Boas meus caros,
Eu tenho andado um bocado em baixo com um problema que me está a desgastar muito.
Vou tentar relatar (por favor, tentem colocar-se no nosso lugar):
A minha mulher (vivemos juntos) é brasileira, ela veio para portugal faz uns 4 anos - ela foi para a casa da minha avó - nesta altura começámos a namorar.
Com o tempo comecei a notar nela um olhar muito triste, sempre de cabeça baixa, muito abatida. Depois de muito insistir para que ela me contasse o que se passava, ela finalmente desabafou que havia um conflito cultural grande com a minha avó, que lhe estava a tentar impôr alguns hábitos que ela não estava habituada, etc, etc. Pareceu-me um motivo válido.
Mas a situação foi piorando e, de vez em quando, ia dar com ela sozinha (a isolar-se cada vez mais) e a chorar.
Certo dia, chegou a noticia trágica de que uma senhora, amiga da familia, se havia enforcado. Ela disse-me, a chorar: "o que é que tu fazias se eu me enforcasse?"
Aí descambou tudo - marquei uma consulta urgente com um psiquiatra (para o dia seguinte) e tentei levá-la lá, mas, na hora, ela recusou, dizendo que se estava a sentir melhor.
A unica coisa que consegui fazer foi comprar um complexo de hipericão, numa ervanária, que, dizem, é bom para estados depressivos. Ela nunca tomou.
Fui consultar um psicólogo que me disse que ela não tinha depressão.
É que estas situações de tristeza eram justificadas e pontuais - quando saíamos com amigos, ou quando a levava a jantar fora, ela ficava bem disposta - "o deprimido está sempre triste, sempre em baixo"
Sendo assim, para evitar problemas, comprei casa e fomos para lá, os dois, sozinhos.
Depois disso, ela foi sozinha para o Brasil, ver a familia. No messenger ela disse-me que estava farta dos problemas lá e que queria morrer (aqui assustei-me a sério)
Depois de ela regressar, eu noto que ela não está melhor, mesmo apesar de ter saído da casa da minha avó.
Quando está sozinha fica com um olhar distante, triste. Ainda se isola muito. O pior é que há dias que ela chora e diz que quer morrer. Por muitos motivos:
- Está desempregada
- Os vizinhos são ruidosos
- Nada corre bem na vida
- Fica doente (quando teve gripe)
- "dou muita despesa"
- "não te estou a fazer feliz"
Eu noto que ela se abre mais comigo agora e sinto que ela está a sofrer. Ela disse que sempre foi pessimista, sendo esta uma maneira de não ficar decepcionada quando as coisas correm mal.
E se ela, de vez em quando, ri e parece bem, quando estamos entre amigos - admitiu hoje - é pq não deixa a tristeza transparecer para os outros... citou até uma passagem da biblia:
"Mesmo no riso o coração talvez sinta dor"
O interessante é que tenho descoberto algumas coisas sobre a familia e infancia dela:
- A mãe dela, por causa de problemas conjugais já se tinha tentado suicidar (os filhos assistiram a isto)
- A irmã, diante de um problema recente com o namorado, teve transtornos mentais (delirios)
- O caso mais recente, o irmão, quando foi despedido, só falava em se suicidar.
Eu estou assustado com o padrão de transtornos desta familia.
Estou tb a sofrer com isto, tenho andado esgotado, já me diagnosticaram gastrite de origem nervosa - eu sei que é pcausa da preocupação.
Eu amo a minha mulher e quero ajudá-la. Vou tentar convencê-la a procurar ajuda médica - se bem que acho que nem vai querer aceitar - porque ultimamente, a situação tem estado apertada (€€€) e ela se tem queixado de dar muita despesa.
vocês (psicologos) já devem estar habituados a lidar com estas situações... que abordagem devo adoptar?
Devo recorrer a psicólogo ou psiquiatra? - Quem dos dois pode e deve ajudar?
Por favor digam coisas...
Obrigado
Será depressão? (ler com paciência) - Actualizado
Regras do Fórum
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O Psicologia.pt não é responsável pelas intervenções dos vários participantes neste Fórum, sendo o teor desses conteúdos, bem como a utilização que se faça dos mesmos, da exclusiva e total responsabilidade de cada utilizador.
Com o objectivo de permitir o total anonimato, o fórum "Pergunte ao Psicólogo" é o único onde é possível a publicação de tópicos por utilizadores não registados.
Ao mesmo tempo, e como deve ser do entendimento de todos, o carácter "anónimo" dos fóruns faz com que este espaço não ofereça condições para interações que se desenvolvam para além da mera "troca de opiniões".
É expressamente proibida neste fórum a divulgação de serviços de psicologia bem como de quaisquer contactos de psicólogos (nomes, nºs de telefone, moradas e outros contactos).
O Psicologia.pt não se responsabiliza pelo rigor técnico e científico, idoneidade e respeito pelos princípios éticos e deontológicos de toda e qualquer participação.
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Será depressão? (ler com paciência) - Actualizado
Última edição por javo em sexta dez 26, 2008 10:29 am, editado 1 vez no total.
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Clarissa
- Psicólogo Registado (PT)

- Mensagens: 76
- Registado: quarta out 11, 2006 1:05 pm
- Localização: Lisboa
- Contacto:
Boa tarde Javo,
A situação que descreve não é fácil e é completamente compreensível que sinta como tem se sentido. No entanto, é impossível avaliar corretamente o que está acontecendo com a sua mulher neste momento e se esta é uma situação relativamente nova ou se é algo que a acompanha há mais tempo.
Acredito que ela poderia beneficiar de uma psicoterapia se estiver disposta a isto, o que pode ser feito por um psicólogo/ psicoterapeuta. Em todo caso, se ela estiver realmente deprimida e de acordo com os receios que relatou seria muito importante ela fazer também o mais rápido possível um acompanhamento farmacológico se for devidamente diagnósticado um quadro depressivo, neste caso deve procurar um psiquiatra.
Neste momento a única coisa que posso fazer é recomendar que ela realmente procure ajuda especializada, em casos que há suspeita de atentados a própria vida todos os sinais devem ser levados seriamente em consideração, é muito arriscado ela não estar sendo acompanhada quando existem as preocupações que relatou-nos aqui.
Com os melhores cumprimentos,
A situação que descreve não é fácil e é completamente compreensível que sinta como tem se sentido. No entanto, é impossível avaliar corretamente o que está acontecendo com a sua mulher neste momento e se esta é uma situação relativamente nova ou se é algo que a acompanha há mais tempo.
Acredito que ela poderia beneficiar de uma psicoterapia se estiver disposta a isto, o que pode ser feito por um psicólogo/ psicoterapeuta. Em todo caso, se ela estiver realmente deprimida e de acordo com os receios que relatou seria muito importante ela fazer também o mais rápido possível um acompanhamento farmacológico se for devidamente diagnósticado um quadro depressivo, neste caso deve procurar um psiquiatra.
Neste momento a única coisa que posso fazer é recomendar que ela realmente procure ajuda especializada, em casos que há suspeita de atentados a própria vida todos os sinais devem ser levados seriamente em consideração, é muito arriscado ela não estar sendo acompanhada quando existem as preocupações que relatou-nos aqui.
Com os melhores cumprimentos,
Clarissa Lobo
-
Cristina Silva
- Psicólogo Registado (PT)

- Mensagens: 800
- Registado: quinta out 25, 2007 9:52 am
Caro Javo,
Do que aqui relata, é de salientar muita coisa. Foco aqui só alguns aspectos que me parecem importantes:
1- A vinda para Portugal traz com certeza sentimentos de desraização (longe das suas raízes que têm uma importância enorme, mesmo com uma história familiar menos boa), que acresce ao facto de não se sentir acolhida (a sua avó que não a consegue aceitar como ela é), e ao facto de a vida não estar a ser fácil (a questão do desemprego é muito importante);
2- O dizer que quer morrer, é uma forma de transmitir a sua profunda tristeza (não quer dizer que o faça), pois nas não se sente acolhida em lado nenhum o que leva a sentimentos de desvalorização: “ninguém me ama”, “não valho nada”, logo, a vida não faz muito sentido. Ela transmite esses sentimentos quando lhe diz: - "dou muita despesa" – "não te estou a fazer feliz";
3- Esta é a forma de relação a que ela está habituada, a forma relacional que ela aprendeu, pois toda a família funciona de forma destruturante na perda, o que revela um padrão pouco saudável, sendo que esse é único padrão que ela conhece e sabe ter. Assim como o resto da família, ela está a revelar a mesma forma consigo: "o que é que tu fazias se eu me enforcasse?"
Pergunta: “vocês (psicologos) já devem estar habituados a lidar com estas situações... que abordagem devo adoptar?
Devo recorrer a psicólogo ou psiquiatra? - Quem dos dois pode e deve ajudar?”
A melhor abordagem é a que tem mantido (o conversarem sobre as coisas), mas não pode carregar consigo o peso da “resolução” do problema e adoecer também. O estar disponível para a ouvir e tentarem resolver os problemas, já é uma grande ajuda.
Era bom que ela conseguisse arranjar uma ocupação, se não for um trabalho, que está difícil, qualquer coisa como voluntária.
Quanto à ajuda psicológica ou psiquiátrica, já contactaram com um psicólogo, devem continuar a falar com ele. Psiquiatria será necessária caso haja necessidade de medicação, o que não parece o caso, neste momento. Qualquer um pode ajudar mas essa ajuda tem de partir da parte dela. Só se pôde impor ajuda quando a pessoa não tem consciência do seu estado.
Cristina Silva
Do que aqui relata, é de salientar muita coisa. Foco aqui só alguns aspectos que me parecem importantes:
1- A vinda para Portugal traz com certeza sentimentos de desraização (longe das suas raízes que têm uma importância enorme, mesmo com uma história familiar menos boa), que acresce ao facto de não se sentir acolhida (a sua avó que não a consegue aceitar como ela é), e ao facto de a vida não estar a ser fácil (a questão do desemprego é muito importante);
2- O dizer que quer morrer, é uma forma de transmitir a sua profunda tristeza (não quer dizer que o faça), pois nas não se sente acolhida em lado nenhum o que leva a sentimentos de desvalorização: “ninguém me ama”, “não valho nada”, logo, a vida não faz muito sentido. Ela transmite esses sentimentos quando lhe diz: - "dou muita despesa" – "não te estou a fazer feliz";
3- Esta é a forma de relação a que ela está habituada, a forma relacional que ela aprendeu, pois toda a família funciona de forma destruturante na perda, o que revela um padrão pouco saudável, sendo que esse é único padrão que ela conhece e sabe ter. Assim como o resto da família, ela está a revelar a mesma forma consigo: "o que é que tu fazias se eu me enforcasse?"
Pergunta: “vocês (psicologos) já devem estar habituados a lidar com estas situações... que abordagem devo adoptar?
Devo recorrer a psicólogo ou psiquiatra? - Quem dos dois pode e deve ajudar?”
A melhor abordagem é a que tem mantido (o conversarem sobre as coisas), mas não pode carregar consigo o peso da “resolução” do problema e adoecer também. O estar disponível para a ouvir e tentarem resolver os problemas, já é uma grande ajuda.
Era bom que ela conseguisse arranjar uma ocupação, se não for um trabalho, que está difícil, qualquer coisa como voluntária.
Quanto à ajuda psicológica ou psiquiátrica, já contactaram com um psicólogo, devem continuar a falar com ele. Psiquiatria será necessária caso haja necessidade de medicação, o que não parece o caso, neste momento. Qualquer um pode ajudar mas essa ajuda tem de partir da parte dela. Só se pôde impor ajuda quando a pessoa não tem consciência do seu estado.
Cristina Silva
Boas, obrigado pela vossa ajuda...
Esta situação é muito dificil - e está a ficar pior... Ultimamente ela tem chegado a casa e atira-se para o sofá e chora - eu não vejo motivos para tanta tristeza, mas de algum modo ela vê...
Ainda ontem fiz qq coisa para ela comer - não come... diz que está sem fome.
Chora ainda mais e pede desculpa, porque sabe que me está a fazer sofrer...
Pouco depois fica com fome e só come coisas que não devia (gelados, chocolate, bolos...), vai para o sofá e chora ainda mais, dizendo que ela é uma "praga" e que está "gorda", "cheira mal" e sente nojo dela própria.
Tento falar com ela, com paciência - digo que gosto muito dela, que não há motivo para tanta tristeza, os problemas sempre passam... mas ela é muito pessimista - e ela nota o meu cansaço que começa a se tornar evidente.
Eu já recomendei ajuda médica, mas ela simplesmente recusa: é caro e nós estamos a passar por problemas financeiros graves...
É assim, ela tb é abrangida pelo seguro de saúde da empresa onde eu trabalho - mas esse seguro excluí assistência de psiquiatria ou psicologia.
Eu próprio já fiz psicoterapia a 2 anos - pagava 200€ por mês, mas foi mto benéfico - tive que desistir pq ficou incomportável ...
Eu estou disposto a dar tudo para a ajudar, mas ela recusa...
Esta situação é muito dificil - e está a ficar pior... Ultimamente ela tem chegado a casa e atira-se para o sofá e chora - eu não vejo motivos para tanta tristeza, mas de algum modo ela vê...
Ainda ontem fiz qq coisa para ela comer - não come... diz que está sem fome.
Chora ainda mais e pede desculpa, porque sabe que me está a fazer sofrer...
Pouco depois fica com fome e só come coisas que não devia (gelados, chocolate, bolos...), vai para o sofá e chora ainda mais, dizendo que ela é uma "praga" e que está "gorda", "cheira mal" e sente nojo dela própria.
Tento falar com ela, com paciência - digo que gosto muito dela, que não há motivo para tanta tristeza, os problemas sempre passam... mas ela é muito pessimista - e ela nota o meu cansaço que começa a se tornar evidente.
Eu já recomendei ajuda médica, mas ela simplesmente recusa: é caro e nós estamos a passar por problemas financeiros graves...
É assim, ela tb é abrangida pelo seguro de saúde da empresa onde eu trabalho - mas esse seguro excluí assistência de psiquiatria ou psicologia.
Eu próprio já fiz psicoterapia a 2 anos - pagava 200€ por mês, mas foi mto benéfico - tive que desistir pq ficou incomportável ...
Eu estou disposto a dar tudo para a ajudar, mas ela recusa...
-
Clarissa
- Psicólogo Registado (PT)

- Mensagens: 76
- Registado: quarta out 11, 2006 1:05 pm
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- Contacto:
Boa tarde Javo,
Compreendo a sua ansiedade e sensação de impotência diante desta situação. Mas pelo que descreve é fundamental que ela obtenha ajuda especializada. Neste momento, tendo em consideração a recusa da sua mulher em obter ajuda seria muito difícil a aderência a uma psicoterapia, mas acredito que no caso dela seja necessário uma intervênção medicamentosa para minimizar todos estes sintomas. O ideal era que procurasse um psiquiatra para que com a ajuda da medicação ela pudesse concordar e compreender que precisa de ajuda para recuperar a sua vitalidade.
Cumprimentos,
Compreendo a sua ansiedade e sensação de impotência diante desta situação. Mas pelo que descreve é fundamental que ela obtenha ajuda especializada. Neste momento, tendo em consideração a recusa da sua mulher em obter ajuda seria muito difícil a aderência a uma psicoterapia, mas acredito que no caso dela seja necessário uma intervênção medicamentosa para minimizar todos estes sintomas. O ideal era que procurasse um psiquiatra para que com a ajuda da medicação ela pudesse concordar e compreender que precisa de ajuda para recuperar a sua vitalidade.
Cumprimentos,
Clarissa Lobo
Pois é,
Depois de um tempo de relativa calma (ela entretanto até já conseguiu um emprego... um trabalho que ela gosta), estes ultimos 2 dias foram maus.
- Era cerca de meia-noite, começou a criticar e a resmungar por qualquer coisa, enquanto via TV.
- Começou a chorar.
- Imaginei logo o que se passava. Fui abraçá-la, dizer que gosto mto dela: Ela empurra-me: "Deixa-me! Não quero"
- Depois começou com a conversa "eu não te mereço. Só te faço sofrer" - intensifica o choro.
- "Quero morrer"
- "Não sei o que se passa comigo. Tu és tão bom pra mim. Eu tenho um trabalho que gosto... Eu era para ser feliz, mas não consigo - sou maluca"
- "Dá-me um VALIUM (DIAZEPAM)" ... (eu dei para acalmar)
- "Dá-me outro... Aliás, dá-me a caixa toda" - disse que não
- Susurrou baixinho "quando tiveres a dormir, mato-me"
(obviamente eu não dormi essa noite... tremi muito... chorei às escondidas, para ela não ver - a minha gastrite parece que ardia no meu estomago)
Eu já tive depressão também, já tomei antidepressivos à uns anos, por isso digo-lhe "eu compreendo o que estás a passar" e digo "tens que ir ao médico, isso tem cura"
Mas ela recusa-se e diz "não quero falar com os outros sobre isto" e "eu sei bem qual é a solução que hei de dar".
Felizmente ela não tentou nada essa noite. Mas eu ganhei para o susto.
Qual a melhor abordagem para uma pessoa com um grau de depressão destes, que não se quer tratar?
Ajudem-me!
PS: No entanto, no dia seguinte ela estava mais acessivel e eu disse que iria comprar um complexo de hipericão (para estados depressivos) - ela prometeu que vai tomar - só não quer ir ao médico.
Depois de um tempo de relativa calma (ela entretanto até já conseguiu um emprego... um trabalho que ela gosta), estes ultimos 2 dias foram maus.
- Era cerca de meia-noite, começou a criticar e a resmungar por qualquer coisa, enquanto via TV.
- Começou a chorar.
- Imaginei logo o que se passava. Fui abraçá-la, dizer que gosto mto dela: Ela empurra-me: "Deixa-me! Não quero"
- Depois começou com a conversa "eu não te mereço. Só te faço sofrer" - intensifica o choro.
- "Quero morrer"
- "Não sei o que se passa comigo. Tu és tão bom pra mim. Eu tenho um trabalho que gosto... Eu era para ser feliz, mas não consigo - sou maluca"
- "Dá-me um VALIUM (DIAZEPAM)" ... (eu dei para acalmar)
- "Dá-me outro... Aliás, dá-me a caixa toda" - disse que não
- Susurrou baixinho "quando tiveres a dormir, mato-me"
(obviamente eu não dormi essa noite... tremi muito... chorei às escondidas, para ela não ver - a minha gastrite parece que ardia no meu estomago)
Eu já tive depressão também, já tomei antidepressivos à uns anos, por isso digo-lhe "eu compreendo o que estás a passar" e digo "tens que ir ao médico, isso tem cura"
Mas ela recusa-se e diz "não quero falar com os outros sobre isto" e "eu sei bem qual é a solução que hei de dar".
Felizmente ela não tentou nada essa noite. Mas eu ganhei para o susto.
Qual a melhor abordagem para uma pessoa com um grau de depressão destes, que não se quer tratar?
Ajudem-me!
PS: No entanto, no dia seguinte ela estava mais acessivel e eu disse que iria comprar um complexo de hipericão (para estados depressivos) - ela prometeu que vai tomar - só não quer ir ao médico.
-
paulamor
- Membro Recém-Chegado

- Mensagens: 6
- Registado: sexta fev 27, 2009 9:29 pm
- Localização: Portugal
Boa noite Javo
Não sou psicóloga mas li com atenção a sua história. Devo dizer-lhe que sei o quanto é dificil uma situação como esta pois já passei pelo mesmo. A minha familia teve que me internar compulsivamente pois não queria ir ao médico e isolei-me de tudo e de todos. Devo dizer-lhe desde já que não quer dizer que a sua mulher tenha o mesmo que eu(tenho o disturbio bipolar) mas faça alguma couisa por ela pois pode ser o despoletar de algo mais grave.
Espero não te-lo assustado e espero que tudo se resolva para o bem dos dois.
Beijo,
Paula
Espero não te-lo assustado e espero que tudo se resolva para o bem dos dois.
Beijo,
Paula
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