Falso moralismo e projecção.

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anonomo
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Falso moralismo e projecção.

Mensagempor anonomo » quinta jan 27, 2011 11:49 pm

Os falsos moralistas têm maior propensão para a projecção psicológica?

Fui alvo da projecção das emoções de outra pessoa, cuja aplicação em mim era um verdadeiro absurdo. A projecção era acompanhada por julgamento de costumes e condenações por algo que nada tinha a ver comigo mas com a própria pessoa, tal como me fui apercebendo. Desvalorizei a situação, mas compreendi mais tarde que o episódio era difundido e recontado por ela, como se de uma verdade e de um facto se tratasse, usando-o para se sobrevalorizar em relação a mim como pessoa de moral e bons costumes segundo os padrões da sua religião.

Conheci-a no meio aeronáutico. A primeira vez que falei mais demoradamente com ela e com a sua colega foi num evento aéreo, e a maior parte das vezes que nos encontramos foi também no âmbito de outros acontecimentos desse tipo. Lembro-me de uma das primeiras conversas que tivemos, em que elas retratavam o seu recém conhecido piloto ( e que eu já conhecia há mais tempo do mesmo meio) como um rabo-de-saias declarado. Portanto, para mim ficou claro que não tinham dúvidas quanto à personalidade da pessoa em causa.

Mais tarde houve um outro evento, com a duração de dois dias. Já grande amigos nessa altura, convidaram-me, mas decidi viajar sozinha pois participaria apenas no segundo dia do evento, Elas e o seu recém amigo piloto foram juntos no primeiro dia, ficando hospedados no mesmo alojamento. Quando cheguei no dia seguinte e encontrei-me com as duas, o ambiente estava tenso: faziam comentários entre si sobre a parceira do piloto, que pelo que me apercebia tinha criado situações e cenas constrangedoras. Várias vezes lhes perguntei o que se tinha passado, se havia algum problema, o porquê da tensão, mas não me responderam.
Convidaram-me para almoçarmos juntos. Chegados ao restaurante parecia haver uma luta de cadeiras, pois nenhum deles se queria sentar próximo da mulher do piloto: ele fugiu para o canto oposto do mesmo lado da mesa onde ela se sentou (talvez com medo de ser agredido fisicamente), e as duas amigas apressaram-se a sentar no outro lado da mesa, deixando o lugar em frente dela para mim. Sem alternativa, sentei-me, e percebi então o que se passava. A mulher estava com uma crise de insegurança, parecia querer intimidar e diminuir-nos exaltando de forma ordinária os seus atributos físicos, que dizia serem melhores do que os nossos. Afirmava que o seu corpo era maravilhoso, mas que tinha engordado mais de dez quilos.Com o corpo virado diagonalmente, na direcção da "amiga" moralista, fazia comentários relacionados com a infidelidade, e quase se lançava para cima dela. Apesar de por dentro ter vontade de abandonar a mesa ou de lhe dizer para ir resolver os problemas conjugais em casa e sem incomodar os alheios, defendi a sua causa. Ela confirmou então que o marido era um rabo de saias mas que não era mau como diziam (vim mais tarde a saber que "mau" era o que as mães diziam dele na sua juventude) - com estas afirmações, julgo que teria mais uma vez ficado bem claro para as duas amigas a personalidade do piloto.

Tenho para mim que no fundo aqele casal seria um tipo de casal que tem gosto em criar situações deste género, é um jogo deles, uma forma de se vangloriarem. Ela não se importava que ele assediasse as outras quando se tratava de ganhar dinheiro, porque no final teria ainda o prazer de pôr as garras de fora, de exibir o seu instinto felino ordinário e, com o pretexto, ter oportunidade de exaltar os seus próprios atributos, superiorizando-se. Percebia-se que ele a teria incitado, talvez contando-lhe que tinha outra(s) que o achava(m) o máximo. Era uma forma de o casal reforçar a sua autoestima - afirmarem-se como supremos, muito bons, os maiores, sempre com o devido menosprezo pelas sensibilidades alheias, pela sua integridade moral e emocional. No fim, nem um pedido de desculpas.

Fiquei furiosa, achei aquilo tudo um nojo e uma falta de respeito, especialmente o terem-me convidado para almoçar conhecendo o estado em que a mulher se encontrava, o fazerem sentar-me à sua frente, o lugar menos aconselhável naquela situação. Pareceu-me um abuso da parte deles, pois nada tinha a ver com aquele deferendo; aquelas quatro pessoas deveriam a meu ver ter discutido entre si o que se tinha passado anteriormente, quando não estive presente. No fim do almoço, a "amiga" moralista, que tinha sido pisada pela parceira, teve uma atitude de fuga que não me poderei esquecer: assumiu o papel de conciliadora, cumpridora dos preceitos morais, reconstrutora da família, e a partir desse dia passou a dizer que existia alguma coisa entre mim e ele! Nunca valorizei nem dei importância ao que dizia a esse respeito, tanto pelo absurdo como por desconfiar que ela tinha um certo deslumbramento/paixão(?) por ele. Quando mais tarde ele ingressou numa companhia aérea, lembro-me de me ter telefonado para me contar que o tinha visto fardado no aeroporto, local onde trabalhava, e notoriamente deslumbrada disse que estava lindo. Mais tarde ele quis organizar umas viagens, e ela contava comigo para concretizar a ideia (percebi que estavam a bani-la do grupo, por isso queria que fosse eu a organizar); disse-me que adoraria, sonhava, voar com ele ao lado no cockpit.
Penso que à medida que o piloto e a outra amiga a punham de parte, e ela precisava mais de mim para reunificar o grupo, mas não obtinha uma acção satisfatória porque eu própria me estava a afastar, começou a desenvolver ainda mais ressentimento. Não aceitava que brincasse com a careca dele, ficava ofendida e até parecia que a careca era dela! Passou a dizer que ele era boa pessoa, um santo, e que as mulheres é que eram culpadas ( contradizendo-se com a sua definição inicial de rabo-de-saias). O pior é que, sem eu saber, projectava em mim as suas emoções indesejadas face aos seus preceitos morais, e fazia julgamentos de valores. Quando lhe relembrava o episódio do restaurante e questionava-a sobre o que tinha originado aquela cena desagradável da parceira dele, ficava comprometida e nada me esclarecia. Até hoje aguardo uma explicação.
Um dia telefonicamente falei-lhe de um colega que ela conhecia, e que lhe mandava cumprimentos. Teve uma reacção estranhissima: maldosa, parecia que tinha entendido que estava a dizer que ela tinha algo com aquele colega. Era apenas um colega a mandar-lhe cumprimentos, o que tinha de errado? Ou será que é o que ela pensa e diz dos outros, e tomou aquilo como um revide da minha parte?


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NunoF
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Re: Falso moralismo e projecção.

Mensagempor NunoF » quinta mai 12, 2011 9:17 pm

Um resumo se faz favor. :D
Vendo pizzas congeladas :D

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