Estágios profissionais para a Ordem dos Psicólogos

A regulação e regulamentação da formação e do exercício da psicologia em Portugal. A acreditação e certificação. A organização da classe profissional. Os direitos e deveres laborais. As organizações representativas. A identidade e a imagem dos Psicólogos.

Moderador: Cristina

PatyRamos
Membro Recém-Chegado
Membro Recém-Chegado
Mensagens: 4
Registado: quinta ago 05, 2010 11:39 am

Estágios profissionais para a Ordem dos Psicólogos

Mensagempor PatyRamos » quarta out 20, 2010 3:49 pm

Caros Colegas,
Saiu hoje, finalmente, a regulamentaçao relativa aos estágios profissionais para a Ordem... No entanto fiquei com algumas duvidas... Somos nos que temos que procurar o tal estagio, elaborar um plano de estagio com o nosso orientador (que tambem somos nos que escolhemos, nao é?) e apresenta-los a Ordem, certo?
Eu terminei recentemente o mestrado integrado em Psicologia (subespecializaçao em Psicologia Forense) e sinto-me um pouco perdida com tudo isto... Ja me inscrevi (pela net) na Ordem, ja paguei os 180 euros de inscrição e só estou a espera que chegue o meu certificado de habilitações para poder enviar os documentos que a ordem exige...entretanto, estou em casa sem poder fazer nada :( porque so me posso candidatar quando a minha inscrição como Membro estagiário estiver completa... [/b]
aniger
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 769
Registado: quinta mar 01, 2007 12:23 am

Mensagempor aniger » quarta out 20, 2010 8:28 pm

Sim basicamente tu pagas 180€ e depois orientas-te tu sozinha..porque eles não fazem patavina.


Se tiveres cunhas é na boa arranjas estágio..agora para o comum dos mortais acontece-te possivelmente como eu que estou desde Junho à procura e nada...Ou como tantos colegas à procura há anos...


Portanto como também não encontro nada, simplesmente não me inscrevi na ordem..não sou rica para pagar 180€ para nada....

Até porque nem me posso dar ao luxo de estar em casa sem fazer nada, por isso estou a trabalhar fora da área e se alguma alma caridosa das instituições que tenho contactado me quiser receber como estagiaria assim mexo os cordelinhos e lá pago os 180€.
Imagem
Ψ Mestrado em Psicologia Clínica
Ana Rita Serra
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 20
Registado: domingo out 25, 2009 4:40 pm

Mensagempor Ana Rita Serra » quarta out 20, 2010 10:44 pm

Bem eu estou estupefacta com o Regulamento de Estágios... Incredula mesmo..

"5 – E, designadamente, considerada a actividade da Psicologia, para efeitos do presente Regulamento, a actividade do psicólogo estagiário junto da entidade receptora de estágio, o trabalho desenvolvido com o orientador de estágio, o trabalho desenvolvido com o orientador de estágio, a frequência do curso de estágio (?), a assistência de seminários e conferências organizadas pela Ordem ou por terceiros e o estudo de matérias relacionadas com actividades desenvolvidas no âmbito do estágio profissional.”
-- Não sabia que era rica??? Mas a ordem de certeza que sabe e não me diz!!

"d) Guardar respeito e lealdade para com o orientador de estágio profissional e para com a entidade que o recebe” -- Pensei que já tinha passado a fase da escolinha e era já adulta!!!!!

1 – São competências da CE, designadamente:
a) Celebrar protocolos com entidades externas no sentido do estabelecimento de locais de estágio profissional;
b) Celebrar contratos de orientação de estágio profissional
-- Ui muito mais descansada....Eles terão então de encontrar as entidades que nos recebam!!!

Basicamente... Esquecer que esta Ordem existe é mesmo a melhor solução! Isto é no mínino ridiculo... Com uma Ordem assim, temos de considerar o Governo nosso amiguinho!!!!
Ana Rita Serra
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 20
Registado: domingo out 25, 2009 4:40 pm

Mensagempor Ana Rita Serra » quarta out 20, 2010 10:52 pm

Encontrei outra pérola....

Pagamento de Quotas e Taxas:
2- Estágios:
2.1 - A pagar no início do estágio profissional ........ 80.00 euros
2.2 - A pagar na entrega do relatório de estágio ................ 80.00 euros

Simplesmente....SEM PALAVRAS!!!!
pi.r
Membro Habitual*
Membro Habitual*
Mensagens: 113
Registado: quarta jan 07, 2009 10:45 am

Mensagempor pi.r » quarta out 20, 2010 11:04 pm

Ana Rita Serra Escreveu:Bem eu estou estupefacta com o Regulamento de Estágios... Incredula mesmo..

b) Celebrar contratos de orientação de estágio profissional[/i] -- Ui muito mais descansada....Eles terão então de encontrar as entidades que nos recebam!!!

Basicamente... Esquecer que esta Ordem existe é mesmo a melhor solução! Isto é no mínino ridiculo... Com uma Ordem assim, temos de considerar o Governo nosso amiguinho!!!!


Não entendo muito bem toda a incredulidade manifestada neste forum hoje. Tanta gente que andou meses a avisar que isto seria assim.

E já agora, a Ordem não vai encontrar locais de estágio para ninguém, isso é afirmado logo no artigo 4º: os estágios são auto-propostos. E vai fazer pagár muito bem esses estágios: 80 euros x 2 semestres, mais 80 euros na entrega do relatório de estágio, e mais um valor ainda não estipulado pelo curso a frequentar na ordem. Pode acrescer o pagamento do supervisor.
pi.r
Membro Habitual*
Membro Habitual*
Mensagens: 113
Registado: quarta jan 07, 2009 10:45 am

Mensagempor pi.r » quarta out 20, 2010 11:07 pm

Ah e esquecê-la (à Ordem) só se for para mudar de profissão..o que é boa ideia, dado que as instituições deste país não vão precisar de contratar ninguém, uma vez que terão trabalho escravo com fartura. É que a Ordem já começou a caça às bruxas...já há processos no ministério Público por usurpaçao de funções, crime em que incorrem todos os que não são psicólogos efectivos, isto é, todos menos os tais 6834 eleitos. Ainda dizem que há muitos psicólogos...havia.
lalexandra
Membro Recém-Chegado
Membro Recém-Chegado
Mensagens: 18
Registado: segunda out 11, 2010 6:56 pm

Mensagempor lalexandra » quarta out 20, 2010 11:20 pm

Caros colegas:

Sou psicóloga há mais de 15 anos e tenho exercido a minha profissão sempre sem Ordem e com expectativas nesta ordem que agora finalmente foi criada. Por forma a regulamentar a minha própria actividade tirei carteira profissional e sempre que tive que o fazer apresentei-a. De facto, parece-me que esta não era a Ordem com que sonhei tantos anos... e por isso, fiz uma inscrição prévia mas ainda não a efectivei...
Com estas situações fico ainda mais desmotivada para o fazer...
Por favor, dêem-me uma razão válida para pagar os tais 180€!!!
Avatar do Utilizador
vvvieira
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 298
Registado: domingo mar 07, 2010 10:54 pm
Localização: Porto
Contacto:

Mensagempor vvvieira » quinta out 21, 2010 11:18 am

É altura de tomar decisões. Vão a http://continuopsicologo.blogspot.com
Última edição por vvvieira em quinta out 21, 2010 3:46 pm, editado 1 vez no total.
O futuro está à nossa frente. Cabe-nos fazê-lo melhor.
PatyRamos
Membro Recém-Chegado
Membro Recém-Chegado
Mensagens: 4
Registado: quinta ago 05, 2010 11:39 am

Mensagempor PatyRamos » quinta out 21, 2010 3:37 pm

Eu tambem nao concordo....mas liguei para a Ordem e disseram me que se nao me inscrevesse (e nao pagasse os tais 180e) nao era sequer considerada membro estagiario....nem poderia exercer, nao poderia fazer nada! e la se iam os 5 anos de curso, os quase 5000 euros de propinas que paguei, e tudo o resto!
Tambem trabalhei nas ferias de Verao e o que consegui juntar foi o que paguei na Ordem....mas é certo que nao tenho os 80€ a pagar quando começar o estagio....se o conseguir arranjar algo, claro =/
ju
Membro Regular
Membro Regular
Mensagens: 83
Registado: sábado jan 29, 2005 2:17 pm

Mensagempor ju » segunda nov 01, 2010 12:33 pm

Mas o que é k eles fazem durante o meu estágio p eu ter de lhes pagar 80 euros por semestre????
aniger
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 769
Registado: quinta mar 01, 2007 12:23 am

Mensagempor aniger » segunda nov 01, 2010 8:18 pm

ju Escreveu:Mas o que é k eles fazem durante o meu estágio p eu ter de lhes pagar 80 euros por semestre????


Nada colega nada...isto é que é mesmo absurdo..nós arranjamos o estágio , nós arranjamos orientador e temos de pagar..para que? Para eles estarem sentadinhos e não fazerem nada :roll:
Imagem
Ψ Mestrado em Psicologia Clínica
pi.r
Membro Habitual*
Membro Habitual*
Mensagens: 113
Registado: quarta jan 07, 2009 10:45 am

Mensagempor pi.r » segunda nov 01, 2010 8:31 pm

Fazem sim. Validam-no. No início e no final. Se lhes apetecer, claro. Se não, estágio outra vez. E mais 420 euros.
Marolive
Membro Amador
Membro Amador
Mensagens: 48
Registado: sexta mar 28, 2008 12:03 am

Mensagempor Marolive » terça nov 02, 2010 5:51 pm

pi.r Escreveu:Fazem sim. Validam-no. No início e no final. Se lhes apetecer, claro. Se não, estágio outra vez. E mais 420 euros.


Claro, o estágio outra vez é o mais certo que se pode ter... por isso preparem-se para um mínimo de 80% de chumbos, é que 420 são quantas vezes 80? Quantas? Bem podem arranjar locais de estágio... e... euros!
Cristina Silva
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 800
Registado: quinta out 25, 2007 9:52 am

Mensagempor Cristina Silva » terça nov 02, 2010 10:47 pm

pi.r Escreveu: É que a Ordem já começou a caça às bruxas...já há processos no ministério Público por usurpaçao de funções, crime em que incorrem todos os que não são psicólogos efectivos, isto é, todos menos os tais 6834 eleitos. Ainda dizem que há muitos psicólogos...havia.


E não lhe parece bem que pessoas a fazer psicologia sem licenciatura, ou licenciados em outras áreas que não psicologia (mas com designação de psi-qualquer coisa), ou a fazerem astro-qualquer coisa, apelidando-se de psicólogos e convencidos que estão a exercer psicologia, sejam processados criminalmente? Não são essas bruxas a caçar para bem da dignificação da nossa profissão?

Ou será que acham todos OK que tal continue a acontecer, e que ainda por cima sejam reconhecidos como psicólogos efectivos, porque já andam nisso há muito tempo, e não podem perder direitos adquiridos?

E não estou a falar da questão específica dos que ficaram "desqualificados" por não conseguirem comprovar o tal tempo de exercício profissional, e que têm exercido dentro dá ética e deontologia que a profissão exige ( e por circunstâncias da vida pessoal não atingiram o tal tempo a comprovar).
É só para não se misturar as coisas, pois nenhum dos "desqualificados" dentro deste critério incorrem em tal crime, como qualquer advogado o confirmaria. Seria pois estúpido acusar alguém numa situação destas, de usurpação de funções.

Portanto, essa do (cito) "são todos os que não são psicólogos efectivos, isto é, todos menos os tais 6834 eleitos", é demagogia para fazer chegar a água ao seu moínho.

Se há caça às bruxas, é as bruxas certas, e estarão todos de acordo em mandar tais bruxas, fazerem outras coisas quaisquer que não psicologia.

Atenção à contaminação de ideias.
pi.r
Membro Habitual*
Membro Habitual*
Mensagens: 113
Registado: quarta jan 07, 2009 10:45 am

Mensagempor pi.r » terça nov 02, 2010 10:56 pm

Demagogia é dizer que a Ordem está a qualificar a profissão através da desqualificação de milhares de psicólogos e da integração de uns poucos que nunca passaram por nenhum estágio profissional e que, a acreditar nas suas palavras noutro local deste forum, só tiveram possibilidade de comprovar experiência de 18 meses através do factor C que lhes deu oportunidades de emprego em desfavor de pessoas mais qualificadas.

Demagogia é achar que em 12 meses, ou em 2 ou 3 anos se modifica o panorama da psicologia em Portugal, como se não fossem necessárias décadas para isso acontecer.

Demagogia é achar que é possível uma classe só formada por profissionais de excelência, e que isso se consegue pela obrigatoriedade de trabalho escravo designado como estágio profissional.

Demagogia é continuar a manter que os estágios serão remunerados, quando todos já perceberam, com muita aflição, que a maioria não serão.

Demagogia, e muita insensibilidade!
Avatar do Utilizador
vvvieira
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 298
Registado: domingo mar 07, 2010 10:54 pm
Localização: Porto
Contacto:

Mensagempor vvvieira » quarta nov 03, 2010 10:09 am

Cara colega Cristina Silva: para quem começou por afirmar que queria apenas perceber o que se passava, parece-me que já tomou partido pelo lado dos que defendem o artigo 84º do Estatuto.
Está no seu direito - o que não quer dizer que o Direito esteja do seu lado!
O que se está a tentar fazer é que, pela via legislativa, essa inconstitucionalidade seja anulada. Se tal não for possível, sê-lo-á pela via judicial - com muito maiores custos para a imagem dos Psicólogos do que seria necessário. Será mesmo boa ideia persistir nesta via, quando tudo se resume a um artigo mal colocado no Estatuto, uma semana antes da votação final e sem ser ouvida a Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias?

(Parêntesis: não se amofine tanto, colega. Releia o que escrevi e constatará que não "perverti" as suas palavras. E aproveite para responder à pergunta que fiz)
O futuro está à nossa frente. Cabe-nos fazê-lo melhor.
Cristina Silva
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 800
Registado: quinta out 25, 2007 9:52 am

Mensagempor Cristina Silva » quarta nov 03, 2010 2:11 pm

vvvieira Escreveu:Cara colega Cristina Silva: para quem começou por afirmar que queria apenas perceber o que se passava, parece-me que já tomou partido pelo lado dos que defendem o artigo 84º do Estatuto.
Está no seu direito - o que não quer dizer que o Direito esteja do seu lado!
O que se está a tentar fazer é que, pela via legislativa, essa inconstitucionalidade seja anulada. Se tal não for possível, sê-lo-á pela via judicial - com muito maiores custos para a imagem dos Psicólogos do que seria necessário. Será mesmo boa ideia persistir nesta via, quando tudo se resume a um artigo mal colocado no Estatuto, uma semana antes da votação final e sem ser ouvida a Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias?

(Parêntesis: não se amofine tanto, colega. Releia o que escrevi e constatará que não "perverti" as suas palavras. E aproveite para responder à pergunta que fiz)


Qual pergunta? Relembre pois deve ter-me escapado.
Quanto ao 84º artigo do Estatuto, não me parece que o mesmo, por si só, seja inconstitucional, pois vem de encontro do regulamentado no ponto 1 do 52º artigo, e tem a ver especificamente com os actos e regulamentos da Ordem, conforme pode ler no ponto 3 do 1º artigo. Lógico que o 84º artigo excluí logo aqueles que terminaram o curso em Outubro de 2007, pois mesmo que tenham começado logo a trabalhar, não conseguem comprovar os 18 meses de exercício profissional até Abril de 2009 (pois matematicamente tal não é possível).
Na minha opinião, e já referi anteriormente, tal resolve-se com a análise caso a caso (pois nem todos os que se licenciaram em Outubro de 2007 terão começado logo a trabalhar, alguns estarão até ainda em situação de desemprego), sendo que se pode equivaler o tempo de trabalho a estágio profissional, desde que tal trabalho tenha tido uma estrutura adequada ao exercício da profissão (nomeadamente o mesmo ter sido feito com Orientação/supervisão, que me parece importante nos anos iniciais do exercício profissional), colmatando desta forma as situações de "desqualificação imediata" por determinação de datas (não podia ser outra porque é a partir de Abril de 2009 que a Ordem passa a regular de facto).
Mas não sou jurista nem advogada, e esta é só uma interpretação minha ao problema.
No entanto, acho que tal não se combate com argumentos altamente destrutivos da Ordem de todos nós! Não precisamos de destruir “os outros” para fazer vencer a nossa convicção.

Pi.r, não sei se leu a ressalva que faço quanto à situação dos "desqualificados".
pi.r
Membro Habitual*
Membro Habitual*
Mensagens: 113
Registado: quarta jan 07, 2009 10:45 am

Mensagempor pi.r » quarta nov 03, 2010 3:24 pm

Cristina Silva Escreveu:Quanto ao 84º artigo do Estatuto, não me parece que o mesmo, por si só, seja inconstitucional, (...)


Vou tentar explicar de forma mesmo muito simples.
Existe um texto que se chama Constituição da República Portuguesa. Esse texto é redigido após a Revolução de 1975, quando se restaura, no nosso país, a democracia.
Nesse texto, vem um pequeno artigo, o 18º, que diz assim:

“1. Os preceitos constitucionais respeitantes aos direitos, liberdades e garantias são directamente aplicáveis e vinculam as entidades públicas e privadas.

2. A lei só pode restringir os direitos, liberdades e garantias nos casos expressamente previstos na Constituição, devendo as restrições limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos.

3. As leis restritivas de direitos, liberdades e garantias têm de revestir carácter geral e abstracto e não podem ter efeito retroactivo nem diminuir a extensão e o alcance do conteúdo essencial dos preceitos constitucionais.”

Não é questão de ser jurista, é de saber ler. O problema deste país é o analfabetismo funcional!
O que o artigo 18º da Constituição diz é que nenhuma lei pode restringir retroactivamente os direitos, liberdades e garantias. Ora, uma lei que sai num certo ano, não pode ter efeitos sobre direitos conquistados um ano antes, um mês antes, um dia antes.

A Cristina, a Ordem, o Papa podem achar o que bem entenderem, mas como estamos numa democracia o que vocês acham não podem impor, muito menos se vai contra a constituição. E para isso, felizmente, porque o sistema democrático prevê as suas falhas e a forma de as corrigir, temos os Tribunais.
Jomjo
Membro Iniciante
Membro Iniciante
Mensagens: 21
Registado: sábado jan 23, 2010 12:45 am

Mensagempor Jomjo » quarta nov 03, 2010 4:12 pm

As pessoas que não têm um problema e aceitam que de forma injusta outros tenham, tentando inclusivamente convencê-los de que é o melhor para eles, sempre me fascinaram.
É uma espécie de psicopatia, pois para o bem próprio se procura o mal dos outros.
Quem tenta defender o mal dos outros, incutido pela própria espada, das duas uma:
1) É suficientemente ingénuo para acreditar que não o está a fazer; ou
2) É suficientemente maléfico para tentar passar a mensagem de que não o faz.
Em nenhum dos casos, contudo, passa despercebido.
A história da humanidade está repleta destes seres, presentes em todos os ofícios.
A ordem não é "de todos nós", é, neste momento e por enquanto, apenas destes.
(exceptuem-se colegas efectivos que têm manifestado a sua solidariedade para com os seus colegas de curso, usurpados de título e acesso à profissão)
Cristina Silva
Psicólogo Registado (PT)
Psicólogo Registado (PT)
Mensagens: 800
Registado: quinta out 25, 2007 9:52 am

Mensagempor Cristina Silva » quarta nov 03, 2010 8:20 pm

pi.r Escreveu:
Vou tentar explicar de forma mesmo muito simples.
Existe um texto que se chama Constituição da República Portuguesa. Esse texto é redigido após a Revolução de 1975, quando se restaura, no nosso país, a democracia.
Nesse texto, vem um pequeno artigo, o 18º, que diz assim:

“1. Os preceitos constitucionais respeitantes aos direitos, liberdades e garantias são directamente aplicáveis e vinculam as entidades públicas e privadas.

2. A lei só pode restringir os direitos, liberdades e garantias nos casos expressamente previstos na Constituição, devendo as restrições limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos.

3. As leis restritivas de direitos, liberdades e garantias têm de revestir carácter geral e abstracto e não podem ter efeito retroactivo nem diminuir a extensão e o alcance do conteúdo essencial dos preceitos constitucionais.”

Não é questão de ser jurista, é de saber ler. O problema deste país é o analfabetismo funcional!
O que o artigo 18º da Constituição diz é que nenhuma lei pode restringir retroactivamente os direitos, liberdades e garantias. Ora, uma lei que sai num certo ano, não pode ter efeitos sobre direitos conquistados um ano antes, um mês antes, um dia antes.

A Cristina, a Ordem, o Papa podem achar o que bem entenderem, mas como estamos numa democracia o que vocês acham não podem impor, muito menos se vai contra a constituição. E para isso, felizmente, porque o sistema democrático prevê as suas falhas e a forma de as corrigir, temos os Tribunais.


A pi.r já está como a outra: "meninos, isto é assim: antes de se irem deitar têm de lavar os dentes....". Não precisa de chegar a tanto! Ou isso é para restringir o meu direito de liberdade de pensamento e expressão?

As minhas manifestações aqui, é porque acho lamentável que o facto de se lutar, e repito: E BEM, pela questão da "desqualificação" com base na Constituição, que também não é assim tão linear quanto possa querer passar, é aproveitar isso para destruir tudo o resto, como aqui muita gente se tem manifestado: a Ordem isto, a Ordem aquilo, são todos isto e aquilo, devem achar que somos ricos para pagar, estão todos loucos, olha agora acabo o curso e tenho ainda de fazer estágio, etc. e tal, devem achar que agora vamos ter psicólogos extra-qualificados, além dos ferozes ataques a quem levanta dúvidas e contra-argumenta noutro sentido.
Deve concordar que tem sido essa a linha argumentativa que mais aqui emana, e muitos não podem ficar alheios a isso, que é o meu caso.

É que parece, também, que muita gente ainda não entendeu que, a Ordem veio regular algo que antes carecia de regulação (pois não existia nenhuma Entidade que o pudesse fazer), sendo que é das suas atribuições (entre outras - ler artigo 3º da Lei nº 57/2008) conferir em exclusivo, os títulos profissionais (de acordo com regulamento próprio).
Ora, se não havia qualquer regulação antes (mesmo que as pessoas pudessem tirar a Carteira Profissional assim que acabassem o curso, mas tal era opção, pois nada impedia um licenciado em psicologia de exercer a profissão com ou sem Carteira Profissional, exactamente por não haver regulação, que direitos, liberdades e garantias foram retirados às pessoas: o poder exercer sem regulação?
Porque a garantia que antes se tinha é a da formação académica (que continua a ser garantida), a liberdade, era a liberdade de exercer sem regulação (e isso é uma liberdade consequente da falta de regulação, logo, não estamos perante uma liberdade fundamental de acordo com a Constituição, e dou um exemplo: antes eu podia matar, mas agora veio uma lei a dizer que eu não posso matar e estes gajos vieram tirar-me a liberdade de matar quando bem me apetecia (passando o peso do exemplo)).

Consequentemente, a questão dos direitos restringidos fica posta em causa. E pegando neste ponto da constituição: “…. devendo as restrições limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos….”, eu posso interpretar que a Lei que agora nos regula salvaguarda outros direitos e interesses (de defesa e interesses gerais da profissão, estando tal contemplado na Constituição).

Faço-me entender na complexidade do problema?
Se a Ordem ao definir os estatutos, define o artigo 84º (o grande monstro!), não o fará por leviandade (e só para desqualificar os licenciados de 2007), e também não será com certeza porque os legisladores são todos uma cambada de burros.

É que as coisas não são assim tão lineares, mesmo que lidas pareçam o B, A, BÁ, (que não é de certeza o caso da Constituição da República Portuguesa). Mas como para a pi.r, a coisa é B, A, BÁ, então não tem de se preocupar pois em Tribunal vencerá (isto não é para pessoalizar, é só porque somos nós as duas aqui a falar).

Voltar para “Regulamentação, Exercício e Identidade Profissional”

Quem está ligado:

Utilizadores neste fórum: Nenhum utilizador registado e 6 visitantes