Percurso escolar - Motivação, maturidade

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Domingos
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Percurso escolar - Motivação, maturidade

Mensagempor Domingos » segunda abr 18, 2011 6:30 pm

Boa Tarde,

Tenho uma criança de 6 anos, rapaz, saudável em todos os aspectos, contudo tenho uma questão que gostaria de expor e que gostaria que me dessem a vossa opinião se devo recorrer um profissional ou não.
O meu filho entrou para a escola a 1 mês de fazer 6 anos, talvez um pouco prematuro, mas achamos que no infantário também não ia

evoluir mais e que tinha capacidades de aprendizagem apesar de ainda pensar muito na brincadeira (como é normal).
O percurso escolar, atendendo á idade, tem corrido normalmente mas tanto eu como a minha mulher achamos que a professora é um pouco exigente e "stressada" de mais, tendo em conta que está a lidar com crianças da primeira classe.

Digo isto porque tem acontecido alguns episódios que apesar de não concordarmos com algumas das atitudes do nosso filho na escola e lhe chamar-mos a atenção, consideramos que são normais numa criança mais nova e que se está a adaptar ao meio escolar.

Por exemplo, a professora mandou um recado para casa, dizendo ser uma situação urgente, e quando fui falar com ela explicou que já se tinham apercebido que uma criança da escola decidia de vez em quando fazer xixi no balde do lixo e que todos os professores tinham interpelado os seus alunos para esta situação e pediu a quem o tinha feito que se acusasse, obviamente que ninguém o fez, então elas colocaram-se de "guarda" e apanharam o meu filho nessa situação, foi castigado nesse mesmo dia na escola, e acho que muito bem. O que me espanta é a professora ficar indignada por ele não se ter acusado e ainda dizer que era inadmissível que ele tivesse esse comportamento após ter pedido que quem o fizesse se acusasse e ainda mais admirado fiquei quando disse que concordei com o castigo dado na escola mas que há crianças que só quando são apanhadas em flagrante é que decidem parar. Nessa altura a professora não gostou do meu comentário e ainda foi um rude comigo nos seus comentários que optei por não relevar na hora para não entrar em conflito.

Depois a nível de aproveitamento escolar considero que tendo em conta que é uma criança que entrou com os 5 anos, até teve um bom aproveitamento, mas tem vindo a reduzir esse aproveitamento, apesar de manter boas notas, porque a professora criou um nível de exigência muito alto e devidiu a turma em 3 grupos bastante distintos, os mais rápidos, os normais, e os lentos. A minha perspectiva é que estes grupos não favorecem nada antes pelo contrario. Ele pertence no momento aos mais lentos, tendo já pertencido aos normais, mas como a professora acha que ele não tem um ritmo de trabalho suficientemente rápido, porque se distrai com facilidade, decidiu coloca-lo no grupo dos lentos e este grupo já esta a perder rendimento e atenção da parte dela, e ela própria já admitiu, em reunião de pais, que não pode perder tempo a dar atenção aquele grupo porque tem o grupo dos rápidos para dar atenção e não pode perder tempo com os lentos. Eles estão a sentir-se desmotivados, e tenho vindo a sentir isso no meu filho, o que não acontecia tanto no passado e mesmo falando com a professora ela não se preocupa com a falta de motivação deles e acha que isso é um trabalho que o aluno tem de conseguir por si, conquistar a sua motivação. Numa criança que entrou com 5 anos e este é o 1º ano considero que isto não é uma coisa que se consiga ensinar e tem de vir com o tempo.

Gostariamos de saber algumas opiniões de como proceder, se devemos fazer nós alguma coisa que possa gerar essa motivação ou falar com a professora e o tipo de abordagem que devemos ter com ela ou consultar melhor um profissional que nos indique se é ela que não esta a dar o tempo normal que as crianças precisam para crescer e desenvolver ou se somos nós, pais, que estamos a ser pouco exigentes.

Nota: Eu mesmo sempre fui uma criança bastante distraida, cabeça no ar, e apesar de tudo ja entrei com 7 anos e considero que tive os mesmo comportamentos que o meu filho tem agora com esta idade, mas não foi por isso que não completei com sucesso o meu percurso escolar ou que fosse menos inteligente que os meus colegas.
Sou filho de mãe professora e as minhas tias direitas professoras primarias, toda a vida, e não me recordo de quando era pequeno existir este nível de exigencia, parece que estamos a falar de um nível de exigencia universitario quando ainda estamos na primaria.

Desde ja agradeço a vossa atenção e que me possam ajudar.

Obrigado

Cumprimentos

Domingos
Ana Rita
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Re: Percurso escolar - Motivação, maturidade

Mensagempor Ana Rita » segunda abr 18, 2011 10:46 pm

Domingos, um profissional poderá avaliar melhor a situação e também articular conveninentemente com a professora e a escola, explicando e fundamentando o que for necessário. Criar grupos dos "lentos", "normais" e "rápidos" não favorece a ideia de escola inclusiva. Cria, por um lado, estigmas e mais dificuldades aos que não pertencem ao grupo dos "rápidos" e possível intolerância dos que se incluem para com os colegas supostamente "lentos". De qualquer das formas, num fórum é dificil haver uma opinião válida, pela falta de informações que se obtêm presencialmente, pelo que reforço que deverá procurar um profissional.
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
Domingos
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Re: Percurso escolar - Motivação, maturidade

Mensagempor Domingos » terça abr 19, 2011 9:53 am

Bom Dia,

Desde já agradeço a resposta e a opinião Dr.ª Ana Rita, estas são é muito importantes e úteis.
Depois da sua resposta lembrei-me que a escola tem um profissional, pelo que o meu filho ja referiu, mas que não é do conhecimento dos pais, pelo menos do meu meu não era porque nunca me foi transmitido por nenhum professor, que existe um profissional na escola e que se desloca lá de vez em quando.
Pelo que me parece ele deve ter conhecimento destes 3 grupos distintos mas não me parece que tenha intervido no sentido de mostrar que esse poderá não ser o melhor caminho.
Cristina Silva
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Re: Percurso escolar - Motivação, maturidade

Mensagempor Cristina Silva » quarta abr 20, 2011 12:58 pm

Domingos Escreveu:Bom Dia,

Desde já agradeço a resposta e a opinião Dr.ª Ana Rita, estas são é muito importantes e úteis.
Depois da sua resposta lembrei-me que a escola tem um profissional, pelo que o meu filho ja referiu, mas que não é do conhecimento dos pais, pelo menos do meu meu não era porque nunca me foi transmitido por nenhum professor, que existe um profissional na escola e que se desloca lá de vez em quando.
Pelo que me parece ele deve ter conhecimento destes 3 grupos distintos mas não me parece que tenha intervido no sentido de mostrar que esse poderá não ser o melhor caminho.


Olá Domingos,

Parece-me que a sua principal queixa é com a professora e a sua metodologia, e pelo que expõe, se assim for, tem toda a razão pois é inconcebível tal metodologia cheia de contornos discriminatórios, rotulatórios, estigmatizantes, antipedagógicos, etc.

Quando uma professora diz, e passo a transcrever: “…que não pode perder tempo a dar atenção aquele grupo porque tem o grupo dos rápidos para dar atenção e não pode perder tempo com os lentos….”, algo não está bem, pois havendo um grupo “lento” (seja lá o que isso significa no conceito dessa professora), é exactamente esse grupo que necessita de atenção, pois a “lentidão” é sintoma revelador de qualquer coisa (e até pode ser de uma má relação estabelecida na sala de aula), sendo que essa “lentidão” pode ter significados diferentes em cada um dos miúdos desse grupo.

Mais, uma Professora que acha que não tem de fazer nada para motivar os seus alunos (que no caso, ainda não são bem alunos mas crianças “num novo mundo” - com todos os receios e naturais dificuldades de adaptação que isso pode trazer), revela graves dificuldades de envolvimento afectivo por parte dessa Professora (condição essencial para se ser um bom pedagogo). Como todos sabemos, se nos sentimos investidos por um professor, a motivação é maior, e o auto-investimento surge naturalmente; se, pelo contrário, nos sentimos desinvestidos, desvalorizados (rejeitados), naturalmente perdemos a motivação, e ou nos retiramos (ficamos “mudos”, pouco participativos, etc.), ou chamamos a atenção através de comportamentos “menos adequados” para confrontar. Todos nós percebemos isto, até porque o experienciámos, numa ou noutra fase da vida!

Pelo que expõe, e ser assim como relata, parece-me que tem todos os motivos para apresentar as suas queixas a quem de direito (dentro da Escola), pois pode e deve questionar tais metodologias criadoras de que futuros adultos? – Todos nós devemos questionar quando o Sistema Educativo envereda por tais metodologias!

Contudo, faço a mesma ressalva que a colega Ana Rita: num fórum é difícil haver uma opinião válida, pela falta de informações que se obtêm presencialmente, mas aqui fica mais um parecer sobre a situação que aqui expôs.

Cumprimentos
Cristina Silva

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