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A seu favor ou contra si?

2015
sara.ferreira@wonderfeel.pt
Psicóloga. Psicoterapeuta. Membro da coordenação terapêutica do Centro WONDERFEEL - Um Novo Bem-Estar. Membro efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses
Publicado no Psicologia.pt a: 2016-07-03

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A seu favor ou contra si?

Que é o mesmo que perguntar: você é realmente amiga ou amigo de si? :) Talvez sim, talvez nim…

Concerteza que está farto de ouvir, hoje em dia, a propósito de tudo e de nada, a palavra “felicidade”. Não é? Geralmente ouvimos dizer que a felicidade não existe, que o que existem são apenas momentos felizes. Mas como será possível que algo tão grandioso como a felicidade consista apenas em “momentos”, ou coisas tão transitórias?

Costuma de facto reparar nas coisas boas que o rodeiam? Já notou como, todos os dias, a toda a hora, a cada minuto, instante, segundo, acontecem coisas boas e as pessoas em geral tendem a valorizar apenas o que é mau…? Por acaso já reparou que a vida é um fluir contínuo como as águas de um rio, no qual você navega, porém, muitas vezes, insistindo em ir contra a correnteza (não as “marés” de fora, mas contra as suas próprias águas).

Uma coisa é estar alegre ou contente e, sim, isso é passageiro. Mas estar feliz é eterno e depende de duas ou três coisas essenciais. E todas elas, dê por onde der, têm sempre a ver com uma única coisa: você mesmo.

Vemos o mundo lá fora com preocupação e no entanto dentro de si mesmo, nesse mundo vivo que habita, por vezes ocorre tanto caos como em qualquer conflito social… Que tal começar a atirar fora aquilo que já não lhe interessa ou acrescenta valor? Por exemplo atitudes ou valores antigos, como que fazem parte de uma velha mobília da qual tem medo de se desfazer. A forma como encaramos os acontecimentos na nossa vida, a forma como os avaliamos e o impacto emocional que têm para nós, contribui em larga escala para a tomada de decisão que fazemos e nas estratégias que utilizamos para lidar com as situações. A posição que tomamos, vitimizada ou resiliente, deprimida ou esperançosa, frustrada ou de aceitação, irá contribuir para vivermos à sombra dos acontecimentos, ou ao invés, resignificar o que sucedeu, conseguindo fazer com que daí emerjam, longe da comiseração, sentimentos de coragem, orgulho, e superação.

É certo que não temos controlo sobre tudo o que nos acontece, e, numa primeira fase, podemos até reagir negativamente, de forma inadequada e nefasta. Mas com o passar do tempo, temos a possibilidade de analisar os factos e as emoções envolvidas, atribuindo-lhes um significado de aceitação, para que possa interpretá-los de forma a que retire algum tipo de aprendizagem que possa ser útil para o presente.

Toda a transformação implica uma quota-parte de renúncia, de perda num certo sentido. Mas isto, sim isto, também é apenas provisório. Pois aquilo que se “perde” (por deixar de fazer sentido ou já não mais nos servir) é sempre substituído pelo novo. Por novas formas que agora melhor nos “vestirão”. Pela nova pessoa que diariamente a Vida nos concede a oportunidade de ser. Ser, dentro de si mesmo e isso é quanto baste. Aceitando-o sem medos. Medo de chorar, medo de sorrir, medo do hoje, medo do amanhã. Sem medo até de demonstrar aos outros a alegria natural que vem do seu coração e que tantas vezes incomoda muita gente… Assumindo a condição (que hoje, mais do que isso, é pura atitude ou uma certa forma de coragem) de ser feliz! E fazer por isso mesmo. E lutar por isso. Independentemente de qualquer que seja a dificuldade. Enquanto aqui estiver, será para as vencer! Coloque um pouco dessa felicidade em tudo quanto fizer. De forma permanente, pois mais do que os vírus, o bem-estar é altamente transmissível e contagioso.

Cada dia que termina jamais regressará. Por isso tem hoje a oportunidade de ser feliz e de estar bem. Seja o seu próprio motor de ignição. Não se desperdice, pois você nasceu para ser pleno. E hoje, mais do que nunca, a arte de se sentir bem está finalmente ao seu alcance.

Sara Ferreira

Sara Ferreira é psicóloga, psicoterapeuta, com formações especializadas na área da Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária, sendo actualmente também autora e co-autora em diversas publicações técnicas e científicas de renome, assim como portais de referência na área da Psicologia, desenvolvimento pessoal, saúde e bem-estar. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Licenciada em Psicologia Aplicada pelo ISPA – Instituto Superior de Psicologia Aplicada, com experiência curricular e profissional no acompanhamento psicológico de utentes (ambulatório e consultas externas) na Unidade de Psicologia do Hospital de Santa Marta em Lisboa, exercendo actualmente a sua prática clínica maioritariamente em contexto privado. Colaborou como psicóloga na Direcção de Serviços de Psiquiatria e Saúde Mental da Direcção-Geral da Saúde, e em diversos projectos da Comissão Europeia, nomeadamente nas redes EAAD – European Alliance Against Depression e IMHPA – Implementing Mental Health Promotion Action, tendo também colaborado na preparação e edição do Programa Nacional de Luta Contra a Depressão, no contexto de programas prioritários do Plano Nacional de Saúde 2004-2010. Colaborou no Grupo de Coordenação da Saúde, no contexto da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, tendo também desempenhado funções de investigadora em diversos projectos de investigação e grupos de trabalho nacionais e internacionais sobre boas práticas em saúde mental e na área da Psicologia da Saúde, nomeadamente, a European Health Psychology Society.

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