Abandono das consultas ao fim da 4ª sessão

As diferentes correntes e modelos teóricos. Novas abordagens e novos contextos de intervenção. A teoria e a prática, os conceitos e as estratégias. Preocupações éticas e deontológicas. etc.

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Moreira
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Abandono das consultas ao fim da 4ª sessão

Mensagempor Moreira » sexta jan 25, 2008 11:03 am

Solicito informação. opinião, acerca do seguinte:

Tenho tido vários pacientes que têm vindo as minhas consultas e que ao fim de quatro ou cinco consultas desistem e não dizem mais nada.
Porque pretendo saber se existe alguns problma com eles, ligo-lhes, mas não atendem. De seguida mando-lhes mensagens escritas e também não respondem.

O que fazer?

Será que o problema é meu ou será que é normal os pacientes comportarem-se desta maneira?

Gostava de obter opiniões
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Mensagempor Beija-flor » sexta jan 25, 2008 11:10 am

Sabes que no panorama em que está o país, tds querem rápido e barato!

Assim como rápido e bem há pc quem, tb rápido e barato há pc quem!

Logo de início as pessoas têm de saber que não fazemos milagres, não damos "pilulas milagrosas" e não é c uma consulta q se muda uma vida!

Relaxa :wink:
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Mensagempor Psycologo » sexta jan 25, 2008 11:15 am

Beija-flor Escreveu:Sabes que no panorama em que está o país, tds querem rápido e barato!

Assim como rápido e bem há pc quem, tb rápido e barato há pc quem!

Logo de início as pessoas têm de saber que não fazemos milagres, não damos "pilulas milagrosas" e não é c uma consulta q se muda uma vida!

Relaxa :wink:


Penso que tem de se abordar esses aspectos na 1ª consulta nos termos do paciente, para este saber o que esperar (não quero dizer que isso não seja feito por vós)
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Mensagempor Beija-flor » sexta jan 25, 2008 11:24 am

Exactamente, estes aspectos têm de ser esclarecidos logo na 1a consulta.

Se a pessoa não estiver disposta a tal, pelo menos não vem logo à 2a, sempre é melhor "desaparecer" na 2a, do q na 4a ou 5a sessão..
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Re: Abandono das consultas ao fim da 4ª sessão

Mensagempor AbLaZe » sexta jan 25, 2008 11:28 am

Moreira Escreveu:Tenho tido vários pacientes que têm vindo as minhas consultas e que ao fim de quatro ou cinco consultas desistem e não dizem mais nada.
Porque pretendo saber se existe alguns problma com eles, ligo-lhes, mas não atendem. De seguida mando-lhes mensagens escritas e também não respondem.


Não vale a pena humilhar-se dessa forma. Parece uma atitude de desespero. Acredite que a culpa não é sua, mas sim do custo de vida em Portugal. Experimente dar consultas de graça ou a 10€ e verá que os pacientes não lhe fogem! (Isto não é uma ideia a seguir de todo! Só se iria humilhar mais! :wink: )

Bom trabalho!
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Mensagempor sararepolho » sexta jan 25, 2008 12:38 pm

Por vezes pode também demonstrar que os pacientes não estão "preparados" para um processo terapêutico! As chamadas e as mensagens não vão mudar isso... é preciso que eles queiram mudá-lo!
Não desanime!
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desistencia pacientes na 4ª consulta

Mensagempor Moreira » sexta jan 25, 2008 1:09 pm

Muito obrigado pela ajuda

O apoio que manifestaram e os ensinamentos que me transmitiram vão-me ajudar a gerir melhor a minha ansiedade

Um abraço
NunoF
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Mensagempor NunoF » sexta jan 25, 2008 1:36 pm

Por acaso e usando o famoso OFF TOPIC, estou a pensar em abrir uma barraca no metro e por consultas a um preço simbólico de 50 céntimos.

Vou ter muita clientela.

Caso necessite, peço a vossa ajuda. :D
Vendo pizzas congeladas :D
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Mensagempor AbLaZe » sexta jan 25, 2008 1:48 pm

NunoF Escreveu:Por acaso e usando o famoso OFF TOPIC, estou a pensar em abrir uma barraca no metro e por consultas a um preço simbólico de 50 céntimos.

Vou ter muita clientela.

Caso necessite, peço a vossa ajuda. :D


Acredita que não sabes na aventura em que te vais meter! Qual Dr.Frankenstein, vais criar um monstro que não vais poder travar: a fila para as consultas de psicologia do metro.
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Mensagempor NunoF » sexta jan 25, 2008 1:52 pm

AbLaZe Escreveu:
NunoF Escreveu:Por acaso e usando o famoso OFF TOPIC, estou a pensar em abrir uma barraca no metro e por consultas a um preço simbólico de 50 céntimos.

Vou ter muita clientela.

Caso necessite, peço a vossa ajuda. :D


Acredita que não sabes na aventura em que te vais meter! Qual Dr.Frankenstein, vais criar um monstro que não vais poder travar: a fila para as consultas de psicologia do metro.


Levo pessoal do Fórum para dar consultas também.

Ganham á comissão.

Vamos todos trabalhar mas é. :lol: :lol:
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Mensagempor AbLaZe » sexta jan 25, 2008 2:09 pm

:lol: :lol: :lol:
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Mensagempor SGFernandes » sexta jan 25, 2008 2:12 pm

Também já me aconteceu o mesmo (desistências) e penso que o que os colegas referem tem toda a lógica, mas ao contrário de si, não telefono nem mando mensagens pois o interesse tem de partir dos clientes e não somos nós que temos de "mendigar" para virem às consultas. Para além disso, há a questão "preconceito" que é a ida (e depois o facto de ser acompanhado) por um psicólogo... Enfim, é o país que temos...
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Mensagempor Psycologo » sexta jan 25, 2008 2:15 pm

Pode-se adoptar uma postura "Rogeriana", colocar os pontos nos is, sem rodeios nem papas na língua, um tratamento de choque inicial, se vier à 2ª consulta penso que virá às próximas :lol:
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Mensagempor Beija-flor » sexta jan 25, 2008 3:53 pm

Se tiverem q desistir, q desistam à 2a..
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Ois

Mensagempor Hugo » sábado jan 26, 2008 1:39 pm

Cara colega,

Pensei naquele ditado :"Quem não sente não é filho de boa gente".

Julgo que é assim, hehehe :)

A colega tem supervisão?

Ao início isso também me acontecia, tinha supervisão, mas acontecia...

Mas era tão comum que me sentia frustrado... até pensei em desistir das consultas e a pensar que era péssimo psicólogo...

Aos poucos fui entendendo que mais do que seguir as consultas por mim estava-me a colar às indicações da pessoa com quem tinha supervisão. Essa pessoa é uma excelente terapeuta, mas não temos o mesmo estilo... isso perturbava as consultas e as pessoas provavelmente sentiam-se confusas.

A partir do momento em que decidi seguir aquilo que me fazia sentido, o estilo que nos diferencia a todos enquanto terapeutas, comecei a ver diferenças. Isto não é dizer que deixei de precisar de supervisão... continuo a ter, simplesmente com outra pessoa... a quem não me colo na abordagem (numa relação que impede o crescimento), mas que me vai guiando (permitindo a autonomia).

Se não faz supervisão procure um terapeuta sénior para tal. É uma sugestão...

Ás vezes há pequeninas coisas que fazemos, e que por vezes boicotam as consultas, mas que só por nós não nos damos conta e que a figura de um supervisor pode ajudar bastante no início de profissão.

Outra questão diz respeito às capacidades financeiras das pessoas que nos consultam... é uma triste verdade... os psicólogos precisam de ganhar dinheiro para viver mas quem nos chega às consultas geralmente não tem possibilidades... porque não deixar em aberto a possibilidade de se falar/acordar outro tipo de pagamento caso isso surja na sessão? Acho que talvez seja importante.

Nas primeiras consultas de entrevista, de 1-4 asessões (depende do caso) procuro:

- Mostrar compreensão empática do sentimento que traz a pessoa à sessão, seja directamente ligado ou não ao pedido (latente), não só pelo que oiço mas pelo que vou sentindo na relação com aquela pessoa;

- Identificar a angústia predominante, sem procurar focar demais para não limitar a liberdade e espontaneidade da pessoa;

- Procurar em conjunto como isso tem influenciado a sua vida e o pedido da consulta;

- Partilhar o entendimento de como aquela problemática pode ser trabalhada nas consultas, dando sempre liberdade à pessoa para escolher se quer continuar aquele caminho em conjunto;

- Estabelecer o contrato semanal de sessões, caso a pessoa decida coninuar ou então deixar em aberto a possibilidade de voltar ali aquele espaço caso lhe faça sentido no futuro;


Não estou a querer dar lições a ninguém mas acho que partilhando informações e experiências ajudamo-nos uns aos outros.

Abraço,

hugo.
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Mensagempor AbLaZe » sábado jan 26, 2008 3:09 pm

Quando um paciente abandona as consultas, pode não ser devido a problemas, mas sim a soluções. O que quero dizer com isto é que ao fim de poucas sessões, o paciente conseguiu orientar-se e pretende continuar o seu caminho sozinho.
No meio dos meus desistentes, tive 3 que largaram a terapia mais depressa do que o esperado pelas razões mais positivas. Uma delas era uma menina de 9 anos, que me surge em consulta com rejeição da escola e de tudo o que era aprendizagem académica. Descobrimos juntas que o problema partira de uma crítica negativa que a professora lhe fizera no 1º dia de aulas. Passadas 2 sessões, a criança resolveu as suas questões de falta de confiança na escola e, ainda hoje, passo por ela e pela mãe e elas me agradecem pelos bons resultados e pelo gosto pela escola que a miúda recuperou. Outro exemplo, bastante curioso, é o de um menino de 6 anos que deixou de fazer xixi nas calças a partir do primeiro encontro que tive com ele. Resolvi testar e marquei a 3a consulta daí a 15 dias e a 4a passado um mês da 3a consulta. Esta 4a consulta foi a última, pois o menino não molhou o colchão desde a primeira consulta. A 3a situação que recordo trata-se de um casal que veio ter comigo a pedir ajuda devido a um bebé embirrento. Não sabiam como encarar as birras do seu filho de 2 anos. Dei-lhes umas dicas e só voltaram passado um mês, para me agradecer e dizer que a criança estava sob controlo!
Isto serão casos raros, evidentemente, e que dependem muito mais do paciente que do psicólogo. Não se esqueça, Moreira, que o paciente é parte activa neste processo. Não somos nós que ditamos o caminho que ele segue interiormente.
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Mensagempor Ana Rita » domingo jan 27, 2008 10:57 pm

Concordo com o colega Hugo. Tenho supervisão com uma pessoa muito experiente mas que não impõe os seus conhecimentos, o que me permite por um lado ter acesso à visão dele mas por outro integrá-la de acordo com aquilo que se passa num espaço que é só meu e do paciente.

A questão financeira também é crucial e tenho dois casos em que eu o paciente chegámos a um acordo no preço das consultas. Por exemplo, um deles demonstrava vontade no processo terapêutico mas optava por ir marcando as consultas conforme podia, normalmente de 15 em 15 dias (nunca pediu um preço menor). Fui eu própria que sugeri uma alternativa para existir uma continuidade com consultas semanais e há alguns meses que vai todas as semanas. Isto para demonstrar como o problema pode chegar ao ponto de ser exclusivamente o dinheiro. Claro que é preciso saber gerir isto, porque existem limites do razoável que não convém ultrapassar, mas também é para estas coisas mais práticas que existe a supervisão.

Todos os psicólogos passam por desistências, mas prefiro acreditar que em alguma medida já fizemos parte de um percurso que a pessoa está a fazer para se encontrar. Quanto mais não seja porque a angústia de "mexer" em algo doloroso custa muito e pode ser o suficiente para que as defesas surjam no sentido de interromper a terapia. Alguns destes mais tarde voltam...quando já estão preparados para enfrentar.

As inseguranças que vivemos no inicio de uma profissão fazem-nos avaliar com mais frequência até que ponto estamos a fazer um bom trabalho. Penso que é com o decorrer do tempo e das experiências que aprendemos a lidar com os sucessos e com os "insucessos" e a perceber que ambos fazem parte.
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
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Mensagempor Cristina Silva » segunda jan 28, 2008 10:38 am

Subscrevo inteiramente o que o Hugo disse. Se o(a) Moreira já tem supervisão, veja se a mesma lhe faz sentido e se não fizer procure outra supervisão. Se não tem, é fundamental que a faça.

Há duas coisas fundamentais para quem faz clínica: a supervisão e um processo psicoterapêutico a nível pessoal.

Também eu já abandonei uma supervisão de um conceituado psi porque não me fazia sentido. Além de ser em grupo (nada contra, pelo contrário, apenas tinha necessidade na altura, de uma supervisão mais individual), a forma do supervisor não me agradava porque se centrava mais nos seus próprios casos e seus feitos do que em ajudar os supervisandos a olharem-se dentro da consulta, confrontando-os com os seus erros e projecções. Senti que faltava isso e abandonei.

Força Moreira e olhe para esses "abandonos" como sinais para reflectir sobre si e a sua actuação na clínica.

Saudações
Cristina Silva

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