Escola proíbe minissaias, decotes e calças descaídas

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j08rebelo
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Escola proíbe minissaias, decotes e calças descaídas

Mensagempor j08rebelo » quarta mai 13, 2009 8:00 pm

Alunos, professores e funcionários da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos José Maria dos Santos, no Pinhal Novo (Palmela), estão proibidos de vestir tops com decotes pronunciados, minissaias muito curtas e calças descaídas. Natividade de Azeredo, presidente do Conselho Executivo (CE), confirmou as regras ao CM, explicando tratar-se de uma emenda ao regulamento interno da escola, resultado de situações verificadas na sala de aula.

'Um professor sentiu-se incomodado por conseguir ver as cuequinhas de uma menina, devido à minissaia muito curta que ela trazia vestida', explicou Natividade de Azeredo, revelando outra situação: 'Foi um rapaz, por volta do Euro’2004, que entrou na sala pintado da cabeça aos pés. No primeiro caso falámos com a aluna e nunca mais se repetiu. No segundo, o pai veio cá, explicámos o que se passava e resolveu-se o problema'. Após estas situações foi acrescentada a alínea b) ao artigo 19º do Regulamento Interno, referente aos deveres do aluno. 'Apresentar um aspecto asseado e limpo, vestindo-se de forma adequada ao espaço sala de aula', pode ler-se no documento.

Posteriormente à alteração do regulamento, esclarece Natividade de Azeredo, 'houve a necessidade de entregar a uma ‘t-shirt' a uma aluna porque trazia um top de alças extremamente decotado o que não era próprio'. 'Essa menina, no 9º ano, chamou a mãe à escola e esta não se mostrou muito receptiva, mas depois de apresentarmos os nossos argumentos lá acabou por dizer que a filha não trazia mais aquele top vestido', disse.

Fonte do CM denunciou o caso de uma professora que fora obrigada a regressar a casa para mudar de roupa, tudo porque trazia vestidos uns calções compridos do tipo corsários. Natividade de Azeredo, confrontada com a situação, nega de forma peremptória, mas sempre adiantou que 'quando for necessário intervir com um professor também o farei'. 'Os meus colegas professores sabem o que está no regulamento e têm uma imagem a passar aos alunos. Temos de dar o exemplo. O que vestem fora da escola, não me diz respeito', acrescentou.

Mais recentemente, no refeitório, a própria presidente do CE presenciou outra situação: 'Olhei e vi os boxers laranja de um rapaz, porque as calças estavam muito descaídas. Falei com ele e a situação resolveu-se. Enquanto cá estiver irei transmitir aos meus alunos valores e princípios

In Correio da Manhã
Última edição por j08rebelo em quarta mai 13, 2009 10:14 pm, editado 1 vez no total.
vectrapc
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Mensagempor vectrapc » quarta mai 13, 2009 8:55 pm

Quanto a mim não resolve a situação. É toda a sociedade a demitir-se do seu papel com a ajuda do estado.

Muita da educação sabemos bem que passa pelos valores que os pais dão. Ora com as exigências que são feitas aos pais quanto ao trabalho, as exigências que muitos pais colocam a eles próprios relativamente ao sucesso profissional, o afastamento cada vez maior do papel que os avós desempenham no cuidar das crianças, etc. É fácil para os pais comprarem os filhos com prendas de "marca" e sucumbir às chantagens que vêm do tempo que não tiveram com as crianças para lhes ensinar o necessário. Isto quando os pais têm noção do pouco tempo que têm e que dedicam aos filhos.

Do lado das escolas foi retirado poder aos professores, crianças sem valores (que deviam ter tido em casa) atacam professores (que são outro patamar de educação). Não falta muito a vermos cá situações que se passam lá fora...

Deixo-vos com outro texto, de Isabel Leal, Psicóloga Clínica, numa revista:

Escolaridade obrigatória in Caras

Quinta-feira, 7 de Mai de 2009 s 12:51

"Temos, indiscutivelmente, um longo caminho a percorrer no processo educativo que já existe. Ainda assim, antes de arrumarmos a casa, lançamo-nos a mais empreendimentos. Corajoso, mas muito curioso!"
Parece que há uma proposta do governo no sentido de que a escolaridade obrigatória passe para 12 anos, a muito breve prazo.

Em princípio, não tenho, nem poderia ter, nada a opor, embora não possa deixar de achar curiosa a iniciativa (como sabem, designamos por curiosidade uma extensa gama de fenómenos que não percebemos).

A questão da concordância de princípio é facilmente explicada: acredito que o acesso à escola, se não é panaceia universal de todos os males, é, pelo menos, uma possibilidade de diferenciação dos indivíduos, de aquisição de conhecimentos e de socialização. Por essa via, qualquer formato de escolaridade que possa dotar os jovens de mais recursos pessoais ou profissionais que os ajudem a enfrentar de forma mais plástica o mundo em que vivemos, parece uma boa ideia.

De caminho, retirar do desemprego quase 60 mil jovens entre os 16 e os 18 anos e dar emprego a mais uns milhares de professores e outro pessoal auxiliar, nos tempos que correm, parece uma opção esperta e um investimento mais interessante que as habituais estradas, rotundas e aeroportos.

O considerando sobre a curiosidade vem de outros lados. Temos taxas de insucesso e abandono escolar preocupantes a todos os níveis. Temos um ensino pré-escolar atabalhoado e insuficiente.

Temos uma rede de infantários e creches públicas de bradar aos céus. Temos um ensino primário e secundário, em média, ainda pobre, ainda pejado de problemas e contratempos. Temos um ensino universitário acabadinho de ser encurtado, significativamente, com a consequência clara de ser levado a sério e cumprido à letra e, nesse sentido, estar praticamente vedado a estudantes-trabalhadores, ou ser atamancado para poder ser acessível a todos os que, legitimamente, aspiram a concluí-lo. Temos uma ferida aberta, e ainda longe de sarar, entre professores de todos os graus de ensino e as respectivas tutelas.

Temos, indiscutivelmente, um longo caminho a percorrer no processo educativo que já existe, para o tornar eficiente e útil para todos os intervenientes.
Ainda assim, antes de arrumarmos a casa, lançamo-nos a mais empreendimentos. Corajoso, mas muito curioso!
É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão
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Mensagempor j08rebelo » quarta mai 13, 2009 10:16 pm

Duas opiniões bem distintas (mesma fonte da noticia):

SIM

A escola deve ser um espaço nobre onde alunos e professores trocam conhecimentos. Não é um palco onde desfilam candidatas a modelos ou futuros cantores de rap. O respeito pelo estabelecimento de ensino começa na maneira como nos apresentamos.

NÃO

Muito embora possa haver excessos, parece óbvio que os responsáveis pelo ensino deveriam preocupar-se mais com a crescente incapacidade de transmitir conhecimentos básicos aos estudantes do que com a percentagem de pele que estes trazem coberta.
neorosis
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Mensagempor neorosis » quinta mai 14, 2009 10:28 am

axo correcto, embora seja um rapaz novo vejo ai muito "xavalos e pitas" a vestirem-se de uma forma sem dignidade nenhuma.
silver
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Mensagempor silver » sexta mai 15, 2009 3:44 pm

Ouvi no telejornal alguns comentários, de “personalidades” da nossa praça, que diziam qualquer coisa do tipo politicamente correcto, ah e tal acho que tem de haver bom senso, não é preciso exagerar de ambas as partes, o bom senso deve reinar nestas situações... etc etc. sem se comprometerem muito, como de costume.
Mas o que é isso do bom senso?
Não e nada, cada um tem o seu senso e é por isso que está a acontecer exactamente o que está a acontecer.
Nessa medida, devo dizer que concordo com a posição da escola e da Presidente do conselho executivo, praticamente em absoluto.
Se não existir uma norma minimamente clara, o termo “roupa adequada à sala de aula” pode ser interpretado de várias formas. Não seria suposto a escola, para além de formar academicamente os futuros adultos deste país, contribuir também, para a sua formação pessoal/cívica/etc etc? Na minha opinião, claro que sim, agora mais que nunca, como dizia um colega num post anterior qualquer coisa do tipo, os Pais devido às demandas profissionais, distraem-se dos filhos, pode acontecer, mas a escola tem de tomar uma posição, tem de existir o mínimo de decoro numa sala de aula, e neste caso, esta escola tomou, há quem não goste, mas parece-me que foi para o bem daquelas pessoas que lá se estão a formar, mesmo que estes, agora não pensem assim.

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