Regulamento de Quotas e Taxas da Ordem dos Psicólogos

A regulação e regulamentação da formação e do exercício da psicologia em Portugal. A acreditação e certificação. A organização da classe profissional. Os direitos e deveres laborais. As organizações representativas. A identidade e a imagem dos Psicólogos.

Moderador: Cristina

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Mensagempor PSC » sábado out 23, 2010 3:16 pm

Ana Rita Escreveu:quando há vários meses foi mencionado que possívelmente a Ordem não iria retirar direitos a quem já estava a exercer, mesmo que a lei assim o desse a entender. Esta é uma demonstração de que estão de facto a atender a estes casos,

Optimismo, mas um pouco de calma tb!!! :wink:
Eu tb acho de bom senso q tenham demorado menos q da ultima vez a expor a sua posiçao publicamente e que tenha sido esta mesmo, q eu tb achava q seria a unica razoavel.
Mas do retirar direitos pode sempre ocorrer...

E n foi a OPP q reinvidicou nada... n sei quem do grupo q se mobilizou faz ou n parte da OPP, mas esse grupo poderia existir ou ter surgido num cenário mesmo sem OPP!...
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Mensagempor Ana Rita » sábado out 23, 2010 3:27 pm

Colega, só mencionei esse optimismo porque há vários meses quase que me "engoliam" (a mim e outros colegas) por acharmos que era rídiculo a Ordem não vir a reflectir sobre as pessoas que não conseguiam comprovar os 18 meses e que estavam ou iam começar a trabalhar. Algo como "vocês deliram" ou " não sabem ler" foram as ofensas que ocorreram por aqui.
A lei era/é motivo de preocupação, mas sempre achei que tínhamos de lutar por mudar essa lei, e parece-me que é isso que está a ser feito. De repente, as arestas já se podem limar.

Eu não disse que foi a OPP que reinvidicou, foram grupos de psicólogos, que reinvidicaram e fizeram-se ouvir junto da OPP, do ministério da educação, da comunicação social entre outros. Mas só desde que a Ordem surgiu! Ou seja, até hoje nada nos movia. Não sei se já vinhas cá antes, mas aqui diziamos mal da psicologia no nosso país, dos psicólogos/astrólogos/videntes, que era uma vergonha porque nada nos regulava etc. Agora que vem uma Ordem fazer esse papel, fícámos com os calos apertados e de repente já somos ouvidos, já aparecemos na televisão e nos jornais.
Só por estes movimentos, a Ordem já está a ser produtiva! Curiosamente, contra ela, mas ao menos fazemos alguma coisa!
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
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Mensagempor Raquel Raimundo » sábado out 23, 2010 5:27 pm

Vou procurar de forma sucinta responder a algumas questões/ anseios de alguns colegas genuinamente interessados em serem esclarecidos.

Os membros estagiários da OPP terão de frequentar cursos financiados pela OPP, com uma pequena comparticipação a ser custeada pelo estagiário, mas muito longe do seu custo real. Também os orientadores de estágios terão oportunidade de terem, pela primeira vez, formação nesse âmbito. Todos tivémos formação em psicologia, mas ninguém nos deu formação para orientarmos colegas, o que se espera que venha a ser mais um aspecto a contribuir para elevação dos níveis de qualidade profissional.
Os colégios de especialidade ainda não foram constituídos. Contudo a ideia não é que um psicólogo apenas possa pertencer ao colégio de especialidade na área onde se licenciou ou fez mestrado. A área (ou áreas) de especialidade será/ serão ditada(s) pelo somatório de formação académica, profissional e experiência profissional de cada um. Não fazia sentido um colega ter terminado o curso em clínica ter sempre exercido em organizações e no final pertencer ao colégio de especialidade de clínica (só para dar um exemplo).
Quem iniciar o estágio poderá estar a recibos verdes tem é de estar a ser supervisionado. O orientador deverá estar, preferencialmente (mas não obrigatoriamente), no mesmo local onde está o estagiário.
As quotas começarão a ser pagas apenas no início do próximo ano. A diferenciação nas quotas, consoante se tem experiência superior (12 euros) ou inferior (8 euros) a 5 anos deve-se ao facto de, efectivamente em média, os colegas com mais de 5 anos de experiência profissional auferirem melhores salários (não necessariamente grandes salários).
Quem estiver desempregado ou ficar nessa situação pode pedir suspensão imediata do pagamento de quotas à Ordem.
As vinhetas são para serem colocadas em documentos escritos de actos psicológicos realizados pelos colegas, de qualquer especialidade. Não é só em clínica que se produzem documentos escritos.
Após o encerramento (há largos meses) dos cadernos eleitorais os colegas continuaram a inscrever-se na OPP, por isso quem teve ontem aprovação é membro efectivo da OPP e não só quem se inscreveu no período anterior às eleições. Os estagiários inscritos na OPP são também membros da mesma. Estiveram em situação de transição enquanto não saía o regulamento de estágios, mas à medida que os processos começarem a ser analisados pela comissão de estágios a sua situação será regularizada. Entretanto, não lhes poderá ser imputada falta decorrente do facto do seu processo ainda se encontrar em análise por uma questão legislativa/administrativa.
À/ao colega que tem contrato até Agosto de 2011 não tem de abdicar do seu emprego, mas sim submeter essa experiência (e a futura) como proposta de estágio profissional à OPP e arranjar (se ainda não tiver) um orientador.
Por último ... não chegou nenhuma queixa para análise ao Conselho Jurisdicional da OPP , relativa a colegas que tenham finalizado o curso (2º ciclo) após 16 de Outubro de 2007 ou não tenham conseguido provar experiência profissional de 18 meses até 16 de Abril de 2009 e estejam a exercer. A OPP faz um apelo a que se denunciem situações de usurpação de funções por parte de não membros (pessoas com outras formações superiores/ profissionais ou quem tenha apenas 1º ciclo em psicologia, ou apenas o 2º ciclo ou quem não tenha efectuado estágio curricular) não dos seus membros. Não é a mesma coisa.
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Mensagempor vectrapc » sábado out 23, 2010 7:46 pm

Já agora para complementar a informação de acordo com a regulamentação da Ordem, o Conselho Jurisdicional verifica as situações de comportamentos incorrectos dos membros da Ordem.

Só são crimes de usurpação de funções (e daí encaminhados para o Ministério Público) quem não tem formação adequada, quem a tem e comete infracções está sujeito a penas disciplinares que podem ir da suspensão à expulsão entre outras, tal como acontece em todas as outras Ordens.

Ou seja, na prática, os casos enviados para o Ministério Público deverão ser de pessoas que exercem Psicologia sem terem habilitação para tal. E isso acho que todos nós, Psicólogos, queremos ver esses casos denunciados, quer estejamos a favor ou contra a Ordem.

Casos de pessoas com formação em Psicopedagogia, acompanhamento psicossocial, etc não podem continuar a auto-intitular-se Psicólogos. Apesar de concordar com colegas que algumas das equivalências dadas por algumas universidades são um atentado à nossa inteligência, o que é facto é que pelo menos peçam essa equivalência.
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Mensagempor vectrapc » sábado out 23, 2010 7:51 pm

Gostava que me explicassem o seguinte:

Alguém falou num post recentemente que existem 10.000 psicólogos não reconhecidos pela Ordem, sendo que existem cerca de 16.000 Psicólogos inscritos isso quer dizer que existem cerca de 26.000 Psicólogos em Portugal, é isso?
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Mensagempor pi.r » sábado out 23, 2010 9:36 pm

vectrapc Escreveu:Gostava que me explicassem o seguinte:

Alguém falou num post recentemente que existem 10.000 psicólogos não reconhecidos pela Ordem, sendo que existem cerca de 16.000 Psicólogos inscritos isso quer dizer que existem cerca de 26.000 Psicólogos em Portugal, é isso?



A ordem e os seus representantes esclareceram-nos várias vezes sobre a distinção entre registo e inscrição. Essa distinção já não faz sentido?
"https://www.ordemdospsicologos.pt/noticia/27
Registo/Inscrição esclarecimento e data limite
15.Fevereiro.2010
A este propósito importa clarificar as definições de registo e inscrição. O registo é o requerimento de inscrição (realizado online), sendo o primeiro passo do processo de inscrição. A inscrição é o deferimento por parte da Direcção (até agora Comissão Instaladora) do registo feito pelo Psicólogo. Estas são as definições de acordo com o Regulamento de Inscrição em vigor e com a Lei 57/2008. "


A última lista pública que temos das inscrições na ordem são os cadernos eleitorais. Nessa lista constavam 6800 e tal nomes. Os outros que se tinham registado (não inscrito, como foi explicado na notícia citada, e se não estou em erro neste forum) não só não tiveram direito de votar para as primeiras eleições da ordem, como, não sendo considerados efectivos, e perdendo por isso a sua autonomia profissional, foram desqualificados (que foi a expressão utilizada, e não " não reconhecidos" que considero um eufemismo)

pi.r Escreveu:
Calcula-se que 10000 psicólogos tenham sido vergonhosamente desqualificados


Como define o facto de se ter pleno direito ao uso de um título e a uma actividade profissional e perdê-los?

Tendo em conta que se sabe que muitos não se inscreveram por desagrado com todo o processo (e mesmo não concordando com essa atitude não deixo de reconhecer que é uma realidade) sim, devem rondar os 10 000.

Parece-me.
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Mensagempor vectrapc » sábado out 23, 2010 10:00 pm

Eu até acho que devia haver uma base de dados onde qualquer cidadão deveria poder consultar se um determinado Psicólogo realmente pode exercer ou não tal como existe noutros países.

Parece-me confuso a questão de perda de título, porque se as pessoas estão inscritas e têm o processo em avaliação pensaria eu que queria dizer que têm o processo em avaliação e não que foram desqualificados e deixaram de ser Psicólogos.

O bom de estarmos em Portugal neste momento é que ainda podemos discordar das opiniões uns dos outros. :)
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Mensagempor pi.r » sábado out 23, 2010 10:16 pm

Mas será possível que uma frase tão simples como (artigo 50º dos Estatutos da OPP publicados na Lei 57/2008): “A atribuição do título profissional, o seu uso e o exercício da profissão de psicólogo, em qualquer sector de actividade, dependem da inscrição na Ordem como membro efectivo” não seja entendida?

Vou explicar usando lógica silogística simples

Primeira premissa: Apenas os membros efectivos são psicólogos

Segunda Premissa: X não é membro efectivo (está em avaliação, é estagiário, está em reconhecimento profissional, está registado, está inscrito o que quiser mas não é efectivo)

Conclusão: X não é psicólogo

Começo a ficar verdadeiramente estupefacta com a falta de lógica elementar de tantos psicólogos (daqueles efectivos). É que das duas uma: ou têm um pensamento distorcido ou estão a tentar distorcer o pensamento de alguém.
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Mensagempor vectrapc » sábado out 23, 2010 10:35 pm

Pois parece que aqui discordamos.

Existem 2 tipos de membros é certo, estagiários e efectivos. Agora para poder ser membro efectivo, além de necessitar de se ter inscrito como membro efectivo também terá de ser considerado aceite. Se o seu estado aparece em avaliação é porque ainda poderá (ou não) ser considerado membro efectivo.

Neste sentido, e considerando a missão que lhe foi conferida pela Lei n.º 57/2008, de 4 de Setembro, e as competências constantes no Estatuto, a Ordem decidiu que este tipo de situações começarão a ser denunciadas ao Ministério Público, para averiguação da eventual prática ilegal de Psicologia e consequente exercício da acção penal.

Naturalmente, não se incluem nestas acções da Ordem as pessoas que se registaram mas cuja situação de inscrição esteja pendente por motivo não imputável ao próprio. Também não se incluem nestas acções todos os psicólogos cujo registo se enquadre na categoria de estagiário.


e também:

A inscrição na Ordem para o exercício da profissão
só pode ser recusada com fundamento na falta de formação
académica superior que integre reconhecida formação e
prática curricular na área da psicologia, salvaguardando a
expulsão prevista na alínea d) do n.º 1 do artigo 72.º


Toda a gente que tem formação em Psicologia de acordo com a lei tem ser aceite como membro a menos que algum processo disciplinar leve à expulsão e para ser expulso tem de ser considerado membro primeiro...

Devem ser leituras diferentes que temos das leis...
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Mensagempor pi.r » sábado out 23, 2010 10:40 pm

Mas discordamos de quê? Do que a lei diz? Explique-me por favor (e ficarei eternamente agradecida se demonstrar que se consegue ler de outra forma o artigo 50º dos estatutos) como é que alguém pode usar o título e exercer a profissão se não é membro efectivo, quando a lei diz que apenas nessas condições se pode fazer uso do título e exercer?

Como é que alguém pode não estar a ser desqualificado se realizava uma profissão com autonomia e agora não apenas não o pode fazer, mas terá de passar por um período de tempo extenso em estágio, pagar por esse estágio, e ser avaliado por uma comissão que nunca o viu em funções, para recuperar o que antes era seu?

Quanto à notícia publicada, salvo erro, ontem no site da ordem reafirmo o que já disse antes: essa notícia termina com a já famosa afirmação:
"Deste modo, a Ordem continuará a desenvolver todas as medidas necessárias à protecção do título profissional e à dignificação da profissão, nos precisos termos da Lei n.º 57/2008 e do Estatuto."

Os precisos termos dessa lei são os que citei acima.
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Mensagempor vectrapc » sábado out 23, 2010 10:48 pm

O artigo seguinte já não leu?

Vamos à lei e escolhemos o artigo que nos convém ou temos de ler todos?

Usa o artigo 50 para defender o seu ponto de vista e o 51 não lê?
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Mensagempor pi.r » sábado out 23, 2010 10:52 pm

vectrapc Escreveu:
A inscrição na Ordem para o exercício da profissão
só pode ser recusada com fundamento na falta de formação
académica superior que integre reconhecida formação e
prática curricular na área da psicologia, salvaguardando a
expulsão prevista na alínea d) do n.º 1 do artigo 72.º


Toda a gente que tem formação em Psicologia de acordo com a lei tem ser aceite como membro a menos que algum processo disciplinar leve à expulsão e para ser expulso tem de ser considerado membro primeiro...

Devem ser leituras diferentes que temos das leis...


O artigo 51º que refere explica que tem de ser aceite se realizar o estágio nas condições descritas no Regulamento de Estágios. Essas condições implicam um mínimo de 1600 horas, com possibilidade de não serem remuneradas, a que se associa um pagamento à ordem, e uma validação final por parte da Comissão de Estágio.

Outra vez de forma simples
X tem um rebuçado na mão
Y tira o rebuçado a X
Y explica: dar-te-ei de novo o teu rebuçado, se fizeres isto e isto e aquilo, me pagares, e eu considerar que mereces.

É isso que está em causa. X tinha um rebuçado. X agora tem de recuperar o seu rebuçado. E fará sacrifícios muito complicados para isso. Para RECUPERAR o SEU rebuçado!
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Mensagempor paulojpsilva » domingo out 24, 2010 9:13 am

Caros coelgas calma...pode ser que a Iniciativa Novas oportunidade ainda chegue ao ensino superior e nós num ano e pico consigamos tirar outra licenciatura com douturamento incluido!!!!!!

Que tal?!!! :P :lol:
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Mensagempor vvvieira » segunda out 25, 2010 11:02 am

É cansativo ter de ler outra vez as tentativas atabalhoadas de defender o indefensável: todos os colegas que terminaram o curso depois de 16 de Outubro de 2007 foram automaticamente desqualificados em 4 de Outubro de 2008, deixando de poder exercer autonomamente. Ou seja, foi-lhes retirado um direito que detinham e lhes era oficialmente reconhecido.
E, apesar de tudo o que seja dito em contrário, nenhum deles está, ainda, em condições de poder ser classificado como membro efectivo, logo continua num limbo (pois a classificação de "psicólogo estagiário" não existe na Lei 57/2008 nem no Estatuto, logo não existe, ponto).
Relembro que esta situação só foi criada UMA SEMANA antes da aprovação final da Lei - quem tiver dúvidas vá consultar os documentos originais (está uma listagem completa aqui: https://sites.google.com/site/continuarpsicologo/historial). E se a actual Direcção da Ordem nada teve a haver com isso (o que é discutível) o que é facto é que pactua com essa enormidade.
Enquanto permanecer esta situação contrária ao bom senso e à Constituição, nada feito.
Aproveito para deixar um testemunho pessoal: a actual Direcção da Ordem já demonstrou oficialmente que só cumpre da Lei o que lhe interessa, numa atitude que me parece interessante - para dizer o mínimo.
Acompanhem o evoluir da novela em http://continuopsicologo.blogspot.com/.
O futuro está à nossa frente. Cabe-nos fazê-lo melhor.
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Mensagempor rita correia » terça out 26, 2010 3:56 pm

Coleg@s, nunca antes havia participado neste fórum, mas perante as novas notícias não consigo. todos dizem que o nosso trabalho é importante e necessário mas na prática ninguém nos protege. Acho que não podemos ficar parados perante tal acontecimento. Eu alinho em manifestações, ou outras coisas...
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Mensagempor Cristina Silva » quarta out 27, 2010 9:36 pm

pi.r Escreveu:
Como é que alguém pode não estar a ser desqualificado se realizava uma profissão com autonomia e agora não apenas não o pode fazer, mas terá de passar por um período de tempo extenso em estágio, pagar por esse estágio, e ser avaliado por uma comissão que nunca o viu em funções, para recuperar o que antes era seu?



E como é que alguém que já realizava a sua profissão de psicólogo com autonomia, não consegue comprovar esse exercício profissional, de acordo com o Estatuto, a fim de ficar isento da realização do estágio?
Se estava em funções e as exercia (de acordo com a Ética e deontologia), não terá com certeza problema em comprovar o seu exercício profissional, principalmente se o faz há anos, e manter dessa forma "o que antes era seu".

Eu encaixo-me nesse perfil e comprovei o meu exercício profisional, de acordo com o Estatuto.

Ainda não percebi bem o que é que impede comprovar esse exercício profissional com autonomia.
pi.r
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Mensagempor pi.r » quarta out 27, 2010 9:59 pm

Cristina Silva Escreveu:

E como é que alguém que já realizava a sua profissão de psicólogo com autonomia, não consegue comprovar esse exercício profissional, de acordo com o Estatuto, a fim de ficar isento da realização do estágio?
Se estava em funções e as exercia (de acordo com a Ética e deontologia), não terá com certeza problema em comprovar o seu exercício profissional, principalmente se o faz há anos, e manter dessa forma "o que antes era seu".

Eu encaixo-me nesse perfil e comprovei o meu exercício profisional, de acordo com o Estatuto.

Ainda não percebi bem o que é que impede comprovar esse exercício profissional com autonomia.


Espanta-me a dificuldade de raciocínio temporal de alguns colegas.

Ora vamos lá a ver:

A 4 de Setembro de 2008 sai uma lei que dita que todos os que a determinada data (nessa altura desconhecida) não tiverem 18 meses de prática profissional serão desqualificados (isto é, tinham uma qualificação profissional e deixarão de a ter).

A data acaba por ser 16 de Abril de 2009.

LOGO todos os que terminaram o seu curso e começaram a exercer a partir de Outubro de 2007 perdem o direito ao exercício.

Entretanto, de Outubro de 2007 em diante, passando por 2008 e 2009 muitas pessoas terminam os seus cursos, e imagine a Cristina que não ficam sentadas em casa, à espera que se inicie um processo de inscrições.

Esses, a 15 de Fevereiro de 2010, vêem-se também desqualificados.

Se fizerem uma linha temporal e marcaram as datas, fica muito claro como é que as pessoas podem ter exercido autonomamente e terem sido desqualificadas. Nem estou a contar com aqueles que, terminando os seus cursos há mais anos, exerceram 12 meses, 13, 16, e depois entraram para doutoramento, ficando impedidos de outra actividade (são as normas, que alguns acham que são para se cumprir). Eis se não quando, ao terminarem o doutoramento ficaram sem direito a exercerem. Lindo.

A lei não saiu regulando para a frente, com uma ordem constituída e organizada. Saíu regulando retroactivamente (o que é inconstitucional) e colocando a vida de milhares em stand by.

Porque será que dos 14500 registos anunciados só 6800 constavam dos cadernos eleitorais? Eram todos psicólogos a fingir?
Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » quinta out 28, 2010 8:56 pm

pi.r Escreveu:
Espanta-me a dificuldade de raciocínio temporal de alguns colegas.

Ora vamos lá a ver:

A 4 de Setembro de 2008 sai uma lei que dita que todos os que a determinada data (nessa altura desconhecida) não tiverem 18 meses de prática profissional serão desqualificados (isto é, tinham uma qualificação profissional e deixarão de a ter).

A data acaba por ser 16 de Abril de 2009.

LOGO todos os que terminaram o seu curso e começaram a exercer a partir de Outubro de 2007 perdem o direito ao exercício.

Entretanto, de Outubro de 2007 em diante, passando por 2008 e 2009 muitas pessoas terminam os seus cursos, e imagine a Cristina que não ficam sentadas em casa, à espera que se inicie um processo de inscrições.

Esses, a 15 de Fevereiro de 2010, vêem-se também desqualificados.

Se fizerem uma linha temporal e marcaram as datas, fica muito claro como é que as pessoas podem ter exercido autonomamente e terem sido desqualificadas. Nem estou a contar com aqueles que, terminando os seus cursos há mais anos, exerceram 12 meses, 13, 16, e depois entraram para doutoramento, ficando impedidos de outra actividade (são as normas, que alguns acham que são para se cumprir). Eis se não quando, ao terminarem o doutoramento ficaram sem direito a exercerem. Lindo.

A lei não saiu regulando para a frente, com uma ordem constituída e organizada. Saíu regulando retroactivamente (o que é inconstitucional) e colocando a vida de milhares em stand by.

Porque será que dos 14500 registos anunciados só 6800 constavam dos cadernos eleitorais? Eram todos psicólogos a fingir?



Pois, não era desses casos que eu estava a falar! Isso entendo, e já me havia expressado anteriormente: "....é que se pode revelar injusto, por exemplo, para uma pessoa que até à data legal tenha apenas 17 meses de experiência profissional para comprovar, mas na realidade fez mais do que isso, só que, o restante tempo foi após a data legislada….”

Mas há-de concordar que tudo se torna mais complexo quando, dentro dos que estão desqualificados, o leque é imenso, como por exemplo o que referiu agora: por circunstâncias e percursos pessoais, alguém deixou de exercer para fazer um doutoramento (e o tempo de exercício não atinge o tempo mínimo).
Mas esse não será o caso de todos os 7.700 que não constam dos cadernos eleitorais. No meio desses haverá com certeza psicólogos “a fingir” (por exemplo aqueles que acabadinhos de sair do curso se instalaram a exercer autonomamente sem qualquer supervisão, formação pessoal necessária, etc., ou a fazer pseudo-psicologia).

Além disso, estamos a falar especificamente do que ao exercício profissional diz respeito. Eu concordo plenamente com um tempo mínimo obrigatório de estágio profissional (completamente diferente da formação académica, seja de um mestrado (pré-bolonha) ou de um doutoramento), devido à responsabilidade, ética, etc. que a profissão exige, à semelhança dos 24 meses de internato obrigatório na medicina, condição essencial para que o médico possa a partir daí exercer então autonomamente. Porque nisto de trabalhar com o outro, não chega, de facto, o término da parte académica (seja em que área for).

Quanto às situações que colocou (pessoas que devido ao percurso académico, no caso doutoramento, se vêm nesta situação), parece-me que a resolução não passa pela alteração da data (definida porque tem a ver com a data em que a Ordem passa efectivamente a poder regular), mas com a análise de cada situação, caso a caso, sendo que se pode colocar a hipótese de as pessoas desqualificadas, por causa da questão do doutoramento (e que até já tinham exercido 9, 10, 11, 12 meses….) poderem obter a condição de psicólogo efectivo, fazendo apenas o restante tempo de estágio que lhes faltava (sendo a Ordem a diligenciar nesse sentido…com um estágio remunerado, ou validando o exercício profissional, após Abril de 2009, como tempo de estágio).

Não sei! São hipóteses que coloco, pois não há dúvida de que estamos perante uma questão complexa, e que não se centra apenas na questão da temporalidade para comprovação disto ou daquilo.
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Mensagempor vvvieira » quinta out 28, 2010 10:01 pm

Cristina Silva Escreveu:No meio desses haverá com certeza psicólogos “a fingir” (por exemplo aqueles que acabadinhos de sair do curso se instalaram a exercer autonomamente sem qualquer supervisão, formação pessoal necessária, etc., ou a fazer pseudo-psicologia).

É espantoso o que as pessoas escrevem nestes fóruns...
Pergunta: porque é que em 1985, 1995 ou 2005 haveria apenas um ou dois psicólogos "a fingir", mas todos os que tenham concluído em 2007 já eram "a fingir" ?
Psicólogos "a fingir", cara colega, há muitos. Alguns até são doutorados e professores universitários.
Estágios profissionalizantes devidamente acompanhados? Nunca ninguém questionou o seu interesse - mas nada prova que sejam imprescindíveis. É o princípio do ovo e da galinha...
E depois há uma coisinha de somenos: chama-se Constituição (não sei se conhece) e tem um artiguinho (o 18º) que é de grande valor. Tanto que nunca foi dela retirado.
E o problema mantém-se: porque é que o famigerado artigo 84º só apareceu na lei uma semana antes da aprovação final?
Pense nisso.
O futuro está à nossa frente. Cabe-nos fazê-lo melhor.
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Mensagempor pi.r » quinta out 28, 2010 10:11 pm

Definitivamente o que mais me assusta nisto tudo não é a questão da Ordem. É perceber que vivo num país, e me integro numa classe profissional que desdenha tão profundamente os fundamentos do Estado de Direito. Devia-se ensinar mais história nas nossas escolas... E lógica. Também me quer parecer que está a fazer falta.

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