Psicólogo arguido por quebra de sigilo

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Ana Rita
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Psicólogo arguido por quebra de sigilo

Mensagempor Ana Rita » sábado dez 18, 2010 12:28 am

Leiam esta anedota!

"O psicólogo Paulo Sargento é suspeito de passar informações confidenciais à TVI sobre um paciente que tratava: Henrique Sotero, o alegado violador de Telheiras, que começa a ser julgado a 14 de janeiro sob acusação de ter abusado sexualmente de 16 raparigas, entre os 13 e os 22 anos.

No dia 30 de março, a TVI exibiu imagens do suspeito a tocar à campainha, a entrar e a sair de um edifício, que se supõe ser o consultório de Paulo Sargento no Campo Pequeno, em Lisboa. As imagens foram anunciadas na rubrica "Crime, disse ele", do jornalista Hernâni Carvalho, durante o programa "Você na TV", de Manuel Luís Goucha. E terão sido captadas um dia antes de Henrique Sotero ser detido pela judiciária.

Paulo Sargento, que agora é colaborador da SIC, já foi ouvido por um procurador da 4ª secção do DIAP de Lisboa - chefiada por João Guerra, que investigou o processo Casa Pia - e foi constituído arguido pelo crime de violação de sigilo profissional. Ao abrigo do Código de Processo Penal, o facto de ser arguido significa que os factos de que é suspeito têm consistência - o que não prova que seja culpado ou que vá ser formalmente acusado pelo Ministério Público.

"Não só não confirmo a identidade de pacientes que trato, como não comento casos que estão em segredo de Justiça", defende-se o psicólogo e professor da Universidade Lusófona. Paulo Sargento estava em estúdio quando as imagens foram mostradas no Jornal da Uma da TVI. Na altura declarou ao "Correio da Manhã" que viu "as imagens quando estava no programa" mas não ficou "com a ideia de onde era aquilo".

Os factos demonstram uma sucessão de acontecimentos, no mínimo, pouco usual: a 5 de março deste ano, Henrique Sotero foi detido pela PJ. Era procurado há meses, a polícia já tinha divulgado um retrato robô que correspondia à sua fisionomia e Henrique Sotero confessou ser ele o violador de Telheiras. Sotero terá tido quatro consultas com Paulo Sargento, entre 26 de janeiro e 4 de março deste ano, um dia antes de ser preso. As consultas terão sido marcadas através do seguro da Zon, onde Henrique Sotero trabalhava como engenheiro.

PJ de fora


Na queixa apresentada à Procuradoria-geral, o advogado de Sotero sugere que o psicólogo revelou à PJ quem era o violador de Telheiras. De acordo com a Ordem dos Psicólogos, caso soubesse que um crime ia ser praticado, Paulo Sargento tinha obrigação de informar a polícia (ver caixa). Uma fonte da PJ assegura que "nenhum dos investigadores deste caso foi ouvido no âmbito de qualquer processo de violação de sigilo profissional ou de violação de segredo de justiça".

Henrique Sotero apresentou queixa contra Paulo Sargento e acusa-o de ter facultado a sua identidade, a hora e o local da consulta a responsáveis da TVI. Hernâni Carvalho, Júlio Magalhães, diretor de informação da TVI, e os jornalistas Carlos Enes e João Pedro Matoso também são arguidos. "Confirmo isso, mas não posso dizer nada sobre a maneira como foi obtida a informação", diz Júlio Magalhães. Hernâni Carvalho, vereador na Câmara de Odivelas, confirma que é arguido: "Não vou dizer nada. O que tinha a dizer disse-o ao procurador que me interrogou. Estou muito curioso para saber o que vão fazer".

Pereira da Silva, advogado de Henrique Sotero, também não quis falar sobre o processo. Mas aquando da exibição das imagens zangou-se. "Isto não é uma telenovela e o meu cliente não é um ator".

Henrique Sotero vai começar a ser julgado a 14 de janeiro do próximo ano. Está a ser avaliado no Instituto de Medicina Legal porque alega que não é totalmente responsável pelos seus atos. Entre abril de 2007 e outubro de 2009 sequestrou, ameaçou e abusou sexualmente de 16 mulheres jovens. Confessou, mas nunca mostrou arrependimento."



O coitadinho do violador foi enganado pelo psicólogo e este por sua vez é identificado em praça pública, até puseram a foto dele na notícia. Vejam em http://aeiou.expresso.pt/psicologo-e-ar ... as=f620827 .
Um belo exemplo de que não há regra sem excepção. O Paulo Sargento diz que não dá informações de pacientes, como é natural para se defender, mas caso o tenha feito, aplaudo. Não tenho a menor dúvida que no lugar dele teria feito o mesmo caso fosse notório que o comportamento compulsivo seria repetido. A interpretação à letra da ética e deontologia leva, na minha opinião, ao ridiculo.
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Re: Psicólogo arguido por quebra de sigilo

Mensagempor Zenobia » segunda dez 20, 2010 11:36 am

Quando li a noticia, há uns dias, fiquei com a impressão (pela maneira como estava redigida) que o Sargento era o psicólogo deste tipo. Mas depois percebi que não seria esse o caso. Aliás, se fosse ele não iria à TV falar directamente sobre o caso, né?. Já o ouvi muitas vezes comentar genéricamente situações e frisar isso mesmo, que não se referere a um caso concreto mas no geral para dar um exemplo.

Agora eu também posso ir à porta de um prédio, tocar à campainha, entrar e sair e depois inventar alguma alarvidade sobre um qualquer morador do prédio...
Não conheço contornos do caso mas tenho para mim que o criminoso anda a tentar atirar areia para os olhos de toda a gente e a tentar desesperadamente fazer-se de vitima. E o psi é que paga o pato! :roll:

Por acaso estou curiosa para saber o desfecho da história - se é mais um que vem cá para fora com pena suspensa.
esteha
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Re: Psicólogo arguido por quebra de sigilo

Mensagempor esteha » quinta dez 30, 2010 2:15 am

Acho que o sigilo nestes casos tem o seu limite não ?

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