Distúrbio bipolar ou "maníaco-depressivo"

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Distúrbio bipolar ou "maníaco-depressivo"

Mensagempor Público » quarta nov 07, 2007 11:48 pm

Em virtude de existirem opiniões divergentes sobre o tema supracitado, o qual já teve um papel marcante na minha vida pessoal pela relação que tive com alguém que já teve a doença.

Achei sensato enviar algumas sugestões que segundo a minha opinião deveriam ser analisadas dada a sua importância as quais estão em destaque neste texto.


Janssen-Cilag Farmacêutica, Lda. 2007
Última actualização: 06 Novembro 2007


A doença bipolar (doença maníaco-depressiva) é uma doença do humor, o que significa que os sintomas são perturbações ou anomalias do humor. A depressão major é uma doença mais comum, cujos sintomas são principalmente de humor "diminuído". A doença bipolar envolve episódios de mania e depressão graves. O humor da pessoa varia desde o excessivamente "alto" e irritável, até ao triste e desesperado, passando por períodos de humor normal. Diferindo dos estados de humor normais de alegria e tristeza, os sintomas da doença maníaco-depressiva podem ser graves e até colocar em risco a própria vida. No entanto, atendendo a que vários pintores, músicos e escritores têm vindo a sofrer da doença bipolar, o efeito desta doença tem sido por vezes banalizado e até considerado benéfico para a criatividade do artista. Na verdade, para os indivíduos afectados por esta doença, esta é extremamente angustiante e incapacitante.



A doença bipolar é a terceira doença de humor mais comum, a seguir à depressão major e à doença distímica. Este distúrbio afecta cerca de 1% dos adultos durante a sua vida. Tipicamente, os sintomas começam durante a adolescência, ou numa primeira fase da vida adulta, e continuam a ocorrer periodicamente ao longo da vida. Homens e mulheres têm igual probabilidade de desenvolver esta doença incapacitante. As consequências desta doença podem ser devastadoras, e podem conduzir ao divórcio, desemprego, alcoolismo e abuso de drogas. A doença bipolar é geralmente agravada pela ingestão de álcool ou abuso de substâncias. Sem tratamento eficaz, a doença bipolar conduz ao suicídio em quase 20% dos casos.



Encontram-se disponíveis tratamentos eficientes que reduzem significativamente o sofrimento causado pela doença bipolar e que geralmente evitam as suas complicações devastadoras. No entanto, a doença bipolar é frequentemente reconhecida pelo doente, familiares, amigos e médicos. As pessoas com esta doença podem sofrer desnecessariamente, sem tratamento adequado, durante anos ou até décadas. Para além disso, certos doentes não reagem pelo menos a uma droga, enquanto que outros não reagem a vários. Por conseguinte, deve dar-se preferência a um tratamento combinado, dado que a associação de medicamentos diferentes com diferentes modos de acção pode ser mais eficiente sem aumentar o risco de efeitos secundários..



Sintomas e diagnóstico


A doença bipolar envolve ciclos de mania e depressão. Estes dois estados de humor podem ser considerados como os extremos opostos de um intervalo. Num dos extremos encontra-se a depressão grave; depois a depressão moderada; perturbações de humor ligeiras e breves (que muitas pessoas designam por "melancolia"); humor normal; hipomania (uma forma de depressão ligeira); e no outro extremo está a mania.


Algumas pessoas com doença bipolar não tratada apresentam episódios de depressão repetidos e apenas um episódio ocasional de hipomania (bipolar tipo II). No outro extremo, a mania pode ser o problema principal e a depressão pode ocorrer apenas ocasionalmente.


O reconhecimento dos diferentes estados do humor é essencial para que a pessoa com doença maníaco-depressiva possa obter um tratamento eficaz e evitar as consequências negativas da doença (destruição das relações pessoais, perda de emprego e suicídio).



Entre os sinais e sintomas de mania incluem-se períodos de:


* Sentimentos excessivamente "elevados" ou eufóricos

* Energia aumentada, actividade, agitação, pensamentos rápidos e verborreia

* Auto-estima exageradamente aumentada

* Irritabilidade extrema e dificuldade de atenção

* Necessidade reduzida de sono

* Crença não realista nas suas capacidades e poderes

* Capacidade de julgamento incaracteristicamente pobre

* Período consistente de comportamento diferente do habitual

* Aumento do estímulo sexual

* Abuso de drogas, particularmente cocaína, álcool e medicamentos para dormir (benzodiazepinas)

* Comportamento provocante, inoportuno, ou agressivo

* Negação de que alguma coisa esteja errada



Entre os sinais e sintomas de depressão incluem períodos de:


* Tristeza, ansiedade ou humor muito diminuído de forma persistente

* Sentimento de desespero ou pessimismo

* Sentimentos de culpa inapropriada, demérito, ou abandono

* Perda de interesse ou prazer em actividades quotidianas, incluindo sexo

* Perda de energia, sentimento de fadiga ou de estar a 'abrandar'

* Dificuldade de pensamento, concentração, memória ou tomar decisões

* Inquietação ou irritabilidade

* Dificuldades em dormir, ou dormir excessivamente

* Perda de apetite e peso, ou ganho de peso

* Pensamentos repetidos de morte ou suicídio; tentativas de suicídio



Um episódio inicial da doença pode ser hipomania, na qual a pessoa demonstra um alto nível de energia, humor excessivo ou irritabilidade e comportamento impulsivo ou imprudente. A hipomania pode constituir um aspecto positivo para a pessoa que a apresenta, de modo que são a família e os amigos que aprendem a reconhecer as oscilações do humor, pois o indivíduo nega muitas vezes que alguma coisa esteja errada. Nos seus estádios iniciais, a doença bipolar pode surgir como um problema diverso de outras doenças mentais. Por exemplo, pode aparecer primeiro como abuso de drogas ou de álcool, ou mau desempenho escolar ou profissional. Se não for tratada, a doença bipolar tende a agravar e a pessoa apresenta episódios de mania e depressão clínicas francas.


A depressão e a mania graves podem ser acompanhadas por períodos de psicose. Os sintomas psicóticos incluem: alucinações (cheirar, observar, ou sentir coisas que de facto não existem) e delírios (falsas crenças baseadas no ilógico, apesar da existência de evidências em contrário).


Os sintomas da mania e da depressão podem estar presentes ao mesmo tempo (estado misto). Os sintomas incluem frequentemente agitação, problemas de sono, uma alteração significativa no apetite, psicose e ideias suicidas. Um humor deprimido acompanha a activação da mania. Os sintomas (mania, depressão, ou estado misto) estão muitas vezes limitados a diferentes episódios da doença. Estes episódios estão separados por períodos durante os quais a pessoa apresenta sintomas reduzidos ou mesmo ausentes. Alguns episódios podem durar 1 ano enquanto que outros podem demorar tão pouco como algumas horas, dependendo do doente. Com o tempo, os episódios tornam-se mais frequentes. Quando ocorrem quatro ou mais episódios num período de 12 meses, diz-se que a pessoa tem doença maníaco-depressiva com ciclos rápidos. Na maioria dos doentes, o número de episódios que ocorrem ao longo da vida é aproximadamente de 8 a 10, mas em muitos casos este número é superior. Na doença bipolar com ciclos rápidos, podem surgir 4 ou mais episódios anualmente.



Causas de doença bipolar


A doença bipolar tende a ter um carácter familiar e pensa-se ser transmitida hereditariamente, em muitos casos. Mais de dois terços das pessoas com doença maníaco-depressiva têm pelo menos um parente próximo com a doença, ou com depressão major. Este facto sugere que os factores genéticos são importantes, e é provável que esta susceptibilidade à doença esteja relacionada com vários genes diferentes. No entanto, os genes específicos envolvidos não foram ainda identificados de forma inequívoca. Quando tal for conseguido, espera-se que seja possível delinear melhores estratégias terapêuticas e de prevenção dirigidas ao processo de base.


Sensibilização (kindling)


Pode ocorrer que o desenvolvimento da doença bipolar se deva a um processo de sensibilização (kindling). Esta ideia sugere que os primeiros episódios da doença são desencadeados por acontecimentos ao longo da vida, mas que cada episódio causa alterações no cérebro que tornam o próximo episódio mais provável e por fim os episódios podem ocorrer de forma espontânea. Este processo foi primeiro descrito como uma explicação para a epilepsia e pode explicar porque é que certos medicamentos antiepilépticos são também eficazes no tratamento da doença bipolar.


Neurotransmissores


Os neurotransmissores são as moléculas que permitem a transmissão dos impulsos nervosos dum nervo para o outro. Uma vez que se pensa que a transmissão nervosa deficiente pode ser uma causa de doença bipolar, é possível que estas moléculas estejam envolvidas. Entre os exemplos incluem-se a dopamina, a serotonina (5-HT; 5-hidroxitriptamina), acetilcolina, GABA e glutamato.



Tratamento


A maioria das pessoas com doença maníaco-depressiva podem ser ajudadas com tratamento. Quase todas as pessoas (mesmo aquelas com as formas mais graves da doença) podem conseguir a estabilização das suas oscilações do humor. Uma vez que a doença maníaco-depressiva é geralmente uma doença crónica e os sintomas recidivam muitas vezes, é altamente recomendado o tratamento profiláctico a longo-prazo.


Medicação


Diversas medicações são usadas para tratar a doença maníaco-depressiva. O diagnóstico, tratamento devem ser sempre efectuados por um médico.


Lítio


O lítio tem sido usado, desde há muito tempo, como tratamento de primeira-linha para a doença maníaco-depressiva. O lítio é geralmente muito eficaz no controle da mania e na prevenção do reaparecimento, quer dos episódios maníacos quer dos depressivos.


Agentes estabilizadores do humor (anticonvulsivantes)


A carbamazepina e o valproato (estabilizadores do humor anticonvulsivantes) são fármacos que foram originalmente desenvolvidos para utilização na epilepsia mas que também demonstraram utilidade na doença bipolar, especialmente nos doentes que não respondem a outros tratamentos. Os fármacos anticonvulsivos têm sido usados como alternativas ao lítio em muitos casos, mas muitas vezes estes fármacos são utilizadas em combinação com o lítio para obter um efeito mais reforçado.


É possível que estes fármacos actuem porque evitam que o cérebro fique sensibilizado ao stress. Foi sugerido que este processo é importante na doença bipolar, de forma que no final o cérebro exibe episódios de actividade anormal mesmo na ausência de um estímulo externo desencadeante. Pensa-se que o lítio actua através do bloqueio das fases iniciais deste processo e que a carbamazepina e o valproato actuam mais tarde.


Antidepressivos


Durante um episódio depressivo, as pessoas com a doença maníaco-depressiva necessitam muitas vezes duma medicação antidepressiva. Para os sintomas depressivos, vários tipos de antidepressivos podem ser úteis quando combinados com o lítio, a carbamazepina ou o valproato. Geralmente, o lítio ou os estabilizadores do humor (anticonvulsivantes) são administrados em conjunto com um antidepressivo para proteger de uma transição para mania ou ciclos rápidos, que podem ser desencadeados em algumas pessoas com doença maníaco-depressiva, pelo uso de fármacos anti-depressivos.


Antipsicóticos


Em alguns casos, os antipsicóticos atípicos mais recentes, como a clozapina, a risperidona ou a olanzapina podem ajudar a aliviar os sintomas graves ou resistentes ao tratamento da doença maníaco-depressiva e prevenir a recidiva da mania. São, no entanto, necessários mais estudos para estabelecer a segurança e a eficácia dos antipsicóticos atípicos como tratamentos a longo-prazo para a doença maníaco-depressiva.


Benzodiazepinas


As benzodiazepinas de alta potência como o clonazepam e o lorazepam podem ser úteis quando associadas a outros fármacos. Podem ajudar a reduzir problemas de sono.


Electroconvulsivoterapia (ECT)


A terapêutica electroconvulsiva (ECT) é muitas vezes útil no tratamento da depressão grave e/ou mania mista que não responde aos fármacos.


Psicoterapia


A psicoterapia, em associação com medicamentos, pode muitas vezes oferecer benefícios adicionais. Associada ao tratamento farmacológico, a psicoterapia é muitas vezes útil em proporcionar suporte, educação e orientação para o doente e respectiva família.



O papel da família e dos amigos


Tal como outras doenças graves, a doença bipolar representa uma sobrecarga importante para os cônjuges, outros familiares, amigos e superiores hierárquicos. Os familiares das pessoas com doença bipolar têm muitas vezes de lidar com problemas comportamentais graves (tais como despesas extravagantes) e com as consequências duradouras destes comportamentos. Se estes sintomas levam a que o indivíduo fique agressivo, ou incapaz de cumprir as suas responsabilidades, os familiares podem ficar zangados. Por este motivo, os familiares do doente sentem-se muitas vezes extremamente culpados, após o diagnóstico ter sido efectuado. Ficam preocupados por terem tido pensamentos de fúria ou de ódio e muitos questionam-se em que medida poderão ter causado a doença ao não oferecerem apoio ou compreensão ao doente, embora esta ideia não esteja correcta.


As pessoas com doença bipolar devem ser acompanhadas por um psiquiatra experiente durante o diagnóstico e tratamento da doença. Outros profissionais de doenças mentais, como psicólogos e psiquiatras sociais/sociólogos, podem dar assistência ao facultarem ao doente e à sua família outras abordagens terapêuticas.


Normalmente, as pessoas com doença bipolar não reconhecem o quanto estão doentes, ou atribuem os seus problemas a outras causas diferentes da doença mental. Necessitam muitas vezes de encorajamento por parte da família e amigos para procurarem tratamento; o médico de família pode fazer a primeira avaliação. Se a pessoa está no decurso dum episódio grave, pode ser necessário ser referenciada a um hospital para a sua própria protecção e para o tratamento necessário. Qualquer pessoa que está a considerar a hipótese de suicídio necessita da atenção imediata de um médico de família ou de um especialista em saúde mental. Com a ajuda e o tratamento apropriados é possível ultrapassar as tendências suicidas.


É importante que os doentes compreendam que a doença bipolar não irá desaparecer, e como tal é necessário um tratamento contínuo para se poder controlar a doença. São também importantes o encorajamento e o apoio quando o doente inicia o tratamento, porque pode demorar algum tempo até que se decida qual o esquema de tratamento mais adequado a cada pessoa.


O conteúdo desta página, publicada pela Janssen-Cilag Farmacêutica, Lda é dirigido a utilizadores residentes em Portugal.

http://www.janssen-cilag.pt/disease/det ... me=bipolar




Os melhores cumprimentos
Última edição por Público em terça nov 13, 2007 9:54 pm, editado 1 vez no total.
NunoF
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Mensagempor NunoF » terça nov 13, 2007 6:39 pm

Gostei do que li :D
Vendo pizzas congeladas :D

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