Pensamentos automáticos e televisão

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anonomo
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Pensamentos automáticos e televisão

Mensagempor anonomo » segunda dez 26, 2011 11:35 pm

Tenho lido em comentários deste fórum que a tendência actual é a de redução de saídas profissionais na área da psicologia.
Porém, constato cada vez mais na sociedade comportamentos que me fazem pensar se a tendência não deveria ser exactamente oposta àquela. Em especial destaco a aplicação da psicologia no ambiente laboral, com vista à melhoria do bem-estar dos trabalhadores e ao consequente aumento da produtividade.

Também a ajuda e contributo que os psicólogos podem prestar na sensibilização da sociedade para os abusos da manipulação social exercida pelos poderes económicos, e algum activismo no combate às técnicas aplicadas por estes para a exercerem, parece-me da maior importância.
Numa sociedade em crise, sujeita a pressões, perversões e imoralidade, julgo que a psicologia deva ganhar destaque na preservação da "ecologia" e saúde mental dos indivíduos.

No mundo do trabalho, indivíduos afectados podem apresentar desrespeito ou falta de ética nas relações inter-pessoais que prejudicam a integridade psíquica, moral ou espiritual de outros. Esta forma de violência e falta de respeito poderia ser identificada e combatida através da psicologia do trabalho ou regras de conduta nessas relações.

Um exemplo que poderia apontar, e que me causa profundo desagrado e perplexidade, pela falta de respeito e ininteligência, é certo pensamento automático inusitado das pessoas. Estaria a irracionalidade desconcertante deste automatismo relaccionada com a estrutura de crenças enraizada nesses indivíduos, a qual foi moldada pela sua educação num ambiente de pouca cultura, pouca leitura, e muita novela televisiva? Ou seria resultado de a sua personalidade ter sido construída numa sociedade onde é comum o desrespeito pelas normas de conduta social estabelecidas pela lei ou pelo costume, e onde existe violência urbana com infracção dos códigos elementares de conduta civilizada?

Enquanto esperava ser atendida na fila de um refeitório conversava com um colega sobre a crise do euro. Quando chegou a vez de ser atendida e de seleccionar os alimentos, referi o caso da contaminação alimentar noticiada e do conselho dos nutricionistas em que fosse seguida uma alimentação variada. Para meu espanto, aquele indivíduo, presumo que através de um mecanismo de pensamento automático, levou a expressão "alimentação variada" para outro campo, o que considero uma total falta de respeito e de profissionalismo. Para além de umas poucas conversas com outras colegas durante escassas pausas de café, não conheço este indivíduo de parte alguma nem vice-versa.

A leitura que fiz deste comportamento é que seria pessoa habituada à fofoca, ao forrobodó, a qual tem como objectivo o consolo das suas próprias fraquezas criando a falsa sensação de ser melhor e superior. Falando dos outros de forma pejorativa, ou inventando novelas em que acusa a pessoa atingida de ter feito algo errado, sente-se por cima. Tomei o facto de ter aproveitado de imediato para se vangloriar como pessoa mais optimista do que eu, um indicador de que a origem do tal pensamento automático poderia estar relaccionada com a necessidade de se sentir por cima ou de, com cinismo, tirar alguma vantagem da situação. Ou esqueceu-se que no mundo profissional existe uma barreira que deve ser mantida, e que diz respeito à reserva da vida pessoal de cada um, a qual em nada lhe diz respeito?

Presumo que nos países em que a corrupção atinge níveis elevados, existe maior risco de uma sociedade paranóica. Existem países em que a incultura da população é também tão elevada que vivem as novelas televisivas e confundem-nas com a realidade. Quando desempenham o papel de mau, os actores chegam a ser agredidos pelo público que confunde o drama da novela com a vida real. A confusão entre novela e realidade é tal, que se manifesta em comportamentos noveleiros, criando tramas e intrigas acerca das vidas alheias.

Em que medida os conteúdos televisivos podem afectar duradouramente o sistema de crenças dos jovens, a sua educação e comportamentos, mantendo-se os efeitos negativos na fase adulta e ao longo da vida?

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