Aceitação de voluntariado como experiência profissional

A regulação e regulamentação da formação e do exercício da psicologia em Portugal. A acreditação e certificação. A organização da classe profissional. Os direitos e deveres laborais. As organizações representativas. A identidade e a imagem dos Psicólogos.

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Renata Serra
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Aceitação de voluntariado como experiência profissional

Mensagempor Renata Serra » quinta set 02, 2010 5:50 pm

Noticia de dia 1 de Setembro do site da Ordem:
"Aceitação do voluntariado em psicologia como experiência profissional para efeitos de candidatura a membro efectivo da OPP"

Como é que vão comprovar esta experiência? Ou melhor, como comprovar que o trabalho efectuado em determinada instituição é específico do Psicólogo e legítimo para o considerar membro efectivo, quando muitas vezes na mesma instituição há inúmeras pessoas com as mesma tarefas mas de áreas de estudo diferentes?

Se trabalhar numa escola por exemplo há 15 meses, sou membro estagiário pq ainda não tenho 18 meses de experiência, mas se por exemplo, até nem tenho grande experiência de trabalho, mas colaboro com a Cruz vermelha numa função qualquer..desde que declarem q a função é de Psicólogo, então automaticamente fico membro efectivo.

Parece-vos bem?
vectrapc
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Mensagempor vectrapc » quinta set 02, 2010 8:01 pm

Se pedem as datas e a carga horária é porque vão ter isso em consideração.
Agora não se esqueça que mentir é crime, e quem souber que alguém mentiu deverá denunciar, além do mais a declaração tem ser bem clara sobre a responsabilidade de quem a assina.
Esta minuta permite verificar a veracidade de muitos voluntariados e não se esqueçam que existe o Conselho Jurisdicional com poder para
"Velar pelo cumprimento da lei, do Estatuto e dos regulamentos internos, quer por parte dos órgãos da Ordem quer por parte de todos os seus membros;
b) Dar parecer sobre as propostas de regulamentos;
c) Instruir e julgar todos os processos disciplinares instaurados
aos membros;
artº 40 lei 57/2008

e que cabe a todos os que querem exercer como Psicólogos:
d) Contribuir para a boa reputação da Ordem e procurar
alargar o seu âmbito de influência;
e) Desempenhar as funções para as quais sejam designados;


Todos os que não cumpram arriscam-se a processos disciplinares. Já nem falo na consciência moral que qualquer pessoa que diga ser Psicólogo deverá ter. Quem mentir em declarações só mostra que escolheu a profissão errada e deverá parar antes que a ética seja posta em causa.

Só para pensarmos:
Ética:
-respeito pela dignidade de pessoas e órgãos;
-responsabilidade profissional;
-integridade nas relações profissionais;
-sentido de justiça social e noção de dever e responsabilidade perante a sociedade;
-etc

Ou seja, mentir à nossa Ordem não mostra um lado muito humano quanto mais profissional.
É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão
*Marta*
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Mensagempor *Marta* » quinta set 02, 2010 10:07 pm

Não me chateia que se conte o voluntariado, até porque eu também o fiz (ainda que em pouca escala e durante pouco tempo... até ganhar juízo!). Chateia-me, sim, que pessoas com conhecimentos tenham na sua posse declarações falsas de voluntariado que nunca fizeram. Isso sim, chateia-me um bocado.
PSC
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Mensagempor PSC » sexta set 03, 2010 8:17 am

*Marta* Escreveu:Chateia-me, sim, que pessoas com conhecimentos tenham na sua posse declarações falsas de voluntariado que nunca fizeram. Isso sim, chateia-me um bocado.

...um bocadinho né?.... 8)
Acho que é isso que chateia a muita gente... e ainda que esteja previsto as denuncias na prática todos sabemos que não é simples.
Como provar que um papel do Sr. Director ou Presidente é falso e a palavra duma "vizinha invejosa" é que tem razao?... Obvio que tb sou a favor das denuncias das situaçoes, mas tenho presente que os riscos implicados e as possibilidades de exito/provar o que se diz, muitas vezes nao justificam envolver-nos.
joao miranda
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Mensagempor joao miranda » sábado set 04, 2010 8:52 pm

Reconhecer os voluntariados é, na minha opinião, um erro por parte da ordem. Parece-me um regulamento feito à medida de alguns e totalmente contrário a todas as orientações para uma boa prática psicológica. Basta um papelito assinado pelo director da instituição x para assegurar que alguém efectuou voluntariado e ser reconhecido pela ordem. Para mim isto apenas contribui para o descrédito da profissão.
Será que estes senhores não sabem como funcionam as coisas no nosso país?? O que conta são as "cunhas" e compadrios (uma mão lava a outra e tal..., veja lá se arranja ai um reconhecimento para os voluntariados que eu conheço o Sr. Y, ele até me deve uns favores e passa-me uma declaração falsa a dizer que eu efectuei voluntariado como psicólogo).
Ou então fui voluntário e andei a passear uns miúdos, ou a entreter os idosos do centro de dia e isso conta como experiência profissional em psicologia... reconhecida por uma ordem profissional!!! Será que se for para as obras aplicar argamassa (voluntário) depois arranjo um empreiteiro corrupto que me passe uma declaração e sou reconhecido como engenheiro????
Ordem da treta, receber dinheiro sim, resolver problemas a sério não.
Barbara Sebastiao
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Mensagempor Barbara Sebastiao » domingo set 05, 2010 10:52 am

Eu estou chocada com esta decisão da ordem!!
aniger
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Mensagempor aniger » domingo set 05, 2010 10:54 am

Acho que esta decisão tem a ver com o facto deles não terem nada organizado em relação aos estágios profissionais , então é a lei do desenrasca quem tiver um papelito a dizer que fez voluntariado durante 12 meses, tem acesso...
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Raquel Raimundo
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Mensagempor Raquel Raimundo » domingo set 05, 2010 11:06 am

https://www.ordemdospsicologos.pt/noticia/65

Se houve um regulamento de estágios apresentado à Ministra da Saúde há mais de um mês eu diria que ele já está feito, não?
*Marta*
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Mensagempor *Marta* » domingo set 05, 2010 5:57 pm

Esta resolução da Ordem vem desde início...
Guida
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Mensagempor Guida » sexta set 10, 2010 4:18 pm

Sinceramente não vejo qual o problema, desde que a ordem se certifique que as decalrações não são falsas. Muitos de nós fizemos/ fazemos voluntariado apenas para podermos pôr em prática a nossa formação. Dedicamo-nos tanto em voluntariado como com ordenado. Porque é que esse esforço, dedicação não podem ser tidos em conta neste caso?
Não ponho em causa que o voluntariado faça com que vagas não sejam abertas, mas em muitos locais se não fossem os voluntários n ão haveria psicólogos, simplesmente.
Eu fiz um bom trabalho, reconhecido, que me levou a conseguir emprego (recomendação de quem me teve como voluntária). Não conta?
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Mensagempor PSC » sexta set 10, 2010 4:39 pm

Guida Escreveu:Sinceramente não vejo qual o problema, desde que a ordem se certifique que as decalrações não são falsas.

O que é dificil... e nem vou alongar-me nos casos das declaraçoes "objectivamente" falsas que possam ser passadas por "amigos/familiares/vizinhos/pelo gato/passarinho/etc" que por acaso exerce um cargo numa IPSS ou outro genero de instituiçao.
Foco sobretudo q mto voluntario faz muita coisa e bastantes vezes pouca é psicologia.
O voluntario, o tal sujeito de "boa vontade", está disponivel p quase tudo... essencialmente p agradar e lograr "a promessa" (raramente o lugar) do almejado trabalho remunerado.
Mas os dirigentes desde que as coisas apareçam feitas n se preocupam se quem os fez foi psicologo ou nao, se o que fez foi psicologia ou nao.
Ate pq, diria eu, eles nem sempre têm claro quais sao as competencias e funçoes dum psicologo. :roll:
Guida Escreveu:Dedicamo-nos tanto em voluntariado como com ordenado. Porque é que esse esforço, dedicação não podem ser tidos em conta neste caso?

Pois dedicam-se... e conta, tentar lograr um trabalho como psicologa n era o que queria? Segundo o seu testemunho ja contou p isso, ou entendi mal?
Entao, a meu ver, ja contou o que tinha de contar, o tal trabalho de "boa vontade", q n sei se foi de psicologa se foi de "faz-tudo".
Nao sei, pode ate ter sido psicologia só, nao interessa, nem quero discutir o seu caso em concreto, pq n é de um caso concreto que aqui se trata.

Guida Escreveu: Não ponho em causa que o voluntariado faça com que vagas não sejam abertas, mas em muitos locais se não fossem os voluntários n ão haveria psicólogos, simplesmente.

Pois... senao houvessem psicologos ou quem fizesse as coisas de borla, talvez colocassem lá alguem! Mas ainda bem q o voluntariado técnico suprime tal carencia de recursos custosos... as instituiçoes e sobretudo quem gere os seus fundos agradecem!!
Guida Escreveu:Muitos de nós fizemos/ fazemos voluntariado apenas para podermos pôr em prática a nossa formação.

Voluntariado para?!?... Não.

Ainda que eu nao seja alguem que se oponha às opçoes dos outros. Como tal, nao me intrometo muito com quem acha que assim deve proceder. Ao caso deste reconhecimento do voluntariado já tenho uma posição diferente.
Acho que é um mau proceder, pois incentiva o voluntariado tecnico que desvaloriza e contribui p a precariedade na nossa "profissao" (sim, ate mais ver, sou apenas um membro estagiario . :lol:).
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Mensagempor vvvieira » quarta set 15, 2010 5:25 pm

Pergunto-me quando terá sido a reunião da Assembleia de Representantes que aprovou o Regulamento de Estágios para ser presente à Ministra...
O futuro está à nossa frente. Cabe-nos fazê-lo melhor.
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Mensagempor Liliana Costa » quarta set 15, 2010 5:52 pm

Na verdade qualquer pessoa vai conseguir meter cunhas aqui e ali para ter essa dita declaração, e vamos ver psicólogos efectivos que na realidade não têm qualquer experiência.
Eu fiz muito voluntariado, em instituições diversas, durante e no fim do curso mas mais que esse reconhecimento seria mais justo darem continuidade à luta de todos os que se licenciaram antes de bolonha, não impor o prazo de 18 meses de experiência até à data de Abril de 2009. Aqueles a quem lhes faltava apenas 1/2 meses agora estão com mais dessa experiência minima exigida e vão se sujeitar a regredir à condição de estagiário!!!!
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Mensagempor vvvieira » quinta set 16, 2010 9:23 am

Liliana Costa Escreveu:vão se sujeitar a regredir à condição de estagiário!!!!

Só se sujeitará quem quiser... em minha opinião, quem concluiu os seus estudos antes da entrada em vigor da Lei 57/2008 - e, in extremis, antes do início dos actos de inscrição na OPP, ou até antes da plena entrada em vigor do Regulamento de Estágios - tem o direito constitucional de exercer a profissão sem qualquer impedimento, devendo-lhe ser reconhecida a condição de membro efectivo assim que o solicite. Porque, sobretudo no primeiro caso, tinham esse direito legal e foi-lhes retirado (a alguns um ano depois de obtido).
As sucessivas tentativas de driblar a questão (como seja a de ser proposta a alteração do artigo 84º do Estatuto para que se contem 12 meses de experiência profissional comprovada antes de Dezembro de 2009 para efeito de dispensa de estágio; ou a novel e notável proposta de simplificar o reconhecimento de voluntariado como equivalente a experiência profissional para o mesmo efeito) não resolvem a questão essencial e central: a Constituição não permite a retroactividade de leis quando estas ferem direitos.
E já para não mencionar as fraudes potenciais. Como disse aqui há já muito tempo, "tenho uma amiga que tem uma clínica. Alguém precisa de uma declaração? Ela passa-a à borla". Tenham dó...
O futuro está à nossa frente. Cabe-nos fazê-lo melhor.
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Mensagempor accosta » sexta set 17, 2010 12:20 pm

Sou absolutamente contra o voluntariado extenso. É desprestigiante, entre outras coisas.

Lá que se faço 2h por semana para ficar no CV ainda pode ser admissível, mas trabalhar a tempo inteiro (o que se pretende) é que não!

"Para quê contrata-los se trabalham de graça?" Uma vez respondi a uma professora que sugeriu tal na escola se eles, qd não estão colocados, tb fazem voluntariado?


Quanto às falsas declarações tb conheço casos, nomeadamente de IPSS's.

Porque não um teste como na ordem dos engenheiros? E os advogados, alguém sabe como funciona?

Cumprimentos
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Mensagempor pi.r » sexta set 17, 2010 4:14 pm

Os licenciados/ mestres em Engenharia e em Direito terminam cursos superiores e têm acesso a uma profissão independentemente de se inscreverem ou não numa ordem profissional. A inscrição na ordem fá-los subir de escalão e de possibilidades, mas não é obrigatória. O mesmo para os arquitectos.

Os médicos e enfermeiros são obrigados à inscrição, mas essa é automática uma vez terminado o curso.

Já os psicólogos tiram um curso altamente especializado (3 anos de licenciatura mais dois de mestrado) que não lhes dá acesso a qualquer profissão! É uma ideia brilhante.
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Mensagempor aniger » sexta set 17, 2010 6:58 pm

pi.r Escreveu:Os licenciados/ mestres em Engenharia e em Direito terminam cursos superiores e têm acesso a uma profissão independentemente de se inscreverem ou não numa ordem profissional. A inscrição na ordem fá-los subir de escalão e de possibilidades, mas não é obrigatória. O mesmo para os arquitectos.

Os médicos e enfermeiros são obrigados à inscrição, mas essa é automática uma vez terminado o curso.

Já os psicólogos tiram um curso altamente especializado (3 anos de licenciatura mais dois de mestrado) que não lhes dá acesso a qualquer profissão! É uma ideia brilhante.



É não temos acesso a nada...temos é de pagar os 180€ para inscrição numa ordem que n garante nada..o meu dinheiro ainda não o viram. Até porque agora infelizmente tenho de trabalhar fora da área se quiser ter dinheiro...

Andou uma pessoa a matar a cabeça para que? para ir trabalhar à borla...enfim..
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Mensagempor Belita » segunda set 20, 2010 5:24 pm

Pois acreditem, também me inscrevi na tal Ordem com o receio de não ficar de parte eventualmente em algum concurso... Mas sejamos honestos, ainda não temos "peso" suficiente no nosso país, enquanto profissionais, para grande mal nosso.
pagámos e aguardámos... é assim, somos comparados ao famoso "zé povinho"... :?

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