Regulamento de Quotas e Taxas da Ordem dos Psicólogos

A regulação e regulamentação da formação e do exercício da psicologia em Portugal. A acreditação e certificação. A organização da classe profissional. Os direitos e deveres laborais. As organizações representativas. A identidade e a imagem dos Psicólogos.

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pi.r
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Mensagempor pi.r » domingo out 31, 2010 10:25 pm

Ana Rita Escreveu:
pi.r Escreveu:Acho que continua pouco claro para muitos que nada deste assunto se relaciona com questões individuais.

Estamos a bater-nos por uma questão de princípio, muito simples, que é o respeito pela constituição da república.


Pi.r, defender uma Ordem e dabater assuntos específicos como a supervisão (com ou sem exemplos pessoais), não significa ignorar a retroactividade enquanto um mau princípio ou até mesmo uma violação dos nossos direitos.
Parece que ao defendermos que exista uma Ordem e ao concordarmos com diversos pontos, estamos a aplaudir a retroactividade.
Gostaria que salientar que não temos de ser CONTRA ou a FAVOR da Ordem como ela se apresenta, como se esta não tivesse diferentes pontos a debater. É que muitos dos que aqui também não concordam com a retroactividade (ainda não li niguém que fosse a favor), parecem aprtir do princípio que não deveria ser criada a Ordem (e isso sim já foi bastante lido por aqui).



Como disse antes, mesmo há vários meses atrás, nunca me posicionei contra a ordem, mas contra a forma como a ordem foi instalada, como decorreu o seu primeiro processo eleitoral, e como está a pretender regular a profissão, que me parece apenas areia para os olhos, implicando trabalho eacravo de psicólogos e pagamentos à ordem, e não verdadeira qualificação e responsabilização dos psicólogos.
Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » segunda nov 01, 2010 1:34 pm

pi.r escreveu: “Em segundo, está enganada sob a relação entre a formação em direito e a advocacia/ ordem dos advogados. Os juristas não são membros da ordem dos advogados, porque essa existe apenas e tão só para os advogados. Por exemplo, o Professor Doutor Jorge Miranda não é, nem nunca foi membro da ordem dos advogados, não sendo menos por isso, bem ao contrário”.

Por acaso não sabia disso. Mas isso só ajuda ainda mais à questão que coloca: a Ordem dos advogados é só para os advogados (que se licenciaram em direito e para serem advogados tiveram de passar pelo processo regulado pela sua Ordem – exame da Ordem por exemplo).
Assim, transpondo para a psicologia, o que é que lhe assola imediatamente?


pi.r escreveu: “Por exemplo, o Professor Doutor Jorge Miranda não é, nem nunca foi membro da ordem dos advogados, não sendo menos por isso, bem ao contrário”.

Não sendo menos o quê? Advogado?


pi.r escreveu: “Também aproveito para esclarecer que a inscrição na ordem dos médicos é automática, implicando apenas a conclusão do curso de medicina. Segue-se um ano e meio de estágio profissional obrigatoriamente remunerado, em que o médico é plenamente médico, nunca lhe podendo ser retirada essa qualificação”.

Mas o médico só pode passar a ser plenamente médico depois de fazer o tal tempo de estágio profissional obrigatoriamente remunerado (e que de certeza é supervisionado). A mesma coisa se passa agora na nossa Ordem: quem acaba o curso faz “automaticamente” a sua inscrição na Ordem, sendo que fica numa categoria específica, transitando depois para a categoria de psicólogo efectivo após o tempo de estágio estipulado e de acordo com o regulamento (que deve ser remunerado) sendo então plenamente psicólogo.


pi.r escreveu: “…..pela promoção do princípio do trabalho não remunerado….”

A mim parece-me que a Ordem veio exactamente fazer o contrário, até mesmo para combater esse panorama que já estava instalado, exactamente porque não havia regulação nem representação máxima dos profissionais (as centenas e centenas de pessoas que trabalhavam como estagiários profissionais sem qualquer remuneração e à mercê dos vícios do sistema).
Portanto, se é contra, como eu, de continuarmos nesse panorama, deve juntar-se à Ordem e lutar no sentido de acabarmos com isso, e exigirmos que as Entidades receptoras dos estagiários sejam obrigadas a remunerá-los. Essa luta é de todos nós, e é uma luta, não contra a Ordem, mas contra este sistema vicioso em que nos encontramos há tanto tempo. O que é que podemos fazer, por exemplo, para que o SNS não tenha um único estagiário profissional de psicologia a trabalhar sem remuneração?
É não havendo Ordem, nem regulamento de estágios, no qual claramente diz que a Entidade receptora deve proporcionar uma remuneração ao psicólogo estagiário? Se para si isto é promover o princípio do trabalho não remunerado……., não sei, devo ser eu que não atinjo!


pi.r escreveu: “…..temos dois domínios que me parecem estar a ser confundidos: um, o da avaliação psicológica, que não vejo porque implique 24 meses de supervisão. O outro, o da psicoterapia, que não vejo como possa dispensar as sociedades específicas, com um plano formativo que integra muito mais que 12 meses de supervisão”.

Acha então que uma pessoa saída da Faculdade, alguns até com estágios académicos duvidosos, estão plenamente capacitados para aplicaram testes psicológicos (e fazerem a devida análise e avaliação dos resultados dessa aplicação, que são muito complexos, principalmente os testes mais projectivos) sem qualquer orientação/supervisão e sem antes passarem pelos objectivos do Estágio Profissional, conforme consta no artigo 3º do Regulamento? Pois, aí estamos inteiramente em desacordo.
Quanto à psicoterapia, as especializadas não dispensam as sociedades específicas, como é lógico, mas aí estamos a falar no campo das especializações. E em nenhum sítio dos Regulamentos da Ordem, lê tal coisa.


Além do mais, o (a) pi.r não responde a algumas questões que já lhe coloquei: por exemplo, ainda não explicou o que quer dizer com as tais “especializações de alto nível”. E agora, gostava também que me respondesse a outra questão: para si, qual é a melhor forma de não se promover o trabalho não remunerado, e garantir que a partir de agora todos os estagiários são remunerados? E qual é a melhor forma para a verdadeira qualificação e responsabilização dos psicólogos? Uma vez que para si, as pessoas que agora nos representam na Ordem só estão a mandar areia para os olhos dos outros? Talvez o Professor Doutor Jorge Miranda possa ajudar nisso.

Fico à espera que nos elucide sobre a melhor regulação da profissão para garantir estas condições que são do interesse de todos. Se me apresentar tal, de forma neutra, faça uma lista para as próximas eleições à Ordem, que eu voto em si!
pi.r
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Mensagempor pi.r » segunda nov 01, 2010 2:19 pm

Cristina Silva Escreveu:pi.r escreveu: “Em segundo, está enganada sob a relação entre a formação em direito e a advocacia/ ordem dos advogados. Os juristas não são membros da ordem dos advogados, porque essa existe apenas e tão só para os advogados. Por exemplo, o Professor Doutor Jorge Miranda não é, nem nunca foi membro da ordem dos advogados, não sendo menos por isso, bem ao contrário”.

Por acaso não sabia disso. Mas isso só ajuda ainda mais à questão que coloca: a Ordem dos advogados é só para os advogados (que se licenciaram em direito e para serem advogados tiveram de passar pelo processo regulado pela sua Ordem – exame da Ordem por exemplo).
Assim, transpondo para a psicologia, o que é que lhe assola imediatamente?


Assola-me imediatamente a ideia de que, à semelhança da ordem dos médicos ou dos enfermeiros, a inscrição devia ser automática e obrigatória, sendo o acesso às especialidades regulado por colégios que poderiam implicar exames específicos. No caso da psicologia clínica (porque não nos devemos esquecer que há diferenças gigantescas entre as diversas áreas, a especialização em psicoterapia teria de ser feita em articulação com as escolas já existentes, num trabalho sério e conjunto entre as ordens e as mesmas.


Cristina Silva Escreveu: pi.r escreveu: “Por exemplo, o Professor Doutor Jorge Miranda não é, nem nunca foi membro da ordem dos advogados, não sendo menos por isso, bem ao contrário”.

Não sendo menos o quê? Advogado?


Não é menos, porque a Cristina dizia que há os inscritos como juristas, que não têm de fazer estágio, e os advogados, que passariam por essa qualificação adicional, e na realidade não é isso que se passa. A advocacia é uma das muitas aplicações que se pode fazer com o curso de direito, o que já não acontece em psicologia, exactamente porque criaram uma inscrição obrigatória mas não imediata. Porque só depois de o estágio ser aceite, realizado, e novamente validado pela ordem, é que o psicólogo se pode designar psicólogo. O psicólogo nada é antes de se inscrever na ordem como membro efectivo. Cansa-me repetir isto, mas é isso que dizem os estatutos, e não podemos dizer que nos importa muito a regulação da profissão e depois desconhecer o teor exacto da mesma.

Cristina Silva Escreveu:pi.r escreveu: “Também aproveito para esclarecer que a inscrição na ordem dos médicos é automática, implicando apenas a conclusão do curso de medicina. Segue-se um ano e meio de estágio profissional obrigatoriamente remunerado, em que o médico é plenamente médico, nunca lhe podendo ser retirada essa qualificação”.

Mas o médico só pode passar a ser plenamente médico depois de fazer o tal tempo de estágio profissional obrigatoriamente remunerado (e que de certeza é supervisionado). A mesma coisa se passa agora na nossa Ordem: quem acaba o curso faz “automaticamente” a sua inscrição na Ordem, sendo que fica numa categoria específica, transitando depois para a categoria de psicólogo efectivo após o tempo de estágio estipulado e de acordo com o regulamento (que deve ser remunerado) sendo então plenamente psicólogo.



Não, o médico é plenamente médico, e está a trabalhar e a ganhar como tal imediatamente a seguir a terminar o curso. Está é a fazer a carreira hospitalar, cujo primeiro escalão é de estagiário, como aliás na carreira hospitalar de psicologia! Quer comparar o que são os estagiários de carreira, nos hospitais, com o que vai ser o estágio da ordem????


Cristina Silva Escreveu: pi.r escreveu: “…..pela promoção do princípio do trabalho não remunerado….”

A mim parece-me que a Ordem veio exactamente fazer o contrário, até mesmo para combater esse panorama que já estava instalado, exactamente porque não havia regulação nem representação máxima dos profissionais (as centenas e centenas de pessoas que trabalhavam como estagiários profissionais sem qualquer remuneração e à mercê dos vícios do sistema).


A Cristina leu o regulamento de estágios? Tem lido o que aqui tem sido dito? Conhece a realidade das instituições e do mercado português? Ou vive o país das maravilhas? A partir do momento em que se aceita a possibilidade de o estágio não ser remunerado, e o regulamento abre esplicitamente essa porta, é claro que a maioria dos estágios vai ser feita dessa forma. Já muitos colegas argumentaram as razões para isso acontecer dessa forma, não vou repetir. Eu também acreditei que, pelo menos isso, a ordem viria fazer, acabar com o voluntariado. Infelizmente, percebi que não apenas não vinha terminar com isso, mas vinha legitimar e tornar mais dramático: porque sendo obrigado a um mínimo de 1600 horas, e havendo mil cães a um osso (mil psicólogos a um estágio), as isntituições vão fazer os estagiários penar, fazer muito mais que 1600 horas, porque se não aceitarem outros aceitarão, ou não poderão ser psicólogos. Isso será um panorama de trabalho escravo, a tempo inteiro, muito pior do que os antigos estágios voluntários em que as pessoas podiam, pelo menos conciliar o estágio com outros trabalhos.



Cristina Silva Escreveu: pi.r escreveu: “…..temos dois domínios que me parecem estar a ser confundidos: um, o da avaliação psicológica, que não vejo porque implique 24 meses de supervisão. O outro, o da psicoterapia, que não vejo como possa dispensar as sociedades específicas, com um plano formativo que integra muito mais que 12 meses de supervisão”.

Acha então que uma pessoa saída da Faculdade, alguns até com estágios académicos duvidosos, estão plenamente capacitados para aplicaram testes psicológicos (e fazerem a devida análise e avaliação dos resultados dessa aplicação, que são muito complexos, principalmente os testes mais projectivos) sem qualquer orientação/supervisão e sem antes passarem pelos objectivos do Estágio Profissional, conforme consta no artigo 3º do Regulamento? .


Acho, acho que estão tão preparados como os psicólogos que foram inscritos como membros efectivos. As provas psicométricas exigem conhecimentos de psicometria e a leitura atenta dos manuais. Exigem que se conheça psicologia do desenvolvimento e psicopatologia. Exigem que se saiba pensar. Os cursos dão acesso a estes conteúdos, o resto implica ser um bom profissional. Como lhe disse já, em todas as profissões encontramos maus profissionais. Tenho encontrado muitos psicólogos bons e muitos maus, e não há diferença de proporções entre os que foram considerados estagiários e efectivos.
As provas projectivas são muito mal utilizadas, mas não tenho qualquer dúvida que o continuarão a ser. Nada tem a ver com mais ou menos 12 meses de estágio da ordem.


Cristina Silva Escreveu:Além do mais, o (a) pi.r não responde a algumas questões que já lhe coloquei: por exemplo, ainda não explicou o que quer dizer com as tais “especializações de alto nível”.


Disse no último ou penúltimo post que coloquei que considero as formações específicas em psicoterapia, que integram muito mais que 12 meses de estágio. Integram formação teórica de alto nível, supervisão séria por profissionais com muita experiência reconhecida, e processos psicoterapêuticos individuais. Coisa de que ainda não ouvi a ordem falar!!!!


Cristina Silva Escreveu: E agora, gostava também que me respondesse a outra questão: para si, qual é a melhor forma de não se promover o trabalho não remunerado, e garantir que a partir de agora todos os estagiários são remunerados? E qual é a melhor forma para a verdadeira qualificação e responsabilização dos psicólogos? Uma vez que para si, as pessoas que agora nos representam na Ordem só estão a mandar areia para os olhos dos outros? Talvez o Professor Doutor Jorge Miranda possa ajudar nisso. Fico à espera que nos elucide sobre a melhor regulação da profissão para garantir estas condições que são do interesse de todos. Se me apresentar tal, de forma neutra, faça uma lista para as próximas eleições à Ordem, que eu voto em si!


Devo dizer-lhe que o Prof. Jorge Miranda quando, em reunião com o Movimento Continuo Psicólogo se deu conta do conteúdo da lei (e ele sabe ler leis) se mostrou perplexo com a falta de reacção dos psicólogos perante um ataque tão brutal aos seus direitos constitucionais. E teceu as considerações que já expressei sobre a diferença entre esta nossa ordem e as outras. Não entendeu como era possível um curso superior não dar acesso a qualquer actividade profissional.
Acho Cristina, que a forma de regular a profissão é trabalhar com as universidades no sentido de garantir a qualidade dos cursos, é trabalhar com as instituições no sentido de garantir a qualiade dos estágios que os psicólogos já fazem, é incentivar à formação contínua, à discussão científica e clínica, mas não é certamente abrir as portas à escravatura e à desqualificação.
Defendo, pessoalmente, que a prática psicoterapêutica exige além de supervisão formação específica. Não vi a ordem defendê-lo. Defendo que deve existir formação específica sobre técnicas projectivas (dado que já aqui me apresentei antes, até será fácil para si descobrir que até sei do que falo relativamente a este assunto). defendo que não deve ser aceitável que se usem provas psicométricas não aferidas para a população portuguesa. Defendo que a Ordem deveria integrar todos os psicólogos que o eram até à data do fecho dos cadernos eleitorais, e deveria regular para o futuro, com sentido de responsabilidade, realidade e respeito, porque não se muda o panorama da psicologia em 12 meses. Será um longo caminho, e não está a começar da melhor forma.
Defendo que nunca a ordem devia ter aberto a porta à possibilidade de estágios não remunerados. E se não houvesse a figura do estágio, mas da actividade profissional supervisionada, isso nunca teria acontecido.
Ana Rita
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Mensagempor Ana Rita » segunda nov 01, 2010 6:39 pm

Apesar de considerar que os estagios não remunerados vão ser um acrescento negativo ao mercado de trabalho que já temos, pergunto, caso fosse obrigatório o estágio ser remunerado, se não existiriam muitos colegas e recém-licenciados a reclamar da dificuldade que teriam em conseguir arranjar um estágio.
Penso que a hipótese de não ser remunerado vem das consequências que isso traria, muitos não iriam sequer ter a oportunidade de fazer estágio. Mesmo porque alguns colegas vão continuar a fazer "voluntariado" e a ajudar a entupir este problema. Acho ainda curioso que todos estejamos de acordo que deveria ser pago, mas quando discutíamos aqui a questão do "voluntariado" (entre aspas porque não o é verdadeiramente) muitos achavam bem sacrificarem-se para virem a ter uma hipótese de serem colocados posteriormente. Onde estão agora esses colegas?

Não podemos comparar com os médicos, porque eles ainda são poucos para as necessidades. Nós não somos assim tantos quanto isso para as necessidades, continuo a achar que há por aí muito trabalho para todos nós, mas não somos vistos dessa forma. A Ordem, para já e através da legislação, não consegue mudar isso! Só com o tempo, todos nós poderemos contribuir.
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Mensagempor Voyager » segunda nov 01, 2010 8:01 pm

Título deste tópico:

"Regulamento de Quotas e Taxas da Ordem dos Psicólogos"
pi.r
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Mensagempor pi.r » segunda nov 01, 2010 8:25 pm

Ana Rita Escreveu:Apesar de considerar que os estagios não remunerados vão ser um acrescento negativo ao mercado de trabalho que já temos, pergunto, caso fosse obrigatório o estágio ser remunerado, se não existiriam muitos colegas e recém-licenciados a reclamar da dificuldade que teriam em conseguir arranjar um estágio.
Penso que a hipótese de não ser remunerado vem das consequências que isso traria, muitos não iriam sequer ter a oportunidade de fazer estágio.


É por isso que a ideia do estágio não foi brilhante! E muito menos brilhante foi quando se categorizou como membros estagiários todos os que se formaram a partir de Outubro de 2007, 1 ano antes da publicação da lei que cria a Ordem, mais de 2 anos antes do início das inscrições, 3 anos antes da publicação do regulamento de estágios, e sabe-se lá quanto tempo antes de existirem efectivamente condições para os estágios se iniciarem.
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Mensagempor aniger » segunda nov 01, 2010 8:25 pm

Voyager Escreveu:Título deste tópico:

"Regulamento de Quotas e Taxas da Ordem dos Psicólogos"


Exacto e pegando neste aspecto e noutros..recuso-me a pagar 180€ por uma Ordem que em nada me habilita...sim porque acabamos o curso superior e somos o que ? Zero...Mas não desanimem colegas, vamos todos pagar as cotas e taxas, para fazermos um estágio que será trabalho escravo e sem recebermos um único Euro ...

Sem dúvida, que foi o que sempre idealizei... :roll: Ao menos poderiam colocar as horas de estágio de forma a que se conseguisse conciliar com um trabalho remunerado.
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Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » segunda nov 01, 2010 9:21 pm

pi.r Escreveu:
......, mas não é certamente abrir as portas à escravatura e à desqualificação.


Mas esse é um problema que precede a Ordem, não foi um problema criado pela Ordem, por mais que queiram passar a ideia de que é a Regulamentação da Ordem que cria esta situação. A criação da Ordem veio, e bem, trazer à tona este problema que existe há dezenas de anos (psicólogos em estágio profissional sem qualquer remuneração). Pergunto-lhe, se durante essas dezenas e dezenas de anos consultaram o Prof. Doutor Jorge Miranda sobre o assunto. Suponho que se o fizeram terá, com certeza, ficado escandalizado e indicado como tal se resolveria, constitucionalmente, mesmo sem uma Ordem a regular. Porque é que tal problema nunca foi resolvido até à data e é preciso a Ordem começar a regular para se perceber a dimensão do problema? Suponho que o (a) pi.r, se debruçava na resolução deste problema já antes da Ordem, não?

E não me venham com a teoria do “porque antes era opção”!

De tudo o que disse, sendo que concordo em muitas das coisas (demagogias à parte), a resolução para garantir a remuneração de todos os profissionais, era não haver a categoria de psicólogo estagiário e serem todos de imediato reconhecidos como profissionais em pleno (no caso, psicólogo efectivo), percebi bem? É que se assim for, parece-me que o (a) pi.r é que está no lálá land, e explico-me: Isso seria para continuar a alimentar os pseudo concursos, recrutamentos, etc. sem que o profissional tivesse de comprovar as suas capacitações (até a ele próprio), prevalecendo o factor C, e continuando a alimentar este panorama, esse sim inconstitucionalíssimo e contra um dos direitos mais sagrados, que é o da igualdade? E ajudando a engordar o número dos milhares de licenciados desempregados (e em psicologia a percentagem deve ser considerável)?
Talvez para alguns fosse bom, pois nós todos sabemos que o desemprego não é para todos.
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Mensagempor pi.r » segunda nov 01, 2010 9:56 pm

Mas será possível que acredite mesmo que o factor C vai deixar de existir? Que os psicólogos, com mais 12 meses de estágio nas mesmas instituições que antes, supervisionados pelos mesmos que supervisionavam os seus estágios académicos, vão ser muitíssimo melhores profissionais? Que é a mesma coisa uma percentagem de psicólogos decidir dar algumas das suas horas ao voluntariado, ou todos seresm obrigados a fazê-lo, no mínimo por 1600 horas anuais?

As pessoas comprovaram as suas competências ao longo de 5 anos de estudos, ao longo do seu estágio académico, e continuarão a fazê-lo na sua vida profissional. Acha realmente, alguém acha, que a Comissão de Estágios vai ser assim tão mais omnisciente que as instituições de ensino e as instituições de acolhimento de estágios académicos, e os orientadores dos mesmos, e os pacientes, e o mercado de trabalho? Serão deuses?

As pessoas que vão fazer estágios por mais 12 meses vão ser assim tão transformadas por essa experiência (que já antes tinham tido) que, antes irresponsáveis e maus profissionais, se verão transformadas em sábios técnicos, profissionais responsáveis, maravilhosos seres humanos?

Palavra de honra que não estou a ser irónica, Cristina, estou mesmo estupefacta com a sua capacidade de acreditar.

Provavelmente concordamos, e muito, nas muitas dificuldades da psicologia e dos psicólogos no nosso país (e nos outros, certamente).
Divergimos em dois pontos.

O primeiro, na verdadeira intenção destes orgãos de modificarem a situação.

O segundo, de que essa situação seja alterada no que quer que seja com a não integração dos psicólogos formados até ao início do funcionamento da ordem. Porque mesmo que esses, os desqualificados, de repente se tornassem todos em maravilhosos psicólogos em virtude do estágio que lhes foi imposto anos depois de terminarem os seus cursos, a maioria dos membros efectivos em actividade, ainda por muitos anos, continuará a ser constituída por psicólogos que não passaram por este processo. Por isso não entendo, realmente não entendo, porque é que uns puderam terminar os seus cursos e exercer, crescer, aprender, e tornar-se bons profissionais (porque também os há!) e agora estes têm de voltar para trás, largar as suas actividades, deixarem de se designar psicólogos e esperarem uma validação por uma Comissão de Estágios que ainda nem existe!!!!!!

Se eu não concordo com este sistema para os futuros psicólogos, um sistema que incentiva o trabalho não remunerado, pode ter a certeza que não o aceito para aqueles que antes eram psicólogos. E nada disso tem o que quer que seja a ver com actividade supervisionada. Que é algo bem diferente desta infantilização de técnicos que deviam ser respeitados e devidamente remunerados.
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Mensagempor Voyager » terça nov 02, 2010 12:42 am

Não me vou meter na vossa discussão porque ela é demasiado longa e vocês não devem conseguir chegar a lado nenhum com ela.

Mas se me arranjarem 1.600 horas de formação para eu dar em 2011 pagas a 15 euros à hora eu não me chateio muito no proximo ano e tudo aquilo que vocês disserem aqui eu concordo sempre e até sou capaz de pensar em ajudar-vos a pagar as vossas quotas à Ordem! (afinal 15 x 1.600 sempre são € 24.00,00)...
Nos tempos que correm .... uiui....Se me derem os € 24.000,00 para aplicar os meus 5 anos da licenciatura em psicologia na caixa de um supermercado também não há crise!

:lol: :shock: :D

P.S. - Acho que há pessoas que não têm qualquer noção da realidade (claro que não é nenhuma de vocês). Mas a quem servir a carapuça aconselho a que olhem menos para o v/ umbigo e mais para a mundo que vos circunda.

Além desta (pago quando entenderem) também se pagam cá em casa quotas para uma outra recém-criada Ordem. A lógica sempre foi a de integração dos profisssionais já existentes. Aos poucos foram evoluindo as "limitações" à entrada. Agora já é preciso fazer um estágio. Mas os antigos profissionais, alguns sem licenciatura, continuam na Ordem. Ninguém pensou sequer em correr com eles e muito menos em mandá-los fazer um estágio. Estes evoluiram, fazem formação como todos os outros e naturalmente respeitam e são respeitados. Com o passar do tempo só haverá licenciados ou mestres na Ordem.
E assim se arranjam cerca de 70.000 pessoas a pagar quotas € 12,00/ mês..... Façam as contas e discutam menos o sexo dos anjos....
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Mensagempor Cristina Silva » terça nov 02, 2010 1:59 pm

Voyager Escreveu:Mas os antigos profissionais, alguns sem licenciatura, continuam na Ordem.


Se isso assim é, é grave! E tem de ser denunciado e ter as devidas consequências. Não podemos permitir que a Ordem seja o primeiro a prevaricar. Portanto, se de facto fazem parte da Ordem pessoas não licenciadas (em funções que exigem tal) e que estão como psicólogos efectivos, ou estão em Comissões de avaliação, etc., estamos perante um crime, e como manda o Regulamento há que remeter às Instâncias Criminais.

Portanto, essa é uma acusação grave e que tem de ser denunciada, se provas há.

Agora, podem existir pessoas na Ordem, para funções administrativas que não têm de ser licenciadas em psicologia.


À pi.r, não tenho a ingenuidade de achar que o factor C vai acabar, pois sei que tal vai continuar a acontecer até para arranjar estágio (eu já conheço um caso de alguém que arranjou um bom estágio por cunha). Mas pelo menos agora, essa pessoa tem primeiro de cumprir com o Regulamento da Ordem, antes de fazer valer o seu factor C, e caso se verifique que não tem competências para o exercício da profissão, não poderá ser colocada na Entidade receptora a trabalhar como profissional (prevalecendo o factor C).

Caso essa pessoa não tivesse de cumprir o Regulamentado pela Ordem, tal como acontecia antigamente, acredite que já estava a trabalhar na dita Entidade receptora (pois o factor C é de peso), acabadinha de sair do curso, sem a mínima experiência profissional, e a passar, numa flagrante desigualdade, por centenas de outros psicólogos mais qualificados e com experiência profissional comprovada.
E depois, mais tarde, abrir-se-ia um pseudo-concurso para tal pessoa ser integrada na Entidade Receptora.

Isto vai continuar a acontecer, mas pelo menos agora tem que se passar primeiro por um processo de formação profissional, devidamente Orientado e supervisionado, o que até é positivo para o próprio, pois aí até pode perceber se pretende mesmo exercer ou não, pois o exercício da nossa profissão não é pêra doce, e há muitos que não resistem.
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Mensagempor pi.r » terça nov 02, 2010 2:14 pm

Ah, então a grande mais valia da ordem é que a desigualdade de oportunidades em virtude do factor C fica adiada em um ano. Agora já percebo, ainda bem que há uma ordem que permite uma transformação social tão importante.

O que o/a colega Voyager estava a dizer é que outra ordem se criou (que não de psicólogos) em que não só ninguém foi desqualificado, todos foram integrados, mesmo os que, porque iniciram funções antes de existir licenciatura ou essa ser exigida, também foram integrados. Já em psicologia, aqueles que foram pioneiros na psicologia mas que não fizeram a licenciatura porque ela não existia na altura, e mesmo que tenham formados psicólogos aos longo dos anos, dirigido com competência e seriedade serviços hospitalares, dirigido cadeiras em cursos de psicologia, integrado a carreira hospitalar de psicologia, etc., foram excluídos da ordem dos psicólogos. Os que criaram a psicologia em Portugal! Mais uma vez, Cristina, maravilhoso começo para uma Ordem que se quer séria e respeitável.
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Mensagempor Salema » terça nov 02, 2010 4:11 pm

De facto há quem defenda o indefensável!
Começando pelos estágios eu pergunto o porquê de alguém com 18 meses de prática comprovada ter acesso directo, e quem tem apenas estágio curricular tem de pagar para fazer um estágio de acesso? O facto é que são dois graus de exigência completamente diferentes e que não defendem em nada os pressupostos de rigor que a ordem tanto defende. A verdade é que muita gente pode ter os 18 meses minimos para acesso directo, mas podem ser 18 meses a fazer porcaria em estado puro. No mesmo sentido, e mais perverso ainda, muitos dos que vão ter de se submeter a estágio habilitam-se a ter orientadores perfeitamente incompetentes. No fim de contas é verdadeiramente abjecto que se peça aos jovens um estágio de acesso à ordem com um coeficiente de dificuldade largamente superior às condições de acesso à ordem de outros psicólogos que apenas têm de comprovar horas, meses, ou anos de serviço.
Por outro lado, estas regras de estágios não defendem seja em que sentido for o trabalho remunerado, pelo contrário isto vem rebentar com o mercado de vez. Nenhuma instituição vai querer pagar a um psicólogo, quando pode ter todos os anos um bimbo a trabalhar a pala!
Um estágio deste tipo faria sentido num país com uma classe de psicólogos já plenamente e solidamente estabelecida.
A ordem deveria talvez preocupar-se em conseguir o que os psicológos no EUA conseguiram, reconhecimento através do supremo tribunal de que a psicologia e a psiquiatria são áreas concorrentes com todas as implicações positivas que tal reconhecimento acarreta. Em Portugal continuamos escravos dos psiquiatras, há imensos pareceres de psicólogos que nem o nome dos próprios levam porque no fim o que conta é a assinatura do psicólogo. Os psiquiatras continuam a aparecer na tv para "botar faladura" dos mais diversos temas para os quais só dizem autenticas babuseiras. Ainda não há pouco tempo tive o desprazer de ouvir pela boca de um qualquer sujeito que a depressão deve-se apenas e só a uma disfunção neuro-quimica, e isto foi apresentado como verdade absoluta. Estas situações são graves e a ordem em relação a isto fez zero. De cada vez que visito o site acabo por assistir ao espectáculo triste de ver noticias de que o Sr. Bastonário comentou o resgate dos mineiros, ou o Sr. Bastonário foi ao congresso x ou y... E desta forma vou eu e Todos Nós ter de sustentar este pançudo.


Talvez devessemos todos sacar o papel de reconhecimento de horas de voluntariado que está no site e pedir ao "amigo de oportunidade/ocasião" para escrever 1200h e "tá" feito.
Marolive
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Mensagempor Marolive » terça nov 02, 2010 5:36 pm

Cristina Silva Escreveu:
Voyager Escreveu:Mas os antigos profissionais, alguns sem licenciatura, continuam na Ordem.


Se isso assim é, é grave! E tem de ser denunciado e ter as devidas consequências. Não podemos permitir que a Ordem seja o primeiro a prevaricar. Portanto, se de facto fazem parte da Ordem pessoas não licenciadas (em funções que exigem tal) e que estão como psicólogos efectivos, ou estão em Comissões de avaliação, etc., estamos perante um crime, e como manda o Regulamento há que remeter às Instâncias Criminais.

Portanto, essa é uma acusação grave e que tem de ser denunciada, se provas há.

Agora, podem existir pessoas na Ordem, para funções administrativas que não têm de ser licenciadas em psicologia.
.


SANTA IGNORÂNCIA e SANTA PACIÊNCIA temos de ter para ler tanta ... (ia dizer palermice!) ... ignorância e necessidade de aprender a LER o que os outros escrevem de facto ...
Então a psicóloga Cristina não entendeu que o Colega se estava a referir a OUTRA ORDEM ? A uma ordem também recém criada e que bem pode ser a dos Enfermeiros - que apesar de os seus profissionais mais antigos não terem licenciatura NÂO FORAM DESQUALIFICADOS, pelo contrário foram dos primeiros a ser aceites como membros efectivos na sua Ordem, tendo esta respeitado o seu direito de antiguidade - ainda que não fossem licenciados como é obrigatório para os mais novos... Precisamente o contrário do que fez a nossa!... Cappicce?
Agora, não pense que estou a dizer que a nossa ordem devesse aceitar não-licenciados: NÂO ESTOU! OK? O que digo é que, no caso dos enfermeiros muitos deles não eram licenciados porque não tinham de o ser, MAS ERAM ENFERMEIROS DE FACTO E DE DIREITO e a sua Ordem NÂO OS DESQUALIFICOU - antes, aceitou-os e nem podia ser de outro modo, certo?

Nota1: ainda não terminei de ler os posts seguintes, pelo que admito que alguém lá lhe tenha dito o mesmo ou semelhante - nesse caso fica como reforço...

Nota 2: À colega Pi-r : admiro a sua capacidade de resiliência e a categoria das respostas dadas a uma série de argumentos quase infantis postados por gente sem capacidade de PENSAR PELA PRÒPRIA CABEÇA - é uma tristeza ver/ler certos posts ... com a falta de cultura geral, de lógica, etc. etc.
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Mensagempor Ana Rita » terça nov 02, 2010 8:45 pm

Pensei que não fosse necessária muita resiliência para argumentos quase infantis. De certo, será bem mais adulto infantilizar. Pelo menos, tanto a Critina como a Pi.R, apesar de desacordo em pontos fundamentais, demonstram a tal lógica ou cultura geral. Algo que em "capicce?"e "palermice" não abunda!

Com a atitude de muitos colegas por aqui, acho que na reinvindicação do que ainda é preciso mudar na Ordem, vamos fazer-nos muitas vezes de surdos e mudos. Pode ser que resulte chamar pançudo ao bastonário :roll: .

A história dos psiquiatras dá pano para mangas, lá chegaremos. A diferença é que acho que chegaremos mais facilmente pela Ordem e continuo a achar que também somos nós que a fazemos, outros acham que o salve-se quem puder que imperou até hoje era promissor.

Quanto às quotas e taxas voyager, há aqui colegas que têm ainda a entidade reguladora de saúde em cima nem que seja para dar meia dúzia de consultas. 200 euros de inscrição, 100 euros anuais. Eles sim, não vão concerteza fazer nada para que a Psicologia evolua no nosso país.

Assinei logo a petição por causa da desqualificação, mas quero uma Ordem que regule a nossa profissão. Estamos a anos luz de credibilidade, parece que somos sempre os coitadinhos que gostam de ajudar, que nem se conseguem organizar e constituir uma ordem, que permitimos que astro-psico-videntes trabalhem sem medo.
Conhecem algum psiquiatra que faça combinação de psiquiatrias com todo o tipo de "energias altenativas"? Não, porque não podem, porque há regulação. Como é que queremos que nos respeitem e façamos parte da concorrência, se nem nos damos ao respeito?
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » terça nov 02, 2010 9:35 pm

pi.r Escreveu:Ah, então a grande mais valia da ordem é que a desigualdade de oportunidades em virtude do factor C fica adiada em um ano. Agora já percebo, ainda bem que há uma ordem que permite uma transformação social tão importante.

O que o/a colega Voyager estava a dizer é que outra ordem se criou (que não de psicólogos) em que não só ninguém foi desqualificado, todos foram integrados, mesmo os que, porque iniciram funções antes de existir licenciatura ou essa ser exigida, também foram integrados. Já em psicologia, aqueles que foram pioneiros na psicologia mas que não fizeram a licenciatura porque ela não existia na altura, e mesmo que tenham formados psicólogos aos longo dos anos, dirigido com competência e seriedade serviços hospitalares, dirigido cadeiras em cursos de psicologia, integrado a carreira hospitalar de psicologia, etc., foram excluídos da ordem dos psicólogos. Os que criaram a psicologia em Portugal! Mais uma vez, Cristina, maravilhoso começo para uma Ordem que se quer séria e respeitável.


pi.r, acho que já estamos ambas a discutir coisas diferentes, pois a pi.r está centrada na questão da desqualificação e eu estou a tentar chamar a atenção para outros factores e nas mudanças que a Ordem traz ao panoramona profissional, nomedamente a exigência de uma melhor formação profissional para o exercício profissional em pleno, sendo que é um ganho (nomeadamente na dignificação da profissão, podendo também contribuir para outros factores de vícios sociais: cunhas, pseudo-concursos, et., mas isso é secundário pois não é a Ordem que tem de transformar isso mas toda a Sociedade), e não podemos comparar com as outras Ordens, pois o exercício da psicologia é diferente, basta pensar no objecto de intervenção. A Ordem dos psicólogos não deve regular à imagem e semelhança das outras Ordens mas de acordo com a sua especificidade.

Outra coisa é a questão que coloca, a dos que ficaram desqualificados devido a este regulamento, e que já exerciam em pleno (fosse em que condições fosse), sendo que para mim essa é outra questão e que não deve contaminar tudo o resto, sendo legitima a luta dos que se encontram em tal situação. Mas isso é outra coisa!

Outro ponto que não deve contaminar, é o do constante ataque às pessoas que neste momento fazem parte da Ordem. Eu não faço parte da Ordem, mas sou uma psicóloga que dá um voto de confiança aos que estão em funções neste momento(percebendo que não é tarefa fácil), e logo se vê.....

Mas vou continuar aqui a "insurgir-me" sempre que me aperceber que atrás de certas opiniões e lutas, estão motivações latentes que contaminam o senso, levando a argumentos altamente destrutivos em vez que construtivos.
Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » terça nov 02, 2010 9:40 pm

Marolive Escreveu:
SANTA IGNORÂNCIA e SANTA PACIÊNCIA temos de ter para ler tanta ... (ia dizer palermice!) ... ignorância e necessidade de aprender a LER o que os outros escrevem de facto ...
Então a psicóloga Cristina não entendeu que o Colega se estava a referir a OUTRA ORDEM ? A uma ordem também recém criada e que bem pode ser a dos Enfermeiros - que apesar de os seus profissionais mais antigos não terem licenciatura NÂO FORAM DESQUALIFICADOS, pelo contrário foram dos primeiros a ser aceites como membros efectivos na sua Ordem, tendo esta respeitado o seu direito de antiguidade - ainda que não fossem licenciados como é obrigatório para os mais novos... Precisamente o contrário do que fez a nossa!... Cappicce?
Agora, não pense que estou a dizer que a nossa ordem devesse aceitar não-licenciados: NÂO ESTOU! OK? O que digo é que, no caso dos enfermeiros muitos deles não eram licenciados porque não tinham de o ser, MAS ERAM ENFERMEIROS DE FACTO E DE DIREITO e a sua Ordem NÂO OS DESQUALIFICOU - antes, aceitou-os e nem podia ser de outro modo, certo?

Nota1: ainda não terminei de ler os posts seguintes, pelo que admito que alguém lá lhe tenha dito o mesmo ou semelhante - nesse caso fica como reforço...

Nota 2: À colega Pi-r : admiro a sua capacidade de resiliência e a categoria das respostas dadas a uma série de argumentos quase infantis postados por gente sem capacidade de PENSAR PELA PRÒPRIA CABEÇA - é uma tristeza ver/ler certos posts ... com a falta de cultura geral, de lógica, etc. etc.


Ainda bem que esclareceu, pois realmente não pensei que estivesse a falar de outra Ordem que não a nossa! e vou-me abster de comentar as suas manifestações mais efusivas, pois até compreendo que o faça. Quando estamos de acordo com alguém, é natural que achemos que tal pessoa tenha mais categoria e inteligência. Eu também costumo sentir isso quando assisto a alguns debates por essa TV afora!
pi.r
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Mensagempor pi.r » terça nov 02, 2010 10:45 pm

Cristina Silva Escreveu:pi.r, acho que já estamos ambas a discutir coisas diferentes, pois a pi.r está centrada na questão da desqualificação e eu estou a tentar chamar a atenção para outros factores e nas mudanças que a Ordem traz ao panoramona profissional, nomedamente a exigência de uma melhor formação profissional para o exercício profissional em pleno, sendo que é um ganho (nomeadamente na dignificação da profissão, podendo também contribuir para outros factores de vícios sociais: cunhas, pseudo-concursos, et., mas isso é secundário pois não é a Ordem que tem de transformar isso mas toda a Sociedade), e não podemos comparar com as outras Ordens, pois o exercício da psicologia é diferente, basta pensar no objecto de intervenção. A Ordem dos psicólogos não deve regular à imagem e semelhança das outras Ordens mas de acordo com a sua especificidade.


Não me parece que estejamos a discutir coisas diferentes. Eu simplesmente não concordo com o que diz. Teoricamente sim, a Ordem poderia contribuir para a digificação da profissão, mas já expliquei porque é que não concordo que o esteja a fazer. E a discordância é sinal de saudável convivência democrática. Pena que não possa existir na Ordem dos Psicólogos, já que ficaram de fora dos cadernos eleitorais muito mais que metade dos psicólogos que se registaram.


Cristina Silva Escreveu:Outro ponto que não deve contaminar, é o do constante ataque às pessoas que neste momento fazem parte da Ordem. Eu não faço parte da Ordem, mas sou uma psicóloga que dá um voto de confiança aos que estão em funções neste momento(percebendo que não é tarefa fácil), e logo se vê.....

Mas vou continuar aqui a "insurgir-me" sempre que me aperceber que atrás de certas opiniões e lutas, estão motivações latentes que contaminam o senso, levando a argumentos altamente destrutivos em vez que construtivos.


Não sei a que ou quem se refere quando fala de motivações latentes. E permita-me que, a esta altura do campeonato, já não seja capaz de dar voto nenhum de confiança a um grupo de pessoas que ajudou a redigir uma lei injusta e inconstitucional, que pretende que não o seja, que publicite que vai resolver os problemas que criou e depois os agrave, transtornando a vida pessoal e profissional de milhares de pessoas. Mais uma vez, o facto de a Cristina ou outra pessoa qualquer querer ter essa confiança não obriga os outros à mesma atitude. A confiança ganha-se, e mantém-se. A minha, perderam-na.
Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » quarta nov 03, 2010 10:24 pm

pi.r Escreveu:
Não me parece que estejamos a discutir coisas diferentes. Eu simplesmente não concordo com o que diz. Teoricamente sim, a Ordem poderia contribuir para a digificação da profissão, mas já expliquei porque é que não concordo que o esteja a fazer. E a discordância é sinal de saudável convivência democrática. Pena que não possa existir na Ordem dos Psicólogos, já que ficaram de fora dos cadernos eleitorais muito mais que metade dos psicólogos que se registaram.


Não sei a que ou quem se refere quando fala de motivações latentes. E permita-me que, a esta altura do campeonato, já não seja capaz de dar voto nenhum de confiança a um grupo de pessoas que ajudou a redigir uma lei injusta e inconstitucional, que pretende que não o seja, que publicite que vai resolver os problemas que criou e depois os agrave, transtornando a vida pessoal e profissional de milhares de pessoas. Mais uma vez, o facto de a Cristina ou outra pessoa qualquer querer ter essa confiança não obriga os outros à mesma atitude. A confiança ganha-se, e mantém-se. A minha, perderam-na.


Pi.r, e eu só não concordo com a forma como o diz, mesmo empatizando com o seu sentimento de injustiça.

Quanto à questão da Constitucionalidade, não me vou repetir aqui, pois já falámos noutro debate neste fórum, no espaço "Regulamentação, Exercício e Identidade Profissional".

Bem haja pi.r, pela sinceridade (e liberdade) de pensamento de ambas que tem tornado tão rica esta nossa troca de ideias (pelo menos para mim, pois se há coisa que prezo é o debate de ideias, algo que custou muito a conquistar).
Voyager
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Mensagempor Voyager » quinta nov 04, 2010 12:52 am

Cristina Silva Escreveu:
Voyager Escreveu:Mas os antigos profissionais, alguns sem licenciatura, continuam na Ordem.


Se isso assim é, é grave! E tem de ser denunciado e ter as devidas consequências. Não podemos permitir que a Ordem seja o primeiro a prevaricar. Portanto, se de facto fazem parte da Ordem pessoas não licenciadas (em funções que exigem tal) e que estão como psicólogos efectivos, ou estão em Comissões de avaliação, etc., estamos perante um crime, e como manda o Regulamento há que remeter às Instâncias Criminais.

Portanto, essa é uma acusação grave e que tem de ser denunciada, se provas há.

Agora, podem existir pessoas na Ordem, para funções administrativas que não têm de ser licenciadas em psicologia.




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