Ouça o seu cliente Rogério Martins rogerio.martins@personaconsultoria.com.br
Psicólogo, Professor Universitário, Consultor Organizacional e Palestrante sobre motivação, comportamento e gestão de pessoas. Sócio-Diretor da Persona Consultoria & Eventos. Autor do livro ´Reflexões do Mundo Corporativo´. 2008
As novas competências de emprega
No final de semana passei por três situações curiosas e
semelhantes que me fizeram escrever este texto. Fui a três lugares distintos
onde a única semelhança foi o atendimento prestado ao cliente: ruim em todos
eles. Mas o detalhe é que este mau atendimento só aconteceu no final, pois até o
serviço ser prestado estava tudo bem. Pensei: será que treinaram estas pessoas
para atender bem somente na chegada do cliente?
Tenho a impressão que os gestores têm ensinado somente que a
primeira impressão é a que fica. Na verdade, a primeira impressão é fundamental
para o bom desenvolvimento de uma relação comercial, mas a última impressão é a
que faz o cliente retornar e comprar mais, se for o caso.
Em uma das situações que passei foi emblemático o papel do
gerente do restaurante. Ao término de meu jantar, num local agradável, comida
boa, serviço até então perfeito, pedi a conta e uma nota fiscal ao garçom.
A conta veio, mas a nota não. Após entediante espera resolvi ir até o caixa e
pedir diretamente a tal nota fiscal. O rapaz do caixa não conseguia fazer a nota
e chamou o gerente. Este, por sua vez, ao invés de atender minha simples
solicitação de emissão uma nota fiscal pelo serviço prestado, entrou em uma
espiral de justificativas. Primeiro respondeu que o problema foi do sistema,
depois do garçom, depois do caixa e eu só queria uma nota fiscal. “Será
que ninguém me ouve?”, falei.
Vera Martins, em “Seja Assertivo” afirma: saber ouvir não
é apenas útil para obter um bom desempenho no trabalho; é, antes de tudo, uma
atitude básica de vida, que ajuda uma pessoa a ter bons relacionamentos.
A questão é que as pessoas que lidam com público precisam
ficar mais atentas ao que o cliente diz. Prestar mais atenção. Controlar a
ansiedade de dar respostas sem perceber o que realmente o cliente quer.
No contato direto com o cliente, e nas relações em geral, é
necessário evitar os dois tipos de comportamento que mais atrapalham a boa
comunicação:
-
Atitude defensiva:
característica mais comum nas pessoas que se sentem pressionadas. Reagem ao
que a outra pessoa fala através de explicações e justificativas. Tornam-se
verborrágicas, ou seja, falam mais do que o necessário. Com isso o desgaste
físico e emocional é enorme. Deixam o cliente irritado e insatisfeito.
-
Pré-conceitos, estereótipos
e avaliação prematura: característica daqueles que se sentem superiores
aos outros. Acreditam que sabem mais, ou que estão com a razão. Tendem a
criar uma situação constrangedora como na cena do filme Uma Linda Mulher,
onde a protagonista entra em uma loja de grife e é mal atendida por uma
vendedora em função de sua aparência. O resultado mais comum é que o cliente
não retorna, e não avisa por que.
Em geral, as pessoas querem ser ouvidas. Simplesmente
ouvidas. Para evitar estas e outras distorções na comunicação e no
relacionamento com os clientes é necessário investir constantemente em
treinamento e desenvolvimento das pessoas que lidam com o público. É fundamental
o preparo contínuo, pois ações isoladas não geram resultados eficazes. Para
haver uma mudança efetiva de comportamento é preciso regularidade, reforço e
treino. Escutar ativamente o cliente pode e deve ser desenvolvido.
Para finalizar, lembro uma famosa frase que é atribuída ao
filósofo Zenão de Eléia: lembrai-vos de que a natureza nos deu dois
ouvidos e uma boca para nos ensinar que mais vale ouvir do que falar.
Artigo elaborado por:
Rogério
Martins
Psicólogo,
Consultor de Empresas e Palestrante. Especialista em Liderança e Motivação.
Sócio-Diretor da Persona Consultoria & Eventos. Autor do livro “Reflexões do
Mundo Corporativo”. Membro do Rotary Club de SP Santana
E-mail:
contato@rogeriomartins.com.br
Website:
www.rogeriomartins.com.br
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