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Depois dos incêndios: O "mal" de estar vivo

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Depois dos incêndios: O "mal" de estar vivo

Fonte: VISÃO
Data: 2017-07-02

Como se renasce das cinzas e se segue em frente? Para lá do pânico e das ajudas possíveis, fica o vazio dos que tentaram e não conseguiram salvar quem estava perto. Para eles, impotentes e enlutados, a culpa não morre solteira. Sejam familiares próximos ou profissionais de ajuda em cenário de emergência, têm pela frente um vazio para digerir, assombrado por memórias traumáticas e sentimentos de impotência. No rescaldo da catástrofe, o mal-estar incapacitante atormenta dias e noites. “Porque não fui eu que lá fiquei?” “Se eu tivesse feito de outra maneira isto não acontecia”.

Passar pelo inimaginável é uma coisa. Outra é carregar uma responsabilização excessiva e culpar-se por ter ficado a salvo mas ter falhado um salvamento. Chama-se a isto o Síndrome do Sobrevivente, expressão cunhada há quase um século, por um psicanalista alemão que conseguiu fugir de um campo de concentração. Bem conhecido dos profissionais de saúde que trabalham em contextos de emergência (atentados, acidentes graves, desastres naturais), este mecanismo de defesa faz parte da perturbação de stresse pós-traumático e explica-se de forma simples: responsabilizar-se e culpar-se (punir-se) por algo que não se conseguiu fazer ou por pelo que se fez mas foi insuficiente para impedir o desfecho fatal transmite uma falsa sensação de controlo, que é preferível ao desespero puro e duro, ao desamparo associado ao trauma. Carregar a culpa torna-se, assim, uma forma de encontrar sentido, ainda que temporariamente, onde ele não existe.

 

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