Depressão e separação

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TTeles
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Depressão e separação

Mensagempor TTeles » terça ago 01, 2017 2:13 pm

Boa tarde.

Nem sei bem por onde começar,

Eu e o meu marido estamos juntos há 11 anos e casados há 1 ano. Foi uma relação extraordinária, fortemente marcada pelo companheirismo, amizade, respeito, objectivos em comum e muito, muito amor, uma relação perfeita aos olhos de qualquer um. E para mim também. Foram 11 anos de uma felicidade profunda e completa.
Mas tudo mudou no final de fevereiro deste ano, quando cheguei a casa depois do trabalho e encontrei o meu marido muito perturbado, chorava, cheio de tristeza, sem que a conversa apresenta-se qualquer coerência, chegou mesmo a afirmar que se sentia morto por dentro. No momento fiz o que me pareceu mais correto e aconselhei-o a consultar um psicólogo.
Na altura conversámos muito e ele apontava como possíveis causas o facto de não gostar do trabalho e de ter alguns problemas familiares com os quais não estava a conseguir lidar. Tentei sempre dar o meu melhor para o acalmar mas tudo mudou quando começaram as consultas com o psicólogo.
Começou gradualmente a culpar a nossa relação. Nos momentos de crise apontava defeitos sem sentido que mais tarde afinal não existiam... Acusava-me de situações das quais eu não tinha o controlo, qualquer coisa do dia-a-dia era motivo para me atacar. Além disso tinha alterações de humor bastante repentinas, tão depressa chorava, não comia, tremia, como entrava numa euforia doentia. Afastou-se da família e dos amigos e chegou a "ameaçar" fazer alguma coisa contra si próprio.
Nunca me contou o que se passava nas consultas (e eu nunca perguntei por achar ser algo intimo) mas o pouco que deixava escapar começou a transtornar-me bastante. Ao início o psicólogo estranhou termos uma relação tão longa e termos começado tão novos, afirmou que ele tinha "falta de vivências", começou a incentivá-lo a criar distância entre nós. Ele aos poucos começou a afastar-se, porque o psicólogo lhe dizia que era o melhor... Apesar de ter tentado apoiá-lo e fazer o que me pedia a situação começou a ser muito pesada para mim. Não passava de uma forte violência emocional sobre mim todos os dias. Em junho, saiu de casa. O psicólogo aconselhou que era o melhor a fazer.

Neste momento estamos separados há dois meses. Eu estou completamente desesperada, sem conseguir abrir mão da nossa relação e por saber que ele está neste estado sem apoio nenhum. Durante estes meses ele ficou mais calmo, consegue conversar normalmente sobre assuntos banais (coisa que era impossível) e até um pouco sobre o problema que enfrentamos. Durante todo este tempo continuámos a conversar e eu tento sempre não o acusar de nada e dar-lhe o espaço que ele precisa, mas o tempo passa e ele continua a afirmar que estamos separados, que está melhor sozinho e que a única coisa que quer e deseja é calma.

No fundo o que eu preciso que alguém me ajude é a identificar o que se passará com ele. Depressão, esgotamento?? O psicólogo nunca lhe chegou a apresentar nenhum diagnóstico e eu não sei como posso ajudar ou como me devo comportar nesta situação.

Peço desculpa por me ter alongado, mas a verdade é que ainda tanto ficou por contar.

Agradeço desde já pela atenção.
JFSousa5
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Re: Depressão e separação

Mensagempor JFSousa5 » terça ago 22, 2017 5:51 pm

Boa tarde.

Como psicólogo, e depois de ler o que escreveu, fico com serias duvidas que o seu marido tenha consultado um psicólogo. Contudo, será que foi mesmo o psicólogo que disse estas barbaridades ou o seu marido usa isso como desculpa?
Como psicólogos, não podemos, nem temos o direito de dizer o que é o melhor para cada pessoa. Devemos sim, leva-la à sua própria descoberta.
Por "aqui" é difícil dizer o que se passa com o seu marido, mas coloco a seguinte questão: Se estiveram 11 anos de felicidade o que se passou? O que destruiu essa felicidade?
No que puder ajudar estou ao dispor.
TTeles
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Re: Depressão e separação

Mensagempor TTeles » quinta ago 24, 2017 2:39 pm

Boa tarde.

O meu marido consultou de facto um psicólogo, até tenho os recibos das consultas. No entanto não lhe posso responder à questão se foi mesmo o psicólogo que lhe disse porque eu não estava presente. Como referi, ele pouco me contava acerca das consultas. Só dizia que corriam bem, que falaram deste ou daquele assunto e começou desde as primeiras consultas a dizer que tinha sido aconselhado a se distanciar para encontrar as respostas que procurava. A distância foi aumentando gradualmente, primeiro dava passeios sozinho, depois chegou a passar alguns dias for de casa e por fim acabou mesmo por sair de casa (quero referir que aos poucos foi também crescendo uma distância física entre nós, ao ponto de hoje em dia eu sentir que ele tem alguma relutância a um simples toque).

Quanto à questão que me coloca não consigo mesmo responder-lhe. Nós sempre tivemos uma relação feliz, estável, estávamos à procura de casa e a planear termos um filho. Por mais que tente não consigo encontrar um motivo para uma ruptura tão abrupta. Não tivemos discussões, nem sequer discordámos acerca de nenhuma decisão a ser tomada. Ele sempre foi um companheiro maravilhoso, carinhoso, não tenho nada a apontar. Ele próprio chegou a afirmar diversas vezes que antes de ir ao psicólogo nunca pensou que tivesse algum problema com a nossa relação.

Já passaram 3 meses desde que saiu de casa. Mostra-se confuso, infeliz, diz que carrega uma culpa muito grande por tudo mas que precisa de estar sozinho porque quer desesperadamente ter calma. Além de trabalhar, dorme. Mais nada. Diz que não sabe se ainda gosta de mim ou não, saiu de casa mas nunca deixou de falar comigo todos os dias... Tem sido uma situação muito complicada e gostava de compreender melhor o que se passa para conseguir ajudá-lo.

Muito obrigado pela sua resposta
jorgeamaro
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Re: Depressão e separação

Mensagempor jorgeamaro » segunda out 08, 2018 4:15 pm

Cara TTeles

Vê-se que a TTeles está a sofrer...
De facto, muitas pessoas sofrem, lutando constantemente contra coisas que não podem alterar.

Ora há situações que não podemos mesmo modificar. Mas nós podemos mudar a forma como reagimos... Nós temos o poder de mudar o nosso comportamento... Se há uma coisa que nós podemos controlar é o nosso comportamento.

E tudo começa na aceitação das coisas que não estão ao nosso alcance mudarmos. E é essa aceitação que leva à nossa mudança transformativa.

Será que algo deste tipo se está a passar consigo? Será que pode haver algo relacionado com culpa, por exemplo?

Porque de facto, muitas vezes, o que há a fazer é o seguinte: aceitemos o facto de que já não podemos mudar o que se passou, que não podemos mudar o outro ou mudar os acontecimentos... E, portanto, concentremo-nos naquilo que podemos mudar para a frente. E, para isso, não temos que enterrar totalmente o passado, podendo lá voltarmos para identificarmos as situações que ainda hoje nos perturbam.

Mas não temos que ocupar muito do nosso tempo a falar, de maneira obsessiva dos nossos problemas – este será o grande entrave das psicoterapias mais longas,

Porque há pessoas que não podem, de facto, ser ajudadas. De facto, sem o reconhecimento das suas limitações, sem um empenhamento na mudança e no processo, não haverá solução para o seu problema (ainda que, por vezes, a pessoa possa esteja no seu próprio ritmo, que pode ser lento no princípio, mas que se pode transformar à medida que a relação de confiança com o psicólogo ganha mais força).

Portanto, muitas vezes, para permanecermos saudáveis psicologicamente, temos que aceitar que não temos controlo sobre muitas coisas más que, a toda a hora, acontecem no mundo. E, atenção, não se trata de resignação, trata-se, sim, de uma questão da aceitação daquilo que não está sob o nosso controlo mudar. Será, portanto, que pode fazer mesmo alguma coisa pelo seu marido? Já pôs as coisas nestes termos?...

E o EMDR, já conhece?

É conhecida como uma psicoterapia de 3ª geração, na qual também, de facto, se fala dos problemas, mas cujo objetivo imediato é partir logo para a sua solução tanto no presente como em situações futuras. É uma psicoterapia breve e focal, na qual se pretende que a pessoa seja o seu próprio psicoterapeuta.

É uma abordagem que não é apenas indicada para graves situações traumáticas, é também especialmente indicada para os problemas causados por situações de vida que “apenas” abalaram a nossa autoestima ou a nossa autoconfiança, que nos tiram a alegria de viver...

Será o seu caso?

Muitas pessoas que já usufruíram do EMDR referem, frequentemente, que “até parece magia”. Realmente, a pessoa deixa de perceber a situação como perturbadora, reformula as suas cognições e as suas crenças disfuncionais e passa a exercer a aceitação, percebe que não esteve, ou não está, ao alcance dela evitar que as coisas tivessem acontecido, ou aconteçam assim, daquela ou desta maneira.

Cordialmente,
Jorge Amaro
Fundador da "PSICOVIAS – Psicologias & Psicoterapias"
Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com a cédula nº 3076.
Membro da Associação EMDR Portugal, com o número de sócio 247.

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