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Perturbação Mental

Enviado: quarta jan 20, 2010 11:49 pm
por psif
Boa noite,

Existem muitas situações em que os individuos se apresentam socialmente muito integrados, pelo que a minha pergunta é a seguinte: num processo de avaliação, para alem da tecnica da entrevista, que instrumentos posso usar para despistar uma situação de perturbação mental.

Outra questão: Quais as fronteiras entre a perturbação mental e a doença mental? Exemplos, por favor.

Perante uma situação de doença mental devemos trabalhar sempre com sensibilidade multidisciplinar.

Gostava de vos ouvir quanto a esta questão.

Enviado: quinta jan 21, 2010 10:28 pm
por psif
entao...ninguem responde

Enviado: quinta jan 21, 2010 10:56 pm
por Ana Rita
O termo "doença" já não é propriamente o mais apropriado, pelo estigma que transmite. É como défice cognitivo em vez de deficiência mental. Por outro lado, parece-me que ambos podem ser utilizados para dizer a mesma coisa como por exemplo. Ex: Transtorno bipolar, doença bipolar, perturbação bipolar. Em várias perturbações encontramos estes três termos, sem que se diferencie, ainda que transtorno seja mais os brasileiros. Várias vezes lemos também algo do género "a perturbação obsessiva-compulsiva é uma doença..."

Existem vários testes, nomeadamente de personalidade que podem ajudar no despiste, mas acabam muitas vezes por ser apenas um acrescento, já que no contacto directo com o paciente a existência ou não de perturbação mental torna-se evidente. Deverá consultar as baterias existentes.

O facto dos indivíduos estarem integrados em sociedade não tem nada a ver com a existência ou não de perturbação. O grau da perturbação é que pode chegar a limitá-los a esse nível. Eu diria até que temos muitos perturbados relativamente funcionais e muitos internados que têm menor grau de perturbação... :wink:

Ver um individuo como tendo ou não uma perturbação mental é muito redutor a meu ver. Todos nós temos paranóias, obsessões, manias de grandeza, euforia, depressividade, etc. O conjunto e grau dos sintomas é que leva à tal catalogação do DSM, mas mesmo dentro dessa existem muitas variações.

Enviado: sexta jan 22, 2010 12:37 am
por vectrapc
Já que não deve ter recebido a MP que lhe enviei aqui fica:

Psif, desculpe mas não compreendo as suas dúvidas.
É Psicólogo? E se sim de que área? À partida, não estou a ver um psicólogo a equacionar-se desse modo, peço desculpa.

Agora, a entrevista é para quê? Despiste de situações de perturbação mental? Só sendo psi clínico ou educacional poderá aplicar testes de despiste de patologia, exceptuando os testes autorizados para selecção e recrutamento. Recrutamento e selecção?

A diferença entre perturbação e doença? O grau de incapacidade que isso gera para a pessoa e os critérios designados pela OMS e pelo DSM.

Claro que há pessoas socialmente adaptadas, aliás há patologias que se caracterizam por isso mesmo, mesmo sem perceber psicologia basta ver a história passada com vários exemplos de pessoas com perturbações mentais mais ou menos profundas que chegaram até a posições de poder. Se os hospitais psiquiátricos estivessem com todos os doentes mentais que existem no mundo, o mundo parava. E as prisões também têm muita gente desviante.

O critério da normalidade também permite definir a perturbação e a doença.

Depende do que pretende encontrar, todos nós temos mecanismos de defesa típicos de determinada perturbação mental e isso não faz de nós perturbados ou doentes.

No fundo o que lhe quero dizer é que não existe uma fronteira claramente definida entre o bom e o mau, o são e o doente, o branco e o preto.

Enviado: sexta jan 22, 2010 11:00 am
por asilvestre
vectrapc Escreveu:Só sendo psi clínico ou educacional poderá aplicar testes de despiste de patologia, exceptuando os testes autorizados para selecção e recrutamento.


Não percebi!!

Enviado: sexta jan 22, 2010 12:11 pm
por limacatia
Concordo com a/o colega Vectrapc...

Snif, é mesmo psicólogo??? ou está a ter formação na área??? Peço desculpa mas parece-me uma pergunta um pouco esquesita para alguém da área..... Acho que este tipo de informações devem ser restritas ao pessoal da área!!

Realmente quem deve e pode fazer esse tipo de avaliação é o Psicologo Clínico, por isso se não fôr penso que seria melhor não entrar nesse campo!!!(é a minha opinião).

Enviado: sexta jan 22, 2010 12:37 pm
por vectrapc
asilvestre:

Há testes projectivos que sendo à partida usados por clínicos, são utilizados para selecção e recrutamento para alguns empregos, exemplo do Rorschach. Utilização segundo o modelo americano e não a leitura francesa do teste.

Não vejo Psicólogos da área de social a utilizarem testes para despiste de patologias. Apesar de poderem utilizar testes de personalidade não deve ser esse o objectivo da utilização dos mesmos. Ou estarei errada?

Enviado: sexta jan 22, 2010 2:18 pm
por asilvestre
Ah ok! Penso que a interpretei mal.

Pensei que estava a dizer que a avaliação psicológica na sua maioria era exclusiva dos psicólogos clínicos ou educacionais. Mas também existem tão poucos psicológos clínicos, educacionais, organizacionais, etc... a maioria de nós não tem especialização em área nenhuma, somos apenas psicólogos com uma pré-especialização, portanto...

Enviado: sexta jan 22, 2010 6:08 pm
por psiana
Agora fui eu que fiquei baralhada: há especialização para as outras áreas que não as de clínica? desconhecia! será que me pode ajudar um bocadinho mais com esta descoberta? Obrigada.

Enviado: sexta jan 22, 2010 7:23 pm
por vectrapc
Hihihih

Acho que existe alguma confusão entre o título de técnico superior de saúde enquanto Psicólogo clínico que se tem (se devia ter) no Estado e área específica do nosso estudo nas Universidades.

Com a Ordem e os colégios de especialidade teremos as especializações, agora para já, tirando os Psicólogos Clínicos que efectuaram o estágio de 3 anos do estado ou tiveram equivalência a esse estágio, somos licenciados em Psicologia área de ... :wink:

Os os novos mestres da área de ... mas não são ainda as supostas especializações como existem noutros países. Cá só depois de ficarmos com o sistema igual ao da Europa do 3+2+1 de formação. 8)

Enviado: sexta jan 22, 2010 9:37 pm
por psif
Olá a todos,
compreendo que tenham ficado baralhados com a minha questão. Em primeiro lugar gostaria de informar-vos de que sou Psicólogo (pré-espcialização na área social).
Sim, de facto somos todos licenciados em Psicologia, com pre-especialização na área, x,y,z. Penso que ninguem tem de ficar agarrado a pre-especialização que fez durante a sua licenciatura, desde que procure formar-se noutras areas, frequentando mestrados, especializações...Estarei errado?
Assim, desde que seja Psicologo poderei em todo o caso fazer Avaliações Psicológicas e, inclusivamente, perante uma suspeição de patologia encaminhar a situação para um colega mais habilitado nesta área, ate porque as disciplinas de Psicopatologia no Adulto e na Criança e Adolescente fazem parte do tronco comum da Licenciatura.
Por outro lado, estudei várias situações de dinâmicas familiares complexas, motivadas por situações complexas tais como anorexia nervosa, por exemplo.
Sei que existem alguns instrumentos que apesar de não permitirem um diagnóstico, pelo menos conseguem determinar o grau de psicosintomatologia que o individuo apresenta. Mesmo numa Organização é necessário perceber se estamos perante um inviduo com perturbação/ disturnios ou transtornos.
obrigado pelas vossas respostas

Enviado: sexta jan 22, 2010 10:36 pm
por vectrapc
Pois até compreendo alguns dos pontos, mas deixo-lhe a seguinte pergunta de acordo com aquilo que diz.

Será que são situações de dinâmicas familiares complexas motivadas por situações de anorexia nervosa, ou será anorexias nervosas motivadas por situações familiares complexas?

Depois nos trabalhos até há patologias que se adaptam a funções específicas, POC até dá jeito para trabalhos de rotina onde é necessário ter grande atenção à repetição e perfeição dos pormenores. Por exemplo, um contabilista com POC poderá ser fantástico :wink: :lol: (ironia)

Não serão as patologias formas de podermos lidar com o mundo à nossa volta de forma adequada e a sua gravidade demonstrada pelo grau de adaptação ou não? Além da própria história da doença mental e aquilo que para nós é considerado como perturbação é variável com a história da própria sociedade. Vejamos os casos da perturbações do comportamento sexual e as diferentes leituras da história sobre patologia/doença/normalidade/desvio.

Se poder leia o "Teoria da Estupidez humana" que é muito interessante nas questões da normalidade e "doença".

Enviado: sexta jan 22, 2010 11:55 pm
por psif
Sim concordo contigo que um individuo com POC poderá ser uma mais valia para funções orientadas para a rotina e para o pormenor. Mas de tivermos perante uma função que exige caracteristicas tais como liderança de equipa, uma forte relação interpessoal, capacidade de decisão imediata ...?!Convém analisar estes casos convenientemente!

De qualquer forma a tua análise foi bastante interessante.

Duas questões:

Já agora sabes alguma coisa das especializações que irão ser abrangidas pela Ordem?

Instrumentos que permitam fazer um despiste de psicosintomatologia: nota só aplico instrumentos com a devida formação.

Conheço o livro mas ainda não o li. Mas vou fazê-lo em breve!

Obrigado

Enviado: sábado jan 23, 2010 12:10 am
por vectrapc
Então provoco mais um pouco, e digo assim :D um antisocial, tal como nos ensina a história, pode ser um óptimo gerenciador de relações humanas, com capacidade de fazer uma leitura das situações de forma fria e calculista e tomar as decisões necessárias de forma imediata.

:lol: Bem, só para dizer que realmente todos nós temos aspectos mais ou menos patológicos que usamos para nos adaptar ao mundo à nossa volta e, que a verdade é sempre relativa pois existem para mim sempre três ;) a minha, a vossa e a verdadeira :D :lol:

Penso que a Ordem só poderá pensar nos colégios de especialidade após as eleições dos orgãos dirigentes, mas, ao comparar com o que acontece noutros países, poderá ser um grupo de especialistas de uma determinada área que concorre com a intenção de criação de um colégio de especialidade. Claro que o mais comum é as áreas base, depende do modelo que resolverem adoptar por cá.

Enviado: domingo jan 24, 2010 1:50 pm
por psif
Sim, concordo contigo que todos os nós temos aspectos patologicos, todos nos temos um pouco de POC, de anti-social, etc, etc. No entanto, somos perfeitamente funcionais.

Mas em muitos casos esses aspectos condicionam o bem estar das pessoas e a sua qualidade de vida, acarretando muito sofrimento para si e para as respectivas familias!

Obrigado vectrapc pela tua resposta.

No entanto, continuo a reforçar o meu pedido: instrumentos que permitem avaliar psicosintomatologia.

Enviado: quinta jan 28, 2010 2:00 pm
por limacatia
Tens o SCL-90 que avalia sintomatologia...não sei se serve para o que queres...

Enviado: sexta jan 29, 2010 9:34 pm
por psif
limacatia
onde posso adquirir essa escala?
obrigado

Enviado: sexta mar 12, 2010 10:00 pm
por Sofia Soares
Rorschach. Fornece informações preciosas sobre personalidade, modos de funcionamento, despiste de perturbações.. um sem fim de informações sobre a pessoa. Análise Exner.

Enviado: sábado mar 13, 2010 8:28 pm
por psiana
Sim e sem ser Exner também, certo? 8) Depende da orientação de cada um...

Enviado: domingo mar 14, 2010 12:15 am
por joao miranda
Caro colega, pelos vistos ninguém respondeu à sua questão: - a diferença entre perturbação mental e doença mental. A resposta é muito simples, é que quem estudou o modelo de Gordon, sabe ou deveria saber, enquanto psicólogo que o termo doença é INCORRECTO, o seu uso é um erro porque doença pressupõe a existência de um patogéne (virus, bactéria, etc.) o que não é aplicavél ao diagnóstico psicopatológico, alguém me sabe dizer qual o patogéne responsável pela "doença obsessiva" LOL...
Já agora "transtorno" é Português do Brasil, em Português de Portugal é correcto utilizar perturbação. Se quiser saber um pouco mais estude o modelo de Gordon e psicopatologia do desenvolvimento, é que a função dos psicólogos não é diagnosticar, isso é campo da psiquiatria, a nosso função é o psicodiagnóstico, ou seja, investigar a história de vida da pessoa e procurar encontrar explicações para o surgimento da perturbação.