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Sonhos estranhos que se entranham

2010
psicologia@paulosobral.com
Licenciado em Psicologia pela Universidade do Porto (FPCEUP), com especialização em Consulta Psicológica de Jovens e Adultos. Consultor de Recursos Humanos. Psicólogo clínico, no sector privado.

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Sonhos estranhos que se entranham

 

Existem certos tipos de sonhos que são habitualmente conotados de estranhos. Essa estranheza deriva, em boa parte das ocorrências, de não ser entendida a origem dos noctívagos devaneios, aliada ao facto da sua possível interpretação se afigurar enevoada ou incognoscível.

A situação adensa-se e ganha relevância quando um sonho se torna recorrente. Quando a actividade onírica, com despudorada teimosia, se repete, de forma circular e, frequentemente, intimidatória, os alarmes tocam. É fácil esquecer um episódio aparentemente sem significado, mas quando o mesmo, ainda que sem valor perceptível, se repete até à exaustão, não há forma de olvidar tal fenómeno.

É nessa altura que se colocam as primeiras lógicas conjecturas: "Será que este sonho quer dizer alguma coisa? Haverá algum simbolismo escondido atrás deste cenário ilusório?". De repente, aquilo que parecia um episódio sem relevância, adquire, pare quem o vivencia, uma importância capital. Quer-se, a todo o custo, desvendar o outrora irreal cenário, agora transformado em real e assumido enigma.

A convicção de que uma mensagem subliminar é passível de ser despida, inquieta. Simultaneamente, convida à acção, à pesquisa de respostas e à mudança de atitudes.

 Nesta matéria, recordo o ilustrativo exemplo de uma ex-aluna, que me descreveu um repetido e avassalador sonho ocorrido numa fase mais sombria da sua vida. Nesses episódios, brotava "a imagem de uma corda que esticava cada vez mais”, ao ponto de ameaçar romper a qualquer momento, o que, apesar de nunca suceder, causava um enorme e atroz sofrimento. Segundo as suas palavras, nunca compreendeu o porquê desses sonhos iterados.

Ao ouvir esta descrição, elaborei a hipótese de que se trataria de uma mensagem que a alertava para a necessidade de modificar drasticamente a sua vida, antes da corda romper, ou seja, antes de acontecer uma situação perniciosa e irreversível. Era um facto. Conforme confidenciou, naquela altura vivenciava diariamente experiências que roçavam a marginalidade, com comportamentos desviantes cíclicos e companhias pouco abonáveis. Quando esse panorama se alterou, o bizarro sonho ofuscou-se.

Que peso terá tido o curioso sonho na sua recuperação para uma vida com um mais escorreito significado? É difícil pesar com exactidão. Mas é coerente aceitar que tais ocorrências estabelecem um adequado alerta e uma convocatória pertinente à transformação pessoal.

 

Paulo Sobral

Paulo Sobral, possui Licenciatura em Psicologia pela Universidade do Porto (FPCEUP), com especialização em Consulta Psicológica de Jovens e Adultos. É Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Iniciou a prática profissional na área da Psicologia, conciliando a actividade clínica de âmbito privado, com a de membro de uma equipa multidisciplinar do Centro de Acolhimento Aos Sem Abrigo, em Viana do Castelo, e a de Professor da disciplina de Psicologia da Comunicação no Instituto Multimédia, no Porto, pelo período de 3 anos.
Foi, durante cerca de uma década, Consultor de Recursos Humanos de variadas empresas de dimensão nacional e multinacional, na área do recrutamento, avaliação e selecção de recursos humanos.
Actualmente, desenvolve a actividade de Psicólogo Clínico, no sector privado, em Lisboa e no Porto.

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