A mentira compulsiva - pf ajudem-me a entender isso!

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Cleo
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A mentira compulsiva - pf ajudem-me a entender isso!

Mensagempor Cleo » quinta mai 01, 2008 1:06 am

Caros psicólogos,

é com muito gosto que descobri este fórum, pois apesar da Psicologia não ser de todo a minha área, é uma ciência que me fascina e me desperta muito interesse.
Recorro a vossa ajuda para tentar perceber (e lidar) com um comportamento que me parece disfuncional, e portanto, muito digno de estudo da v/ área. Conto-vos o meu caso, ou melhor, o caso do meu namorado. A mentira compulsiva existe de facto?? pq se existe, o meu namorado é um claro exemplo, e devia figurar nos vossos manuais para estudo de caso :) há muito que a mentira deixou de ser uma mera estrategia na vida dele, passou a ser o seu modo de vida. O nosso relacionamento passa por fases complicadas, pq volta e meia lá apanho uma mentirinha dele, o que impossibilita de todo a construção de uma relação de confiança (e já andamos nisto há cerca de dois anos...)
Digo que a mentira passou a ser um modo de vida, pq ele mente por tudo e por nd... e não é só a mim... aos seus amigos, clientes. E diz as mentiras tão naturalmente como se de facto se tratassem de verdades. e nas coisas mais banais possíveis. Dou-vos alguns exemplos: é capaz de estar à conversa com amigos nossos, à minha beira, e exagerar factos e inventar histórias, mesmo sabendo q eu, estando ali à beira, sei que são mentira. Aos clientes mente com coisas do género: "o projecto já está feito" qd está a milhas de ser sequer idealizado. É capaz de dizer que está a fazer x quando está a fazer y. e por aí fora... Qt a mim, ainda um exemplo recente: disse-me que estava em Lisboa qd dei de caras com ele na sua casa. E de cada vez que o confronto com as suas mentiras, tenham sido ditas a mim ou a outros, age como se de facto não estivesse a mentir, (é capaz de negar tudo com a maior das naturalidades, estilo " eu disse isso?? não disse nd" ou entao na versão oposta "menti e depois?")
A banalidade das mentiras, a recorrência às mesmas e a naturalidade e convicção com que as profere, e apesar de tudo, a quase não consciência do erro que é mentir são coisas que me preocupam e me levam a crer que isto so pode ser patológico.
Na minha opinião, o facto de ele ser um profissional mt bem sucedido, e ao longo da sua vida ter recorrido às mentiras e elas de facto o terem ajudado de alguma forma, pode ser uma explicação para continuar com este comportamento, e agora estar generalizado a todas as áreas da vida dele. Será possível??
(já me chegou a dizer, num momento extremo em que tanto lhe chateei a cabeça acerca destes comportamentos, que "mentir é normal, é uma forma de nos safarmos na vida", ou "eu minto, e espero é q não descubram" - acho aliás q foi este o único momento em que foi completamente verdadeiro...)
Eu já pensei em recorrer a um psicólogo, e explicar-lhe isto, mas por um lado sinto-me ridicula a faze-lo, pq o problema ao fim de contas não é meu! eu só nao sei e como lidar com isto!e tb já lhe propus o mesmo, mas como já devem estar a supor, ele não admite o problema que tem, aliás, nem sei se ele tem consciência da gravidade de tudo isso!!
Será que me podem ajudar?? Há alguma forma de travar esta "mentira compulsiva"?? Como lidar com isto??

Muito obrigada, e desculpem o "testamento"
saudações cordiais
Clarissa
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Mensagempor Clarissa » quinta mai 01, 2008 9:10 am

Bom dia Cleo,

Os comportamentos que vamos adquirindo ao longo do tempo são o resultado de muitas variantes. Os motivos que levaram o seu namorado a escolher a mentira como forma de lidar com a vida podem ser inúmeros e só seria possível descobrir estas nuances num trabalho psicoterapêutico em conjunto com ele. Mas todas as hipóteses que colocou fazem sentido e podem ter influênciado este comportamento.

A outra questão sobre não medir quando e onde mentir também é comum neste tipo de situações e muitas pessoas até acreditam piamente na mentira que elas próprias inventaram, talvez por isso algumas vezes ele nege de forma tão natural, é possível que ele realmente acredite no que diz.

Claro que se este tipo de comportamento coloca em causa as relações que ele estabelece ou até mesmo pode interferir na vida profissional dele, então chegamos a um ponto onde um comportamento que até pode ter sido desenvolvido para obter bons resultados, hoje está agindo de maneira oposta e o pedido de ajuda é válido. Mas como você mesmo diz, ele é quem deve ter alguma consciência do prejuizo deste comportamento e procurar a ajuda necessária.

Quanto ao facto de ser você a pedir ajuda, acrescento que não deve sentir-se ridicula. Dificilmente conseguirá ajuda para resolver o problema do seu namorado, mas como este é um problema que a afecta directamente, pode pedir ajuda no sentido de tentar resolver estas ansiedades dentro de si.

Cumprimentos,
Clarissa Lobo

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