneira da criança de lidar com algo que lhe é insuportável, que apesar de não ser socialmente aceitável pode ser a única maneira de não dar "em doida";

- noutra vertente (mais analítica) compreender (através da nossa sensibilidade mas sempre guiados por uma teoria de base... SEMPRE) as angústias que naquela idade existem, os episódios que ocorreram na vida daquela criança e como isso pode estar a surgir como bloqueio ou defesa de algum aspecto menos consciente, ajudar a criança a compreender sentimentos que não são nomeáveis pela criança... porque simplesmente não os conhece... apenas os sente... entender como é que aquele comportamento pode ser um reflexo exterior de um conflito interior inconsciente daquela criança, etc etc etc;

E MUITO MUITO MUITO mais haveria a ser dito. E tudo o que eu escrevi é sintetizado, retirado fora do contexto e amenizado na linguagem técnica.

Psicologia é um mundo... quando me dizem que "todos nós temos um bocadinho de psicólogos em nós", querem-me dizer:

- "Eu também consigo ajudar as pessoas a desabafar, consigo ir dando uns conselhos para os ajudar e sinto-me melhor por isso".

Pois... eu por exemplo não dou conselhos nas minhas sessões... não me guio pelo "senso comum", guio-me por um determinado corpo teórico-científico que me dá uma base de entendimento para o sofrimento humano, assim como as técnicas para intervir no mesmo.

Psicologia é:

- Teorias diversificadas;
- Estudos Científicos;
- Diferentes formas de intervenção (consoante a população, faixa etária, objectivo);
- Métodos e Práticas;

Eu sei que este post é demasiado longo mas... tenho algum defeito em ser capaz de sintetizar as coisas.

Abraço, espero que não tenha sido confuso.

Hugo
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Ois de novo

Mensagempor Hugo » quarta mai 28, 2008 3:29 pm

Cara Brenda,

Esqueci-me de dizer o seguinte:

- Não só "aprendendo psicologia" pode fazer de nós bons ouvintes e dar-nos a capacidade de auxiliar (de alguma maneira) o outro.

Fazer psicoterapia (nós enquanto pacientes) também nos torna mais sensíveis ao outro e aos nossos sentires.

É uma opinião minha de que é importante para qualquer psicólogo clínico ter o seu próprio processo pessoal (enquanto paciente). Ajuda-nos a conseguir empatizar com o outro (paciente) e... como é óbvio a resolver algumas das nossas questões pessoais, o que nos torna mais disponíveis para "receber" as questões, sentimentos, pensamentos do outro (paciente).

Talvez possa essa ser uma opção para si (ou não!). Espero não correu o risco de ser mal interpretado.

Abraço,

Hugo.
Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » quarta mai 28, 2008 5:39 pm

Uma boa fisioterapeuta não deve descurar os aspectos psicológicos do seu paciente pois eles estão lá e surgem no contexto da intervenção.

É muito bom que a BRENDA queira saber um pouco mais de psicologia, isso só significa que tem sensibilidade para perceber que as pessoas carregam para o seu espaço, mais coisas além da fisioterapia que têm de fazer nalguma altura da sua vida. Imagino os casos e histórias que lhe aparecem!

Uma boa fisioterapeuta deve também saber que nesses casos é melhor encaminhar as pessoas para uma consulta de psicologia, dizendo que a sua intervenção não pode ir mais além da ajuda a que está habilitada a fazer e que a pessoa deve procurar outro técnico para outro tipo de ajuda (um bom fisioterapeuta ou outro bom profissional qualquer noutra área qualquer).

Lógico que só ganha em fazer uma pós graduação pois o saber não ocupa lugar e ajuda-nos sempre no exercício da profissão a que estamos habilitados, mas nunca ficar com a ilusão de que é através disso que vai ser uma fisioterapeuta-psicóloga. Isso seria um erro até porque o contexto da intervenção psicológica é complatamente diferente do contexto da intervenção fisioterapeutica e misturar as duas traria não só riscos a nível ético, como riscos na relação que tem com os pacientes na sua intervenção.

Ser psicólogo não é (e cito-a): “agir quase que como um psicólogo para ajudar o doente a desabafar, aliviar um pouco a sua dor através das palavras..”

Compreendo que queira aliviar a dor dos doentes até porque é muito difícil de lidar com a dor dos outros. E se tiver a fantasia de que alivia a dor do doente, no fundo está a aliviar a sua dor. Já faz muito como fisioterapeuta com os seus doentes!

Se a BRENDA sente que não tem recursos para ajudar mais os seus pacientes, no aspecto psicológico, deve encaminhá-los, sem sentir mágoa por não poder ajudá-los psicologicamente, porque à partida não pode mesmo e tem de aceitar isso sem angústia.

Se tem interesse em ser psicóloga, faça o curso e a devida formação. Não queira ser uma quase psicóloga (isso não existe).

Entretanto pode sempre procurar literatura sobre a dor e os aspectos psicológicos, só para perceber melhor esta coisa que é a dor e com a qual é tão difícil de lidarmos todos como técnicos.

Bom trabalho para si.
Cristina Silva
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Mensagempor miosotis » quinta mai 29, 2008 10:48 am

Eu diria de outra forma:

Muita investigação demonstra que o simples desabafar ( ou algo parecido com catarse) por si só não funciona ou só provoca um alívio durante pouco tempo. Apenas por desabafar não vão aparecer mudanças significativas no comportamento/ pensamento.

Mas se os problemas forem devidamente conceptualizados e empregues as técnicas mais eficazes (desde o questionamento socrático, confrontação, procura de alternativas ou evidências racionais, etc) a mudança no comportamento e pensamento pode ser real e duradoura. ( e aqui realço a maoir cientificidade do modelo cognito- comportamental porque é o mais estudado e comprovado cientificamente).

Como disse o outro colega, uma coisa é Psicologia "científica" , outra coisa é psicologia do senso comum.

Penso que o problema é alguma banalização e distorção do que é a psicologia, existindo aquela imagem romântica de que o psicólogo é aquele fulano que está ali atrás do sofá apenas a ouvir e a registar alguns desabafos. E penso que esta imagem de passividade é transmitida pelo modelo "psicodinâmico".

Não quero fazer polémicas entre modelos, mas alguns modelos reforçam mesmo essa ideia do senso comum e só por isso não é eficaz nem científico.

Mas percebo que seja difícil, aparentemente, distinguir o que é o papel do técnico e que o do senso comum. Algumas das qualidades de um bom tècnico não se aprendem (empatia, calor humano, compreensão...), mas é preciso bastante mais do que isto...

E para a brenda: Então se eu agora tirar um curso de massagens de 15 dias, posso fazer entao massagens aos clientes e dizer-lhes: agora sou quase fisioterapeuta, pois ficam muito melhor e já tinha uma luzes de fisioterapia... Se tirar um curso de 15 dias de primeiros- socorros sou quase enfermeiro?

Penso que o melhor que poderá dizer, cara brenda, é que pode tirar um curso em que aprende a melhorar a relação com os clientes ou a compreender outros aspectos psicológicos, mas de qualquer das formas isso é muito longe de ser "psicólogo".

Tambem penso que é quase um defeito cultural em Portugal que é a mania dos portugueses de dizerem que são muitas coisas e de mandarem bitaites para tudo e para nada...
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Mensagempor Cristina Silva » quinta mai 29, 2008 12:11 pm

miosotis Escreveu:Eu diria de outra forma:

Penso que o problema é alguma banalização e distorção do que é a psicologia, existindo aquela imagem romântica de que o psicólogo é aquele fulano que está ali atrás do sofá apenas a ouvir e a registar alguns desabafos. E penso que esta imagem de passividade é transmitida pelo modelo "psicodinâmico".
...


Isso tem a ver com as sátiras que para mim são deliciosas, feitas até em vários filmes: o analista que dorme ou come ou sai sorrateiramente da sala enquanto o paciente está ali no sofá num diálogo intenso consigo próprio. Mas isso é uma sátira e deve ser percebido como tal.

Outras sátiras também deliciosas são feitas ao modelo mais cognitivo/comportamentalista: o terapeuta que leva o seu paciente para um andar muito alto a fim de curar a sua fobia das alturas, dizendo que a cura só se dá se ele saltar! É outra sátira deliciosa.

O modelo psicodinâmico nada tem a ver com isso, apenas a dinâmica é diferente e de passividade do técnico tem muito pouco. Aliais, como é que se pode pensar em passividade se a relação terapêutica é o maior instrumento de trabalho para a mudança na psicodinâmica? E a relação só se dá porque estão lá activamente os dois: paciente e psicoterapeuta.

As fantasias em relação aos técnicos acontecem com todas as profissões, não só com os psicólogos. Qual é a fantasia do senso comum em relação aos médicos e aos advogados por exemplo?

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Mensagempor Ana Rita » quinta mai 29, 2008 1:35 pm

A questão da passividade no modelo psicodinâmico falado pela miosotis é pertinente, mas na medida em que nem sempre é bem utilizado. Ainda que adepta desta modelo conjugado com outros que considere adequados com a pessoa em questão, a verdade é que não me identifico com a típica visão do analista e do paciente no divã. O que retiro deste modelo é essencialmente o seu conteúdo mas não esse formato. Considero o contacto ocular extremamente importante assim como a relação empática através dos gestos e expressões (tanto aqueles que observamos no paciente como os que o paciente observa em nós).
Como nunca perco oportunidades para dar exemplos...apareceram-me cerca de 3 pessoas em consulta que se queixaram da mesma coisa com terapeutas diferentes. Deitados no divã a falar, falar, falar e a receber hum hum e mais hum hum...não podemos esperar dos pacientes aquilo que a técnica teoricamente ensina, sob pena de sobrepor o modelo à pessoa e de a fazer ir embora antes de saber o que estava ali a fazer. Esclarecimentos, respostas são necessárias e com ou sem modelo psicodinâmico essa interacção é de imediato uma prioridade.
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ois

Mensagempor Hugo » quinta mai 29, 2008 2:13 pm

Olá colegas,

Acho que não vale a pena entrar em discussões acerca dos modelos que nós individualmente usamos ou nos faz sentido... visto que essa não era a questão inicial.

Até porque para conhecermos bem um modelo é preciso estudá-lo... eu pessoalmente achava que o modelo cognitivo-comportamental era demasiado superficial para produzir verdadeiras mudanças profundas... contudo, ao ouvi uma terapeuta dessa corrente explicar um determinado raciocínio cognitivo (num determinado caso) reformulei a minha crença...

Actualmente acho que é uma excelente corrente/teoria/prática... contudo... não o suficiente para (eu ...) mudar a minha corrente mais psicanalítica de intervenção que continua a fazer-me mais sentido.

Gostava só de (não querendo sinceramente entrar nessa lógica de confronto porque TODAS as abordagens são efectivas, por isso é que existem... o que acontece é que UMAS são as mais indicadas para determinados casos e OUTRAS para outros casos...) é que ATÉ as correntes mais dinâmicas podem ir de um extremo mais "passivo", usualmente associada à psicanálise ortodoxa (apesar de TONELADAS de psicanalistas não serem nada passivos... nada "apagados" nas sessões e etc), até às abordagens analíticas/psicodinâmicas mais confrontativas e com sessões bem deliniadas (mais até às vezes que outras correntes, em comparação) que são por exemplo as psicoterapias breves de inspiração analítica.

Abraços e sugiro que aprendamos uns com os outros, tal como aquela colega psicóloga que também abriu os meus olhos que estavam toldados por algum extremismo teórico meu.

Hugo
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Re: ois

Mensagempor Sete-Luas » quinta mai 29, 2008 5:42 pm

E voltamos a cair no mesmo imbróglio de sempre: desviamo-nos sempre do inicialmente discutido, mas ainda bem (só lamento pela Brenda, que se vê emaranhada numa conversa que já nem lhe diz assim tanto respeito).

E em relação ao novo tema proposto, tenho a dizer a título de conclusão o seguinte:

- Os métodos e técnicas valem 15% no processo de mudança
- Os 40% cabem aos próprios clientes, aos recursos e às competências do cliente (como a motivação, as capacidades cognitivas, a vontade, as capacidades interpessoais, etc.)
- 30% diz respeito à relação terapêutica (nomeadamente o terapeuta com o cliente e vice-versa)
- 15%: as expectativas (que funcionam, muitas vezes, como efeito placebo) têm tanta força como os métodos e técnicas.
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Mensagempor miosotis » quinta mai 29, 2008 11:17 pm

As percentagens que indicou são altamente discutíveis, mas eu sei que há estudos que as indicam.

O problema é que há muito pouco tempo é que se começou a estudar os ingredientes que levam ao sucesso da terapia.

Olhe que pelo que indicou lá vem o veredicto do passaro dodo: todas as terapias são boas.

E acaba por dar razão à Brenda: qualquer pessoa pode ser boa psicóloga, até com a 4ª classe ou analfabeta, porque os factores de sucesso dependem muito pouco das técnicas e do próprio psicólogo!!!

Acho que o futuro vai mostrar que há modelos melhores que outros... senão a psicologia nem é científica ( e pode nem ser...)
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Mensagempor AbLaZe » sexta mai 30, 2008 9:58 am

Espero que a brenda já tenha a sua opinião melhor formada em relação à sua vontade de "ajudar" os seus pacientes. brenda, ajude-os da forma que melhor sabe: através da Fisioterapia. Se vir que têm problemas que ultrapassam a Fisioterapia (neste caso, de ordem psicológica), encaminhe-os para o profissional que achar mais indicado, como muito bem referiu a Cristina Silva. Eu, psicóloga, quando tenho nas mãos um paciente que sofreu um AVC e penso poder beneficiar de Fisioterapia, encaminho-o para um fisioterapeuta, não vou tirar pós-graduações nessa área.
Esta sociedade precisa de especialistas e não de músicos-dos-7-instrumentos. Acabamos por não saber tocar cada instrumento isoladamente com a perícia necessária.
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Mensagempor Sete-Luas » sexta mai 30, 2008 10:54 am

miosotis Escreveu:Olhe que pelo que indicou lá vem o veredicto do passaro dodo: todas as terapias são boas.


Exactamente.


miosotis Escreveu:E acaba por dar razão à Brenda: qualquer pessoa pode ser boa psicóloga, até com a 4ª classe ou analfabeta, porque os factores de sucesso dependem muito pouco das técnicas e do próprio psicólogo!!!


É livre de pensar o que bem entender, mesmo tendo consciência que apenas está a querer dissecar (espicaçando) este assunto. Sabe bem que as coisas não são assim tão simples..


miosotis Escreveu:Acho que o futuro vai mostrar que há modelos melhores que outros...


E voltamos sempre ao mesmo e já todos sabemos qual a sua opinião.
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Re: ois

Mensagempor miosotis » sábado mai 31, 2008 1:16 pm

Sete-Luas Escreveu:E voltamos a cair no mesmo imbróglio de sempre: desviamo-nos sempre do inicialmente discutido, mas ainda bem (só lamento pela Brenda, que se vê emaranhada numa conversa que já nem lhe diz assim tanto respeito).

E em relação ao novo tema proposto, tenho a dizer a título de conclusão o seguinte:

- Os métodos e técnicas valem 15% no processo de mudança
- Os 40% cabem aos próprios clientes, aos recursos e às competências do cliente (como a motivação, as capacidades cognitivas, a vontade, as capacidades interpessoais, etc.)
- 30% diz respeito à relação terapêutica (nomeadamente o terapeuta com o cliente e vice-versa)
- 15%: as expectativas (que funcionam, muitas vezes, como efeito placebo) têm tanta força como os métodos e técnicas.



Do que eu entendo destas percentagens, qualquer pessoa tem 85% de hipóteses de ser um bom psicólogo. Os outros 15% é o que se aprende (ou devia aprender) na universidade...
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Re: ois

Mensagempor Sete-Luas » sábado mai 31, 2008 4:15 pm

miosotis,

A relação terapêutica, como sabe, não contempla apenas o saber ouvir e o ser empático. Por exemplo outros aspectos estão envolvidos, nomeadamente a transferência e a contratransferência que, em maior ou menor grau, são entendidos por todos os paradigmas (até mesmo aquele que elege: o Cognitivo-Comportamental).

É certo que o senso comum ouve-nos, mas raramente entende as nossas angústias. É preciso muito mais do que um "Eu entendo-te, mas não fiques assim" para que haja um insight, uma mudança.

Também concordo que as técnicas e os modelos devem valer muito mais do que as estatísticas que referi, mas também percebo claramente que quase todas as terapias são boas. Caso contrário, não existiram actualmente tantas.

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