Será que a depressão é sinónimo de lucidez?

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Será que a depressão é sinónimo de lucidez?

Mensagempor operariotextil » sexta dez 02, 2011 7:30 pm

Eu sou um mero operador de uma empresa de acabamentos texteis e não um especialista na área da psicologia.
Apenas gostava de expor um pensamento que tive estes dias, através de um fórum em que as pessoas se interessam por estas coisas... provavelmente é a ideia mais estupida de sempre, mas que me fez pensar, concerteza que fez. Desculpem o meu anonimato, mas justifica-se.

Nós os Humanos somos apenas maquinaria que precisa de combustivel para se mover, lubrificante, para se lubrificar, sistema de refrigeração, etc.
A alegria, tristeza, amor, entre outros estados de espirito, são desencadeados simplesmente por reacções mecânicas... quando digo mecânicas quero dizer que somos máquinas de outro planeta (como os outros animais e plantas), e uma vez que a nossa mente só está habituada a chamar máquina a alguma coisa metálica, que faça fumo, etc, nós não nos vemos como tal, e ainda bem.



Isto para quê?
Se o ser Humano caminha para a morte, como é que ele pode ser feliz?
As pessoas felizes possuem um antidepressivo natural, que as faz perder a noção das coisas, e que as faz sentirem-se bem.

Porquê então recusar essa droga (antidepressivos), muitas das vezes os psicologos recusam-se, a pessoas demasiado lucidas (deprimidas), já que essa lucidez é muito dura.
A mim espanta-me a maneira como pensava antes de tomar o antidepressivo que estou a tomar agora. Pois se essa droga falta é impossivel a pessoa sentir-se bem. É como quererem que o pára-brisas de um carro funcione, se o fusivel está partido.

Bem, cá ficou a minha ideia.
Abraços!
Ana Rita
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Re: Será que a depressão é sinónimo de lucidez?

Mensagempor Ana Rita » domingo dez 18, 2011 4:29 pm

Um psicólogo não deverá recusar o facto de um paciente tomar um antidepressivo. O que acontece é que nem sempre é necessário. Há situações em que as pessoas retomam a sua felicidade e bem estar através do auto-conhecimento e da consciência do que a perturba e lhe provoca infelicidade.
Noutros casos, essa mesma auto-consciência ou mesmo modificação de pensamentos e comportamentos não é suficiente, por se tornar numa espécie de automatismo muito dificil de quebrar. Não faz sentido que a pessoa não possa ter uma alavanca que a ajude a ver a vida com outros olhos e os antidepressivos podem ser uma solução complementar bastante eficaz. Pessoalmente considero um erro fundamentalismos tanto de alguns psicólogos que não aceitam os fármacos como de alguns psiquiatras que só vêm nestes a solução.

Não é verdade quando diz que não é possível uma pessoa ser feliz sem a droga. Provavelmente está a generalizar através de uma experiência sua pessoal. Fala da questão da morte e de como poderemos ser felizes sabendo que mais tarde ou mais cedo ela virá o que remete para dificuldades que poderá sentir ou ter sentido a nível existencial e do sentido da vida. Posso dizer-lhe que muitas pessoas mais tarde ou mais cedo se deparam com essa lucidez demasiado angustiante de que a morte existe e que muitas delas também acabam por encontrar um sentido nos sentimentos do presente e nas ligações afectivas que estabelecem mesmo sabendo que tudo isso irá ter um fim. Uma forma de encontrar um sentido no aqui e agora e no que a pessoa já atingiu na sua vida e não apenas na meta que inevitavelmente é fatal para todos.
Temos a capacidade de andar distraídos com esse determinismo, mas quando ele se torna demasiado real pode levar a problemas como depressão e ansiedade.
Todas as pessoas podem possuir esse "antidepressivo natural" como lhe chama. Não é algo que esteja pré-determinado ou quanto muito entraríamos em discussões do que começou primeiro, o ovo ou a galinha. A questão é que através de experiências de vida e da forma como percepcionamos o mundo esta substância no nosso cérebro vai sofrendo modificações que tanto podem ser positivas como negativas e que necessitam de se reequilibrar, seja através de terapia, seja com a ajuda de fármacos.

Não considero que a depressão seja sinónimo de lucidez, é uma perspectiva sobre a vida tal como a faleicidade constitui outra perspectiva em diferentes momentos da nossa existência. No entanto, acredito que sem momentos depressivos não saberíamos bem o que é isso de felicidade e como a poderíamos valorizar e ser mais introspectivos num processo de crescimento pessoal.
Um exemplo prático: sabemos que uma simples comida por exemplo sabe bastante melhor se tivermos com um pouco de fome. Mas isso não significa que tenhamos de estar sempre com fome para sentir gratificação a comer.
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.

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