Eu sou médico (II)

As diferentes correntes e modelos teóricos. Novas abordagens e novos contextos de intervenção. A teoria e a prática, os conceitos e as estratégias. Preocupações éticas e deontológicas. etc.

Moderador: César

abcde
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Eu sou médico (II)

Mensagempor abcde » terça abr 26, 2005 7:39 pm

É só para dizer que sou médico, estou no 1º ano da especialidade de Psiquiatria.
Em primeiro lugar, acho que um psiquiatra é e sempre será intelectualmente superior a um psicólogo, porque temos uma formação muito mais completa (6 anos de medicina+2 anos de estágio+5 anos de psiquiatria) o que dá 13 anos de formação. Vocês têm apenas 5 anos de formação e muitas vezes tiram o curso em faculdades ranhosas, privadas sem qualidade nenhuma, que se aproveitam do dinheiro dos alunos, sabendo que o destino de muitos deles é o desemprego. A psicologia está completamente banalizada, hoje em dia qualquer anormal com um média de 13 ou 14 do secundário pode entrar numa faculdade de psicologia.
Psiquiatra = 13 anos de formação Psicólogo = 5 anos de formação. Digam lá, quem estará melhor preparado? A não ser que defendam que o saber é inversamente proporcional ao número de anos de formação.
Um psicólogo nunca deveria passar de um auxiliar, de um subalterno do Psiquiatra. Vocês não têm competência para diagnosticar depressão. Além disso, um psiquiatra terá sempre uma abordagem muito mais eficiente, porque pode medicar com antidepressivos e também utilizar técnicas de terapêutica psicológica. Vocês só podem recorrer à 2ª opção, estarão sempre limitados. Não passam de uns mini-psiquiatras.
Além disso, muitos de vocês gostariam de ter entrado numa faculdade de Medicina, mas não conseguiram, a maior parte são complexados, frustrados e revoltados.
Agora até querem ter Ordem, qualquer dia até os astrólogos também querem ter Ordem.
Só vim cá ao vosso fórum para pôr os pontos nos is e para vos reduzir à vossa insignificância
O vosso curso não deveria dar mais competências do que servir café aos Psiquiatras.
Agoram até querem diagnosticar doenças e prescrever tratamentos de doenças, por isso estiveram contra o acto médico, pois claro porque o querem exercer.
Depois de terem Ordem, só falta mesmo passarem a denominar-se Médicos Psicólogos, tal como os dentistas, que eram meros técnicos, e passaram a ter faculdades de Medicina Dentária, quando o verdadeiro especialista é o Estomatologista (13 anos de formação).
Queixam-se que há demasiados psicólogos! também acho, bastava uma meia dúzia como assistentes de consultório de psiquiatras e outra meia dúzia para os testes de orientação profissional aos meninos das escolas.
Resolvam de uma vez por todas as vossas frustrações.
ju
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Re: Eu sou médico

Mensagempor ju » terça abr 26, 2005 9:06 pm

Duvido mto que sejas médico... mas mm mto!
Das duas uma, ou és algum parvinho que nao tem nada p fazer e veio para este forum gerar polémica ou se és mm medico, mal de todas as pessoas que se cruzem no teu caminho!:shock:
Carlos_Psi_Criminal
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Mensagempor Carlos_Psi_Criminal » terça abr 26, 2005 11:44 pm

Alguem devia mudar o titulo do post para "Eu sou idiota"

Sem mais comentários; mentalidades destas não se discutem, apenas se ignoram.


PS - mil desculpas aos restantes presentes pelo tom vernaculo da minha resposta, mas de momento não tenho a minima paciencia para debates académicos com imbecis incapazes de argumentar a sua opinião na sua qualidade de convidados neste forum.
Ritapsi
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Mensagempor Ritapsi » quarta abr 27, 2005 1:14 am

Em primeiro lugar, acho que um psiquiatra é e sempre será intelectualmente superior a um psicólogo, porque temos uma formação muito mais completa (6 anos de medicina+2 anos de estágio+5 anos de psiquiatria) o que dá 13 anos de formação. Vocês têm apenas 5 anos de formação e muitas vezes tiram o curso em faculdades ranhosas, privadas sem qualidade nenhuma, que se aproveitam do dinheiro dos alunos, sabendo que o destino de muitos deles é o desemprego. A psicologia está completamente banalizada, hoje em dia qualquer anormal com um média de 13 ou 14 do secundário pode entrar numa faculdade de psicologia.
Psiquiatra = 13 anos de formação Psicólogo = 5 anos de formação. Digam lá, quem estará melhor preparado? A não ser que defendam que o saber é inversamente proporcional ao número de anos de formação.


O problema é que qualquer burro e/ou preguiçoso com média de SETE ou OITO pode entrar , por exemplo na Lusófona e acabar o curso e depois passam esta imagem. Média de catorze?? Isso nas privadas era um luxo.
Alguem acha justificável entrar com média negativa?

Quanto ao resto não concordo nada. Um verdadeiro psicólogo clínico tem 8 anos de formação (5 + 3 de estágio em entidades autorizadas pelo estado) e é muito bem formado pelas faculdades do Minho, Lisboa, Porto e coimbra. O problema é que há por aí muitas privadas da treta que vendem o curso de psicólogo clínico , e os que lá estudam vão logo acreditar que são psicólogos clínicos, mas não são nada. (passando uma péssima imagem de facilitismo)

Conheço pessoas que entrararam na Lusíada com média negativa e copiam totalmente nos testes, conseguindo um 17 ou 18. Se não estudassem nada , sempre ficam com um 11 ou 12. Fazem o curso e pouco ou nada sabem. Isto não pode ser!

Um psiquiatra vai abdicar de quase tudo o que aprendeu na formação básica em medicina. A perspectiva médica e psicológica são complementares, mas neste momento tenho muito medo da psicologia pela completa desregulação da profissão e pelas aberrações de cursos privados que andam por aí a despejar licenciados.

PS: Chamar de idiota ao autor do post não vai levar a lado nenhume até percebo parte das suas provocações.
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Mensagempor Carlos_Psi_Criminal » quarta abr 27, 2005 1:28 am

PS: Chamar de idiota a um autor do post não é muito inteligente...


Quando o autor do post na sua qualidade de convidado nesta board tem uma atitude totalmente desrespeitosa com a nossa classe impondo os seus argumentos como verdades absolutas reduzindo-nos a quaze nada lamento colega mas não me vejo na obrigação de lhe atribuir a cortezia de uma resposta inteligente e educada.

PS: já agora, isso é que é amor à camisola, vem aqui alguem insultar a nossa classe e vejo colegas a persistirem no seu odio estereotipado e ignorante contra outros colegas e a quase se alinharem do lado do prevaricador, muito bonito e já agora parabens, estão a dar uma imagem bela da nossa classe!

Com demonstrações de maturidade deste calibre só me resta terminar com este comentário "estamos a ter o que mereçemos".
emiliaspo
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eu sou médico

Mensagempor emiliaspo » quarta abr 27, 2005 11:54 am

É só para dizer que sou psicóloga, trabalho há 10 anos e tenho orgulho do que faço.
Se pegarmos na classificação nacional de profissões, é um grande calhamaço. Se todas exigem a mesma capacidade intelectual, se calhar não, que umas são mais importantes do que outras, acho que não porque todas são necessárias. Se uma pessoa acha que é muito esperta e não sabe passar uma camisa, onde está a sua intelegência? Se o cano rebentou, tem de se chamar o "burro" do canalizador que, se calhar, tem a 4ª classe. Mas o senhor doutor não sabe tudo? Se calhar também não. Desde há uns anos que talvez uns 80% dos alunos que entram em medicina tem um pequeno "problema" que se chama média. Porque não têm vocação. Mas dá prestígio, tem emprego garantido e dá socialmente direito a pisar em toda a gente. Um aluno que tem 18.4 e não entra não é menos capaz que um que tem 18.5 (tirado muitas vezes de maneira obscura) e entra. É justo que se discrimine as pessoas pelo curso em que entraram? Acho que não. Até porque nem todos os alunos têm a mesma vocação. Trabalho há 10 anos num SPO e por isso sei do que estou a falar. Os melhores alunos da minha escola (alguns com médias de entrada de 19.7) não foram para medicina. Porque não tinham vocação! Será que são intelectualmente inferiores aos que foram? Acredite que o caso é totalmente o oposto, eram muito melhores alunos e PESSOAS dos que os que entraram em medicina.
Se considera que há maus profissionais em psicologia, concordo. Também os há em medicina, em direito, em engenharia, nos pedreiros, nas costureiras, etc.
Se calhar na escola onde andou não havia psicólogo, ou então era "bom" demais para lá ir. Ele/ela ter-lhe-ia dito que, para trabalhar com pessoas, especialmente quando elas estão doentes, é necessário descer da cadeira, sair do outro lado da secretária e ouvi-los, ser humilde, ser humano. E muito mais quando se trata de uma especialidade como a psiquiatria. Como espero que aprenda nestes anos, não é só receitar antidepressivos. Isso até os médicos de família fazem. É que vai lidar com "anormais", dos tais que não têm média para medicina, intelectualmente seres inferiores que podem não perceber o seu discurso intelectualmente superior.
E já agora, um ser superior já superou os vícios terrenos como o tomar café, que vicia e faz mal. Um chá de limão ou de cidreira, talvez?
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Mensagempor Cognitum » quarta abr 27, 2005 12:13 pm

Perante tão eloquentes e incisivos argumentos penso que devemos ir por partes:

Em primeiro lugar, acho que um psiquiatra é e sempre será intelectualmente superior a um psicólogo, porque temos uma formação muito mais completa (6 anos de medicina+2 anos de estágio+5 anos de psiquiatria) o que dá 13 anos de formação.

FALSO. O intelecto, QI ou o que quiser chamar não tem nada a ver com a duração da formação de uma pessoa. Este argumento é, no mínimo, absurdo.

Vocês têm apenas 5 anos de formação e muitas vezes tiram o curso em faculdades ranhosas, privadas sem qualidade nenhuma, que se aproveitam do dinheiro dos alunos, sabendo que o destino de muitos deles é o desemprego.

Apesar de compreender a proveniência de alguns destes argumentos, nem em todos os casos isso se aplica. Há faculdades cuja nota de acesso é superior a alguns cursos de Medicina em Portugal. Por exemplo, em alguns anos, a média de acesso ao curso de Psicologia na Univ Porto tem sido a 2ª mais alta da universidade. Porque será?...

A psicologia está completamente banalizada, hoje em dia qualquer anormal com um média de 13 ou 14 do secundário pode entrar numa faculdade de psicologia.

Correcto. Contudo existem muitos outros cursos cuja importância (no cenário nacional e mundial) não é, de todo questionada. A Engenharia, por exemplo, é inquestionavelmente, um campo extremamente pertinente e com espaços de intervenção próprios e dignos mas não é por isso que deixam de existir médias de acesso inferiores a 14 valores, em muitos casos.

Um psicólogo nunca deveria passar de um auxiliar, de um subalterno do Psiquiatra. Vocês não têm competência para diagnosticar depressão. Além disso, um psiquiatra terá sempre uma abordagem muito mais eficiente, porque pode medicar com antidepressivos e também utilizar técnicas de terapêutica psicológica. Vocês só podem recorrer à 2ª opção, estarão sempre limitados. Não passam de uns mini-psiquiatras.

FALSO. Sinceramente não entendo. Se a Psicologia é uma ciência amplamente implementada e credível, com espaços de intervenção próprios, em todo o mundo (veja-se por exemplo o caso dos EUA e da APA) a sua posição demonstra uma visão estereotipada, pobre e profissionalmente incompetente (caso seja mesmo Psiquiatra...). A não ser que os milhões de profissionais, investigadores e instituições por todo o mundo andem a ver mal a coisa...

Além disso, muitos de vocês gostariam de ter entrado numa faculdade de Medicina, mas não conseguiram, a maior parte são complexados, frustrados e revoltados.

Muitos sim, muitos outros não... Mas já agora, efectuou algum estudo representativo acerca dos índices de frustação desta população? Então como pode apresentar tal posição? Pura e simplesmente, é uma posição especulativa. Acredito, contudo, que face às baixas oportunidades de emprego e elevado número de profissionais no terreno é natural que acabem por surgir sentimentos de alguma indignação e insatisfação profissional. O mesmo aconteceria com os médicos se o seu mercado não fosse tão bem protegido pela Ordem...

Só vim cá ao vosso fórum para pôr os pontos nos is e para vos reduzir à vossa insignificância. O vosso curso não deveria dar mais competências do que servir café aos Psiquiatras.

Com argumentos destes, que mais posso dizer?.... :lol:

Depois de terem Ordem, só falta mesmo passarem a denominar-se Médicos Psicólogos. Queixam-se que há demasiados psicólogos! também acho, bastava uma meia dúzia como assistentes de consultório de psiquiatras e outra meia dúzia para os testes de orientação profissional aos meninos das escolas.

Aqui está algo que os médicos não conseguem compreender. Os Psicólogos não querem ser Médicos, Médicos Psicólogos, ou lá o que seja. A nossa intervenção e base epistemológica não passa pura e simplesmente por aí... É o problema da v/ classe: de verem a saúde sempre por um prisma médico-fisiológico-funcional. O que lá está dentro está bem, o que está fora, em vez de intervenção complementar, pura e simplesmente, não é legítimo...
Ainda, e novamente, está a demonstrar uma visão simplista pois a psicologia não se organiza apenas entre a Clínica e a Orientação Vocacional. Visite por exemplo os seguintes links e esclareça-se p.f.:
http://www.psicologia.com.pt/areas/
http://www.apa.org/about/division.html
http://www.bps.org.uk/the-society/netwo ... isions.cfm

Para terminar:

Pela saúde pública e pelo desenvolvimento deste nosso país, por favor alargue os seus horizontes e a sua competência profissional.
Competência e boa formação na Psicologia sim... Agora, questionar o espaço da Psicologia é que não...

E já agora, diga-me por favor se a formação psicoterapêutica de um psiquiatra (intervenção psicológica) se compara à de um psicólogo...

Mas continue a participar. Pois os seus comentários são um tónico para todos nós...
psinet
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Médico! Ah Ah Ah

Mensagempor psinet » quarta abr 27, 2005 4:40 pm

Irritado!?
É normal!
Custa saber precisa de 13 anos para fazer o mesmo que os outros fazem com 5!
Custa saber que os mini-psiquiatras vão ser mais que os super-psiquiatras e quem sabe, dirigir os seus destinos!
Custa saber que sendo médico não percebe que o ser humano é mais que um simples acumulado de matéria em que vai mexer!
Custa saber que em Portugal os médicos só têm o poder que têm porque o estado não aumenta a sua formação em quantidade, abrindo vagas nas faculdades!
Custa saber que até têm que vir médicos de Espanha porque os portugueses não são suficientes, e por isso os poucos que há pensam que são os donos de tudo!
Custa saber que todos os dias se ouve falar de psicólogos nos media e que isso incomoda um poder instalado porque outro começa a surgir!
Custa saber que o que faz as médias altas de entrada em medicina é o numero reduzido de vagas e não a qualidade dos candidatos!
Custa saber que para medicina quase só se entre com cunha, poder e influencias, independentemente das qualidades e competências pessoais!

Os psicólogos em Portugal, podem estar muitos no desemprego, mas os que trabalham é por mérito próprio, porque têm qualidade, e gosto na sua actividade. Os médicos, ganham muito, e têm trabalho, mesmo menosprezando os seus clientes, porque estes, ainda são na maioria desconhecedores dos seus direitos e têm "medo" de dirigir a palavra aos seus médicos prepotentes.

Os psicólogos vêm no seu cliente um ser humano, na totalidade das suas dimensões, que vão ajudar. Os médicos vêm nele um objecto que vão concertar, como um vaso que se partiu, e que se não for possível concertar, substitui-se por outro, deitando o primeiro ao lixo!

E os médicos só têm o poder que têm porque têm uma industria farmaceutica, que movimenta milhões, que os apoiam.

Os psicólogos tem tratamentos "ecológicos", naturais, sem quimicos, sem drogas. Os psicólogos são o futuro!

A sua mensagem neste fórum é a prova desta evolução. Obrigado por ter actuado. E já agora, reavalie-se como médico, e como pessoa!

PS: Perdão aos médicos que o são de facto, e não se revêm nesta mensagem
abcde
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Mensagempor abcde » quarta abr 27, 2005 6:02 pm

Amigos desempregados (ou a caminhar para lá), complexados, revoltados e frustrados:
Não entrei para Medicina por cunha, entrei porque tive média de 18,9 valores. Tive 19 de média de secundária e 18,8 nas duas específicas (Biologia e Química). Com certeza tive que trabalhar, tive que estudar. Quem dera a muitos de vocês terem conseguido esta média. Mas deixem estar, a compensação das vossas frustrações é dizerem que podem não ter sido excelentes alunos, mas pelo menos são "boas pessoas", que se "divertiram mais". Pois é, parabéns por terem gozado a vida, entraram num curso de merda e estão condenados ao desemprego.
Depois, não digo necessariamente que tenha mais QI do que um pateta que tenha entrado com média de 10, mas o que será mais PROVÁVEL? Peguem em 100 pessoas com média de 19 e noutras 100 com média de 12 ou 13, qual será a média dos QI? Mas não faz mal, esses de 12 e 13 de certeza que têm melhores relações sociais - o argumento dos frustrados, que têm de se agarrar a alguma coisa para dizer que são melhores, nem que seja a jogar ao berlinde.
Desculpem, pareceu-me ler que há cursos de Psicologia com média mais alta de entrada do que alguns cursos de Medicina. A pessoa que disse isso deve ter sonhado, talvez para resolver mais algumas frustrações. Só se for de Dentária e Veterinária, não da verdadeira Medicina clássica
Depois, dizerem que o facto do Psiquiatra ter 13 anos de formação e o Psicólogo 5 ser irrelevante para o exercício profissional, é a mesma coisa que dizer que uma peixeira com a 4ª classe que foi a uns seminários de Psicologia (formação de 6 meses) também pode ser boa Psicóloga. É tudo uma questão de pirâmide, estando sempre no topo o médico. O Psiquiatra está para o Psicólogo assim como o Psicólogo está para o "Terapeuta", para o Astrólogo e Tarólogo.
Ponto final: todas as profissões não-médicas da área da saúde tentam sempre aproximar-se do que os médicos fazem. Ter consultório, ver doentes, dar consultas. Limitados pela inconsistência dos seus conhecimentos (que não se comparam aos da formação exigente de um médico especialista, obrigado a prestar provas durante 13 a 15 anos), tentam de alguma forma cumprir o sonho que tinham de crianças:o de ser médico. Assim, metem-se nesses cursos da treta, fáceis, acessíveis, procurando estabelecer atalhos para exercer medicina. É claro que estarão sempre contra a Lei do Acto Médico, porque o querem exercer, mas se tivessem sido felizes nas vossas vidas estariam do meu lado da barricada a defendê-lo.
Cognitum
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Mensagempor Cognitum » quarta abr 27, 2005 6:20 pm

abcde Escreveu:Desculpem, pareceu-me ler que há cursos de Psicologia com média mais alta de entrada do que alguns cursos de Medicina. A pessoa que disse isso deve ter sonhado, talvez para resolver mais algumas frustrações. Só se for de Dentária e Veterinária, não da verdadeira Medicina clássica


Alguns dados:

a) Ingressei na licenciatura em Psicologia com nota de acesso (média + provas) de 17.7 valores

b) A média de acesso à minha licenciatura em alguns dos últimos anos foi superior a 17 valores (sendo a licenciatura com a média mais elevada em todo o país)

c) Efectivamente as médias de acesso às licenciaturas em Medicina (em torno dos 18 valores) são superiores às médias de acesso a Psicologia. Aqui faço "mea culpa".
Contudo vejamos: estes valores devem ser analisados levando em linha de conta o facto de existirem 7 cursos em Medicina contra 31 em Psicologia. Perante este cenário de escassa oferta de vagas, como poderiam as médias de Medicina serem mais baixas? Se existissem 31 cursos também em Medicina o cenário seria bastante diferente. Contudo, com o proteccionismo corporativista da Ordem dos Médicos, e apesar da falta de profissionais, dificilmente este cenário irá mudar...

Algumas reflexões:

a) Não, efectivamente não pretendia ingressar em Medicina, pois o meu ramo de interesse é a Psicologia das Organizações. Mas compreendo a posição de muitos colegas: com mais ofertas de emprego, mais prestígio e melhores ordenados, porque não seria Medicina apetecível? Especulo muitas vezes como seriam as coisas se existissem médicos em número excessivo face às necessidades do nosso país... O que diz só me leva a pensar que os médicos (como você) pensam que toda a gente gostaria de ser médico... :lol: É uma posição um pouco pretenciosa e narcisista, no mínimo, não concorda?...

b) Diz que "a pessoa que disse isso deve ter sonhado, talvez para resolver mais algumas frustrações." Mas em resposta à sua posição tenho a dizer-lhe o seguinte:

1º - Demonstra ser um péssimo profissional (mais grave ainda na sua área) em virtude de assumir uma postura avaliativa sem quaisquer elementos que corroborem a sua posição (de ordem clínica ou outros). Que frustações terei eu neste campo que V.Exa. possa ter aferido com base em tão poucas palavras escritas?!

2º - Optei com sucesso pela minha área de formação escolhida, desenvolvo uma actividade profissional satisfatória, estável e aliciante e tenho um vencimento mensal de 2500 euros.

Perante tudo isto, continua a ter a mesma posição?
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Mensagempor César » quarta abr 27, 2005 7:18 pm

Caro abcde,


Já que para si números são tão importantes, queira saber que entrei em Psicologia com a classificação de 19,25 valores na Universidade do Porto, tendo vindo de uma Escola Secundária estatal! Tive média de secundário de 19 e 20 no exame nacional de Psicologia! Entrei num curso menor, por opção, com média superior à sua!

Saiba que há pessoas que não gostam de Medicina só porque não gostam, isto é, mesmo tendo um intelecto superior (partindo do pressuposto que a inteligência se resume a um número)!

O seu discurso deixa transparecer uma total ignorância daquilo que é a Psicologia e, mais grave, daquilo que é a Psiquiatria! Parece mesmo que a formação obsessivamente profissionalizante e de orientação paradigmática quase exclusivamente bio-médica em Portugal se faz à custa de grandes lacunas formativas... a vários níveis! Ainda bem que muitos colegas seus (espero que a maioria) acabam por suprir estas falhas por outros meios e se tornam óptimos profissionais, exercendo de modo exemplar a nobre profissão de Médico! Nobre como outras!

Vejamos alguns dos seus argumentos...

Resolvam de uma vez por todas as vossas frustrações.
Se soubesse o que é a frustração e quais são os seus mecanismos, não usaria o termo de modo tão leviano e tão erroneamente!

Queixam-se que há demasiados psicólogos! também acho, bastava uma meia dúzia como assistentes de consultório de psiquiatras e outra meia dúzia para os testes de orientação profissional aos meninos das escolas.
Apesar de sermos portugueses, seria interessante conhecermos outros meios da aldeia global!
Estarão os médicos desempregrados (alguns deles certamente psiquiatras) espanhois, italianos ou de leste a varrer ruas ou a montar instalações eléctricas? Já viu o desperdício de intelectos? Seres iluminados a exercerem profissões de base na pirâmide?
Já pensou que o conhecimento vale só por si e que nem tudo se aprende na Universidade, nem em 13 nem em 100 anos? Não falo em boas ou más pessoas... falo em conhecimento! É claro que quem não está 13 anos na faculdade de medicina e na especialidade de psiquiatria provavelmente não sabe de cor o DSM nem o nome de 3 ou 4 mil medicamentos!

Agora até querem diagnosticar doenças e prescrever tratamentos de doenças, por isso estiveram contra o acto médico, pois claro porque o querem exercer.
Está certamente baralhado! Os psicólogos não querem diagnosticar doenças!
A avaliação psicológica é muito mais do que uma procura de perturbações e não se faz só no âmbito clínico (provavelmente, nem é a maioria). Por isso, não é, não deve, nem pretende,ser diagnóstico! As doenças diagnosticam os Médicos!
Em relação à prescrição, depreendo que esteja a falar de receitas e medicamentos! A este propósito, sabe que nos EUA há estados onde os psicólogos prescrevem psicofármacos? Aproveite para visitar o sítio da APA (www.apa.org)
Vejamos ainda outro aspecto: aquilo que a Psicologia pretende não é só uma centração na perturbação e subsequente "cura". Nem tudo é lógica médica!
Entendendo o indivíduo de modo holístico e como sistema em constante desenvolvimento, o que se pretende não é apenas remediar mas principalmente promover mudanças profundas e gerais no indivíduo, preparando-o para lidar com futuros problemas de modo cada vez mais eficaz!

Só vim cá ao vosso fórum para pôr os pontos nos is e para vos reduzir à vossa insignificância
Os psicólogos não precisam que coloque os pontos nos "is" nem os traços nos "tês"! A aquisição da literacia faz-se logo nos primeiros anos de formação do indivíduo e mesmo os seres "menos dotados" são capazes de aceder a esta capacidade!
Os psicólogos são profissionais autónomos e independentes! Há muitas décadas!

Vocês não têm competência para diagnosticar depressão. Além disso, um psiquiatra terá sempre uma abordagem muito mais eficiente, porque pode medicar com antidepressivos e também utilizar técnicas de terapêutica psicológica. Vocês só podem recorrer à 2ª opção, estarão sempre limitados. Não passam de uns mini-psiquiatras.
Além disso, muitos de vocês gostariam de ter entrado numa faculdade de Medicina, mas não conseguiram, a maior parte são complexados, frustrados e revoltados.

Provavelmente os psiquiatras são mais eficientes! Mas sabe que há diferenças entre eficiência e eficácia? Acha que um antidepressivo resolve todas as depressões?
Sabe que há um vasto espaço para a intervenção no indivíduo exlusivamente psicológica? Sabe que a Psicologia não se resume a clínicas e hospitais?
O que é terapêutica psicológica? Os psicólogos preferem intervenção psicológica! A Psicologia não estuda as doenças! Além disso, é pelo menos questionável chamar doenças às perturbações psiquiátricas! Mas vejamos... é capaz de descrever as ideias do construtivismo sobre o funcionamento psicológico... ou os princípios das perspectivas sistémicas... ou narrativas? Que elementos estão envolvidos no processo de mudança psicológica?


Mas deixem estar, a compensação das vossas frustrações é dizerem que podem não ter sido excelentes alunos, mas pelo menos são "boas pessoas", que se "divertiram mais". Pois é, parabéns por terem gozado a vida, entraram num curso de merda e estão condenados ao desemprego.
Não concebo o conhecimento em termos hierárquicos! A ciência, enquanto todo, luta pelo mesmo... um conhecimento cada vez mais profundo do mundo à nossa volta e das realidade humanas e sociais. O conhecimento só está compartimentado porque o ser humano tem capacidades limitadas. Já pensou na Medicina negando a Biologia, uma ciência menor, na sua perspectiva?

peixeira com a 4ª classe que foi a uns seminários de Psicologia (formação de 6 meses) também pode ser boa Psicóloga. É tudo uma questão de pirâmide, estando sempre no topo o médico. O Psiquiatra está para o Psicólogo assim como o Psicólogo está para o "Terapeuta", para o Astrólogo e Tarólogo.
Se soubesse apenas um pouco de epistemologia, saberia que Psicologia, Astrologia e Tarologia e, porque não, a Medicina, são profundamente diferentes?! Sabendo como o conhecimento se constroi e como depende de realidades sociais e históricas, saberia que a ideia de pirâmide não faz sentido! É que o Médico já foi o barbeiro!

Ponto final: todas as profissões não-médicas da área da saúde tentam sempre aproximar-se do que os médicos fazem. Ter consultório, ver doentes, dar consultas. Limitados pela inconsistência dos seus conhecimentos (que não se comparam aos da formação exigente de um médico especialista, obrigado a prestar provas durante 13 a 15 anos), tentam de alguma forma cumprir o sonho que tinham de crianças:o de ser médico. Assim, metem-se nesses cursos da treta, fáceis, acessíveis, procurando estabelecer atalhos para exercer medicina.
A área da saúde é apenas uma das áreas da Psicologia! Nem todos querem ver doentes! Em relação ao consultório e às consultas, o Direito também deve ser, para si, uma ciência da saúde, já que os advogados dão consultas em consultórios!
Diz que a formação médica é exigente! Sabia que as avaliações de exigência fazem-se por referência a um critério? Como sabe que a Psicologia, ou a Biologia, ou a Física, ou a Matemática... não são muito mais difíceis do que a Medicina?
Com a formação que tem, tinha obrigação de saber que nem todas as crianças querem ou quiseram ser médicas! Há mais profissões no mundo!

A Psicologia é uma ciência autónoma há mais de 1 século e pretende estudar de modo científico o comportamento humano e os processos mentais. Pretende em primeiro lugar compreender como o indivíduo funciona em termos individuais e nas suas relações com os outros. O âmbito das perturbações é apenas uma pequena parte do universo desta ciência.
Tem-se desenvolvido exponencialmente em diversos ramos, desde as áreas organizacionais aos ambientes mais sofisticados das neurociências cognitivas, passando pela economia, política, ambiente, comportamentos desviantes, educação, saúde, trabalho... etc.! São cada vez mais diversificados os seus campos de aplicação e mais numerosos os contextos de trabalho.
Pessoalmente... é muito mais interessante e desafiante do que reduzir o indivíduo a uma doença e tratá-lo! São opiniões e opções!

Finalizando...
O mundo não gira à volta da medicina, nem da psicologia, nem de qualquer outra ciência! Certamente giraria à volta do sol mesmo que a medicina ou qualquer outra forma de conhecimento não existisse!

Já dizia Abel Salazar... "quem só sabe Medicina, nem Medicina sabe"!

Saudações
Última edição por César em quarta abr 27, 2005 7:36 pm, editado 1 vez no total.
César F. Lima
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Mensagempor Manuela » quarta abr 27, 2005 8:06 pm

Olá a todos!

Continuando com a ditadura dos numeros: entrei em psicologia com 180, tal como a esmagadora maioria dos meus colegas. E só não fui para medicina sempre achei que ser medico era tremendamente aborrecido.

1 - A frustração existe em todos os cursos. Lembre-se dos seus colegas da clinia geral que passam anos a diagnosticar gripes e a receitar benuron.

2 - Se soubesse o minimo de epistemologia (que obviamente não sabe porque não se aprende no seu curso) saberia que medicina e psicologia são ambas ciências. A difereça reside no objecto: na psicologia é o sujeito, na medicina a doença. Assim sendo, não percebo o seu dilema. Se são áreas diversas, porque as agrupa no mesmo saco? Há muitos psicólogos que trabalham em áreas que os médicos nem sonham que existem.

3 - Quanto à sua superioridade intelectual: com tais argumentos, não lhe vejo inteligência nenhuma. Aliás, você parece-me aquele tipo de pessoa que bebe o que lhe dão no curso, fecha os olhos à inovação, não sabe o que é o mundo lá fora, não tem o mínimo espírito crítico e acha-se muito inteligente.

4 - Em países civilizados, como nos EUA, psicólogos e médicos convivem e partilham conhecimentos. Já ouviu falar em MULTIDISCIPLINARIDADE?

5- Detesto pseudo-argumentos de superioridade, mas a verdade é que me parece que os psicólogos têm realmente outra complexidade, pois há muito tempo que não lia argumentos tão básicos quanto os seus.

Cumprimentos
Manuela Cameirão
Cognitum
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Mensagempor Cognitum » quinta abr 28, 2005 12:00 pm

Caros colegas César e Manuela,

Permitam-me felicítá-los pelos vossos posts. Concordo por inteiro com os mesmos e contribuem para o devido enriquecimento dos participantes dos fóruns no âmbito da temática em questão.

Adicionalmente aos vossos contributos, cabe-me fazer a seguinte reflexão:

Lamentavelmente, a posição do caro "abcde" deriva, a meu ver, e em parte, do triste cenário observado no nosso país de excessiva oferta formativa no campo da Psicologia, excessivo número de licenciados em Psicologia, e acima de tudo, e com muita tristeza para mim, critérios de acesso às licenciaturas e exigências excessivamente baixos...

Pois concerteza que acaba por "pagar o justo pelo pecador", por assim dizer.

Não quero despoletar de forma a alguma e novamente a velha questão das "estatais vs privadas" etc etc. pois esta não é, a meu ver, a questão...

Contudo é notória (e tenho oportunidade de constatar) na minha vida profissional e nestes mesmos fóruns a existência de profissionais licenciados em Psicologia (em exercício ou não, pois ser-se licenciado não implica que se seja psicólogo, entenda-se) com fortíssimas lacunas teóricas, sem noção dos espaços interventivos, com evidentes falhas no campo ético, dentológico e epistemológico, entre outras... Já para não falar da elevada quantidade de erros ortográficos que observo nestes fóruns por parte de muitos utilizadores, o que é inadmissível... :shock:

Claro que se pode dissertar e especular muito sobre este assunto mas, à falta de melhor, o desempenho académico prévio à licenciatura deve ser um factor fundamental...

Mas voltando ao tema em discussão, gostaria de salientar junto do "abcde" que não é o facto de existirem licenciados com maus desempenhos académicos e profissionais que confere legitimidade para considerar que todos os psis são assim, que gostariam de ser médicos, que a psicologia é uma ciência menor etc... O mesmo se aplica a todas as outras ciências... Repare que já tive contactos pessoais e profissionais com médicos com competência criticável mas não é por isso que coloco em questão a classe...

Bem haja para todos.
abcde
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Mensagempor abcde » quinta abr 28, 2005 3:46 pm

Bom, isso é verdade... Há médicos que são maus profissionais e há psicólogos que são bons profissionais. Admito que a minha opinião sobre a psicologia (e não só a minha, mas também a de muitos médicos e também outros profissionais de saúde) esteja fortemente condicionada pela qualidade profissional de vários psicólogos com os quais tenho estabelecido contactos. É certo que não deve ser o médico que avalia a qualidade profissional do psicólogo, mas há coisas perfeitamente aberrantes:gritante falta de profissionalismo, pouca capacidade de trabalho, erros ortográficos, às vezes até dificuldades em conjugar verbos na expressão oral! Essa gente dá uma péssima imagem da classe.
Penso que por parte das associações profissionais devem ser tomadas TODAS as medidas para que se formem óptimos profissionais. No caso da Ordem dos Médicos e das Faculdades de Medicina, as poucas vagas disponíveis por ano conduzem a uma alta selectividade, variando a nota mínima entre 18,3 e 18,7. Mesmo assim, quando entrei só haviam 5 faculdades e 500 vagas, agora há 7 faculdades e 1000 vagas/ano. No entanto, o facto da média ser alta, só faz que seja provável o profissional ser melhor (terão que concordar que uma pessoa que desenvolve hábitos de estudo e capacidade de trabalho desde o 10º ano é mais provável ser melhor profissional do que outros que para serem psicólogos, só lhes bastou entrar com 8,9,10. Em segundo lugar, o facto de existirem poucas faculdades de medicina só leva a que o ensino seja mais uniforme, mais homogéneo. Com 31 faculdades de psicologia, claro que há grandes discrepâncias na qualidade de ensino. Aqui estão dois factores cruciais (selectivadade à entrada e número de faculdades) que contribuem decisivamente para a qualidade dos profissionais.

Vou deixar aqui uma mini-proposta que, a ser aplicada, contribuirá decisivamente para "limpar" a Psicologia, desde o ensino até à qualidade dos profissionais:

1- Constituição da Ordem dos Psicólogos
2-A Ordem dos Psicólogos só reconher como Psicólogo pessoa formada nas únicas faculdades de psicologia com qualidade no país (Públicas+ISPA)
3-Para todos as outras faculdades, a Ordem só deveria permitir a inscrição e o consequente título profissional de Psicólogo após exames à Ordem e/ou ciclos de estudo especiais

Uma proposta destas iria dividir a classe de psicólogos, talvez porque alguns, ainda impregnados pelo espírito do 25 de Abril, vão alegar que "são todos iguais". Mas não é essa a verdade, há psicólogos de 1ª, outros de 2ª e outros de 5ª ou 6ª

São medidas corajosas, mas que a longo prazo iriam só prestigiar o curso de Psicologia e dignificar a profissão de Psicólogo.

Saudações médicas.
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Mensagempor Estrelabr » quinta abr 28, 2005 3:54 pm

Caros colegas|
Depois de ler todas estas mensagens queria apenas dizer o seguinte:
Se aquele colega diz que é médico, não me parece que seja verdade, uma vez que utiliza uma linguagem um pouco "baixa" para se referir quer á especialização dele quer á psicologia. Não me parece que seja muito adequado um psiquiátra com tanto mérito como ele diz que tem se dirgir aos dentes e restante população com este tipo de linguagem. Antes de se criticar qualquer curso que seja penso que seria mais util olhar um pouco p a sua auto-imagem e só depois criticar. Dizer que a psiclogia não tem qualquer valor ou que não serve para nada penso que não é a opinião de todos os psiquiatras de hoje em dia, uma vez que trabalho com um bom psiquiatra e a ajuda de os dois (psiquiatra e psicologo) tem sido muito favorável para os seus doentes (por isso tem a sua sala de espera sempre cheia).
Penso que hoje em dia ja se trabalha muito em equipa multidisciplinar e a atitude autoritária "eu sou melhor do que qualquer tecnico" e o rebaixar um psicólogo já foi tempo da pre-história.
Penso que com estas atitudes nunca terás um futuro brilhante e mal daquele q cair nas tuas mãos.

Compriemtos a todos os colegas e futuro brilhante para todos!
Cognitum
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Mensagempor Cognitum » quinta abr 28, 2005 6:11 pm

Face à ultima participação do "abcde", e para inverter um pouco a tonalidade geral deste tópico num sentido mais construtivo, tenho a dizer que, de uma forma geral, concordo bastante com o que diz...

Vou em parte de encontro ao que afirma:

1- Constituição da Ordem dos Psicólogos
2-A Ordem dos Psicólogos só reconher como Psicólogo pessoa formada nas únicas faculdades de psicologia com qualidade no país (Públicas+ISPA)
3-Para todos as outras faculdades, a Ordem só deveria permitir a inscrição e o consequente título profissional de Psicólogo após exames à Ordem e/ou ciclos de estudo especiais


Contudo, a proliferação excessiva de cursos, e a falta de organização da classe não tem permitido a concretização a bom trecho do projecto da Ordem...

Pela saúde pública e pela defesa dos direitos do público e dos utilizadores da psicologia em geral, devia-se criar uma entidade de direito público (ordem ou outra...) que, de uma vez por todas, regulasse e regulamentasse a prática profissional da Psicologia no nosso país.

Mas isto que aqui escrevo não é uma novidade para ninguém nem é algo com o qual alguém discorde, penso eu... Faltam os actos, contudo...

Cumprimentos a todos.
Última edição por Cognitum em quinta abr 28, 2005 7:51 pm, editado 1 vez no total.
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Mensagempor Dragoness » quinta abr 28, 2005 7:07 pm

Psicológico Escreveu:
2-A Ordem dos Psicólogos só reconher como Psicólogo pessoa formada nas únicas faculdades de psicologia com qualidade no país (Públicas+ISPA)



E com este simples parágrafo cumpriu-se o objectivo do abcde. Dividir para reinar.

Lamento que não se tenham apercebido que este utilizador abcde apenas veio provocar mais agitação numa altura em que o tópico públicas vs privadas estava quase encerrado.

Como pode haver uma Ordem dos Psicólogos com tanta desunião na classe?

Francamente.
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Mensagempor César » quinta abr 28, 2005 8:15 pm

Saudações,

Caro abcde, tem a certeza que é estudante de Medicina? As suas participações parecem uma forma voluntária e engraçada de provocar agitação aqui nos fóruns, o que é salutar... se daí advier algo de construtivo. :)

Efectivamente, parece agora ter-se aberto caminho para uma discussão mais interessante.

A questão da Ordem é demasiado complexa para ser discutida levianamente. Custa-me a acreditar que os interesses que lhe servirão de base sejam exclusivamente de defesa e organização da classe.

A prova de que as pressões e influências resultam está na proliferação caótica da formação ao nível de licenciatura em Psicologia. Existem mais de 30 cursos, abriram mais dois na Universidade Católica e está prestes a arrancar um outro na UTAD.
Penso que é consensual que a qualidade de toda esta formação deixa muito a desejar, resvalando para o medíocre em algumas instituições. E penso também que nem tudo se pode resumir à dicotomia público/privado.

Já que a avaliação da qualidade da formação não é feita a montante, é importante que uma possível Ordem ou Associação regule de modo rigoroso, claro e objectivo o exercício da profissão. E aqui começam as questões de resposta difícil!
Reconhecimento de algumas licenciaturas? Com que critérios? Quem avalia os cursos?
Pessoalmente, preferiria um exame de acesso à Ordem para Todos os licenciados em Psicologia, independentemente da sua filiação, como acontece com o Direito. Seria uma lógica de selecção natural e uma forma mais clara de validar a qualidade da formação.
Contudo, pode perguntar-se que tipo de exame seria esse! Poderá ser o mesmo para um aluno vindo do ISPA ou da Universidade do Porto? Será o mesmo para um licenciado generalista, pré-especializado em psicologia social ou em psicologia da saúde? Sabemos que a formação é diversa em termos paradigmáticos, de conteúdo e de abrangência, podendo ser todas de muita qualidade.

Outra questão importante seria a definição do perfil do profissional de Psicologia. Quais as suas funções em cada contexto?
Esta é uma questão premente, nomeadamente para clarificar fronteiras como as que se têm sobreposto neste tópico: papel do psiquiatra e do psicólogo em contexto de saúde!

Penso que a união da classe não está em fechar os olhos ao modo como se formam psicólogos ou se exerce Psicologia em Portugal. É importante discutir criticamente ideias e sermos capazes de saber e afirmar o que está mal para que o estado de coisas possa mudar. É dessa dinâmica que pode surgir o sentido de classe!

É também importante que percebamos que a psicologia é ainda muito nova em Portugal, não tendo nem um pouco do poder associativo e de influência que têm os médicos ou outras profissões com uma história mais longa no nosso país. Não existe nem me parece que vá surgir brevemente uma APA pelas nossas terras.

Fiquem bem
César F. Lima

Psicólogo, Universidade do Porto
Joao Franqueira

Mensagempor Joao Franqueira » quinta abr 28, 2005 10:56 pm

abcde Escreveu:É certo que não deve ser o médico que avalia a qualidade profissional do psicólogo, mas há coisas perfeitamente aberrantes:gritante falta de profissionalismo, pouca capacidade de trabalho, erros ortográficos, às vezes até dificuldades em conjugar verbos na expressão oral!


abcde Escreveu:(selectivadade à entrada e número de faculdades) que contribuem decisivamente para a qualidade dos profissionais.


abcde Escreveu:2-A Ordem dos Psicólogos só reconher como Psicólogo pessoa formada nas únicas faculdades de psicologia com qualidade no país (Públicas+ISPA)


Acredito que possam ter sido erros dados devido a uma rápida tentativa de escrita. No entanto, antes de apontar erros aos outros devemos tentar procurar os nossos.
Ritapsi
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Mensagempor Ritapsi » quinta abr 28, 2005 11:59 pm

Concordo que só devam poder aceder à Ordem dos Psicólogos os licenciados em Faculdades Públicas e os do ISPA. Os outros só depois de um exame de acesso à Ordem. A ordem dos engenheiros faz o mesmo.

Uma coisa é a união da classe, outra coisa é regular a profissão. Muitos não deveriam poder exercer e não têm competencias para ser Psicólogo. Trata-se de distinguir quem é competente.

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