Cerca de um terço dos universitários no Porto consome psicotrópicos

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Cerca de um terço dos universitários no Porto consome psicotrópicos A relação dos alunos com a Internet

Um terço dos universitários no Porto consome psicotrópicos
4 Setembro 2012

Fonte: Porto 24

Um estudo da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (SPESM) revela que mais de 30% dos alunos universitários do Porto consome medicamentos psicotrópicos e afirma não ter prazer nas coisas que faz na vida.

“Há um consumo muito elevado de ansiolíticos, de hipnóticos, de antidepressivos”, revela o presidente da SPESM, Carlos Sequeira, explicando que aquele consumo elevado de medicamentos se relaciona com um aumento de “estados de ansiedade”, “do risco do suicídio” e “questões de isolamento”.

A investigação realizada em instituições do ensino superior do Porto, desde 2010, indica que 44,5% dos estudantes inquiridos (1.800 na totalidade) referem ingerir produtos farmacêuticos.

No tipo de substância, 20,8% da amostra ingere tranquilizantes, 7,7% ingere sedativos e 5,1% consome hipnóticos.

O estudo indica também que 8,4% dos inquiridos fuma e 7,6% consome álcool, sendo que 33,3% iniciou o seu consumo aos 14/15 anos, 38,1% iniciou aos 16/17 anos e 28,6% iniciou a partir dos 18 anos.

Dos estudantes com hábitos de ingestão alcoólica, 19% referem consumos todos os dias e 52,4% referem consumos regulares aos fins-de-semana e em situações específicas. Os restantes estudantes (26%) ingerem bebidas alcoólicas só em situações específicas, como em festas ou em alguns fins-de-semana.

O trabalho de investigação incidiu nos dados dos estudantes de licenciatura e, em termos globais, o estudo avaliou a saúde mental dos estudantes em 3 componentes principais: consumo de substâncias lícitas e ilícitas, através do European School Survey on Alcohol and other Drugs, vulnerabilidade mental e a saúde mental positiva.

O estudo é “pouco animador em termos da saúde mental dos estudantes”, classifica Carlos Sequeira, adiantando que o trabalho vai ser apresentado no Porto, no III Congresso Internacional da SPESM, que arranca a 10 de Outubro, Dia Mundial da Saúde Mental.

A SPESM defende que uma “primeira ajuda emocional” com o envolvimento de toda a comunidade – colegas de trabalho, família – poderia ajudar a dar uma resposta às doenças mentais leves, evitando muitos problemas de ansiedade.

“As doenças mentais em Portugal são identificadas muito tardiamente. Em Portugal, o nosso principal problema é na falta de prevenção ao nível da comunidade, porque os tratamentos realizados são muito similares aos países da União Europeia (UE)”, refere Carlos Sequeira.

A prevalência de doenças mentais em Portugal é superior (23%) à média da UE (17%), designadamente na prevalência da ansiedade (16,5%).