Regulamento de Quotas e Taxas da Ordem dos Psicólogos

A regulação e regulamentação da formação e do exercício da psicologia em Portugal. A acreditação e certificação. A organização da classe profissional. Os direitos e deveres laborais. As organizações representativas. A identidade e a imagem dos Psicólogos.

Moderador: Cristina

Voyager
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Mensagempor Voyager » quinta out 28, 2010 11:09 pm

Alteração ao Sistema de Inscrições da OPP
28.Outubro.2010

Com a publicação do Regulamento de Estágios Profissionais terminou a fase de transição no processo de inscrição na OPP. Nesta nova fase, a OPP realizou uma série de ajustamentos a este processo com vista a simplificar o procedimento e a adequá-lo ao funcionamento dos Estágios Profissionais da OPP.

Desta forma foi extinta a categoria de inscrição transicional “Reconhecimento Profissional”. A categoria de inscrição “Membro Estagiário” passa a ter 3 valências. Para além de inscrição para a realização do Estágio Profissional da OPP, o candidato a membro estagiário poderá pedir o reconhecimento de um estágio profissional entretanto realizado ou de outras experiências profissionais realizadas.

Ambas as modalidades de reconhecimento aplicam-se ao período de tempo compreendido entre a entrada em vigor da Lei 57/2008 e a publicação do regulamento de Estágios Profissionais da OPP. O reconhecimento será feito exclusivamente mediante a apresentação de contrato de estágio profissional, contrato de trabalho ou contrato de prestação de serviços.

Após a validação da experiência que lhe for concedida, o “Membro Estagiário” terá de apenas cumprir o remanescente das exigências indicadas no Regulamento de Estágio Profissional para poder pedir a transição para “Membro Efectivo”.
https://www.ordemdospsicologos.pt/noticia/86
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Mensagempor Cristina Silva » sexta out 29, 2010 12:52 pm

vvvieira Escreveu:É espantoso o que as pessoas escrevem nestes fóruns...
Pergunta: porque é que em 1985, 1995 ou 2005 haveria apenas um ou dois psicólogos "a fingir", mas todos os que tenham concluído em 2007 já eram "a fingir" ?


Está a perveter as minhas palavras. Onde é que leu alguma afirmação da minha parte a dizer que os que concluíram em 2007 são psicólogos a "fingir"?

É espantoso é a interpretação (conveniente) que se faz das palavras dos outros. Isso é que é espantoso!

Além do mais, eu estou aqui apenas a tentar compreender esta questão tão complexa, colocando também as minhas dúvidas e as minhas ideias quanto ao assunto.
pi.r
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Mensagempor pi.r » sexta out 29, 2010 1:37 pm

Estou a começar a ver tudo isto de um novo ponto de vista. Os psicólogos estagiários, que terminaram a sua formação em Outubro de 2007, que têm exercido mais ou menos, e daqui a sabe-se lá quantos meses farão um estágio não remunerado cheio de certificações vão ser o top dos psicólogos portugueses. Ora vejam lá:

- uma capacidade de resiliência fantástica: depois de terminarem um curso e acederem à profissão perdem esse direito, e demoram pelo menos 4 anos a recuperar o que haviam tido

- uma formação como nunca antes se viu: estágio académico duplamente supervisionado, 3 anos de prática (por vezes supervisionada) e no fim um estágio duplamente avaliado (pelo orientador e pela comissão de ensino)

- uma formação que nenhum anterior tem nos imprescindíveis cursos proporcionados pela ordem


Quem resistir a tudo isto com serenidade e bom humor vai dominar o mercado de emprego. Os efectivos que se cuidem! Serão brevemente ultrapassados por estas pessoas extraordinárias que são os Novíssimos Ultraqualificados Psicólogos :P
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Mensagempor Cristina Silva » sexta out 29, 2010 5:21 pm

pi.r Escreveu: que têm exercido mais ou menos.....

..... e demoram pelo menos 4 anos a recuperar o que haviam tido



Continuando na mesma linha irónica, de facto é chato fazer uma formação profissional mais exigente, consistente e regulada, só para recuperar o que haviam tido: "exercer mais ou menos"!
pi.r
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Mensagempor pi.r » sexta out 29, 2010 5:50 pm

uma formação mais excelente e regulada?

que a de quem? no exemplo que citou do meu post eu falava em pessoas que acabaram o curso em 2007, que podem bem ter feito especializações de alto nível, e que ainda assim são hoje menos psicólogos do que alguns que se formaram antes e cometeram erros não supervisionados e não integrados em quaisquer formações específicas durante 18 meses.
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Mensagempor Cristina Silva » sexta out 29, 2010 10:54 pm

pi.r Escreveu:uma formação mais excelente e regulada?

que a de quem? no exemplo que citou do meu post eu falava em pessoas que acabaram o curso em 2007, que podem bem ter feito especializações de alto nível, e que ainda assim são hoje menos psicólogos do que alguns que se formaram antes e cometeram erros não supervisionados e não integrados em quaisquer formações específicas durante 18 meses.


O que é que quer dizer com especializações de alto nível? Se se está a referir ao Doutoramento (que parece ser o seu caso), estamos a falar da parte académica e não da parte profissional, que é o que aqui está em questão. Até pode ter 3 Doutoramentos, mas isso, por só só, não significa que se tenha competências para o exercício da profissão.

Há mentes brilhantes académicamente, mas com muita dificuldade no que à relação humana diz respeito.

Ou estará a falar de outra coisa?
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Mensagempor Cristina Silva » sábado out 30, 2010 2:21 am

pi.r Escreveu:
uma formação mais excelente e regulada?



Só para rectificar: eu não disse mais excelente mas, mais exigente! concordando com certeza comigo, de que a excelência requer exigência, e na nossa profissão tal só pode ser garantido com a regulação de uma Ordem, pois antes da Ordem nada garantia a excelência, nem mesmo a Carteira Profissional. Eu também a tirei assim que acabei a formação académica, mas não me pus a exercer sem antes exigir a mim própria uma formação profissional (e pessoal) adequada (um estágio profissional muito superior a 18 meses, devidamente supervisionado), mesmo com os custos pessoais que tal me exigiu, pois não podia recorrer a uma Ordem para exigir que a Entidade receptora pagasse o meu trabalho enquanto estagiária profissional, como devia ser e tem de passar a ser).

Concordo que haverá colegas que são hoje psicólogos efectivos e que não passaram por este processo porque até entraram imediatamente no exercício profissional assim que acabaram a formação académica (alguns até que já teriam o seu lugar à espera, em detrimento de tantos outros muito mais qualificados), mas quero acreditar que na sua experiência profissional que comprovaram, e que foi devidamente analisada, verificada e validada pela Ordem, adquiriram o que é exigido para estarem neste estatuto.

Portanto, não devemos ver as coisas como sendo "mais ou menos psicólogo", pois isso é cair na frustração pessoal.

O que é de assinalar, é que agora a exigência passa a ser igual e obrigatória para todos os que querem exercer psicologia, constituindo tal, para mim, uma conquista importantíssima, e que não se verificava antes da criação da nossa Ordem (e insisto no nossa), mesmo que tenhamos coisas a apontar, além de que agora é possível a dignificação da profissão, afastando todos os que andavam aí na pseudo-psicologia (e neste fórum conhecemos tantos casos), assim como os absolutos crimes (como por exemplo aqueles que andavam para aí a exercer sem sequer terem terminado as licenciatura, podendo até agravar as condições de saúde mental de quem os procurava), e que não serão tão poucos casos quanto isso.

Nesta questão tenho a certeza que concorda comigo, mesmo que para si (pessoalmente) a Ordem lhe tenha trazido "problemas", e se veja a ter de demonstrar (ou completar), aquilo que na sua vida já era garantido. Mas talvez não pense que muitos outros agora terão oportunidade de garantir a sua profissão, coisa que não tinham garantido (mesmo licenciados antes de 2007 que nunca tiveram hipótese de exercer porque eram sempre passados à frente pelos “filhos ou sobrinhos deste ou daquele” ou porque não tinham suporte financeiro para exercer autonomamente e têm agora oportunidade de retomar a profissão inscrevendo-se como estagiários e por aí adiante ….).
Não sei se já tinha pensado nesses casos, ou só lhe continua a interessar a questão de 2007.

Bom, já me estou a alongar mas como ultimamente tenho menos oportunidade de vir ao Fórum, aproveitei esta hora tardia e véspera de um dia de descanso, para me expressar mais um bocadinho. Mas agora fico-me por aqui, o belo sono e a vida onírica chamam-me.

Bem-Haja.
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Mensagempor PSC » sábado out 30, 2010 1:29 pm

Cristina Silva Escreveu: mesmo com os custos pessoais que tal me exigiu, pois não podia recorrer a uma Ordem para exigir que a Entidade receptora pagasse o meu trabalho enquanto estagiária profissional, como devia ser e tem de passar a ser).


Desculpe, mas aqui parei de ler o seu post simplesmente porque conclui que desconhece o que está a dizer ou fez uma interpretação "muito sua".

Antes poderia ter tido a supervisao dum colega mais experiente no serviço que nem lhe custasse dinheiro, ou teria de pagar mais ou menos (consoante o supervisor que consegui-se encontrar e os custos que tal exigisse em cada caso). Tendo a benesse que n sendo obrigatoria a supervisao, haveria mais por onde escolher (pois menos pessoas a solicitariam... ainda q menos se disponibilizassem tambem p tal). P alem do mais supunha-se que se necessitava de supervisao estaria a exercer e a ganhar dinheiro, a opçao de supervisao era opçao sua nao questionada pelo empregador nem pelo seu cliente.

Agora é obrigatório ser estagiária profissional, ter um supervisor que por vezes pode ter tudo o que a ordem requere mas n passar dum ex-colega seu q entrou logo no mercado de trabalho apenas por ter "amigos nos locais certos" e que você sabe que profissionalmente nao é melhor q você, nem tem feito "grandes serviços". Mas há que ter um e vai haver mais estagiarios que supervisores... sendo q o numero por cada qual está logicamente limitado.
Essa supervisao terá custos obrigatorios e acresce de formaçao obrigatoria, tem um titulo publico de estagiária que coloca muitas duvidas nos clientes e dá liberdade total ao empregador p questionar as suas competências, as entidades receptoras nao sao obrigadas a pagar nada tal como consta nos regulamentos, e só alguém muito longe da nossa realidade social pode achar que isso irá suceder p o comum dos cidadãos (aka "os sem cunha/padrinho").

Portanto, se errei no que disse, explique o que eu entendi mal e a quem/que pode um psi estagiario recorrer senao lhe pagarem?

A meu ver, já ficou clara a resposta: a ninguem.
Ou quer ou n faz nada na area da sua formaçao, pq a licenciatura é apenas um papel bonito.
Sem estagio (remunerado ou não) e sem pagar à ordem não tem mais habilitações técnicas profissionais que alguém q o 12.º, terá eventualmente mais competências e conhecimentos, apenas isso (muito desenvolvimento pessoal! deve dar um excelente caixeiro ou recepcionista!... desculpe o sarcasmo, mas é esta a minha interpretação).
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Mensagempor Ana Rita » sábado out 30, 2010 1:55 pm

PSC Escreveu: Ou quer ou n faz nada na area da sua formaçao, pq a licenciatura é apenas um papel bonito.
Sem estagio (remunerado ou não) e sem pagar à ordem não tem mais habilitações técnicas profissionais que alguém q o 12.º, terá eventualmente mais competências e conhecimentos, apenas isso (muito desenvolvimento pessoal! deve dar um excelente caixeiro ou recepcionista!... desculpe o sarcasmo, mas é esta a minha interpretação).


Tal como em muitas outras profissões...
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
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Mensagempor Cristina Silva » sábado out 30, 2010 3:31 pm

PSC Escreveu:
Tendo a benesse que n sendo obrigatoria a supervisao, ....


Sem estagio (remunerado ou não) e sem pagar à ordem não tem mais habilitações técnicas profissionais que alguém q o 12.º, terá eventualmente mais competências e conhecimentos, apenas isso (muito desenvolvimento pessoal! deve dar um excelente caixeiro ou recepcionista!... desculpe o sarcasmo, mas é esta a minha interpretação).



1- De facto temos olhares diferentes no que ao exercício profissional da psicologia diz respeito. Para mim, é claro que ninguém deve começar a exercer sem supervisão (e os que o fizeram, fizeram mal!). Para si, é chato ter agora que ser supervisionado, pois acha que não existe ninguém mais competente do que a sua própria pessoa, e naturalmente deve estar muito chateado ter perdido a BENESSE de continuar tranquilamente "no que antes era seu" (pegando nas palavras de alguém). Ainda bem que tais benesses acabaram!


2 - Uma coisa é ter a liberdade de pensar que há pessoas com o 12º ano mais competentes do que alguém que se licenciou na área além da formação posterior à licenciatura (o que eu duvido, mas se assim for só tem de fazer o caminho até se tornar membro efectivo na Ordem e não terá dificuldades de certeza. E até compreendedo que haja pessoas que tenham tal percepção de si próprios, principalmente pessoas com estruturas de personalidade especificas). Outra coisa é expressá-lo aqui, que mesmo sendo em tom de sarcasmo, se revela inacreditável!
Última edição por Cristina Silva em sábado out 30, 2010 4:25 pm, editado 1 vez no total.
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Mensagempor Cristina Silva » sábado out 30, 2010 4:22 pm

[quote="PSC"]
Portanto, se errei no que disse, explique o que eu entendi mal e a quem/que pode um psi estagiario recorrer senao lhe pagarem?
quote]


Pois, daí o custo pessoal. Eu tive de trabalhar em paralelo pois sou daquelas que não têm, nem tiveram "papás" a suportar (inclusivé o próprio curso). Se há alguém que sabe o quanto isso custa, eu sou um exemplo, e conheço muitos outros (até pela carga e exigência de trabalho que o meu estágio acarretou, e além disso ter de trabalhar em part-time para poder suportar a vida).
E mais, mesmo quando fiz o estágio académico (também muito exigente), trabalhava a tempo inteiro, tendo apelado nessa altura ao Estatuto de Trabalhadora Estudante.
Se isso custa, Ah pois custa!

Agora pelo menos, está mais próxima a realidade do estágio profissional pago, e isso é uma conquista, mesmo que na prática ainda não esteja a acontecer em todos os casos.
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Mensagempor PSC » sábado out 30, 2010 10:22 pm

Acho engraçado os pressupostos de quem se manifesta pró todas estas regras e ainda fala em "defesa de classe profissional" ou "estágios pagos"!!
Os quais eram a principal questao que lhe levantava... falou em ordem para proporcionar estágios remunerados, questionei onde e como interpretou a lei e a realidade assim? nada disse sobre isso! boa!

Ja agora, pq faz mta questao de ser uma coisa "voce" e "eu", esclareço q está a partir do pressuposto q n reúno condições p ter o titulo de membro efectivo... o q nem eu sei, nem voce sabe... pq os processos ainda terao de ser avaliados e n tomo nada por perdido ou adquirido antes de quem tem de decidir se pronuncie.
Nao me agradam uma boa parte dos regulamentos, independentemente do meu estatuto passar a membro efectivo brevemente ou daqui a meia duzia de meses!!! N julgo nada positivo a enchente de estagiários q por ai vem... sobretudo p a valorização e p a imagem da classe profissional.

Voltando às suas palavras
Cristina Silva Escreveu:1- De facto temos olhares diferentes no que ao exercício profissional da psicologia diz respeito. Para mim, é claro que ninguém deve começar a exercer sem supervisão (e os que o fizeram, fizeram mal!). Para si, é chato ter agora que ser supervisionado, pois acha que não existe ninguém mais competente do que a sua própria pessoa, e naturalmente deve estar muito chateado ter perdido a BENESSE de continuar tranquilamente "no que antes era seu" (pegando nas palavras de alguém). Ainda bem que tais benesses acabaram!

P mim o chato n seria ter a supervisão! seria sobretudo ter de a pagar... mas n falo de situação na primeira pessoa, se tive ou n tive, se tive q pagar ou alguém se mostrou disponível (isso foi opçao minha! nao sao as minhas ou as suas opções q se encontram em causa, sao as imposições e as alterações que as mesmas irão originar, não me parece que na prática correspondam à desejável teoria que almejam).

1- Como assinalei e é de extremo relevo: a opção de supervisão era opçao sua, nao questionada pelo empregador nem pelo seu cliente.
Não critiquei jamais tal opção.
Só que precisamente por ser opção, nem tinha de ser do conhecimento público. E... mesmo que você tomasse uma segunda opção no sentido de que tal fosse de conhecimento público, não tinha os mesmos impactos que terá agora em termos de representação social.
É psicóloga, sabe que isso será um facto inegável. Sobretudo junto de públicos menos informados.
Os membros estagiários poderão (deverão?) explicar ou esclarecer as pessoas sobre a sua situação, mas haverá muita gente desconfiada sobre as competências dum "estagiário".

2 - O que disse (e você, mais uma vez, distorceu): é que agora q se tornou obrigatório a procura de supervisao aumentará de forma exponencial.
C estas imposições algumas pessoas (se encontrarem local p estagiar) ficarão dependentes de aceitar um supervisor que apesar de membro efectivo, nunca teve a tal supervisão e nem é deveras um bom profissional apesar de ter a tal "experiência" (e dei como exemplo q poderá até ter sido um ex-colega que apenas teve um "padrinho"; nao conhece ninguém assim?... acho improvavel apenas isso).
Agora pergunto-lhe, nao se foi ou é o seu caso, pq isso n é nem nunca foi a questao (mas ate ja respondeu como se alguem a acusa-se de algo), essas pessoas que nas suas palavras "fizeram mal" são assim tão idóneas p virem supervisionar os outros? com que moral?

Distorceu tudo nao foi?
Ademais n se contentou e colocou a questão na minha pessoa. Qdo eu n assinalei q fosse a minha condição, mesmo que fosse não o fiz não teria de o pressupor.
Faz mtos julgamentos precipitados p alem de adulterar o que os outros dizem!...

Cristina Silva Escreveu:E até compreendedo que haja pessoas que tenham tal percepção de si próprios, principalmente pessoas com estruturas de personalidade especificas). Outra coisa é expressá-lo aqui, que mesmo sendo em tom de sarcasmo, se revela inacreditável!

Gosta mesmo muito de em vez de debater questões concretas tentar atacar os outros e tornar tudo questões pessoais ou "estruturas de personalidade especificas"!!...
Não vou entrar no mesmo esquema pq n a conheço e n a posso julgar apenas por este tema ao qual reage tao calorosamente e com pouco conteúdo.
Mas acho desde logo estranhamente inadequado p uma profissional começar a julgar os outros e a atribuir-lhes potenciais perfis "menos sadios", só pq n concorda com a posição do outro.

Tal como em muitas outras profissões...

Se fala do resultado final de obter uma licenciatura, sim muitas vezes as pessoas não conseguem ter oportunidade p chegar a exercer.
Se fala de passagem a membro das suas ordens, nem todos têm ordem nem precisaram de uma p se impor no mercado com credibilidade (ok há areas mais susceptíveis do que outras de haver "espertos" a usarem indevidamente o titulo) e alguns têm ordem e a passagem dá-se automaticamente com o termino da formação.

Seja como for, muitos licenciados podem iniciar actividade remunerada na sua area de formação sem ter metade das questoes que um lic. em psicologia tem agora.

Mas uma das minhas principais questoes n se prende c existir ou n uma ordem, apesar de eu nao ver grandes vantagens na mesma. Mas nao tenho uma posição absoluta, amanhã posso ver tais vantagens... saberia admitir se as visse.
Porem, existir ou n um período a partir do qual quem optar por essa area tem regras q sabe o q sao é desejavel.
Nao nego o benéfico que pode ser ter supervisão, tanto p o profissional como p quem beneficia dos serviços. O q mais me desagrada é o voluntariado ser aceite como experiência e este regulamento de estágios (que temia n ser nada mto positivo) mas ao dar azo a estagio "eventualmente nao remunerado" ditou todo um retrocesso, pela oferta gratuita de mao de obra que vai gerar. Não vejo como algo gratuito oferecido em larga escala possa ser socialmente valorizado.
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Mensagempor Ana Rita » domingo out 31, 2010 12:48 pm

PSC, no meu ponto de vista o problema é o facto do estágio ser muito provavelmente não remunerado, porque em relação à supervisão faz todo o sentido ser obrigatória. A divergência de opinião prende-se com o que consideramos necessário para uma maior qualidade na nossa profissão. Quanto à situação de se estar a fazer supervisão com alguém que se calhar nunca a teve e que provavelmente nem sequer tem mais conhecimentos do que aquele que precisa de a fazer, saberá certamente, se já fez supervisão, que nós sabemos escolher e avaliar o colega. Quando, após a licenciatura iniciei supervisão, procurei entre várias pessoas qual seria a mais adequada para mim e qual a que saberia efectivamente ensinar-me com a sua experiência. E existem sempre muitas pessoas com muito mais experiência que cada um de nós.

Quanto à supervisão/orientação da pessoa que está no local de estágio que nos acolhe, sempre aconteceu nos estágios académicos, aliás, alguns professores orientam o estágio na universidade e nunca estiveram no mercado de trabalho a exercer, passando de aluno a professor. Não é por causa disso que vamos ficar estagnados, porque se efectivamente quisermos ser bons profissionais, continuaremos o nosso percurso de aprendizagem e procuraremos o que é melhor para nós.

Mas tem de existir um mínimo e conheci várias pessoas que começaram a trabalhar após a licenciatura, alguns com estágios que mais pareciam visitas e que não tiveram qualquer problema em exercer sem qualquer supervisão. O lema era algo do género: "a supervisão é uma opção". Não vejo como possa ser uma opção... para isso preferiria ir para uma profissão em que após a licenciatura pudesse começar logo só por mim própria. É que as profissões em que isso não é possível, não são as profissões em que se puseram com tretas e obrigações, são aquelas em que o desenvolvimento enquanto profissional fica aquém da licenciatura. Ossos do ofício.

Dependendo das áreas: organizacional, clinica, desporto, etc, a necessidade de supervisão pode ir diminuindo ao longo dos anos, mas não vejo nenhuma em que pelo menos numa fase inicial não seja necessário. Antes da Ordem muitos de nós já consideravam obrigatório.

Para mim nunca foi novidade que escolher esta profissão implicaria muito mais do que o canudo, tanto a nível de posterior formação complementar, como de supervisão e também de terapia pessoal (esta última por a área ser clínica). A Ordem não me trouxe aí nada de extraordinário. Sim, é uma profissão exigente e que fica cara. Como muitas outras, cabe-nos a nós optar. Simplesmente hoje a opção é diferente de antes, alguns foram apanhados pelo meio e isso gera a maior revolta. Mas os que viam o seu titulo ser retirado vêm que afinal podem reconhecer o seu trabalho e não passar por outro estágio, o que era vergonhoso se não fosse possível.

A revolta é ainda maior, porque temos um mercado de trabalho da "treta", porque se não tivéssemos, acho que muitos de nós estariam bem mais descansados com todas estas exigências.
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pi.r
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Mensagempor pi.r » domingo out 31, 2010 1:00 pm

Acho que continua pouco claro para muitos que nada deste assunto se relaciona com questões individuais.

A Cristina, como outros antes, têm assumido demasiadas coisas como certas sobre mim e outros que aqui se pronunciam contra a actual redacção da lei nº 57/2008. Já me atribuiram trabalho não supervisionado, frequência de doutoramento e sei lá que mais. Sabem se reúno ou não as condições para ser membro efectivo.

Isto porque têm aqui estado a comentar o seu caso pessoal, as suas vicissitudes profissionais e assumem que é isso que todos estamos aqui a fazer. Mas não é.

Estamos a bater-nos por uma questão de princípio, muito simples, que é o respeito pela constituição da república. Porque no momento em que começamos a pensar que, por este ou aquele motivo, é legítimo violar os direitos assegurados nesse documento, estamos a ir por uma caminho perigoso. Muitíssimo perigoso. Porque esse texto serve precisamente para assegurar que não passamos certos limites relativamente ao respeito pela pessoa humana, pela sua liberdade e os seus direitos fundamentais. Isto não é de menor importância. É da mais alta importância. Já o disse aqui há uns meses e repito-o: antes de ser psicóloga sou cidadã de um país democrático e não aceitarei que os princípios democráticos sejam atacados por nenhuma razão. Independentemente do que penso sobre supervisão, formação específica em psicoterapia, que contempla muito mais que 12 meses de estágio supervisionado em condições dúbias como a Ordem propõe (é essa que considero de alto nível, Cristina) ou demais questões profissionais, não posso nunca aceitar desvios à Constituição e ao Estado de Direito. E têm-se sucedido esses desvios, o que me preocupa.

E devo assinalar que não há, em Portugal, nenhuma Ordem que funcione desta forma, e muito menos na sua origem (algumas pessoas deram-se ao trabalho de ir investigar bem isso, e nunca na história de uma ordem portuguesa houve desqualificações retroactivas).

Nenhuma outra profissão é regulamentada desta forma. Temos, em Portugal, dois grande grupos de Ordens, cujos casos paradigmáticos são a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Advogados. Na primeira a inscrição é obrigatória mas automática, uma vez terminado o curso. É assim, igualmente, com a Ordem dos enfermeiros. Na segunda a inscrição não é automática, mas só é obrigatória para um tipo de função, mais específico e especializado. Uma pessoa formada em Direito não é um advogado, mas pode exercer Direito, designadamente redigindo contractos jurídicos, pareceres, etc. Psicologia é o primeiro e único curso superior, de 5 anos, que habilita apenas e só para o desemprego. Nenhuma actividade pode ser desenvolvida a partir de 5 anos de estudos superiores com estágio académico incluído, duplamente supervisionado!!
pi.r
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Mensagempor pi.r » domingo out 31, 2010 1:39 pm

Isto talvez surja como uma novidade, mas em todas as profissões de responsabilidade a aprendizagem contínua, o desenvolvimento pessoal e profissional, a responsabilidade numa formação sempre actualizada, são mais valias e na verdade deveres profissionais.

Ainda assim, em todas essas profissões, há bons e maus profissionais. Há maus médicos, há maus advogados, há maus engenheiros, há maus arquitectos, há maus sociólogos, etc. Em nenhuma dessas profissões, um recém formado é tão bom como um colega experiente e responsável. Às vezes é melhor que muitos com muita experiência, simplesmente porque reconhece as suas limitações e ainda não se viciou num acumular de erros. Porque é que acham que os psicólogos são uma classe acima de todas as outras, e conseguiremos que todos os psicólogos que existirem (reconhecidos pela Ordem e por causa da Ordem) serão bons profissionais, bem qualifciados, responsáveis, em permanente aprendizagem e auto-crítica construtiva?

Que idealização tamanha da classe! Passa de um número incontável de irresponsáveis que começam a trabalhar de forma irresponsável, para um exército altamente qualificado e diferenciado. E isto, só porque surgiu uma lei. Se fosse tão simples... Não, a Ordem não é sobre qualificação. E o problemático é a ingenuidade dos que acreditam nisso.
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Mensagempor Cristina Silva » domingo out 31, 2010 1:54 pm

PSC escreveu: “…. esclareço q está a partir do pressuposto q n reúno condições p ter o titulo de membro efectivo...”

Nunca parti de tal pressuposto, pois não faço ideia de qual é o seu caso ou situação, apenas me limito a contra-argumentar ao que aqui expressa claramente, tendo até o cuidado de não personalizar e tentar contemplar várias situações de várias pessoas (no geral). E quando falo no meu caso, é só mesmo isso que pretendo: representar um caso (que por acaso é o meu).


PSC escreveu: “Como assinalei e é de extremo relevo: a opção de supervisão era opção sua, não questionada pelo empregador nem pelo seu cliente”.

Se não era questionada pelo empregador ou pelo cliente, não era por ser uma questão de opção, mas exactamente porque não havia regulação quanto a isso (apesar de haver códigos deontológicos específicos). E para mim, é um ganho que o cliente possa questionar, se o profissional reúne as condições exigidas para o serviço que lhe presta, tal como eu exijo saber se um profissional, de qualquer área que seja, reúne as condições exigidas para o serviço que eu pretendo que me preste (por exemplo: eu não aceitaria que um médico de clínica geral me receitasse medicação de foro mental, pois considero que não reúne competências para tal (falta-lhe formação específica até para um diagnóstico diferencial), mesmo que o possa fazer, como todos nós sabemos que podem, nomeadamente no que aos antidepressivos se refere – é só um exemplo, no qual não pretendo atacar ninguém da classe médica. Espero que tal seja claro).


PSC escreveu: “Gosta mesmo muito de em vez de debater questões concretas tentar atacar os outros e tornar tudo questões pessoais ou "estruturas de personalidade especificas"!!...

Como deve compreender, essa minha expressão nada tem a ver pessoalmente consigo, mas com um conhecimento específico (que também é do seu conhecimento como psicólogo (a) que é), e foi aplicado num exemplo sarcástico específico que referiu, se bem se lembra. Eu própria conheço pessoas (com características estruturais específicas), que acham que são mais psicólogos do que os psicólogos, sem sequer terem formação para tal! Inclusive deparo-me com tais personalidades no meu dia-a-dia de trabalho.


PSC escreveu: “…. ao qual reage tão calorosamente e com pouco conteúdo…”

Quem é que aqui está a atacar e a tornar tudo questões pessoais? Se reparar, nos meus contra-argumentos às suas expressões e ideias, nunca me referi às suas formas de reacção, contrariamente ao que aqui está a fazer.


Pego ainda numa expressão que colocou anteriormente e que passo a citar:
“Agora é obrigatório ser estagiária profissional, ter um supervisor que por vezes pode ter tudo o que a ordem requere mas n passar dum ex-colega seu q entrou logo no mercado de trabalho apenas por ter "amigos nos locais certos" e que você sabe que profissionalmente nao é melhor q você, nem tem feito "grandes serviços".

A minha resposta a isso, é de que ninguém lhe pode impor um determinado supervisor (ou estou enganada?).


Espero ter esclarecido a minha postura (não tem a ver com a sua pessoa mas com as ideias que aqui tem expressado), para que continuemos exactamente nessa linha: o do debate de ideias!

Bem-Haja (e este é específico para si PSC)!
:)
Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » domingo out 31, 2010 3:05 pm

E para entenderem que percebo perfeitamente o dilema de muitos quanto à questão “do antes adquirido” e agora posto em causa porque têm de fazer estágio….., penso que tal poderia ser resolvido à semelhança do que acontece no Direito: os Juristas e os Advogados. Como todos sabemos, o Jurista é um licenciado em direito que não fez o exame da Ordem (e como tal não pode exercer como advogado (como por exemplo representar em Tribunal o Cliente) mas pode inscrever-se na respectiva Ordem e exercer o direito de acordo com o que a licenciatura lhe permite em termos de competências (caso incorra numa situação de se fazer passar pelo que não é (ou seja, fazer-se passar por advogado), tem as devidas sanções de acordo com o regulamento da respectiva Ordem.

Na nossa Ordem, poderia haver uma categoria dessas, não sei como é que se designaria, pois tal como no Direito, onde nem todos querem ser advogados, ou até sentem que não têm capacidade para tal (e ninguém os obriga a fazer o exame da Ordem), mas que querem exercer a sua profissão de acordo com as competências que a formação académica lhes dá.
No nosso caso, aqueles que não pretendessem ir além das competências que a formação académica lhes permite, e exercer nessa medida, poderiam inscrever-se na Ordem nesse sentido.

E passaríamos a ter os “PSICOLOGISTAS” (pensei nesta palavra, à semelhança da palavra jurista), os PSICÓLOGOS ESTAGIÁRIOS, os PSICÓLOGOS EFECTIVOS e os PSICÓLOGOS ESPECIALISTAS.

Isto resolveria o problema dos que se sentem desqualificados neste processo todo, mas estou apenas no campo hipotético, mesmo que as hipóteses possam parecer absurdas à primeira vista.

E isto não é para personalizar, é só troca de ideias!
Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » domingo out 31, 2010 8:11 pm

pi.r Escreveu:A Cristina, como outros antes, têm assumido demasiadas coisas como certas sobre mim e outros que aqui se pronunciam contra a actual redacção da lei nº 57/2008. Já me atribuiram trabalho não supervisionado, frequência de doutoramento e sei lá que mais. Sabem se reúno ou não as condições para ser membro efectivo.



Só para esclarecer que não assumi nada sobre si. Quem referiu a questão do doutoramento foi o (a) pi.r. Limitei-me a agarrar nesse exemplo para retorquir o que disse e só acrescentei que (parecia ser esse o seu caso. Parecer, é diferente de assumir que é!).

Mas só agora li os seus últimos comentários, e como deve reparar, acho que fui de encontro ao seu pensamento (também pensei no exemplo da Ordem dos Advogados, mas temos de ter em conta as diferenças entre o direito e a psicologia), e continuo a dizer que percebo perfeitamente o dilema.
Agora, as manifestações contra esse dilema é que não me parecem que sejam feitas nas formas mais sensatas, e consequentemente, haver contra-argumentos à altura dessas formas menos sensatas (tão expressas noutros sítios deste fórum, que entretanto tive oportunidade de ler, percebendo a "guerra" existente entre colegas, guerras essas que ultrapassam, de certeza, a maioria dos psicólogos, como é o meu caso).

Mas quando alguém diz que a Ordem não devia de existir e o que era bom era continuar tudo como antigamente, sem regulação (pois tal não colocaria pessoas em determinadas situações), aí tenho mesmo de me insurgir! pois não quero acreditar que haja psicólogo algum que não queira ver a sua profissão regulada, à semelhança de outras profissões, que mesmo tendo Ordem há tanto tempo, continuam a ter dilemas (lembro-me por exemplo, do último caso daquele médico oftalmologista no Algarve, se não estou em erro, que em consequência do seu exercício médico cegou algumas pessoas, sendo que a Ordem dos Médicos andou aí num dilema sobre a sua suspensão da Ordem, por questões legais e de regulamentação).

Temos que ver que a nossa Ordem ainda é um bebé, que naturalmente fará todos os esforços para crescer em justo equilíbrio (pois as pessoas que lá nos representam, nossos colegas, farão tudo nesse sentido. Eu acredito nisso!)

Havemos de chegar a resoluções, pois as situações expostas, estão a ser tidas em conta, e até tal já foi aqui informado pelo VOYAGER, quando aqui postou as “Alterações ao Sistema de Inscrições da OPP”.
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Mensagempor Ana Rita » domingo out 31, 2010 10:14 pm

pi.r Escreveu:Acho que continua pouco claro para muitos que nada deste assunto se relaciona com questões individuais.

Estamos a bater-nos por uma questão de princípio, muito simples, que é o respeito pela constituição da república.


Pi.r, defender uma Ordem e dabater assuntos específicos como a supervisão (com ou sem exemplos pessoais), não significa ignorar a retroactividade enquanto um mau princípio ou até mesmo uma violação dos nossos direitos.
Parece que ao defendermos que exista uma Ordem e ao concordarmos com diversos pontos, estamos a aplaudir a retroactividade.
Gostaria de salientar que não temos de ser CONTRA ou a FAVOR da Ordem como ela se apresenta, como se esta não tivesse diferentes pontos a debater. Temos é de ser contra ou a favor dos diversos assuntos que abordam a consituição da Ordem. É que muitos dos que aqui também não concordam com a retroactividade (ainda não li niguém que fosse a favor), parecem partir do princípio que não deveria ser criada a Ordem (e isso sim já foi bastante lido por aqui). E depois, quando se argumenta o que está a ser uma evolução positiva na qualidade da nossa profissão, volta-se ao assunto de retroactividade como argumentação final de que a ordem está mal.

Ninguém disse que após uma melhoria na formação dos psicólogos, todos seriam bons profissionais. Penso que essa hipótese nem sequer se coloca. Mas como não vamos ser todos bons profissionais, mais vale não exigir mais nada?
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Mensagempor pi.r » domingo out 31, 2010 10:15 pm

Cristina:
Em primeiro lugar parecer-lhe que o meu caso é este ou aquele é fazer uma assunção, designadamente de que estou a falar do meu caso individual, quando nunca dei a entender tal.

Em segundo, está enganada sob a relação entre a formação em direito e a advocacia/ ordem dos advogados. Os juristas não são membros da ordem dos advogados, porque essa existe apenas e tão só para os advogados. Por exemplo, o Professor Doutor Jorge Miranda não é, nem nunca foi membro da ordem dos advogados, não sendo menos por isso, bem ao contrário.

Também aproveito para esclarecer que a inscrição na ordem dos médicos é automática, implicando apenas a conclusão do curso de medicina. Segue-se um ano e meio de estágio profissional obrigatoriamente remunerado, em que o médico é plenamente médico, nunca lhe podendo ser retirada essa qualificação. Isto significa que não existem uns estatutos que digam que ele não pode fazer uso do título ou da actividade profissional. E não sei se se apercebe mas há números clausus para o curso de medicina, o que significa que terminando o curso pelo menos tem garantida a empregabilidade no sector público. Não é bem a realidade da psicologia, e vai piorar agora que o trabalho a tempo inteiro, não remunerado, é obrigatório. Ter em conta o princípio da realidade, como saberá, é um importante sinal de saúde mental.

Um outro aspecto que não me parece ter ficado claro para si é que em momento nenhum afirmei posicionar-me contra ou a favor da existência da ordem. Mais uma vez, parece assumir algo sobre mim que não expressei. Tenho tão só revelado a minha preocupação com o processo de instalação da OPP, com o seu processo eleitoral, e com alguns actos desta Direcção. Quanto a questões de supervisão, temos dois domínios que me parecem estar a ser confundidos: um, o da avaliação psicológica, que não vejo porque implique 24 meses de supervisão. O outro, o da psicoterapia, que não vejo como possa dispensar as sociedades específicas, com um plano formativo que integra muito mais que 12 meses de supervisão. Assim, digo e mantenho: a forma como a ordem está a funcionar e a regular a profissão preocupa-me pelo atropelo aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, pela ausência de respeito pelos colegas, pela criação de uma falsa sensação de qualificação em modo fast food, pelo despotismo implícito em muitas alíneas dos vários regulamentos, pela desunião que provocou na classe, pela promoção do princípio do trabalho não remunerado, pela forma como atropela a realidade do mercado de trabalho em psicologia, pela forma como não se articulou com as instituições em funcionamento antes de existir, como as universidaces e as sociedades de formação psicoterapêutica, fazendo tábua rasa do passado numa atitude claramente omnipotente.... E porque quase que aposto que ainda não acabaram os motivos de preocupação. Vamos todos esperar que eu esteja errada.

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