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Como falar de sexo com adolescentes
20 Março 2013

Fonte: Activa

 

A sexualidade juvenil é como uma tempestade: um turbilhão de emoções confusas e indomáveis. Com a ajuda de Eunice Neta, psicoterapeuta especialista em adolescentes, tentamos perceber como lhes falar de sexo sem dramas.

A adolescência traz, inevitavelmente, o despertar da sexualidade. E é normal e saudável que assim seja. Mas sem pressas ou pressões, até porque não há uma idade ideal para deixar de ser virgem. Para que saiba lidar com esta situação, sem dramas, aqui deixamos seis ideias chave.

1.Não faça distinções

Como a rapariga engravida e o rapaz não, os pais costumam preocupar-se mais com a vida afectiva das filhas e restringir-lhes a liberdade. As responsabilidades de uma gravidez têm que ser assumidas por ambos os sexos.

2.Comece cedo a falar do assunto

Aos quatro ou cinco anos, já se começa a explicar 'de onde vêm os bebés'. Mais tarde, entre os 11 e os 13, pode vir o esclarecimento sobre doenças sexualmente transmissíveis e contracepção. Quase todos os pais ficam constrangidos a falar do assunto, é normal. Mas não é desculpa para não o fazer. Os adolescentes falam de sexo entre si, mas trocam muita informação errada, sobretudo no que toca à saúde e a contracepção. Porém, planeiam mais do que pensamos: "São muito poucos os adolescentes que têm a sua primeira experiência sexual sem pensarem muito nisso. O começo da vida sexual uma decisão única, pessoal e intransmissível", diz Eunice Neta. Raparigas e rapazes idealizam muito a primeira vez e querem que aconteça com alguém especial.

3.Lembre-o que há vida para além do sexo

"A vida sexual não se resume ao acto sexual. O grande papel que os pais podem ter como educadores é contextualizá-la com amor, amizade, sentimentos, respeito para consigo e para com o outro", observa Eunice.

4.Ensine-lhe o valor do 'não'

Muitas raparigas são coagidas, física e psicologicamente, pelos namorados a ter sexo, sem considerarem isso como uma forma de agressão. Explique-lhe que é normal ter dúvidas, achar que se está preparado para, na hora H, estar nervoso e decidir que não é o momento certo; que ninguém 'deve' sexo a ninguém, que 'não' é 'não' e deve ser respeitado. E que quem ameaça ficar zangado e acabar a relação não merece o amor dela. Se quiser conhecer o pretendente, porque não convidar o namorado(a) para ir lá a casa?

5.Tenha presente que o "fruto proibido é o mais apetecido"

Os adolescentes passam muito tempo por sua conta e risco. Pensar que os podemos proibir de ter sexo é ilusório e costumam aguçar a vontade de transgredir. "Vão fazê-lo à mesma, mas sentindo que não podem procurar ajuda junto aos pais", observa a terapeuta.

6.Valorize a confiança que ele tem em si

Se um dia ele lhe perguntar se a primeira vez é muito difícil, sinta-se de parabéns: o seu filho confia em si! O que não quer dizer que, por ter posto a questão, esteja a pensar em iniciar, de facto, a vida sexual.

Vamos falar de sexo?

A Associação para o Planeamento da Família dá alguns exemplos de perguntas importantes que podem ser feitas e debatidas com o seu filho.

- "Estás preocupada(o) por seres virgem?"

- "Sabes proteger-te da gravidez e de infecções?"

- "Estás a ser pressionada(o) para teres relações sexuais?"

- "Teres sexo faz-te sentir diferente?"

- "Tens mesmo de ter sexo com o teu namorado(a)?"

- "Serás capaz de dar a conhecer os teus limites ao teu parceiro?"

- "Estás preparada(o) emocional e financeiramente para as consequências de uma gravidez ou doença?"

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