Comportamento do meu filho: o que fazer?

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taniap
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Comportamento do meu filho: o que fazer?

Mensagempor taniap » quarta nov 28, 2007 9:52 pm

Boa Noite!
O meu filho, tem uma particularidade que eu acho um pouco estranha, quando acontece algo de mal, ou que não lhe agrada ele simplesmente esquece, tipo fecha a porta e pronto, não acho isso muito normal. Falo isto porque não sei se se lembram eu ja escrevi aqui, quando o pai dele faleceu... ele simplesmente não fala dele, inclusive diz que ja nem se lembra dele...
Mudei-me de casa e fui obrigada a dar os meus cães, ele tambem não se lembra deles.
Simplesmente apaga da vida, como se fosse sempre uma vida nova... será normal nas crianças da actualidade?
Outra coisa que ele faz é náo obedece à 1ª, e quando o faz resmunga, não sei como actuar, enche-me de nervos, só de ouvir a voz a reclamar.
Gostaria que me dessem uma ajuda.
obrigada. :?
kika
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Mensagempor j08rebelo » quinta nov 29, 2007 12:13 am

Qual é a idade do seu filho?
Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » quinta nov 29, 2007 12:09 pm

Cara Taniap,

O seu filho não esquece, porque as coisas não se esquecem. Esse fechar a porta e não falar das coisas é apenas uma defesa que ele arranjou para não deixar os sentimentos virem à tona. É a forma que ele arranjou para fugir à angústia. Claro que não é uma forma positiva porque é uma fuga aos sentimentos. Sentimentos de perda que são muito complicados (a morte do pai, a ida dos cães, .......).

Ele não apaga as coisas da vida porque isso não é possível. Está é a querer enterrar o que o incomoda mas acho que esta frase ajuda a entender melhor: “os sentimentos que são enterrados vivos, nunca morrem!”

Como para si também está a ser difícil lidar com a forma como ele reage aos acontecimentos da vossa vida, sugiro que procure um psicólogo ou psicóloga que vos possa ajudar, no espaço próprio, que é o espaço da consulta.

Acredite que só ganham, se pedir essa ajuda. Pode marcar consulta nos serviços de saúde públicos (pode ter é que esperar por causa das listas de espera para as 1ªs consultas), ou particularmente, que é sempre mais imediato, em clínicas ou consultórios que tenham a especialidade de psicologia.

Aqui, só lhe posso dar esta ajuda. Espero ter contribuído de alguma forma.
taniap
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idd

Mensagempor taniap » quinta nov 29, 2007 9:59 pm

O meu filho neste momento tem 12 anos.
kika
taniap
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:)

Mensagempor taniap » quinta nov 29, 2007 10:05 pm

Obrigada Cristina, vou procurar ajuda, se realmente é necessário.
kika
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Mensagempor AnadeSousa » quinta nov 29, 2007 10:34 pm

Cara Tania,
Tal como a minha colega Cristina referiu, o seu filho não esquece, ele apenas guarda esses acontecimentos para ele, pois o sofrimento é demasiado grande para que ele possa falar sobre os assuntos.
Reli o seu tópico de 2005 aquando do falecimento do seu marido, e referia lá que, nessa altura, o seu filho mostrava-se muito revoltado e até violento. Como foi a atitude dele ao longo destes 2 anos, desde a violência/agressividade até este mutismo e indiferença que ele apresenta actualmente?

Cumprimentos
Ana Sousa - Psicóloga Clínica
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Mensagempor taniap » segunda dez 03, 2007 10:32 pm

Cara Anadesousa,
Durante estes 2 anos eu tenho vindo a dar-lhe muito carinho e amor assim ele começou a tornar-se uma pessoa mais carinhosa, mas tambem lhe tenho comprado coisas a mais confesso, tenho saído muito com ele, a qual ele agora tudo tudo o que vê é logo um bem adquirido, ou tudo o que se diz, agora está a ser castigado, o que ate tem resultado por instantes, porque se vacilo ele abusa :?
kika
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Mensagempor NunoF » quarta dez 05, 2007 4:34 am

taniap quando perdemos algo, é natural guardarmos tudo para o nosso interior e ter dificuldade em desabafar ou exprimir o que se sente.

Concordo com as minhas colegas ao referirem para que leve o seu filho a um Psicólogo/a, acredite que vai lhe fazer bem.

Ás vezes conversar com um "estranho" faz bem.

Brevemente espero ter notícias dele e claro, que sinceramente espero que seja positivas.
Vendo pizzas congeladas :D
Clarissa
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Mensagempor Clarissa » quarta dez 05, 2007 9:37 am

Bom dia taniap,

Li agora o seu tópico e compreendo que esteja preocupada com a forma como o seu filho tem reagido a todas a mudanças que se processaram na vida dele a partir da perda do pai. No entanto, você também perdeu o seu marido e este período também tem sido sofrido para si, que para além de tentar recuperar dessa perda, ainda tem que arranjar maneira de apoiar seu filho nessa etapa tão difícil para ambos.

Vi algumas indicações para que leve seu filho a um psicólogo no intuito de iniciar um acompanhamento psicológico e acho que pode ser muito benéfico para ele, se ele assim o desejar. Mas fiquei a pensar que talvez você também ainda não tenha conseguido ultrapassar esta perda e se este for o caso seria importante que procurasse ajuda de um psicólogo para si, porque a partir do momento em que começar a sentir-se melhor também será capaz de melhor apoiar seu filho a nível emocional.

A melhor forma de cuidar bem dos outros é cuidarmos bem de nós próprios primeiro.

Cumprimentos,
Clarissa Lobo
taniap
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Tentativas

Mensagempor taniap » quarta dez 05, 2007 5:49 pm

Caros,
Quis saber a vossa opinião uma vez que algumas pessoas que aqui frequentam são psicologos.
Ele já esteve ou aliás já fez algumas secções, mas infelizmente ele proprio achou que não estava a fazer nada, pois ía para lá brincar, ouvir musica ou fazer desenhos, ele chegou a dizer-me que para fazer isso que fazia em casa, então decidi retira-lo,pois assim ele não estaria a aproveitar nada.
Obrigada

Mas confesso que gostaria de voltar a tentar (apesar de as consultas seremdemasiadamente caras)
kika
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Mensagempor AnadeSousa » quarta dez 05, 2007 6:07 pm

Cara taniap.
Há várias maneiras de trabalhar em psicologia, mas geralmente com crianças (não estou a dizer que seja a única forma) trabalha-se através da brincadeira precisamente, pois muitas vezes é desta forma que se consegue chegar ao foco do problema, dado que pela palavra poderá ser mais complicado, pois muitas vezes a criança não consegue verbalizar o que sente e através de desenhos ou outro tipo de actividades poderá ser mais fácil.
No entanto, sei por experiência própria, que algumas crianças dizem aos pais precisamente o que o seu filho lhe contou, que só fazem desenhos ou só brincam; ora isso poderá ser falado com o psicólogo, para tentar perceber quais os objectivos e até obter um feedback, podendo reconduzir as sessões de modo a que seja mais estimulante e motivador para a criança. Não quero de maneira nenhuma julgá-la por ter retirado o seu filho da terapia, é normal que ele mostre alguma resistência inicial, afinal de contas, o psicólogo é um estranho e o trabalho que desenvolvemos com o paciente, seja ele adulto, adolescente ou criança, é de conhecimento, é um trabalho gradual, leva tempo para a criança ganhar confiança e poder realmente transmitir o que a atormenta.
Em relação ao preço das consultas, há psicólogos que têm em atenção os rendimentos da família e poderão fazer descontos nesses casos. Tente informar-se dessa questão, se acha que é mesmo importante para o seu filho.
Disponha sempre.
Cumprimentos
Ana Sousa - Psicóloga Clínica

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Mensagempor taniap » quinta dez 06, 2007 8:37 pm

Cara Ana,

Sei perfeitamente que devo ter feito mal em tira-lo de lá, mas se ele não quis ou não achou importante,como o poderia deixa-lo, ele assim não poderia ter produtividade e seria uma perda de tempo e dinheiro.
Sempre ouvi dizer que têm que ser as crianças a crer ir.
Cumprimentos.
kika
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Mensagempor JoanaM » sexta dez 07, 2007 3:46 am

Cara taniap,

Tal como a colega AnadeSousa disse, muitas vezes as crianças podem mostrar esse lado do "só lá vou brincar". De facto, é o que lhes parece! Para muitos é razão suficiente para adorarem ir, para outros parece "um bocado parvo". A verdade é que os resultados demoram a aparecer e especialmente para uma criança que por algum motivo não se sente motivada e cativada pela terapia, pode começar a deixar de querer ir. Quando a terapia está a resultar e começam a haver progressos, a criança nem sabe explicar porquê mas adora ir cada vez mais. No caso do seu filho, por alguma razão, a terapia não o cativou a querer estar e, como disse e muito bem, se a criança não quiser (tal como o adulto) acaba por não dar tantos frutos. Mas também não diria que não funciona... Muitos começam por ir contrariados e acabam por gostar ao longo do tempo. Acompanhei um caso de um menino de 4 anos que ao princípio chamava-me todos os nomes e fugia da sala a rir-se literalmente de mim, e passados 2 meses fazia birra quando era hora de terminar... É uma questão de se ir falando sempre com ele, vendo o que diz e como fala do espaço da consulta, perceber o que o motiva, do que gosta mais. Chegou a transmitir à psicóloga que ele não estava motivado?

Acho que devia voltar a insistir porque, se no momento e "à vista desarmada" a solução que o seu filho arranjou para vivenciar o luto e as coisas que ele sente como más possa parecer estar a resultar para ele , não se sabe como realmente ele está a vivenciar tudo no seu mundo interno e, especialmente, que sequelas ou entraves pode deixar ao longo do seu desenvolvimento.

Espero ter dado uma ajudinha :wink:
"O Conhecimento é a sua própria recompensa"
taniap
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Mensagempor taniap » sábado fev 09, 2008 3:20 pm

Obrigada
kika
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Mensagempor NunoF » sexta fev 22, 2008 7:37 pm

taniap Escreveu:Obrigada


Finalmente apareceste :D

Espero que esteja tudo bem com o seu filho.

Forte abração ao rapaz :wink:
Vendo pizzas congeladas :D
taniap
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:S

Mensagempor taniap » quinta fev 28, 2008 6:31 pm

:oops:
Pois é verdade, apareci um pouco tarde, de qq forma obrigada na mesma.
O miudo está bom
O Abraço será dado
kika
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Re: :S

Mensagempor NunoF » quinta fev 28, 2008 7:07 pm

taniap Escreveu::oops:
Pois é verdade, apareci um pouco tarde, de qq forma obrigada na mesma.
O miudo está bom
O Abraço será dado


Beijo á kika :D
Vendo pizzas congeladas :D

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