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Os amigos existem?

2013
carolina_careta@hotmail.com
Psicóloga clínica e escritora.

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Os amigos existem?

Entre tantas frases prontas, paradigmas e lembranças, guardamos sempre na memória aqueles que fazem ou fizeram parte de nossa história.

Em cada fase de nossas vidas, nos deparamos em condições diferentes de sentimentos e visões: os lugares que estudamos e trabalhamos ou mesmo a família e relacionamentos afetivos. Todos trazendo um meio social que compõe a integração com os demais.

Estamos sempre cercados de pessoas e precisamos uns dos outros. Porém, entre tantos meios, como identificar um amigo? Ou, entre tantos questionamentos: é possível acabar uma amizade?

Segundo o dicionário Aurélio, “Amigo é uma pessoa a quem está ligado por uma afeição recíproca”.

Normalmente essa identificação, segue no desejo de conservar o que nos faz bem, nos diverte,consola e que podemos compartilhar a própria vida! Porém, como tudo em nossa trajetória: criamos e rompemos vínculos à medida que nossos caminhos nos levam a novos rumos...

Mesmo assim, há quem diga que amizade verdadeira é sincera e dura “para sempre”! Frase digna de reflexão, mesmo com algumas divergências de ideias, como diria nosso grande compositor Renato Russo:

“Se lembra quando a gente

Chegou um dia a acreditar

Que tudo era para sempre

Sem saber, que o para sempre,

Sempre acaba”...

Pois bem... Quem é que nunca teve um amigo no trabalho, por exemplo, que para a própria defesa ou promoção simplesmente jogou tudo para o alto a “amizade” em benefício próprio?

Ou aquela pessoa, em que cresceram juntos: dividiram os primeiros segredos, as primeiras bonecas e carrinhos, muitas gargalhadas e lágrimas com a adolescência e anos mais tarde? Apenas as lembranças entre fotos e saudades é o que nos restam...

Mesmo aquele que você jurou que era “ponta firme”, praticamente um membro da família, que com o passar dos ciclos as diferenças da história de vida, tudo se transforma em incômodos pessoais ou afastamento... E lá sei vai tudo por água abaixo novamente!

Nas outras áreas, tudo é muito corriqueiro e caso venha a chegar às redes sociais, não ultrapassam a elas. Há quem o diga também, que muitos acompanham a vida do outro “online” e pessoalmente fingem que não se ver e são passados por meros desconhecidos! (Entendo que isso ocorra, mas será que de alguma forma é permitido por nós mesmos tais frustrações?).

Nessas ocasiões, vale à pena a citação de Carlos Drummond de Andrade sobre a sinceridade como fator primordial à amizade verdadeira: “Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz”.

O mais interessante é que apesar dos contratempos, há sempre aqueles que sobrevivem às tempestades que passam por nossas vidas e existe troca positiva. Mesmo que o contato muitas vezes seja menor, o sentimento verdadeiro sempre os aproxima de alguma maneira!

Dessa forma, facilitando o processo de peneirar, ou seja, deixar ir embora o que não se encaixa mais e permitir que o novo faça parte de nossa trajetória! Fortalecendo a ideia de que não precisamos da aprovação do outro para sermos realmente felizes e aceitos.

É importante igualmente digerir que: “O que pode ser importante hoje, amanhã pode não ser mais e vice-versa. Assim, ter como critério de vida o conceito do “DESAPEGO”. Lembrando, que acima de tudo, somos falhos e também podemos ter representado essas figuras na vida de outras pessoas...