Antidepressivos não fazem nada

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Antidepressivos não fazem nada

Mensagempor miosotis » terça fev 26, 2008 11:50 pm

Pode ser uma notícia interessante para nós!



Antidepressivos não fazem nada
2008/02/26 | 21:53
Estudo revela: medicamentos como Prozac são tão eficazes como placebos



Os antidepressivos de nova geração, como o Prozac e o Seroxat, não são mais eficazes do que placebos na maioria dos doentes de depressão, segundo um estudo da universidade britânica de Hull hoje divulgado, noticia a Lusa.
«A diferença na melhoria entre os pacientes que tomam placebos e os que tomam antidepressivos não é significativa. Isso significa que as pessoas que sofrem de depressão podem passar melhor sem um tratamento químico», explicou o professor Irving Kirsch, do departamento de psicologia da Universidade de Hull.
Depressão: disfunção eléctrica pode ser a causa
Kirsch faz parte de um grupo de especialistas que analisou os dados publicados e não publicados - mas colocados à disposição de organismos certificados - relativos a 47 ensaios clínicos de inibidores selectivos da recaptura da serotonina (ISRS), ou seja, antidepressivos da terceira geração.
Estão neste caso os princípios activos de alguns dos antidepressivos mais prescritos como a fluoxetina (Prozac), venlafaxina (Efexor), a paroxetina (Seroxat) e a nefazodona (Serzone). Segundo o estudo, publicado pela revista especializada Public Library of Science-Medecin, os ISRS não são mais eficazes que placebos nas depressões ligeiras e na maior parte das depressões graves.
No caso das depressões muito graves, a diferença de resposta deve-se mais a uma menor reacção dos pacientes ao placebo do que a uma reacção positiva aos antidepressivos, segundo o estudo.
Terapia em vez de comprimidos
«Tomando por base estes resultados, parece não haver justificação para a prescrição de tratamentos antidepressivos, com a excepção das pessoas que sofrem de depressão muito grave, a menos que os tratamentos alternativos não tenham produzido melhoras», explicou Irving Kirsch.
No Reino Unido, onde milhões de pessoas tomam este tipo de antidepressivos, o ministro da Saúde, Alan Johnson, anunciou hoje um plano de 170 milhões de libras (225 milhões de euros) para a formação de 3.600 terapeutas para o tratamento da depressão por terapias alternativas à medicação.
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Antidepressivos de nova geração sem efeito na maioria dos do

Mensagempor miosotis » terça fev 26, 2008 11:55 pm

Antidepressivos de nova geração sem efeito na maioria dos doentes
26.02.2008 - 19h06 Lusa


Os antidepressivos de nova geração, como o Prozac e o Seroxat, não são mais eficazes do que placebos na maioria dos doentes de depressão, segundo um estudo da universidade britânica de Hull hoje divulgado.

"A diferença na melhoria entre os pacientes que tomam placebos e os que tomam antidepressivos não é significativa. Isso significa que as pessoas que sofrem de depressão podem passar melhor sem um tratamento químico", explicou o professor Irving Kirsch, do departamento de psicologia da Universidade de Hull.

Kirsch faz parte de um grupo de especialistas que analisou os dados publicados e não publicados - mas colocados à disposição de organismos certificados - relativos a 47 ensaios clínicos de inibidores selectivos da recaptura da serotonina (ISRS), ou seja, antidepressivos da terceira geração.

Estão neste caso os princípios activos de alguns dos antidepressivos mais prescritos como a fluoxetina (Prozac), venlafaxina (Efexor), a paroxetina (Seroxat) e a nefazodona (Serzone).

Segundo o estudo, publicado pela revista especializada Public Library of Science-Medicine, os ISRS não são mais eficazes que placebos nas depressões ligeiras e na maior parte das depressões graves.

No caso das depressões muito graves, a diferença de resposta deve-se mais a uma menor reacção dos pacientes ao placebo do que a uma reacção positiva aos antidepressivos, segundo o estudo.

"Tomando por base estes resultados, parece não haver justificação para a prescrição de tratamentos antidepressivos, com a excepção das pessoas que sofrem de depressão muito grave, a menos que os tratamentos alternativos não tenham produzido melhoras", explicou Irving Kirsch.

No Reino Unido, onde milhões de pessoas tomam este tipo de antidepressivos, o ministro da Saúde, Alan Johnson, anunciou hoje um plano de 170 milhões de libras (225 milhões de euros) para a formação de 3.600 terapeutas para o tratamento da depressão por terapias alternativas à medicação.
Em 2006, os britânicos gastaram em medicamentos antidepressivos 291 milhões de libras (386,5 milhões de euros), quase metade das quais em inibidores selectivos da recaptura da serotonina (ISRS).

"Para muitas pessoas, prescrever medicamentos é um tratamento que funciona, mas as terapias psicológicas revelaram-se igualmente eficazes que os medicamentos na luta contra os problemas comuns de saúde mental e têm frequentemente mais eficazes a longo prazo", afirma o Ministério da Saúde britânico no comunicado em que anunciou a medida.

Para a responsável da associação britânica de saúde mental Sane, Marjorie Wallace, se os resultados deste estudo se vierem a confirmar será "muito perturbador" porque os ISRS "representam uma grande esperança para o futuro".

Esta responsável advertiu que os doentes não devem interromper o tratamento sem conselho médico.

O director-adjunto do Real Colégio de Psiquiatria, professor Tim Kendall, considerou por seu turno estes resultados "fabulosamente importantes" e sublinhou "o perigo" de a indústria farmacêutica não publicar o conjunto dos dados à sua disposição.

Um porta-voz do laboratório Eli Lilly, fabricante do Prozac, indicou que uma "experimentação médica e científica aprofundada demonstrou que a fluoxetina é um antidepressivo eficaz".

Por seu lado, um porta-voz da GlaxoSmithKline, fabricante do Seroxat, considerou que os autores do estudo "não reconheceram os efeitos muito positivos que estes tratamentos proporcionaram aos doentes e às suas famílias" e que "as suas conclusões contradizem o que foi constatado a nível clínico" e lamentou "a preocupação inútil" que este estudo pode provocar entre os pacientes.
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Mensagempor miosotis » sexta fev 29, 2008 12:26 pm

Acho incrível que ninguém comente esta notícia, em que o governo britânico vai financiar a formação de terapeutas em vez de financiar medicamentos.

Aqui no fórum preferem comentar a psicoastrologia, o "eu sou o médico" e infantilidades do género.
anasofia
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Mensagempor anasofia » sexta fev 29, 2008 1:43 pm

Eu tambem já tinha conhecimento desta notícia. Parece que se trata do efeito placebo... As pessoas tomam convencidas de que vão melhorar e é mesmo isso que acontece, mas não por mérito dos antidepressivos...
Ana Rita
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Mensagempor Ana Rita » sexta fev 29, 2008 1:56 pm

Uma coisa é dizer que o prozac é tão eficaz como o placebo para algumas pessoas, outra é dizer que o prozac é tão eficaz como o placebo. Tem que se ter cuidado com os fundamentalismos, porque se por um lado existem indústrias farmacêuticas com interesse em vender, por outro existem pessoas "anti-medicamentos" à força toda que abanam a já frágil aderência a este tipo de psicofármacos quando são nitidamente necessários. Este é apenas um estudo, precisamos de muitos mais para a sua consistência.
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
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Mensagempor anasofia » sexta fev 29, 2008 3:05 pm

exactamente Ana Rita. A mim também me custa muito a crer nesta notícia, pelo menos a 100%...
É apenas um estudo e não o podemos levar como certo.
asilvestre
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Mensagempor asilvestre » sexta fev 29, 2008 4:23 pm

miosotis Escreveu:Acho incrível que ninguém comente esta notícia, em que o governo britânico vai financiar a formação de terapeutas em vez de financiar medicamentos.

Aqui no fórum preferem comentar a psicoastrologia, o "eu sou o médico" e infantilidades do género.


Só vi agora o seu post colega, talvez tivesse mais visibilidade noutro fórum como o placard ou o praça pública (apenas uma sugestão).

São ambas noticias interessantes. Mas discordo da mesma em alguns pontos: quando é referido que os antidepressivos não fazem nada, na minha opinião fazem sim, mas é mal à saúde. É só olhar para a enorme lista de contra-indicações, efeitos secundários e interacções medicamentosas que têm. Então e o seroxat, que penso que foi retirado do mercado, nem se fala; depois concordo inteiramente com a colega Ana Rita uma vez que de facto nem sempre o efeito de um anti-depressivo numa pessoa é o mesmo que o de um placebo, não é assim tão linear. Mas isso já dava assunto para outro post; sim de facto é de louvar o Governo Britânico, visto que ao contrário do Governo Português dá valor ao profissionais detentores de técnicas alternativas aos tratamentos medicamentosos, por exemplo nós psicólogos.

Cumprimentos e parabéns pelo seu post.
AbLaZe
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Mensagempor AbLaZe » segunda mar 03, 2008 2:14 pm

asilvestre, o Seroxat não foi retirado do mercado.

miosotis, fazer um comentário baseando-se apenas num estudo é ingénuo. Este tipo de investigação levanta sempre questões de veracidade dos resultados obtidos, visto que a indústria farmacêutica anda cheia de lobbies. Quem sabe se não estarão a denegrir os antidepressivs da nova geração para lançar um novo medicamento no mercado, com um princípio activo mais recente? Estudos como este já se fizeram muitos, e a maioria refere que os antidepressivos da 3a geração são eficazes e não têm tantos efeitos secundários como os seus antepassados tricíclicos ou como os da 2a geração. Não sou da opinião de que os antidepressivos não fazem nada. Muito pelo contrário, são uma ajuda preciosa para muitos pacientes. Não esqueçamos que na base de todas as cognições está muita bioquímica. Quando há deficiências reais de serotonina ou dopamina num organismo, não há psicoterapia sozinha que valha. Quando a depressão é provocada por distúrbios orgânicos ou quando há uma ansiedade patológica, a medicação é necessária.

Já agora, deixo-vos uma pergunta: quando estão com febre ou com dores, não recorrem aos antipiréticos, no primeiro caso, e aos analgésicos, no segundo?
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Mensagempor Cristina Silva » segunda mar 03, 2008 5:56 pm

Espero que este tipo de notícias sirva para se perceber que as questões psicológicas são a base do problema, e que o encaminhamento para a psicologia é fundamental para o seu tratamento.

Todos sabemos que depressões de foro neurótico são facilmente tratáveis pelos técnicos de psicologia, em sessões de psicoterapia. Mas, a realidade é que os serviços de psicologia do SNS nem psicoterapias fazem por falta de técnicos, além da extensa lista de espera.

A medicação anti-depressiva séria, é fundamental para os casos de depressão psicótica mas nunca se deve recorrer apenas à medicação.
Eu acho que o tratamento psicológico devia ser o tratamento base e o tratamento medicamentoso considerado como complementar para alguns casos.

As pessoas com este tipo de sintomas deviam ir primeiro ao psicólogo, que juntamente com o psiquiatra diagnosticavam da necessidade de medicação, seja real ou “placébica”. Mas não. No SNS as pessoas vão 1º ao médico de família, e este, sem especialização, passa um “seroxatezinho” e manda as pessoas para casa (conheço vários casos de pessoas a tomar antidepressivos sob receita do médico de família, sem sequer haver um diagnóstico do tipo de estrutura de personalidade e tipo de depressão, até para uma mais acertada medicação).
Depois, se a pessoa não melhora ou não se sente bem com aquela medicação, vai lá outra vez e experimentam outra, sendo raro o encaminhamento correcto para a psicologia.

O SNS devia passar a investir na colocação de técnicos de psicologia, que há muitos e desempregados, para se tratar seriamente destes casos que são estatisticamente consideráveis. Mas se nem estágios de carreira abrem???!!!! E se fecham os serviços de psicologia em hospitais psiquiátricos???!!!

As ideias de quem comanda os destinos do país parecem estar distorcidas nesta área da saúde.

Quem é que deve fazer chegar estas coisas ao governo para que haja realmente mudanças na saúde e se passe considerar o tratamento psicológico fundamental na maioria dos casos, principalmente no que se refere a depressões? Não só para tratamento como também para prevenção.

Devia haver um psicólogo para cada médico no SNS de saúde.

Quanto mais deprimidos e doentes maior a receita para as farmacêuticas e para os médicos que receitam. Portanto, não parece haver interesse para uma melhor saúde mental dos portugueses.

Continua a dominar o lobbie farmacêutico e a cultura social do químico.
Enfim!
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Mensagempor Psycologo » segunda mar 03, 2008 6:12 pm

Os medicamentos em contexto psicoterapêutico normalmente agem sobre a consequência ou sintoma e, em muitos casos, não agem sobre a causa.

P.S.: Como não sou da área, posso estar a dizer uma barbaridade :lol:
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Mensagempor Cristina Silva » segunda mar 03, 2008 6:31 pm

Só agem mesmo sobre o sintoma, por isso ser fundamental a intervenção psicoterapêutica, exactamente para não se combater apenas o sintoma mas as causas.

O sintoma tem que ser combatido, principalmente em grandes descompensações como acontece nas depressões psicóticas, que levam muita gente ao suicídio e a tentativas. Para isso, a medicação é importante para um equilíbrio mais imediato e para que se possa iniciar um tratamento psicoterapêutico adequado, porque psicólogo ou psiquiatra nenhum pode trabalhar com a pessoa descompensada.

Agora, há casos e são muitos em que a pessoa deprimida não precisa de medicação mas apenas do tal espaço psicológico, principalmente nas depressões neuróticas.

É que este diagnóstico do tipo de depressão e de estrutura de personalidade é fundamental para o correcto tratamento e o que acontece é que muitos casos não são vistos pelos especialistas: psiquiatras e psicólogos. Só chegam a estes quando se entra em descompensações psicológicas graves. Isto porque é tudo metido no mesmo saco e os médicos de família têm grande responsabilidade nestas coisas, assim como a cultura social.


Saudações
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Mensagempor rc » segunda mar 03, 2008 6:35 pm

A menos que uma depressão tenha etiologia orgânica, os medicamentos só podem incidir precisamente sobre as consequências.

Quanto ao facto de poucos comentarem esta noticia... bem, li-a num diário e vi-a comentada num telejornal e subscrevo por completo a opinião do pofissional (ao que me lembro, psiquiatra), e dizia qualquer coisa do género: este estudo não é propriamente uma novidade. Vem confirmar outros estudos e o que é relativamente aceite (efeito placebo) na/s classe/s ligadas à saúde mental. A mais valia é que apela, indirectamente, aos gastos com a medicação (e tenho dúvidas se em Inglaterra seja unidose, o que traduziria um menor custo) por parte do estado e para a sobreprescrição de antidepressivos. A abordagem ideal seria a psicoterapêutica, combinada, quando justificável, com a psicofarmacológica (casos psicóticos, etc)

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