olhar-se no espelho ter medo ou ver outra pessoa

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Moreira
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olhar-se no espelho ter medo ou ver outra pessoa

Mensagempor Moreira » terça abr 15, 2008 9:54 pm

Boa Noite

Hoje dois alunos colocaram-me a seguinte questão á qual eu não consegui responder e para a qual preciso de orientação em termos de informação e de locais ou livros onde posso pesquisar.

A questão é esta:

Olham-me ao espelho e por vezes acontecem-lhes factos, os quais passo a descriminar:

a) Quando me vejo ao espelho e me olho nos olhos, tenho um medo terrível e por vezes fico em pânico. Se me distrair, o medo desaparece, mas se me concentrar nos olhos reflectidos, tenho muito medo;
b) Quando me vejo no espelho e olho para o meu nariz ou para os lábios, parece-me que eles não são meus, mas de uma outra pessoa que não conheço.

Estas questões foram-me colocados por dois alunos.

Peço que ajudem a saber como responder e onde posso encontrar bibliografia sobre este tema.

Muito Obrigado
rodrigocp
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Mensagempor rodrigocp » terça abr 15, 2008 9:59 pm

Poderá ser dismorfofobia...

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dismorfofobia
asilvestre
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Mensagempor asilvestre » terça abr 15, 2008 11:59 pm

Boa noite.

Sem conhecer o caso ao pormenor é dificil inferir algo sobre o mesmo.
Seja como for é muito provável que se trate de Eisoptrofobia - medo de espelhos ou de se ver no espelho.

Cumprimentos.
Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » quarta abr 16, 2008 3:11 am

Não consigo dar diagnósticos, ou levantar hipóteses diagnósticas assim sem saber mais.

Isso até me faz lembrar Satre no livro a Náusea.

Já fizeram essa experiência? Eu já e de facto traz um sentimento de estranheza a nós próprios (olharmo-nos fixamente nos olhos (olhar para dentro dos olhos) ao espelho durante um bocado). Penso que é um fenómeno natural, que pode eventualmente assustar pela sensação de despersonalização (parece que a cara ou partes dela não nos pertence).

Penso que o melhor, com esses alunos é falar exactamente desse sentimento de estranheza e aconselho a experimentar esse exercício principalmente em alturas “mais frágeis” (tipo: com sono), para poder perceber o que é que eles querem dizer.

Acho que são precipitadas as hipóteses levantadas anteriormente, porque não me parece ser nem um caso nem outro.

Perceber também se esses alunos mostram alguma desorganização no geral, nomeadamente características mais paranóides e preocupantes, isto porque os olhos têm uma simbologia específica nesse contexto, digamos assim.

Caso não se revelem pessoas desorganizadas no seu conjunto, não me parece nada de especial.

Não sei se é professor (a), suponho que sim. Se tiver acesso a algum psicólogo(a), não perde nada em ter uma conversa informal sobre o assunto.

Espero ter ajudado de alguma maneira.
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ver-se ao espelho e ter pânico

Mensagempor Moreira » quarta abr 16, 2008 11:21 am

Boa tarde.

Agradeço a ajuda que me têm vindo a dar.

Parece-me que as questões levantadas não se relacionam com o medo dos espelhos ou o ver, no mesmo, aspectos deformados do rosto.

As questões que me foram postas foram mais respeitantes ao medo que o aluno diz sentir quando se olha no espelho, mas só tem medo quando se olha nos olhos.

O outro aluno refere, não o olhar-se nos olhos, mas o olhar para as outras partes do rosto e não as reconhecer como suas, podendo ser de outra pessoa, nomeadamente os lábios ou as orelhas.

Gsotava que me dessem agora a vossa opinião, depois de ter clarificado as questões que me colocaram.

Agradeço ainda, se possível que me indiquem uma provável bibliografia a consultar.

Sou efectivamente professor e queria ajudar e esclarecer os meus alunos

Muito obrigado
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Mensagempor Psycologo » quarta abr 16, 2008 11:25 am

Eu tinha um comportamento semelhante em miúdo, mas tal não me causava medo, Achava engraçado. A questão deverá ter meramente a ver com a alteração da percepção do todo, quando nos focalizamos apenas numa parte. Será uma questão de percepção nada mais.
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Mensagempor Cristina Silva » quarta abr 16, 2008 11:35 am

Peço desculpa mas continuo a achar pouca informação para o direccionarmos num sentido concreto.

Coloco-lhe algumas perguntas:

Que idade têm esses alunos?

Como é que eles são como pessoas?

Revelam alguma desorganização preocupante?

Em que contexto surgiu essa conversa?

Quanto ao medo, volto a enfatizar: Já fizeram essa experiência? Eu já e de facto traz um sentimento de estranheza a nós próprios (olharmo-nos fixamente nos olhos (olhar para dentro dos olhos) ao espelho durante um bocado). Penso que é um fenómeno natural, que pode eventualmente assustar pela sensação de despersonalização (parece que a cara ou partes dela não nos pertence).

O medo que o aluno sente é de quê? Esta é uma pergunta importante.

Para o podermos ajudar mais concretamente, são realmente necessárias mais informações e contextualizar-nos a situação.


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Mensagempor Cristina Silva » quarta abr 16, 2008 12:22 pm

Acrescento ainda, e indo de encontro ao colega psycologo, a questão da percepção visual.
Quanto a isso, pode consultar literatura ligada à Psicologia da Gestalt.

Agora, em relação à forma como é sentida uma determinada percepção visual, deformada ou não, tem muito a ver com a personalidade de cada um, daí a necessidade de mais informações quanto aos alunos, para se poder ir de encontro ao tal medo e pânico sentidos perante isso, que me parece que é o que mais o preocupa neste momento.

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Mensagempor Ana Rita » quarta abr 16, 2008 8:01 pm

Corroboro a colega Cristina e acrescento que essa estranheza pode ser provocada voluntariamente pelos alunos de uma forma mais obsessiva. Ou seja, ao experimentarem essa sensação procuram confirmá-la agindo da mesma forma em frente ao espelho. Daí quando se distraem não pensarem ou sentirem isso.
Se caíres sete vezes, levanta-te oito.
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Mensagempor NunoF » quinta abr 17, 2008 1:19 am

Psycologo Escreveu:Eu tinha um comportamento semelhante em miúdo, mas tal não me causava medo, .


Sem medo :D
Vendo pizzas congeladas :D
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Mensagempor AbLaZe » domingo abr 20, 2008 2:17 pm

Sem dúvida, são necessárias mais informações sobre estes alunos, não para fazermos um diagnóstico (via fórum, seria absurdo), mas para o orientarmos melhor, caro Moreira.
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Mensagempor AbLaZe » domingo abr 20, 2008 2:24 pm

NunoF Escreveu:
Psycologo Escreveu:Eu tinha um comportamento semelhante em miúdo, mas tal não me causava medo, .


Sem medo :D


Psycologo, não chora... Não chora! Não dói.

(O professor Moreira vai ficar chocado por causa dos off-topic!... Já agora, gostava que nos desse a sua opinião de "outsider" sobre esta questão, Moreira. É que já nos chamaram adolescentes inconsequentes por esta comunicação informal que ocorre entre alguns users cá do fórum... Obrigada! 8) )
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Mensagempor Cristina Silva » domingo abr 20, 2008 9:12 pm

Também eu gostava muito de voltar a "ouvir" o professor moreira. Está aqui a malta "empenhada" e depois não há andamento? :)
Moreira
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olhar-se no espelho ter medo ou ver outra pessoa

Mensagempor Moreira » sábado abr 26, 2008 3:54 pm

Quanto aos alunos, posso dizer que são alunos adultos, já reformados, que por vezes se sentem sós. Dou aulas numa das denominadas "Universidade da 3ª.Idade".
Estavamos a falar de assuntos de psicologia, nomeadamente de algumas situações que as pessoas vivem e estes assuntos foram abordados.
Em ambos os casos as pessoas eram do sexo feminino e referiram já ter estes sintomas há muito tempo.
Se precisarem de mais informação digam-me.
A minha opinião é que talvez tenham algum problema ligado á percepção ou que o espelho esteja a reflectir aquilo que eles são na realidade, pessoas desajustadas com os seus "inconscientes".
Talvez estejam a fazer "clivagens" inconscientes e a ver aquilo que o inconsciente lhes transmite
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Mensagempor AbLaZe » sábado abr 26, 2008 8:52 pm

Tendo em conta a faixa etária de que falamos e daquilo que nos disse Moreira, creio tratar-se de um fenómeno despersonalização. O professor Moreira refere que os seus alunos lhe parecem sós. Também é este o caso dessas duas senhoras? A despersonalização pode ocorrer por diversos motivos e pode ser sintoma de algumas psicopatologias. Acontece com alguma frequência em pessoas deprimidas, por exemplo. Poderia ser este o caso das suas alunas, tendo em conta a idade e a situação social das mesmas. O isolamento não é positivo nestes casos e a despersonalização intensifica-se e os episódios repetem-se com maior frequência. A questão de se olhar no espelho, tal como a Cristina Silva refere no seu post, é altamente despersonalizante. Recordemo-nos que não estamos habituados a ver-nos a nós próprios e é sempre uma sensação estranha quando isso acontece, seja no espelho, seja em vídeo ou fotografias. O mesmo acontece com a nossa voz; parece-nos sempre distorcida.
O contributo da Ana Rita também aqui se enquadra muito bem. Se estivermos a falar de pessoas obsessivas, a despersonalização pode ser evocada, ou seja, ao olhar-se no espelho, fixam-se na sensação de despersonalização que tiveram uma ou outra vez, e a sensação repete-se.
Se isto resulta num problema para essas duas senhoras, parece-me que as deveria orientar para um profissional de saúde mental. Há que ter em conta uma série de factores que, tendo em conta a idade das senhoras, podem passar por patologias como depressão, transtornos obsessivos (como já referi) ou síndromes demenciais, a medicação que tomam, relato de outras situações em que se tenham sentido assim, apoio social que têm, entre outras questões importantes na anamnese. Importante também será saber se estas senhoras não estão expostas a maus tratos ou violência doméstica, física e/ ou psicológica, ou a stress constante, uma vez que estas condições também abrem portas à despersonalização.

Num relato na primeira pessoa, vou contar-vos um episódio de despersonalização pelo qual passei há cerca de 8 anos. Aos 15 anos comecei a ter crises alucinatórias visuais, devidas a um foco epiléptico temporal. Tomei Tegretol e as crises foram controladas. A condição era benigna e nunca tivera uma crise convulsiva. Em altura de exames, já no 1º ano do ensino superior, ainda a tomar Tegretol, decidi parar com o medicamento, uma vez que cismei que andava mais desatenta por causa dele e receava maus resultados nas frequências. Não tive crises durante o período dos exames e, depois de tudo feito, retomei a medicação. Erro crasso de uma adolescente inconsequente, que apesar de saber que estava a fazer mal, insistiu em retomar a dose tal e qual como antes, ou seja, em vez de recomeçar aos poucos, voltei a tomar a dose diária que tomava há quase 5 anos. No segundo dia em que recomecei a medicação, tive uma crise convulsiva, em pleno café, a meio de um trabalho de grupo, e com todo o aparato de uma crise epiléptica convulsiva geral. Quando voltei a mim, uma colega (e amiga) levou-me à casa-de-banho. Na casa de banho havia um espelho enorme, mesmo em frente à sanita (sítio estranho para se colocar um espelho...). Enquanto tentava urinar, amparada pela minha colega, perguntei-lhe 3 vezes: "Quem é aquela rapariga que está ali à frente a olhar para mim?"
Foi dos episódios mais estranhos que me ocorreu na vida, olhar para mim e pensar que era outra pessoa. É uma sensação indiscritível, olhar-nos com o mesmo retraímento, estranheza e curiosidade, como se olha alguém que nunca vimos antes.

Em relação à epilepsia, nesse mesmo ano deixei a droga. Passados 3 anos sem manifestações da epilepsia, à excepção desta, por andar a brincar com o Tegretol, fiz o desmame e nunca mais sofri uma crise. Nessas alturas, das crises, também entrava num universo paralelo, com uma sensação de dejá-vu fantástica e um cortejo de personagens que surgiam diante dos meus olhos, em primeiro plano, enquanto estava consciente do que se passava à minha volta, em segundo plano. Nunca consegui descrever exactamente o que via.
Agora, fica a recordação de uma sensação de dejá-vu, um aperto no peito e um filme surrealista a passar à minha frente. Ah! E a loucura da AbLaZe. :wink:

Já que deixo aqui este testemunho tão pessoal, posso sugerir que se abra um tópico sobre experiências deste género com os user's deste fórum. Relatos na primeira pessoa são preciosos. Já os temos na área do trabalho. E se os tivermos também na área psíquica? Afinal, também somos pessoas. 8)
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olhar-se no espelho ter medo ou ver outra pessoa

Mensagempor Moreira » quinta mai 01, 2008 6:52 pm

Em primeiro lugar quero agradecer as opiniões manifestadas que considero muito úteis.

Estes tópicos foram importantes para que os alunos podessem reflectir acerca dos seus comportamentos e levou-nos á pesquisa de outros temas relacionados com a psicologia.

Penso que estamos a fazer uma descoberta em conjunto

Muito obrigado
Cristina Silva
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Mensagempor Cristina Silva » terça mai 06, 2008 10:07 am

Moreira, um bem-haja à sua postura como professor!
Caso verifique que algum dos seus alunos não está bem psiquicamente, encaminhe-o para uma consulta própria.

Sempre que queira, cá estaremos para o ajudar em temas ligados à psicologia.

AblaZe, bem-haja para o seu belo testemunho tão pessoal. Estou a favor da sua sugestão de abrir um tópico sobre experiências deste género.


Cristina Silva

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