Como dizer "não" sem ferir sentimentos?

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Como dizer "não" sem ferir sentimentos?

Mensagempor Urostomizado » terça mar 18, 2008 12:32 pm

É a questão que coloco: como dizer "não" sem que uma das partes saia prejudicada?

Qual a melhor forma de explicar a alguém, neste caso, o patronato, que não consigo voltar a trabalhar em tal sitio porque o mesmo traz-me à memória uma vida passada cuja recordação da mesma me causa um mau-estar generalizado e me deixa deprimido? Como dizer que ali não quero trabalhar, não por ser ingrato nem "mandrião", mas porque simplesmente não me sinto bem lá, não por causa das pessoas, dos colegas, mas por causa do que me vai dentro da cabeça?
nany
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Mensagempor nany » terça mar 18, 2008 2:16 pm

Caro Urostomizado,
Como deve compreender não há nenhuma fórmula que diga como isso se deve fazer, até porque a sua forma de dizer o "não" e o modo de aceitação desse "não" dependem de vários factores (a sua relação com o seu interlocutor, as expectativas de cada um relativamente ao outro, etc). Acha que, explicando que é por meras razões pessoais (isto, se não quiser entrar em detalhes da sua vida privada), a(s) outra(s) pessoa(s) não vão perceber? Se for sincero e explicar a situação, como o fez aqui no fórum, não vejo porque o seu interlocutor haveria de "ficar com os sentimentos feridos". Chamo-o só a atenção para um outro aspecto que é o facto de que, para que a outra pessoa perceba o que realmente quer dizer, o seu "não" deve ser dito de forma coerente e firme (sem nenhuma necessidade de se ser agressivo, como é óbvio) e não dizê-lo de forma a parecer um "nim", como acontece com muita gente...
Dito isto, se realmente tem a certeza do que quer, vá em frente.*
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Mensagempor Psycologo » quarta mar 19, 2008 11:51 am

Só tenho a acrescentar o seguinte. Mas que não está relacionado com o caso em questão.
Conselho 1: Depois de ter dito SIM, a uma situação à qual queria dizer NÂO, não adianta nada falar com o seu chefe. Ele pode interpretar isso como sinal de incapacidade ou fraqueza da sua parte.
Depois da situação ter sido resolvida, penso que aí sim, deveria falar abertamente e assertivamento com o seu chefe explicando-lhe as suas razões.
Conselho 2: Se a situação se mantiver e o seu chefe o colocar novamente perante uma situação ou trabalho em que não pode dizer NÂO, uma forma de se defender, passa por estabelecer prioridades. Perguntar-lhe por ex, o que é mais prioritário? o trabalho que este lhe propõe agora, ou os trabalhos que já tem em mãos? Tente renegociar e estabelecer prazos de execução de cada trabalho com ele.

No seu caso específico: não seria importante resolver também o que vai dentro da sua cabeça? Evitar a situação não a faz desaparecer.
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Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » quarta mar 19, 2008 1:13 pm

Tudo depende da relação que tem com o seu patrão e do porquê de lhe pedirem para ir trabalhar para outro lado que não lhe interessa.
Mesmo que tenha uma relação mais pessoal com o seu patronato, lembre-se que antes de tudo tem uma relação laboral que deve ser regida dentro do código do trabalho.
Aconselho-o para já a ler o que diz o código do trabalho para que o seu não se enquadre dentro dos direitos que lhe assistem:


Artigo 315.º
Mobilidade geográfica

1 - O empregador pode, quando o interesse da empresa o exija, transferir o trabalhador para outro local de trabalho se essa transferência não implicar prejuízo sério para o trabalhador.

2 - O empregador pode transferir o trabalhador para outro local de trabalho se a alteração resultar da mudança, total ou parcial, do estabelecimento onde aquele presta serviço.

3 - Por estipulação contratual as partes podem alargar ou restringir a faculdade conferida nos números anteriores.

4 - No caso previsto no n.º 2, o trabalhador pode resolver o contrato se houver prejuízo sério, tendo nesse caso direito à indemnização prevista no n.º 1 do artigo 443.º

5 - O empregador deve custear as despesas do trabalhador impostas pela transferência decorrentes do acréscimo dos custos de deslocação e resultantes da mudança de residência.


Artigo 316.º
Transferência temporária

1 - O empregador pode, quando o interesse da empresa o exija, transferir temporariamente o trabalhador para outro local de trabalho se essa transferência não implicar prejuízo sério para o trabalhador.

2 - Por estipulação contratual as partes podem alargar ou restringir a faculdade conferida no número anterior.

3 - Da ordem de transferência, além da justificação, deve constar o tempo previsível da alteração, que, salvo condições especiais, não pode exceder seis meses.

4 - O empregador deve custear as despesas do trabalhador impostas pela transferência temporária decorrentes do acréscimo dos custos de deslocação e resultantes do alojamento.

Artigo 317.º
Procedimento

Salvo motivo imprevisível, a decisão de transferência de local de trabalho tem de ser comunicada ao trabalhador, devidamente fundamentada e por escrito, com 30 dias de antecedência, nos casos previstos no artigo 315.º, ou com 8 dias de antecedência, nos casos previstos no artigo 316.º


Se a relação que tem com o seu patrão lhe permite falar dos seus sentimentos que aqui referiu e não sair prejudicado com isso então faço-o, caso contrário, diga-lhe que não lhe convém e enquadre o seu não nos direitos que o código de trabalho lhe dá!

Espero ter ajudado.
Cristina Silva
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Mensagempor Urostomizado » sexta mar 21, 2008 11:50 am

Agradeço toda e qualquer mensagem aqui escrita.

O problema não passa por ter sido deslocado para um outro local de trabalho nem algo semelhante.

O problema é que é-me dificil conviver com pessoas e lugares que me fazem recordar a vida que tinha antes da cirurgia à qual fui submetido, devido ao facto da mesma não ter sido bem sucedida e como tal ter causado uma mudança negativa em tudo o que eu antes fazia.

Não me sinto bem em voltar a trabalhar em tal sitio porque me faz recordar alguns aspectos da vida que tinha e que perdi após a cirurgia.

Agora, como explicar isto a alguém? Será que as pessoas entendem tal?

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