Á procura de Psicologo ateu no porto...

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Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor BernPinto » quarta ago 03, 2011 10:50 pm

Desejo iniciar uma relação terapêutica com um psicologo ateu.

Tenho a certeza que muitas pessoas se vão sentir tentadas a debater se a crença em deus é uma coisa positiva ou nao mas garanto-vos que não estou interessado em debater isso aqui.

Provavelmente também irá haver quem me queira leccionar relativamente á objectividade dos psicologos e como as suas crenças pessoais não podem influenciar a relação terapêutica. Mais uma vez, não percam o vosso tempo. Como estudante de psicologia estou bem ciente das obrigações, deveres e código de conduta que os psicológos devem seguir.

A unica coisa que quero são recomendações. Se alguém conheçe um bom psicologo que seja ateu na zona do porto digam-me o seu nome/contacto. Ficaria imensamente agradecido pois tenho bastante urgência.

Muito obrigado!

Edit: acabei de ver nas regras do forum que não é permitido a troca de nomes e contactos. Penso que o unico problema é se esses nomes e contactos ficarem visiveis ao público por isso peço que me enviem as recomendações caso as tenham por mensagem privada aqui no forum.
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor silver » quinta ago 04, 2011 8:30 am

Porque razão o Psicólogo tem de ser Ateu? Os livros por onde estudam os Psicólogos Ateus são os mesmos dos Psicólogos com outras crenças religiosas.
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor Zenobia » quinta ago 04, 2011 10:04 am

Os psicologos, como qualquer outro profissional, não têm de publicitar as suas crenças pessoais.
Eu não faço a minima ideia de quais as convicções do meu psi. Nem preciso saber.
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor BernPinto » quinta ago 04, 2011 3:22 pm

silver Escreveu:Porque razão o Psicólogo tem de ser Ateu? Os livros por onde estudam os Psicólogos Ateus são os mesmos dos Psicólogos com outras crenças religiosas.


Penso ser o meu direito querer ser tratado por um psicologo ateu ou estou enganado? Penso que também referi que sou estudante de psicologia logo sei muito bem quais os livros utilizados. Se mesmo assim procuro alquem que seja ateu é porque isso é da máxima importância para mim. E eu até podia explicar-lhe exatamente porque mas eu explicitei no meu primeiro post que não estava interessado em debates, apenas recomendações.
Última edição por BernPinto em quinta ago 04, 2011 3:40 pm, editado 1 vez no total.
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor BernPinto » quinta ago 04, 2011 3:24 pm

Zenobia Escreveu:Os psicologos, como qualquer outro profissional, não têm de publicitar as suas crenças pessoais.
Eu não faço a minima ideia de quais as convicções do meu psi. Nem preciso saber.


Não precisa de saber? fantástico.

Mas todas as pessoas são diferentes, e eu quero saber.
Novamente, penso que ficou bem explicito no meu primeiro post que não procuro debates mas sim recomendações. Se não conheçem ninguém abstenham-se de comentar.
Obrigado.
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor Liliana Costa » quinta ago 04, 2011 3:45 pm

Acho que não ofendeu ninguém com o seu pedido e eu compreendo perfeitamente o porquê de pedir isso....Mesmo que respeitemos as crenças de cada um enquanto terapeutas há sempre um pouco de nós, uma ciência pessoal na forma como lidamos com os clientes... acho bem que tenha o direito de escolher se quer falar com alguém cujos ideais/ filosofia de vida sejam mais próximos dos seus...
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor BernPinto » quinta ago 04, 2011 3:46 pm

Liliana Costa Escreveu:Acho que não ofendeu ninguém com o seu pedido e eu compreendo perfeitamente o porquê de pedir isso....Mesmo que respeitemos as crenças de cada um enquanto terapeutas há sempre um pouco de nós, uma ciência pessoal na forma como lidamos com os clientes... acho bem que tenha o direito de escolher se quer falar com alguém cujos ideais/ filosofia de vida sejam mais próximos dos seus...


Muito obrigado pela compreensão Liliana.
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor Zenobia » quinta ago 04, 2011 4:15 pm

Eu também não estou interessada em debater seja o que for consigo, estava só a tentar dizer que, a não que seja por conhecimento pessoal do psicólogo em questão, é dificil (mas não impossível, é certo) saber-se se um psi é ateu ou outra coisa qualquer porque isso não está escarrapachado nas credenciais do profissional. Eu, por exemplo, conheço dois psis no Porto mas não sei se são ateus... logo não recomendo.
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor BernPinto » quinta ago 04, 2011 4:20 pm

Zenobia Escreveu:Eu também não estou interessada em debater seja o que for consigo, estava só a tentar dizer que, a não que seja por conhecimento pessoal do psicólogo em questão, é dificil (mas não impossível, é certo) saber-se se um psi é ateu ou outra coisa qualquer porque isso não está escarrapachado nas credenciais do profissional. Eu, por exemplo, conheço dois psis no Porto mas não sei se são ateus... logo não recomendo.


Percebo o que está a dizer. Não só não está escarrapachado como alguns se recusam a dar essa informação. Já me aconteçeu com uma psicologa.
Mas de facto, isto é algo importante para mim, logo mesmo sendo dificil, tentarei encontrar.
Alias por ser díficil é que me lembrei de pedir ajuda neste forum. :wink:
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor silver » sexta ago 05, 2011 8:48 am

Liliana Costa Escreveu:Acho que não ofendeu ninguém com o seu pedido e eu compreendo perfeitamente o porquê de pedir isso....Mesmo que respeitemos as crenças de cada um enquanto terapeutas há sempre um pouco de nós, uma ciência pessoal na forma como lidamos com os clientes... acho bem que tenha o direito de escolher se quer falar com alguém cujos ideais/ filosofia de vida sejam mais próximos dos seus...



Há sempre um pouco de nós na forma como lidamos com os clientes! Mas então podemos presumir que há uma probabilidade de 0.5 de ser negativo ter um psicólogo ateu. Como é que podemos saber, se o facto de ele ser ateu o torna mais apto para nos atender, ou ser católico ou protestante ou judeu ou outra coisa qualquer o torna mais apto para nos atender, ou mais compreensivo ou mais empático ou que nos vai aceitar melhor porque pensa como nós ou nos pode tirar uma duvida... Não estou a ver.
Caso seja por razões de fé o mehor seria consultar alguem ligado à crença da pessoa, não a um Psicólogo.
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor vectrapc » sexta ago 05, 2011 9:00 am

Aqui a questão central é o sr saber a não crença do seu psi, pode fazê-lo. O psicólogo também pode recusar a responder, pois trata-se de crenças pessoais do próprio. Eu por exemplo não saberia que lhe dizer porque a questão da religião ou não religião não é central à minha existência e tomada de decisões.
No entanto, sendo aluno de psicologia já deverá também ter conhecimento do código de ética e dos pressupostos relativamente à cultura, mentalidade e crenças.
Se acha que isso é importante para si, então que seja essa a sua ajuda.
Do ponto de vista do Psicólogo, nós não podemos descriminar quanto àquilo que a pessoa acredita, seja qual for a nossa corrente de pensamento, mais isotérica ou mais racional.
É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor BernPinto » sexta ago 05, 2011 10:38 am

silver Escreveu:
Liliana Costa Escreveu:Acho que não ofendeu ninguém com o seu pedido e eu compreendo perfeitamente o porquê de pedir isso....Mesmo que respeitemos as crenças de cada um enquanto terapeutas há sempre um pouco de nós, uma ciência pessoal na forma como lidamos com os clientes... acho bem que tenha o direito de escolher se quer falar com alguém cujos ideais/ filosofia de vida sejam mais próximos dos seus...



Há sempre um pouco de nós na forma como lidamos com os clientes! Mas então podemos presumir que há uma probabilidade de 0.5 de ser negativo ter um psicólogo ateu. Como é que podemos saber, se o facto de ele ser ateu o torna mais apto para nos atender, ou ser católico ou protestante ou judeu ou outra coisa qualquer o torna mais apto para nos atender, ou mais compreensivo ou mais empático ou que nos vai aceitar melhor porque pensa como nós ou nos pode tirar uma duvida... Não estou a ver.
Caso seja por razões de fé o mehor seria consultar alguem ligado à crença da pessoa, não a um Psicólogo.


Essa pergunta é de resposta fácil. Eu é que genuinamente não quero entrar aqui em debates. E não há maneira de lhe responder sem entrar num debate( o que até podemos fazer mas noutra altura e noutra plataforma se assim o desejar). Mas, eu sou "estudioso" (não estudante) de religião e filosofia e sei do que estou a falar. Se digo que isto é importante para mim, é porque já reflecti inumeras vezes sobre o assunto. Você está claramente a sentir que está a ser descriminado e por isso é que continua a responder. Mas novamente, eu procuro apenas recomendações. Não quero ter aqui uma discussão sobre que tipo de psicologo é melhor, ou o que é que afecta ou não a relação terapêutica. É assim tão complicado perceber isso?
E não, não é uma questão de fé, pensei que tinha ficado claro que sou ateu. Mas lá por não ser crente, não significa que não vá estar interessado em falar numa série de coisas. Existem muitos assuntos que normalmente só são falados em contexto religioso, o que não significa que não possam ser abordados noutro tipo de discurso.

Adoro essa probabilidade de 0.5. Não tem significado absoutamente nenhum. Resolver atirar um número para o ar sem ao certo do que está a falar.
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor Ana Rita » sexta ago 05, 2011 11:26 am

Mesmo estando eu completamente fora de qualquer religião, esta coisa de muitos ateus darem tanta importância à religião deixa-me sempre espantada.
Considere a possibilidade de encontrar um psicólogo ateu, mas que vá menos ao encontro das suas expectativas, ao ponto de lhe parecer muito religioso :wink:

Pode sempre procurar na net contactos de psicólogos no porto e colocar-lhes por email a questão, explicando que é importante para si. É capaz de ser mais fácil encontrar dessa forma. Boa sorte!
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor BernPinto » sexta ago 05, 2011 12:55 pm

Ana Rita Escreveu:Mesmo estando eu completamente fora de qualquer religião, esta coisa de muitos ateus darem tanta importância à religião deixa-me sempre espantada.
Considere a possibilidade de encontrar um psicólogo ateu, mas que vá menos ao encontro das suas expectativas, ao ponto de lhe parecer muito religioso :wink:

Pode sempre procurar na net contactos de psicólogos no porto e colocar-lhes por email a questão, explicando que é importante para si. É capaz de ser mais fácil encontrar dessa forma. Boa sorte!


Secalhar se investigasse e estudasse religião e filosofia em profundidade ficaria espantada com ateus que NÃO dão importância á religião.
Com todo o respeito, esse comentário demonstra muita ignorância. E o facto de ser mulher torna essa ignorância ainda mais alarmante. DIgo isto porque quase todas a religiões têm um longo historial de desrespeito pela mulher forçando-a ser submissa e retirando-lhe quase todos os direitos e reduzindo-a a um objecto. E hoje sabe-se por exemplo que uma das soluções mais eficazes contra a pobreza, é o que se chama de "empowerment of woman" ou seja retirar as mulheres dos ciclos reprodutivos aos quais estão condenadas por determinadas doutrinas, dar-lhes algum controlo sobre a sua vida e alguns meios (as vezes meia dúzia de sementes já faz uma diferença). Estas medidas resultaram em todos os países onde foram aplicadas e deram mudanças drásticas em termos de educação e bem estar.

Secalhar, os ateus dão importância á religião por esta ser a grande causa da maior parte dos conflictos desde o inicio da civilização.
Secalhar os ateus dão importância á religião devido ao mal que esta causou á sexualidade humana reprimindo-a ao extremo.
Secalhar é por a religião ser a principal causa de as pesquisas cientificas mais promissoras da actualidade (ex. celulas estaminais) não terem fundos para proseguir.
Secalhar é por a religião ter causado a morte de milhões em africa com a sua politica de sida é terrivel mas o uso de preservativo é pior.
Secalhar é por a religião ter dificultado durante anos (e continua a dificultar) o reconheçimento dos direitos das mulheres e dos homosexuais.
Secalhar ºe por a religião ter sido a principal justificação da escravatura..
Secalhar é pelo abuso emocional involvido em 90% das doutrinas...

Quer mesmo que eu continue?
Eu bem que não queria entrar em debates, mas o facto de ser psicologa e e não perceber o porque de os ateus darem importância á religião é assustador.
Na verdade, qualquer ser humano racional e bem informado que se preocupe genuinamente com a humanidade e com os outros irá dar importância á religião.

Em relação ao seu conselho, pareçe-me bem e agradeço-lhe pelo mesmo mas já o fiz e houve uma psicologa que simplesmente se recusou a responder. Suponho que se perguntar a vários haverá algum que acaba por responder. :wink:
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor Nova » sexta ago 05, 2011 1:23 pm

Bem eu sou psicóloga e sou ateu mas não sou do Porto :/ Compreendo a exigência que faz e, como pediu, não vou debater isso. Só queria dizer aos restantes que o facto de eu não ter crenças religiosas não me impede de compreender porque os outros as têm e como são importantes para eles. Eu não acredito, para mim não serve, mas o que costumo dizer é que se para uma pessoa isso faz sentido e a ajuda a orientar a sua vida qual é o mal de ter uma crença? Seja o que for... Todos nós temos que ter algo que nos ajude a manter equilibrados e isso pode ser qualquer coisa. Se não, voltamos há mesma do "sentido da vida" etc... Eu já encontrei há muito tempo o sentido da minha vida e não tem nada a ver com qualquer tipo de religião... Mas é outra coisa.

Enfim, foi só para dizer que compreendo!
silver
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor silver » sexta ago 05, 2011 1:37 pm

BernPinto Escreveu: Essa pergunta é de resposta fácil. Eu é que genuinamente não quero entrar aqui em debates. E não há maneira de lhe responder sem entrar num debate( o que até podemos fazer mas noutra altura e noutra plataforma se assim o desejar). Mas, eu sou "estudioso" (não estudante) de religião e filosofia e sei do que estou a falar. Se digo que isto é importante para mim, é porque já reflecti inumeras vezes sobre o assunto. Você está claramente a sentir que está a ser descriminado e por isso é que continua a responder. Mas novamente, eu procuro apenas recomendações. Não quero ter aqui uma discussão sobre que tipo de psicologo é melhor, ou o que é que afecta ou não a relação terapêutica. É assim tão complicado perceber isso?
E não, não é uma questão de fé, pensei que tinha ficado claro que sou ateu. Mas lá por não ser crente, não significa que não vá estar interessado em falar numa série de coisas. Existem muitos assuntos que normalmente só são falados em contexto religioso, o que não significa que não possam ser abordados noutro tipo de discurso.

Adoro essa probabilidade de 0.5. Não tem significado absoutamente nenhum. Resolver atirar um número para o ar sem ao certo do que está a falar.


Se reler o que escrevi vai reparar que estava a falar no abstracto e não em si, nunca me dirigi a si nesta minha última intervenção. Mas de qualquer das formas se não queria debate deveria ter o cuidado de não escrever num tópico público que tem como uma das finalidades o debate e em que cada um é livre de escrever o que quiser, salvaguardando as regras do forum. A sua questão inicial, ou o que está por trás dela, é interessante para mim enquanto Psicólogo e gostaria de ter opiniões de mais colegas. (sem ser necessariamente em seu redor que se esteja a debater)
Depois já reparei que chama ignorante a “torto e a direito”, o que até está de acordo com aquilo de as coisas girarem em seu redor, mas nem sempre temos a razão, como acontece no caso da probabilidade 0.5 . Como ainda é estudante vou presumir que ainda não teve a cadeira de Estatística e que não sabe que uma probabilidade é um numero ente 0 e 1 e que 0.5 é exactamente metade, isto é 50%, “fifty fifty”. Daí que é melhor não adorar essa probabilidade porque afinal ela até tem um significado.
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor Ana Rita » sexta ago 05, 2011 2:35 pm

BernPinto, na minha ignorância, não é a religião que fez isso tudo, mas sim as pessoas. Um profundo conhecimento da psicologia demonstra que a religião é apenas uma forma do ser humano pôr em prática o que de pior também tem. Acho sim presunçoso considerar que por não atacar a religião, esteja menos atenta predisposta ou até activa na mudança de mentalidades, nomeadamente no que diz respeito a uma forma fundamentalista de encarar a religião (que não será muito diferente da sua). Há tantas semelhanças entre religiosos e ateus fundamentalistas, que reforça o que difgo anteriormente, isto é essencialmente um problema de pessoas.
Duvido que tenha ajudado mais pessoas do que eu a não permitirem que as suas crenças religiosas as ficassem ficar emaranhadas em sentimentos de culpa, pecado, entre outros que apenas prejudicavam o seu bem estar emocional. Agora, isso não significa perceber que em outras pessoas a religião tem um papel fundamental, pois gera também mudanças positivas no sentido da fé e da esperança. E o efeito da esperança é um fenómeno puramente psíquico, nada tem de esotérico, mesmo que tenha origem em crenças. É uma questão de respeito, a partir do momento em que a pessoa não se prejudica a si própria e aos outros.
Eu não estudo a religião e a filosofia em profundidade, mas sim as pessoas. E diria, extrapolando, que o BernPinto tem algo aí para resolver com a religião.

As pessoas continuam com preconceitos da homossexualidade.
As pessoas foram os vickings e foram os nazis.
As pessoas utilizaram as outras para seu próprio proveito na escravatura.
As pessoas criam seitas que nada mais são do que pequenas religiões, porque têm necessidade de liderar e serem lideradas para se "encontrarem".
Poderia continuar por aí fora...

O BernPinto faz-me lembrar alguns padres: um grande discurso inflexível e rígido, em que quem discorda é ignorante! E no final, só temos direito a dizer "Amen"! 8)

Uma sugestão: faça psicoterapia com um psicólogo que não seja ateu. Acho que aí sim o seu ateísmo ficará completamente resolvido :wink:
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor BernPinto » sexta ago 05, 2011 3:17 pm

Ana Rita Escreveu:BernPinto, na minha ignorância, não é a religião que fez isso tudo, mas sim as pessoas. Um profundo conhecimento da psicologia demonstra que a religião é apenas uma forma do ser humano pôr em prática o que de pior também tem. Acho sim presunçoso considerar que por não atacar a religião, esteja menos atenta predisposta ou até activa na mudança de mentalidades, nomeadamente no que diz respeito a uma forma fundamentalista de encarar a religião (que não será muito diferente da sua). Há tantas semelhanças entre religiosos e ateus fundamentalistas, que reforça o que difgo anteriormente, isto é essencialmente um problema de pessoas.
Duvido que tenha ajudado mais pessoas do que eu a não permitirem que as suas crenças religiosas as ficassem ficar emaranhadas em sentimentos de culpa, pecado, entre outros que apenas prejudicavam o seu bem estar emocional. Agora, isso não significa perceber que em outras pessoas a religião tem um papel fundamental, pois gera também mudanças positivas no sentido da fé e da esperança. E o efeito da esperança é um fenómeno puramente psíquico, nada tem de esotérico, mesmo que tenha origem em crenças. É uma questão de respeito, a partir do momento em que a pessoa não se prejudica a si própria e aos outros.
Eu não estudo a religião e a filosofia em profundidade, mas sim as pessoas. E diria, extrapolando, que o BernPinto tem algo aí para resolver com a religião.

As pessoas continuam com preconceitos da homossexualidade.
As pessoas foram os vickings e foram os nazis.
As pessoas utilizaram as outras para seu próprio proveito na escravatura.
As pessoas criam seitas que nada mais são do que pequenas religiões, porque têm necessidade de liderar e serem lideradas para se "encontrarem".
Poderia continuar por aí fora...

O BernPinto faz-me lembrar alguns padres: um grande discurso inflexível e rígido, em que quem discorda é ignorante! E no final, só temos direito a dizer "Amen"! 8)

Uma sugestão: faça psicoterapia com um psicólogo que não seja ateu. Acho que aí sim o seu ateísmo ficará completamente resolvido :wink:


Já ouvi isso tudo, ateus tão fundamentalistas como demagogos religiosos. Isso é o que mais se houve por aí. Mas devia pensar bem antes de atirar esses argumentos para o ar.
Ana, poderia estar aqui tardes a discutir isto consigo mas tudo se resume num pequeno conceito, fé. O grande pilar da religião. Fé é uma das piores coisas que existem contráriamente ao senso comum. Fé é a crença em algo sem evidência. Alias, discurso religioso é o unico discurso onde alguem se pode acreditar em algo sem evidências e não ser ridicularizado por isso, e a razão porque tal aconteçe é porque as regras de conversação, racionalidade e de consistência lógica não são respeitas no discurso religioso.
A crença sem evidência justifica tudo. Não me venha dizer que foram pessoas que fizeram todas as coisas que enumerei. CLaro que fora pessoas, mas repare: a comunidade bombista é quase exclusivamente religiosa, a comunidade de mutilação genital é exclusivamente religiosa. Ninguém ( a não ser psicopatas evidentemente) pegaria num bébé recem-nascido e diria: "que coisa maravilhosa, vou só cortar aqui um pedacinho de pele do pénis," se não achasse que houvesse um comando divino por trás. Está a ver onde eu estou a chegar? A religião faz com que pessoas moralmente sérias tomem acções imorais.

Isto tudo não significa que não haja coisas positivas na religião, claro que há.

Você não consegue compreender nem a escala da coisa, nem a sua sorte. O facto de ter nascido em portugal neste período de tempo é uma questão meramente aleatória. Se tivesse nascido no meio oriente, andava tapada dos pés a cabeça e qualquer tipo de conheçimento e educação seria-lhe vedado. E se tentasse aprender alguma coisa ás escondidas atiravam-lhe ácido á cara. Precisa que lhe explique porque? Isso ´é só para de lhar um exemplo extremo.
Se tivesse nascido há uns séculos atrás em determinadas partes do mundo outro tipo de coisas lhe teriam aconteçido.

Você pode tentar mudar ( e mesmo conseguir) o número de mentalidades que quiser que não vai mudar nada em termos gerais porque a religião assensa num principio fundamental, a fé, e isso nunca irá mudar. E não me venha dizer que quer mudar as visões fundamentalistas...alguma vez leu a biblia? Do inicio ao fim? Para ser fundamentalista basta acreditar no que lá está escrito. Não é preciso mais nada. Provavelmente nunca leu, mas se quiser confirmar, existem versos que dizem que os adolescenstes que se tornarem rebeldes devem ser apedrejados, que os homosexuais devem ser mortos assim como os infieis, que as mulheres devem andar de boca calada e apenas respondem após terem recebido permisssão do marido, e se a mulher não for virgem, o homem tem direito a apredeja-la em frente da porta de casa do pai..quer que continue com mais exemplos? quer que lhe diga o nomes dos diversos versos? A mesma coisa se passa com outros livros sagrados.

O conceito fundamentalismo religoso é mais um truque linguístico do que um um conceito com conteúdo verdadeiro porque todas estas abeerações estão lá escritas. Simplesmente com a evolução de valores morais e o avanço da ciência, as pessoas começaram a impor os seus mesmos valores morais aos livros sagrados que seguem fazendo algo que em inglês se chama "cherry picking" que é valorizar aquilo que acham moralmente correcto e ignorar aquilo que é abominavél (ou então dizer que essas passagens são metáforas.)

Claro que há pessoas que não seguem nenhum livro sagrado, embora chamar a essas pessoas religiosas seja debativel. Mas isso é irrelevante pois mesmo essas pessoas movem-se pelo conceito de fé.

Só há 2 maneiras de encarar o mundo, por um lado ,razão/ciência e por outro a fé. E estas são profundamente incompativeis e não são "non overllaping magisteria" como Stephen Jay Gould costumava dizer...de todo.

O facto de ser psicóloga e de lidar com pessoas todos os dias e não ter uma noção do verdadeiro papel e consequências da religião tanto no mundo de hoje como no passado, repito, é assustador. O facto de achar que a religião é uma "força" que tanto pode ser usada para o bem e para o mal, que depende unicamente do ser humano que a utiliza é incrivélmente ingénuo.

Em relação ao respeito, existe uma frase bastante adequada:

I respect you too much to respect your stupid beliefs
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor Ana Rita » sexta ago 05, 2011 11:09 pm

Fica assustado com pouco BernPinto, por considerar assustador um psicólogo não se cultivar mais nos temas da religião. Essa afirmação roçou o ridiculo. Começo a achar que não só precisa de um psicólogo ateu, como precisa de um que saiba defender muito bem o seu ateísmo e que saiba ainda melhor argumentar contra a religião. Talvez uma cópia de si seja a solução.

Não precisava de demonstrar que já tinha lido a biblia de trás para a frente e da frente para trás, é óbvio que o fez. Ingénuo é falar das consequências que a religião tem vindo a ter ao longo da história, assumindo que os outros não têm conhecimento disso, só porque discordam do seu ponto de vista. Está a contra-argumentar com algo que não foi argumentado. Sim, nasci em Portugal e não num país Árabe porque sou especial! Por favor...
Parte desse principio porque para si só existem duas opções, é um homem cheio de certezas. E como eu não me incluo numa, então é porque me incluo na outra.

A fé, sentimento de que algo é verdade sem evidência, não tem necessariamente de ser contrário à ciência, nem tem de estar associado à religião. Eu posso ter fé de que a minha vida vai correr bem (uma espécie de verdade inabalável que nos acompanha, quem sabe uma cegueira necessária à sobrevivência do ser humano, mas ainda assim uma verdade) e ter a consciência ao mesmo tempo de que isso pode não acontecer, porque a natureza demonstra que amanhã me pode cair uma árvore em cima e que não sou mais nem menos especial do que qualquer outra pessoa a quem isso possa acontecer. Não é fácil integrar razão com emoção, mas estas não são incompatíveis.
Os sentimentos não são verificáveis nem palpáveis e terá dificuldades neste profissão se não compreender, mas acima de tudo sentir isso.

Eu posso saber que me sinto atraída pela pessoa que amo porque estou geneticamente programada para reproduzir, e ao mesmo tempo sentir amor por essa pessoa. Onde é que está a evidência do meu amor, como posso prová-lo? Posso dizê-lo à pessoa, posso dar presentes, mas na religião também posso ir à missa e falar com Deus... Em que ficamos? E no entanto, talvez não lhe seja dificil acreditar no amor. Talvez porque já o tenha sentido.

Há não muitos anos atrás, muitas pessoas não abandonavam os velhinhos porque sentiam culpa de os tratar mal ou tinham medo que Deus as castigasse e um dia fossem elas as abandonadas. Mas ao contrário da inquisição estes factos não suscitam tanto interesse nos livros. Obviamente que a solução não passa por nos tornarmos novamente mais religiosos e assim tratarmos novamente bem os velhinhos, mas dei o exemplo para perceber que o que descreve como consequências da religião só é linear na sua cabeça.
Porque a ironia disto tudo é que podemos evoluir no sentido de sermos menos religiosos e menos castradores e ao mesmo tempo perder qualidades morais por causa disso mesmo. Portanto, só podemos ter certezas de uma coisa: o ser humano é mesmo imperfeito! E por isso volto a dizer, que a religião é sim apenas um meio. A nossa natureza sobrepõe-se e nesse sentido sou muito mais científica do que o BernPinto!

Foi boa a conversa, a religião é sempre um excelente tema, mas não vamos a lado nenhum! Você continuará a achar que eu leio poucos livros e sou ignorante e eu continuarei a achar que você estaria a dizer muitas verdades se não fosse tão convicto delas :D Vá lá para o seu divã que eu vou para o meu :wink:
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
BernPinto
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Re: Á procura de Psicologo ateu no porto...

Mensagempor BernPinto » sexta ago 05, 2011 11:30 pm

Não deixa de ser engraçado que a ana repita exatamente os mesmos argumentos que se houve por parte dos crentes. Agora passou para a utilização do conceito de amor para justificar a utilização da fé. Ana, correndo o risco de pareçer arrogante, tem muito, muito que ler. O que acabou de fazer é uma bastardização de lógica, ou seja a pior falácia. Está a abandonar qualquer referência ou evidência para usar a lógica em si mesma como forma de provar a existência de algo. A ana está a operar com a falsa assunção de que para conceptualizar-mos algo, esse algo tem de ter base na realidade. Só porque quer associar impulsos do "mundo natural" com o conceito de amor não significa que o amor seja algo tangivel no mundo físico.. O amor é uma abstracção. O conceito de amor é subjectivo. Tal como o conceito de Deus. È meramente um modo de descrever algo e não em si mesmo algo que existe.

Eu sou o homem das certezas aparentemente, mas a ana é que está a cometer falácias lógicas. Não tenho nada contra si, acredite em mim, mas continua a demonstrar que de facto não está dentro do que está a falar. E desculpe mas sim, eu acho que um psicólogo tem a obrigação de saber determinadas coisas, no mínimo dos minimos não deve incorrer em falácias lógicas.

Um pequeno aparte: Toda a nossa experiência do mundo passa-se no cérebro. Quando as pessoas falam em amor, na maior parte dos casos estão a utilizar essa palavra para descrever determinados estados mentais. Tal como disse em cima, o conceito de amor é algo que não existe verdadeiramente, agora o que as pessoas estão a tentar transmitir quando usam essa palavra é na verdade algo físico. É um( ou vários) estados mentais. E os estados mentais são determinados apenas e somente por causas físicas, quer sejam internas ou externas. E não ana, isto não são certezas que apareçeram do vazio, é apenas conheçimento básico de biologia e determinismo. Conheçimento este que está disponivel para todos. Eu não sou mais inteligente do que ninguém. Pelo contrário.

Em relação á fé, a fé que descreveu ( que as coisas vão correr bem, que vai conseguir fazer x ou y), isso é uma variante do conceito. É algo bastante diferente do que eu estava a falar. Normalmente quando se fala em fé não é esse o significado atribuido como bem sabe.

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