Hiperactividade

As diferentes correntes e modelos teóricos. Novas abordagens e novos contextos de intervenção. A teoria e a prática, os conceitos e as estratégias. Preocupações éticas e deontológicas. etc.

Moderador: César

limacatia
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Hiperactividade

Mensagempor limacatia » sexta jan 15, 2010 10:49 am

Estou a acompanhar um aluno a que lhe foi diagnosticado "Hiperactividade com défice de atenção", integrando o decreto de lei 3/2008 antigo 3009, quase toda a sua vida académica estando inscrito nas alíneas C/f/G/I, visto que continuava sem aproveitamento integraram-no este ano numa turma de CEF o que para isso tiveram de o retirar do decreto de lei a que estava sujeito.
Porém no 1º Período não obteve bom aproveitamento ao que os profs recorreram e pediram que lhe fizesse uma avaliação e para dar o meu parecer se o aluno deveria voltar para o ensino recorrente e integrar novamente o decreto de lei!!!

Á 1ª vista só tendo ainda ouvido o aluno e sem ter feito uma avaliação, parece-me horrivel retiral nesta altura do contexto em que está, o que iria ter repercussões ao nível da sua auto-estima, confiança, sentimento de pertença, já para não falar na sua revolta para consigo e para com os outros.

Osque acham?
Ana Rita
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Mensagempor Ana Rita » sexta jan 15, 2010 11:09 am

Olá Cátia, vê bem isso de retirarem o decreto lei na turma CEF. Uma vez falei com a equipa de apoio às escolas e disseram-me que de facto era para retirar, mas após confrontá-los com o funcionamento de outra escola, em que isso não era feito, já disseram que não havia problema e que se podia manter inclusive nos cursos profissionais...

De qualquer das formas, os cursos CEF não são rigidos. Porque é que independentemente de estar ou não no decreto, os professores não fazem uma adaptação ao aluno em questão? Faz algum sentido mudar o aluno novamente só por questões de protocolo? Sempre que estas situações surgiam, fazia um relatório aos professores a explicar as necessidades do jovem e de intervenção.
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Mensagempor SGFernandes » segunda jan 18, 2010 1:52 pm

Os alunos de turmas CEF podem estar enquadrados no 3/2008, so nao podem beneficiar é de todas as medidas nele descritas.
limacatia
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Mensagempor limacatia » segunda jan 18, 2010 8:55 pm

Sim... o problema é mesmo esse, segundo o que me disseram ele não pode beneficiar do PEI!Situação que se verificava anteriormente.... mas para quê voltar ao PEI se nem assim ele tirava aproveitamento?? Tem sido esta uma das minhas duvidas!
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Mensagempor ceuazul » segunda jan 18, 2010 9:35 pm

Nem as equipas de apoio se entendem... um CEF é em si mesmo um plano curricular que contempla as adaptações que se entendam adequar e inserir ao longo do periodo formativo, por isso existem reuniões semanais (ou possibilidade de existirem) e parametros que devem ser avaliados e ajustados, tendo em vista o sucesso educativo, nesta optica concordo coma equipa de apoio à escola que diz que entra em CEF sai do 3.

Mais me surpreende é que existam diferenças relativamente ao enquadramento do DHA no 3/08. Porque é que em alguns lados nao pode ser enquadrado no 3 e sim no ambito do projecto curricular de turma???
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Mensagempor ceuazul » segunda jan 18, 2010 9:44 pm

já agora que medidas exactamente é que ele tinha?
no 3/08 só existem ;
a) Apoio pedagógico personalizado;
b) Adequações curriculares individuais;
c) Adequações no processo de matrícula;
d) Adequações no processo de avaliação;
e) Currículo específico individual;
f) Tecnologias de apoio
limacatia
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Mensagempor limacatia » quinta jan 21, 2010 5:04 pm

Ele estava inscrito nas alíneas C, F , G e I...

Este processo foi-me dado sem grandes explicações sobre a integração do aluno nestas alíneas... e realmente pelo que percebi estas foram integradas devido ao seu rendimento escolar que era bastante fraco e tendo em conta a sua falta de atenção propuseram a integração do aluno numa turma de CEF por ser algo mais prático e mais directivo com algo de que ele gostava... Agora pediram para dar o meu parecer quanto à sua permanência no CEF ou continuação do PEI, isto porque o seu rendimento no CEF foi igualmente baixo.
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Mensagempor renata.almeida » sexta jan 22, 2010 10:14 am

Encontro-me neste momento a trabalhar numa escola profissional onde me está a ser pedido que analise a possibilidade de PEI para alguns alunos que frequentam CEF´s e cursos profissionais.

Segundo as opiniões que têm estado a ser aqui debatidas, há quem defenda que não se aplica um PEI a alunos de CEF. Afinal em que ficamos? Na análise que faço do decreto-lei nº 3/2008, a lei apllica-se a todos os jovens de ensino básico ou secundário, frequentando estes ou não percursos profissionais. Segundo a opinião do SG Fernandes, o decreto-lei pode ser aplicado a estes aluno e consequentemente um PEI, contudo não poderão ser aplicadas todas as medidas. Eu sou da mesma opinião do que ele, mas gostaria já agora que ele comentasse quais as medidas que, na opinião dele, podem ser aplicadas.

Outra questão, até que ponto é legítimo aplicar o PEI a alunos que apenas apresentam problemas emocionais, no entanto, que não configurem qualquer tipo de psicopatologia...?

Passo a explicar...tenho sido confrontada com pedidos de PEI para uma série de alunos que frequentaram sempre o ensino básico ao abrigo do 319 e posteriormente o decreto 3/2008 sem que se objectivamente estivessem especificados problemas de aprendizagem concretos ou psicopatologias. Estas medidas foram, na minha opinião, muitas vezes aplicadas a alunos com pouca motivação escolar, ambiente familiar instável e falta de bases, justificando-se a aplicação da medida com aspectos pouco justificados...É legítimo aplicar PEI nestas circunstâncias ou será que estamos a "facilitar a vida" a estes alunos e com isso, verdadeiramente, estamos a "cortar-lhes ainda mais as pernas"?
Gostaria muito de ouvir as vossas respostas.
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Mensagempor Ana Rita » sexta jan 22, 2010 11:39 am

Renata, o problema é que esses problemas emocionais e instabilidade familair, ao longo dos anos reflecte-se em problemas na aprendizagem, mesmo que a criança não apresente patologias à partida. Não considero que seja facilitar, mas sim ver caso a caso e perceber até que ponto o aluno poderá ou não ser beneficiado de determinadas medidas. O que eu costumo dizer, é que os profesores não se precisam de preocupar com a ideia de que estão a ajudar" o aluno. No contexto em que vive, já foi desajudado o suficiente e isso por si só já o poderá penalizar para o resto da vida. Não pensem que ao modificar critérios de avaliação, lhes estão a dar uma grande prenda! Feliz o aluno que tem condições para estudar com calma e ter aprendido que é bom aprender!De qualquer das formas, poderá não ser necessário um PEI, mas uma explicação das medidas a tomar com o jovem. O problema é que muitas vezes sem PEI, essas medidas caem no esquecimento e não são devidamente valorizadas. Não nos podemos colar às interpretações da lei, como disse, caso a caso, merece ser avaliado.
Há alunos que num cEF já não precisam de PEI, estão adaptados e outros que mesmono CEF precisam de medidas.
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Mensagempor felipedesouza » quinta set 02, 2010 9:44 pm

Não seria necessário antes duvidar deste diagnóstico.

Aqui no Brasil temos na USP, Universidade de São Paulo, uma Professora Doutora, chamada Maria Helena Souza Patto que muito tem contribuído para a crítica destes distúrbios. Não sei se vocês conhecem a história esquisita deste surgimento.

Em meu BLOG há tempos já falava disso:

http://felipedesouza-psicologo.blogspot ... idade.html

Atenciosamente,
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Mensagempor angelina » quarta nov 24, 2010 9:19 pm

limacatia Escreveu:Ele estava inscrito nas alíneas C, F , G e I...


Estas medidas referem-se ao antigo 319. Acho estranho esse tira e põe do Decreto, uma vez que retirá-lo implica uma grande fundamentação. Durante algum tempo pensou-se que os alunos com NEEs permanentes não poderiam frequentar um CEF. No entanto, já tive esclarecimentos a esse nível, que referem não haver incompatibilidade (apesar de na maior parte dos casos não terem o professor de educação especial). O problema é que os CEFs são muitas vezes uma via para os delinquentes e os alunos com necessidades especiais não se aguentam nesse contexto.
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Mensagempor Ana Rita » segunda nov 29, 2010 11:06 pm

angelina Escreveu:
limacatia Escreveu:O problema é que os CEFs são muitas vezes uma via para os delinquentes e os alunos com necessidades especiais não se aguentam nesse contexto.


Exactamente! Felizmente há excepções de turmas CEF "calmas", mas não são muitas...
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Re: Hiperactividade

Mensagempor maria luisa neinda » segunda mar 21, 2011 12:54 pm

sou angolana e psicologa clinica.na instituição onde trabalho aparecem mtos casos de hiperactividade.não tenho prática nesta área. como actuar? podem ajudar-me
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Re: Hiperactividade

Mensagempor Ana Rita » terça mar 22, 2011 12:36 am

Colega, convém comprar alguns livros acerca da hiperactividade e frequentar se possível alguma formação. Perante a pergunta simples"como actuar?" considera que seja possível uma resposta igualmente simples? :!:
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