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Feelings…?

2015
sara.ferreira@wonderfeel.pt
Psicóloga. Psicoterapeuta. Membro da coordenação terapêutica do Centro WONDERFEEL - Um Novo Bem-Estar. Membro efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses
Publicado no Psicologia.pt a: 2016-04-11

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Feelings…?

Reza a História que, certo dia, enquanto o filósofo Diógenes tomava o seu banho diário de sol, Alexandre o Grande se terá aproximado e dito: “Sou seu grande admirador, sendo assim, pede-me o que quiseres, e eu to darei”.

Diógenes respondeu-lhe: “A única coisa que lhe peço é: não me faça sombra, devolva o meu sol!

Aqui entre nós, seria este “meu sol”, uma metáfora para “a minha vida”? Sim e não! Literalmente, Diógenes pedia sol! Porquê? Por este ser, para qualquer animal ou planta vivente neste planeta, “o” alimento que nos nutre e constitui ou simplesmente a “essência” que nos vitaliza. Sem o sol não sobreviveríamos.

E o que fazer naqueles meses do ano em que o dito cujo, o Sol, parece querer tirar uns dias para si e largar-se a um certo retiro? ;) Já algumas vezes, por aqui, vos descrevemos a forma como o nosso corpo e o nosso “espírito” literalmente necessitam da “sunshine vitamin” (a vitamina D) para viver. Extraímo-la do Sol, sendo que na sua ausência há algumas actividades ou emoções que estimulam a sua produção pelo próprio organismo (através do exercício físico, por exemplo).

Não sendo um químico que fabriquemos “espontaneamente” no nosso corpo (mas do qual precisamos, e todavia nos confere bem-estar, força, leveza e a sensação de felicidade), nos dias soalheiros ou de chuva (leia-a a estação em que estamos, Outono e Inverno, claro está) é fundamental procurarmos de alguma maneira vias quotidianas de a “recolocar”. Não é por acaso que durante os dias menos luminosos parece que nos sentimos mais cansados, menos ágeis, ou que nos custa levantar da cama ou até estar bem-disposto! Parece que é com maior esforço, inclusive, que sorrimos, não é? Sim… não acontece apenas consigo…sorriu agora? ;)

Já que hoje começámos por falar num pouco de História, recordemos Aristóteles, que bem disse:

“Tanto o exercício em excesso ou insuficiente destrói a força de um indivíduo, assim como comer e beber em excesso ou de forma insuficiente destrói a saúde, enquanto que a quantidade certa produz, aumenta ou preserva-a. Assim também o é com a temperança, a coragem e outras virtudes. Torna-se claro portanto: em toda a nossa conduta é o meio que deve ser buscado”.

Assim, se está com frio, procure calor, se se sente preso, procure movimento, se lhe apetece chorar, veja uma boa série de humor! Os nossos sentidos guiam a relação que estabelecemos com o mundo que nos rodeia. Infelizmente, na correria habitual do dia-a-dia entramos facilmente em modo de funcionamento “automático”, mecanizando os nossos movimentos e acções para a rotina diária, e desligando a experiência autêntica do sentir e do sentir-se bem. E essa tendência vê-se de alguma forma intensificada durante a “época fria”, na qual tendemos a ver o mundo em tons mais cinzentos, monótonos, descolorido e triste, assim como a nossa própria vivência…

Lembre-se que quando assim é o melhor que tem a fazer é “reanimar” os seus sentidos para contrariar estes padrões “cíclicos”, impostos por si ou pelo “clima”. Precisamos de nos ligar ao mundo envolvente de uma forma autêntica e plena. Direccionando estas experiências para as preferências de cada um, precisamos de nos sintonizar com o mundo colorido através dos nossos sentidos, colorindo assim a nossa vivência e restabelecendo o nosso bem-estar.

Sara Ferreira

Sara Ferreira é psicóloga, psicoterapeuta, com formações especializadas na área da Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária, sendo actualmente também autora e co-autora em diversas publicações técnicas e científicas de renome, assim como portais de referência na área da Psicologia, desenvolvimento pessoal, saúde e bem-estar. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Licenciada em Psicologia Aplicada pelo ISPA – Instituto Superior de Psicologia Aplicada, com experiência curricular e profissional no acompanhamento psicológico de utentes (ambulatório e consultas externas) na Unidade de Psicologia do Hospital de Santa Marta em Lisboa, exercendo actualmente a sua prática clínica maioritariamente em contexto privado. Colaborou como psicóloga na Direcção de Serviços de Psiquiatria e Saúde Mental da Direcção-Geral da Saúde, e em diversos projectos da Comissão Europeia, nomeadamente nas redes EAAD – European Alliance Against Depression e IMHPA – Implementing Mental Health Promotion Action, tendo também colaborado na preparação e edição do Programa Nacional de Luta Contra a Depressão, no contexto de programas prioritários do Plano Nacional de Saúde 2004-2010. Colaborou no Grupo de Coordenação da Saúde, no contexto da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, tendo também desempenhado funções de investigadora em diversos projectos de investigação e grupos de trabalho nacionais e internacionais sobre boas práticas em saúde mental e na área da Psicologia da Saúde, nomeadamente, a European Health Psychology Society.

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