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A relação dos alunos com a Internet
Pais portugueses
subestimam insucesso escolar dos filhos 17 Fevereiro 2012
Fonte:
Ciência Hoje
Em mais de 30 anos de experiência profissional Maria Amélia Dias Martins
conseguiu formar uma espécie de cronologia do insucesso escolar
O aumento da escolaridade obrigatória, o crescente número de alunos por
turma, o reduzido tempo das famílias para acompanhar as crianças e a alteração
dos valores da sociedade perante a escola, levaram a um aumento de casos de
insucesso escolar nos últimos anos, e em crianças cada vez mais jovens.
A conclusão é de Maria Amélia Dias Martins, professora de Ensino Educação
Especial e especialista em psicopedagogia especial, no âmbito de um estudo
realizado durante a sua tese de doutoramento, na
Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.
O trabalho refere que os pais procuram ajuda profissional para os problemas
dos seus filhos, muitas vezes, no terceiro período escolar, ou seja, tarde de
mais. "No entanto, quanto mais cedo se proceder a uma intervenção
psicológica, melhores são os resultados para as crianças", conclui.
Em mais de 30 anos de experiência profissional, Maria Amélia Dias Martins
conseguiu formar uma espécie de cronologia do insucesso escolar: "Nas
avaliações intercalares do primeiro período, alguns pais repreendem oralmente e
outros pagam explicações; no fim, castigam; no início do segundo período,
ameaçam com mais punições e repressões; nas reuniões intercalares, começam a
ficar preocupados e a tentar perceber o que está a acontecer, e o que hão-de
fazer e, no final desse período, surge uma avalanche de pais aflitos, à procura
de milagres junto dos médicos e psicólogos. Nesta altura, os pais procuram os
profissionais especializados, ávidos de saber o que impede os filhos de ter boas
notas".
De acordo com a docente, quando os pais não procuram ajuda atempadamente, as
crianças podem apresentar sinais de ansiedade ou depressivos, tais como com
especial incidência perturbações do sono, perda de apetite, dores sem causa
física aparente (cabeça e barriga), tristeza e/ou isolamento; aumento da
desmotivação escolar; aumento de problemas comportamentais.
Para Maria Amélia Dias Martins, um dos erros frequentes dos educadores é
rotular estes jovens de desinteressados e preguiçosos. "Amiúde, pais e
professores afirmam que o aluno não realiza as tarefas escolares, não tem boas
notas ou não está atento, porque não quer estudar, porque não se interessa. Por
isso as crianças são, frequentemente, castigadas", explica.
A especialista defende que "todas as crianças querem ter sucesso e todas
desejam fazer boa figura perante os pais, professores e colegas". Quando tal
não acontece, é porque algo se está a passar e precisa de ser avaliada e, se tal
se justificar, de ser tratada. Se o apoio for iniciado aos primeiros sinais de
dificuldade, os danos serão muito menores e mais facilmente e rapidamente se
consegue colocar a criança no nível académico necessário. Quanto mais tarde for
iniciada a intervenção mais grave irá ser o insucesso.
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