Como acabar com o vício

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Como acabar com o vício
Capa - Droga de Cigarro
4 Abril 2004

 

Contra os cigarros vale tudo, das pastilhas de nicotina às agulhas, dos choques à hipnose. Não são mezinhas milagrosas. Mas podem acabar com um vício que mata milhões.

"Deixar o tabaco é a coisa mais fácil do mundo. Eu até já o fiz mais de cem vezes." A frase irónica é do escritor Mark Twain. O autor das ‘Aventuras de Tom Sawyer’ era um fumador compulsivo que nunca se livrou do vício da nicotina, apesar de conhecer os seus malefícios. O mesmo se passa com dois milhões de portugueses que todos os dias compram um, dois ou três maços de tabaco. Mas se no século XIX não havia truques para deixar de fumar, hoje eles multiplicam-se. "Largar o vício é difícil, mas não impossível", assegura Fernando de Pádua. O presidente do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva dá como exemplo os casos de Baptista Bastos e Artur Agostinho. Os dois jornalistas eram tabagistas inveterados, mas pararam de um dia para o outro, depois de um grande susto.

A maioria dos fumadores, porém, não consegue largar o mau hábito sem ajuda. Para muitos deles os médicos receitam nicotina. Em forma de pastilha, pensos ou ‘sprays’. A taxa de sucesso ronda os 30 por cento, garante Fernando Pádua: "Terapias de substituição deste género podem provocar dependência, mas isso é evitado porque o paciente vai reduzindo as doses aos poucos."

Trocando o cigarro por uma pastilha, o ex-fumador deixa de aspirar as substâncias cancerígenas existentes no cigarro e perde maus hábitos enraizados. Um pormenor: "Mascar uma pastilha não faz esquecer o prazer de uma passa", recorda Mafalda Pais, uma ex-fumadora de 41 anos. Há mesmo quem a compare com a metadona usada pelos ex-heroinómanos.

O Zyban, recomendado pela medicina tradicional, pode ser outro aliado. O anti-depressivo aumenta o efeito de substâncias no corpo como a dopamina ou a serotonina que dão sensações semelhantes às da nicotina. A eficácia sobe em flecha – comparativamente com os outros substitutos – mas os efeitos colaterais também. "Ao retirar a excitabilidade, o Zyban acaba por diminuir os reflexos." Fernando de Pádua adverte que o fármaco só deve ser tomado em pequenas doses, como qualquer psicotrópico.

 

Quando o telefone toca

O telefone é também a salvação para muitos viciados. O psicólogo Paulo Vitória coordena a linha SOS Deixar de Fumar, que atende todos os anos cerca de duas mil pessoas: "Só cinco por cento dos fumadores consegue deixar de fumar sem ajuda. A taxa sobe para os 30 por cento com o nosso aconselhamento", assegura. Qual a receita? "O nosso trabalho é motivacional. Apenas damos um empurrão psicológico."

 

Correio da Manhã