Membros Estagiários: sabiam que podem ser processados?

A regulação e regulamentação da formação e do exercício da psicologia em Portugal. A acreditação e certificação. A organização da classe profissional. Os direitos e deveres laborais. As organizações representativas. A identidade e a imagem dos Psicólogos.

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ana guida
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Mensagempor ana guida » quarta mar 24, 2010 12:15 am

Assim aprendemos alguma coisa.

Como fica a situação de retroactividade?
Última edição por ana guida em quarta mar 24, 2010 12:19 am, editado 1 vez no total.
vectrapc
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Mensagempor vectrapc » quarta mar 24, 2010 12:17 am

Por acaso caro colega tomei a liberdade de discutir a noção de retroactividade com amigos que são da área de direito, com experiência na área e que não paguei consulta. Como amigos expliquei a situação da retroactividade relativa a esta situação, mostrando os documentos.

A opinião dada por dois advogados diferentes, sem conhecimento da opinião dada pelo outro e após apresentação da documentação é que não está em causa a retroactividade. Mas de certo, que lhe foi dito a si, por outros advogados exactamente o contrário, pelo que fico à espera da resposta legal para a situação.

A mim o que me foi explicado relativo à retroactividade é que para isso a lei teria de ter escrito que entrava em vigor antes de entrar e, aquilo que a lei diz é que a partir de determinado momento, as pessoas a entrarem terão de ter 18 meses de experiência comprovada.

Mas como todos sabemos, o direito é algo flexível. Pelo que volto a dizer, fico à espera da resposta concreta dada à situação.
É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão
vitorcoelho
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Mensagempor vitorcoelho » quarta mar 24, 2010 10:22 am

vvvieira Escreveu:Caro Vítor Coelho
Ainda bem que aparece a apresentar as coisas de forma correcta, a assumir frontalmente a posição da APOP. Faz-me pensar que talvez eu esteja a incorrer em alguma injustiça relativa nas minhas afirmações, mas a verdade é que de muitas dessas coisas apenas agora tenho conhecimento, e nenhuma prova me é apresentada.

Lamento que essas "explicações" apenas sejam dadas aqui: com efeito, nem no site da APOP, nem em nenhum outro local foi até hoje apresentada prova de tais diligências que tenham sido feitas.

E se digo, e mantenho, que no processo LEGISLATIVO (que efectivamente começa em 2005, não em 2002) "a mãozinha da APOP", é porque ela existe. Nomeadamente no facto de ambos os projectos de Lei (do CDS e do PSD, e de 2005) terem obviamente sido apresentados a partir de um mesmo texto (até os erros são os mesmos!). Logo, a coisa começou mal. E o que mal começa, tarde ou nunca se endireita.

A Lei está mal feita. Logo, causa problemas graves. E então cabe perguntar: porque é que a CI não se recusou a aceitar um encargo que sabia conter ilegalidades? Porque pactuou com o processo? Porque não respondeu (nomeadamente a mim) sobre o facto de estar a cometer actos inconstitucionais (poderia limitar-se a dizer que cumpria a lei, mas nem isso fizeram).
Este tipo de "defesa" é absurdo. É o mesmo tipo de defesa (evidentemente, salvaguardando as diferenças de amplitude e efeito!) que foi utilizado por muitos alemães para justificar o facto de terem seguido "ordens superiores" que causaram o que se sabe. Ou, mais perto, os que colaboraram com o regime fascista porque "era o que estava na Lei".

A maior parte dos psicólogos nunca foi consultada para saber se queria ou não uma Ordem - e seria até interessante saber se hoje existe vontade maioritária de que haja. E, sobretudo, se ela deve ser um factor de união, ou de desunião. É que, como está, ela desune, maltrata e vilipendia. Intolerável.
Ainda hoje há muitos psicólogos que nem sequer sabem que a Ordem está a ser criada, ou os seus efeitos.

E a partir do momento em que foi detectado que há um efeito inconstitucional que resulta da aplicação da Lei, ninguém tem mais o direito de pactuar com ela e deve exigir que seja corrigida. Eu, se fizesse parte da CI, ter-me-ia demitido de imediato. Alguém o fez? Não. Portanto, escolheram uma via em que se colocam contra a Constituição.

Assim, o que vai acontecer é que vai ter de se recorrer à via judicial para impedir uma inconstitucionalidade. Como é óbvio, será dada razão a quem recusa inconstitucionalidades. Com isso, é todo o processo de criação da Ordem que fica ferido. Ferido na sua credibilidade, ferido na dignidade de que uma Ordem desesperadamente carece. E por culpa de quem? Das vítimas, ou de quem pactuou com a inconstitucionalidade?

Se fosse só eu o afectado, se calhar nada faria. Mas, por eles, lutarei em todas as frentes. Não será o meu primeiro combate, nem sou pessoa de me calar. Apreciaria que o xará fizesse o mesmo. Mas já vi que escolheu o outro caminho, o de pactuar com as ilegalidades. O de curvar a coluna e cerrar a boca. É livre de o fazer, mas não me parece que consiga dormir descansado.

E lamento.


Vou tentar ir por ordem do que vou refutar (e que naturalmente tem a ver com a APOP):

1) A APOP divulgou extensamente a sua intervenção no processo de criação da Lei, tanto no seu site, como em 67 acções que desenvolveu ou participou. Após a criação da Lei a APOP colocou a ligação ao DR no seu site, anunciou a criação da Lei por e-mail aos seus sócios, bem como na sua mailing list. A APOP a seguir à entrada em vigor da Lei esteve presente em várias ocasiões na sua divulgação, mesmo em encontros de grande dimensão pelo número de pessoas presentes (por exemplo na abertura do ano lectivo da Universidade Lusófona, numa acção promovida na FNAC de Santa Catarina no Porto, numa Semana da Psicologia na Universidade de Évora, numa acção de divulgação promovida pela Universidade Autónoma).

2) O que eu ponho em causa é a sua utilização do termo "mãozinha". Como é óbvio, tanto o projecto do PSD como o do CDS tem a mesma base. Nomeadamente o projecto de lei conjunto que ambos tinham apresentado na legislatura anterior, que tinha chegado a discussão pública antes de cair o governo. Esse projecto tinha partido de uma proposta da APOP. Isso é conhecido e não vejo porque afirma que é algo que começa mal. A única coisa que começa mal é o projecto original ter dado entrada, ter sido discutido e estar em discussão pública quando é dissolvida a Assembleia.

3) Sobre a maioria dos psicólogos querer ou não a Ordem... A minha perspectiva é a de que a esmagadora maioria. A sua é diferente, suponho. Sobre isso apenas devo dizer que a APOP chegou a ter 6700 sócios, fazendo dela a maior associação de psicólogos alguma vez existente em Portugal até ao surgimento da Ordem.

4) A inconstitucionalidade é inferência sua. Existe uma diferença entre uma lei ter aspectos injustos e ela ser anticonstitucional. A lei foi votada favoralmente por todos os partidos, excepto por um deputado. A lei foi promulgada pelo Presidente da República. Quando o SNP foi recebido em audiência não levantou tal hipótese.

5) Deduzo que se não compactua com o que considera serem ilegalidades não se tenha inscrito.

6) O seu último parágrafo é interessante. Vou saltar as tentativas de provocação (apesar de estar inerentemente curioso sobre que será um xará) e dizer-lhe o seguinte: Não me parece que ainda ninguém tenha desistido de tentar resolver os aspectos menos positivos. Da minha parte ainda não deixei de tentar encontrar soluções e não serei minimamente o único.

Vitor Coelho, Associação Pró-Ordem dos Psicólogos
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Mensagempor vitorcoelho » quarta mar 24, 2010 10:25 am

SergioG Escreveu:Caro Vitor Coelho,

"A Lei 57/2008 é, na minha opinião, uma lei globalmente útil e bem formulada tendo, obviamente, pontos mais fracos e alguns nitidamente injustos."

O q pergunto é o seguinte;

O que tenciona então fazer a Comissão para salvaguardar os direitos dos Psicólogos que foram afectados por estes pontos "nitidamente injustos?

Não é dever da Comissão lutar e defender os seus membros? Não é para isso que uma Ordem serve?


Naturalmente que não posso falar pela Comissão. Mas existem possíveis soluções. Creio que iremos conhecer mais avanços durante esta semana ou a próxima.

Vitor Coelho
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Mensagempor vitorcoelho » quarta mar 24, 2010 10:36 am

vvvieira Escreveu:É bom lembrar aqui que, apesar de o processo se ter iniciado em 2005 (com a "mãozinha" da APOP) foi só no último momento (mesmo antes da votação final) que foram inseridos os artigos 51º (que obriga a estágio profissional mandatório para aceder a membro efectivo), com votos contra apenas do PCP; e o famigerado artigo 84º, que aplica retroactivamente o artigo 51º, desta vez com abstenções do PCP, do BE e do Deputado do PSD Pedro Quartin Graça
Está aqui tudo clarinho: http://app.parlamento.pt/DARPages/DAR_F ... TipoLink=0
Assim, era difícil protestar contra um articulado inconstitucional durante a discussão do projecto... porque a inconstitucionalidade só foi imposta no próprio momento da votação final!


A sua afirmação está parcialmente incorrecta. O que cita é apenas o Relatório da discussão e votação na especialidade do texto de substituição da Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública, datado de 15 de Julho de 2008.

Quando o texto final foi levado ao plenário foi aprovado por todos os grupos parlamentares (PCP e BE inclusive). Apenas não foi aprovado por um deputado do PSD, que se absteve.

O processo pode ser consultado em http://www.parlamento.pt/ActividadeParl ... ?BID=20865

Convém também explicar que (tal como consta no próprio documento que citou) que o texto de substituição passou pela Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias. Uma das funções desta Comissão é analisar se existem disposições que vão contra a Constituição.

Vitor Coelho, Associação Pró-Ordem dos Psicólogos
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Mensagempor vitorcoelho » quarta mar 24, 2010 10:48 am

Marolive Escreveu:
Exmº sr. dr. psicólogo (parece-me que não o posso tratar por colega!)

É verdade o Senhor Presidente da Republica promulgou a Lei, é uma verdade incontestável.
Porém o que o senhor psicologo Vitor Coelho não disse foi que a APOP (que Tinha conhecimento de todo o processo e seu desenvolvimento e até pactuou com ele), ESCONDEU dos seus associados e demais psicólogos (admito algumas poucas excepções) a aprovação da Lei com um artigo indigno que retira direitos adquiridos a tantos PSICÓLOGOS (EU CONTINUO A SÊ-LO PARA O BEM E PARA O MAL - prendam-me se quiserem!).
Deste modo a APOP impediu os colegas, sobretudo os que iriam descaradamente ser desqualificados, de se pronunciarem e manifestarem o seu desagrado e DESACORDO, por forma a que o Senhor Presidente da República pudesse «desconfiar» de INCONSTITUCIONALIDADE e enviasse o diploma para o Tribunal Constituicional.
Assim, sem o saber, o Senhor Presidente da Republica também pactuou (como acho que você está a insinuar) com a iniquidade de um artigo que retira direitos, liberdades e garantias a uns quantos milhares de Psicólogos.
Acresce ainda que esse tal artigo não fazia parte dos projectos de Lei anteriores que nós conhecíamos.

E já agora, que diferença faz se uns queriam 3 anos e depois aprovaram 18 meses ? A ilegalidade inconstitucional é a mesma.
Mas há ainda outro problema, que talvez não tenha reparado, é que a própria Lei 57/2008, DIZ: «ENTRA EM VIGOR 30 DIAS APÒS A PUBLICAÇÂO» - 04/10/08.
Assim, digam-me lá como a pode a mesma lei contradizer-se a si mesma ?

Espero que o senhor Psicólogo Vitor Coelho responda pessoalmente e não o faça por interposta pessoa - a menos que seja um jurista, de preferência com cédula da Ordem dos Advogados.

Cumprimentos


Excepto que a APOP não escondeu absolutamente nada. Como respondi a outro utilizador do fórum. A APOP organizou e participou em 67 sessões sobre o processo de criação da Ordem. Estas sessões estiveram no site da APOP, constam dos sucessivos relatórios de actividades apresentados anualmente. Após a criação da Lei, o número de sessões deste género.

A sua argumentação de que o Presidente da República foi "enganado" é algo surreal. A Lei 57/2008 foi aprovada (na generalidade, na especialidade e na votação final global) por todos os grupos parlamentares, a única abstenção foi de um deputado do PSD. Antes disso o texto de substituição (que corresponde à versão final) tinha sido apresentado à Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias. Depois disso foi promulgada pelo Presidente da República. Até o SNP quando foi recebido em audiência não levantou tal questão.

Portanto, volto a reiterar existe uma diferença entre uma lei ter algumas disposições injustas e ser inconstitucional.

Vitor Coelho, Associação Pró-Ordem dos Psicólogos
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Mensagempor vvvieira » quarta mar 24, 2010 11:46 am

vitorcoelho Escreveu:Antes disso o texto de substituição (que corresponde à versão final) tinha sido apresentado à Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias.
(...)
Vitor Coelho, Associação Pró-Ordem dos Psicólogos


Caro colega

Agradeço de novo o facto de assumir a "face" da APOP neste fórum.

Tenho porém de lhe chamar a atenção para o facto de, deliberadamente ou não, estar a faltar à verdade, no que respeita à parte do seu texto que acima cito.

O texto final da Lei 57/2008 só sofreu as alterações que criam uma situação de inconstitucionalidade (por retirar direitos retroactivamente) a 11 de Julho de 2008, ou seja, uma semana antes da votação final, sem qualquer apreciação da Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias que poderia ter contrariado essa situação.

Como se pode comprovar no Diário da AR, II Série-A, nº 70, de 17.12.2005, nas páginas 35 a 54 é publicado aquele que foi o primeiro "texto de substituição", fundindo as propostas do CDS e do PSD; vejam-se especialmente os artigos 56º e 62º.

Depois disso, foi suspensa a tramitação até à publicação da Lei 6/2008 (Regime das Associações Públicas Profissionais), que em nenhum artigo impõe efeitos retroactivos - veja-se o seu texto integral no site do DRE.

Por fim, no dia 11 de Julho de 2008 - como se refere no Diário da AR, II Série-A, nº 137, de 19.7.2008, na página 3 e seguintes, foi feita a votação das alterações - consequentemente criado um novo "texto de substituição" - que não foi apresentado à Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias.

Veja-se, no ponto 4 (página 4) a confirmação da data, e, no ponto 5 (na mesma página) a "aparição" e votação da nova redacção.

Em 15 de Julho de 2008 (como referido neste DAR) o Presidente da Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública apresenta o Relatório final sobre o novo "texto de substituição", que depois é enviado a Plenário para votação final.

3 dias mais tarde, a 18 de Julho de 2008, a Lei é votada e aprovada, contendo a cláusula inconstitucional.


Pergunto: quer reformular as suas afirmações?
O futuro está à nossa frente. Cabe-nos fazê-lo melhor.
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Mensagempor Marolive » quarta mar 24, 2010 3:00 pm

vitorcoelho Escreveu:
Marolive Escreveu:
que diferença faz se uns queriam 3 anos e depois aprovaram 18 meses? A ilegalidade inconstitucional é a mesma.

Mas há ainda outro problema, que talvez não tenha reparado, é que a própria Lei 57/2008, DIZ: «ENTRA EM VIGOR 30 DIAS APÒS A PUBLICAÇÂO» - 04/10/08.
... como a pode a mesma lei contradizer-se a si mesma ?


A sua argumentação de que o Presidente da República foi "enganado" é algo surreal. A Lei 57/2008 foi aprovada (na generalidade, na especialidade e na votação final global) por todos os grupos parlamentares, a única abstenção foi de um deputado do PSD. Antes disso o texto de substituição (que corresponde à versão final) tinha sido apresentado à Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias. Depois disso foi promulgada pelo Presidente da República. Até o SNP quando foi recebido em audiência não levantou tal questão.

Portanto, volto a reiterar existe uma diferença entre uma lei ter algumas disposições injustas e ser inconstitucional.

Vitor Coelho, Associação Pró-Ordem dos Psicólogos


Sr. dr., só para que conste, pode explicar porque não respondeu, concretamente, às 2 perguntas que coloquei e a uma outra sobre o Regulamento dos Estagios (gostava(mos) de conhecer o seu conteúdo) já estar no Ministério.

Se for tão amável... pedia que facultasse o relatório da Comissão de Liberdades e Garantias da A.R.

Lembre-se que há muitas leis que passam todo esse processo e depois o Sr. Presidente da Republica manda-as para verificação no Tribunal Constituicional - já que é este que tem competência para declarar a IN/CONSTITUCIONALIDADE.

Sobre o SNP não ter levantado a questão, não me admira... a Lei como estava contemplava os direitos dos seus associados, portanto...
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Mensagempor Raquel Raimundo » quarta mar 24, 2010 7:50 pm

vvvieira Escreveu:
Dou por encerrados os esclarecimentos.

A partir daqui, haverá os que, como eu, sabem que há inconstitucionalidade e lutarão contra isso, solidarizando-se com os colegas prejudicados por esse facto.

E haverá os que sabem que há inconstitucionalidade e se conformarão com isso, dessolidarizando-se daqueles colegas.

Os campos estão definidos. Cada um escolha o seu.


As minhas desculpas por tardar na resposta...
Do que li dos últimos posts penso que terá ficado claro sobre a legitimidade de um psicólogo afirmar alguma coisa acerca da constitucionalidade de uma lei (apesar de ter apreciado toda a informação que enviou). Posso até achar que terei boas possibilidades de ver reconhecida a injustiça de uma situação e comprovada a inconstitucionalidade de uma lei. Simplesmente considero que não nos cabe a nós (psis) dizê-lo. Até porque, no limite, "um réu é inocente até prova em contrário." Nestas coisas "cada macaco no seu galho" (passo a expressão), porque já estou cheinha de gente que acha que é mais ou menos psicólogo, por isso não me intitulo doutora em Direito.

O que eu já não consigo compreender é como é que o facto de eu dizer que a lei é injusta e não inconstitucional (porque não me compete a mim dizê-lo e há que esperar pelo final do processo) torna-me menos solidária com os colegas? "Os campos estão definidos?" É suposto isso ser o quê? Ou pensam exactamente como eu, ou então estão contra mim? Já deve ter reparado que a esmagadora maioria dos colegas que estão na mesma situação que o Vitor Vieira não avançaram com um processo em tribunal. Isso faz deles seus inimigos? Quero acreditar que não.
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Mensagempor vvvieira » quarta mar 24, 2010 9:15 pm

Cara Raquel, não é possível ser meio virgem. Ou se é, ou não se é.
Espere pelos próximos dias.
O futuro está à nossa frente. Cabe-nos fazê-lo melhor.
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Que radicalismo!!!

Mensagempor S. Pedro » quarta mar 24, 2010 10:00 pm

Já algum tempo que não consultava o forúm e estou admirada com alguns comentários. Sou uma das psicólogas que assinou a petição da não aceitação da retroactividade da prática profissional sem ter conhecimento de ter passado a membro efectivo da ordem. Porque sou solidária com os milhares de colegas que agora veêm as suas competências colocadas em causa, só porque não têm experiência profissional de 18 meses comprovada. Concordo com muitos dos artigos que regulamentam a ordem mas será necessário tanto radicalismo para implementar boas práticas? Claro que teria sido bom que todos os recém-licenciados tivessem a oportunidade de ter realizado um estágio profissional, mas infelizmente até para conseguir esse vínculo profissional é preciso correr, correr, correr... Era bom que o estágio de três anos ainda existesse mas não se verifica há muitos anos, por isso temos de contar com a realidade actual. Também é óbvio que alguns não fizeram estágio curricular ou este não foi bem orientado. Eu própria conheço colegas de curso na última situação. Então será que a ordem não deveria ser mais discriminatória em vez de colocar todos os psicólogos no mesmo saco? Por exemplo, os casos em que o estágio curricular foi duvidoso e possuem uma experiência escassa, esses sim é que devem ser os principais premiados ao estágio profissional da ordem. Aliás, aposto que agradecem. Não seria mais justo que o regulamento da ordem fosse aplicada para os que se vão licenciar daqui a 3, 5 anos? Ao menos já saberiam com o que contar no fim. Deixo esta questão no ar...
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Mensagempor Raquel Raimundo » quarta mar 24, 2010 10:52 pm

vvvieira Escreveu:[Por último, gostaria de comentar a visão maniqueísta que ressalta do facto de insinuar que quem está contra esta Lei está contra a criação da Ordem ou contra a necessidade de efectiva regulação e controlo de qualidade na área da Psicologia.

Releia cuidadosamente o que tenho escrito e verá que nunca tomei posição (pró ou contra) a criação da Ordem, mas apenas contra a inconstitucionalidade que a lei de criação dela comporta. Não quero atirar fora o menino com a água do banho. A visão do "se não és por mim, és contra mim" é um bocado redutora, para dizer o mínimo.


Aqui está a propôr (e bem) meia virgindade, é isso? Só estou a tentar perceber a coerência do que diz ...
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Mensagempor vvvieira » quarta mar 24, 2010 11:28 pm

Querida, não tente torcer a língua portuguesa a quem a conhece bem. No caso, sou virgem: ainda não tomei posição, a favor ou contra a Ordem. Embora, mais cedo ou mais tarde, lá se irá a virgindade.
Sucede que no caso que aqui se discute já não sou virgem.
Portanto, não se faça de parvinha, porque ambos sabemos que não o é.
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Mensagempor Psycologo » quinta mar 25, 2010 10:17 am

Bom dia e desculpem a minha ignorância.
Dá-me a sensação que estes estatutos foram feitos para as áreas clínicas e Afins. (espero não ferir susceptibilidades).

Pessoalmente pouco ou nada me importa o título, porque isso em nada interfere na minha actividade profissional. Como já disse sou Licenciado em Psicologia, pré-bolonha em psicologia do trabalho e das organizações - Coimbra. A única despesa que terei, é pagar mais pelas letras deste grande título e fazer cartões profissionais maiores.

Como não li os estatutos da Ordem queria aqui colocar outra questão que me assalta. A Ordem preconiza a actualização dos Psicólogos com formação obrigatória (reciclagem) nas respectivas áreas para renovação da Carteira Profissional?
Última edição por Psycologo em quinta mar 25, 2010 10:52 am, editado 1 vez no total.
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Mensagempor vvvieira » quinta mar 25, 2010 10:35 am

Psycologo Escreveu:Pessoalmente pouco ou nada me importa o título, porque isso em nada interfere na minha actividade profissional. Como já disse sou Licenciado em Psicologia, pré-bolonha em psicologia do trabalho e das organizações - Coimbra. A única despeza que terei, é pagar mais pelas letras deste grande título e fazer cartões profissionais maiores.


Caro colega, poderá ou não ter razão. A Ordem é como uma faca de cozinha: pode servir para confeccionar esplêndidas refeições, ou para matar o parceiro.
Porém, tenha em conta que neste momento de parto da Ordem, há coisas que estão a correr mal. Sugiro que visite o site http://bit.ly/ContinuarPsicologo e se inteire dos factos. Espero que depois se sinta em condições de assumir uma posição quanto à situação.

Psycologo Escreveu:Como não li os estatutos da Ordem queria aqui colocar outra questão que me assalta. A Ordem preconiza a actualização dos Psicólogos com formação obrigatória (reciclagem) nas respectivas áreas para renovação da Carteira Profissional?


Resposta curta: não.

Resposta longa:
Sobre esta matéria, recomendo a leitura da versão do Estatuto publicada em DR.

De qualquer forma, penso que lhe interessará a Secção V (artigos 46º a 49º), pois implica algo similar ao que pergunta. Também o artigo 61º, referente aos direitos dos membros, poderá ser relevante.

Sobre a Cédula Profissional (e já não Carteira), esta é atribuída a quem detenha a categoria de Membro Efectivo, como resulta do Artigo 53º (o qual está condicionado pelos artigos anteriores, 50º a 52º).

Espero ter ajudado.
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Mensagempor Psycologo » quinta mar 25, 2010 10:50 am

Irei consultar obrigado.
De qualquer forma e, se o que me escreve está correcto, se não há uma reciclagem obrigatória por parte dos membros da nossa classe, acho isso de enorme gravidade.
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Mensagempor vvvieira » quinta mar 25, 2010 11:05 am

Psycologo Escreveu:Irei consultar obrigado.
De qualquer forma e, se o que me escreve está correcto, se não há uma reciclagem obrigatória por parte dos membros da nossa classe, acho isso de enorme gravidade.


Permito-me discordar. Não é absolutamente necessário que isso esteja especificamente previsto no Estatuto, e tornar obrigatória a necessidade de actualizar conhecimentos parece-me que seria indicadora de falta de confiança na maturidade dos Psicólogos, pelo que até gosto mais que não esteja assim assim plasmado no próprio Estatuto.

Repare que um dos direitos dos Psicólogos (alínea i) do artigo 61º) é participar e beneficiar da actividade (...) científica da Ordem.

Como não se trata de um clube recreativo, fica aberta a possibilidade de serem criadas as acções de formação e actualização que possam ser benéficas. Mas penso que deverá ser do livre arbítrio de cada um melhorar o seu currículo; nunca ninguém ficou melhor por ser obrigado a isso. Pode é ter ficado ressentido, e traduzir esse ressentimento em conduta inapropriada.

Mas isto sou eu a falar; não aceito ser obrigado a fazer coisas, mas posso participar entusiasticamente quando sou convidado a fazê-las.

Cumprimentos.
O futuro está à nossa frente. Cabe-nos fazê-lo melhor.
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Mensagempor SergioG » quinta mar 25, 2010 12:28 pm

Caros colegas,

Muito se tem debatido sobre as implicações dos fundamentos que regem a admissão á Ordem.
Cada um tem a sua opinião, motivada pela sua situação especifica e consciência, sendo que já manifestei a minha aqui por diversas vezes.

Ninguém dúvida (penso eu) que houve mt esforço e dedicação por parte de alguns colegas para chegarmos a este ponto, ninguém dúvida de que a Ordem trará outro reconhecimento á nossa profissão e a regulamentação, que elevará por certo os nossos patamares de exigência.

Apesar de tudo isto, penso que existem questões que são da maior importância:

- O que irá acontecer a quem já esteja a trabalhar como psicólogo ( em qq das áreas ) e ainda n tem 18 meses de experiência?
Como é q a supervisão vai actuar nestes contextos especificos?

- Relativamente aos estágios, irão estes ser remunerados?
Eu faço esta pergunta mas nem m passa pela cabeça que haja alguem q considere sequer a situação da obrigatoriedade do estágio, para quem já esteja a trabalhar e depois n receber pelo menos 2 IAS..

Esperemos pelo regulamento dos estágios e de como vai ser aplicado.
Só n entendo é pq fixaram esta data de inscrição na Ordem sem ter, o q a meu ver, é o assunto de maior importância para a maior parte de nós, clarificado.
Por esse motivo e outros n me inscrevi na Ordem, irei fazê-lo qd tudo estiver clarificado e qd sentir que para a Ordem n há Psics de 1ª e de 2ª.
Espero que os meus receios n se confirmem, mas como se costuma dizer...n há coincidências.
Raquel Raimundo
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Mensagempor Raquel Raimundo » quinta mar 25, 2010 10:12 pm

vvvieira Escreveu:Querida, não tente torcer a língua portuguesa a quem a conhece bem. No caso, sou virgem: ainda não tomei posição, a favor ou contra a Ordem. Embora, mais cedo ou mais tarde, lá se irá a virgindade.
Sucede que no caso que aqui se discute já não sou virgem.
Portanto, não se faça de parvinha, porque ambos sabemos que não o é.


Acontece que "no caso que aqui se discute" EU sou. De igual modo eu não lhe consigo dizer se a lei é ou não constitucional (dado não ter formação para isso), daí não conseguir perceber por que razão não fazer essa opção me coloca em alguma das partes.

Sabe que nem sempre se está a falar de si. Não é uma questão de Língua Portuguesa é uma questão de capacidade de descentração mesmo. Tentei fazer-lhe ver a contradição dos seus argumentos, consoante é uma coisa que lhe agrade ou não.

"Querida"??? Não se faça de parvinha??? Onde está a moderação deste fórum. Eu não conheço este colega de lado nenhum (troquei apenas alguns posts o que não faz de nós, sequer conhecidos). Não há um mínimo de respeito? Ou essa parte neste fórum já lá vai?
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Mensagempor vvvieira » sexta mar 26, 2010 1:16 am

É o que dá o multitasking, estava a escrever "Querida colega" e fiz outra coisa qualquer, mais il faut pas s'emmerder comme ça, alors!
Como talvez tenha reparado, não tenho o hábito do insulto, embora já alguém me tenha caracterizado como necessitando de psicoterapia. Aliás, aí tem razão, onde anda a moderação?
Quanto ao resto, se acha que dizer que a colega não é parva é um insulto, fico um bocado confuso: será que preferia que tivesse dito o contrário?
Esclareça-me sff.
Boa noite.
O futuro está à nossa frente. Cabe-nos fazê-lo melhor.

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