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Stress, stress… será o nosso GPS?

2015
sara.ferreira@wonderfeel.pt
Psicóloga. Psicoterapeuta. Membro da coordenação terapêutica do Centro WONDERFEEL - Um Novo Bem-Estar. Membro efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses
Publicado no Psicologia.pt a:

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Stress, stress… será o nosso GPS?

 

Sabem o que é a ansiedade? E a depressão? Estas podem parecer perguntas tontas, nos dias que correm, numa altura em que todos parecem saber tratarem-se de doenças mentais.

Basicamente, provocadas por desequilíbrios químicos no nosso organismo. OK. E se vos dissermos que esta é “apenas” uma parte da história? Ou seja, que não é só "isso". Acreditariam em nós?

Vamos por partes. O termo “doença mental” implica que existe um desajuste, uma desadequação com a parte psicológica da pessoa, que necessariamente produz falhas de adaptação ao meio e por consequência desequilíbrios pessoais e sociais. Muitas vezes transmite-se a ideia de que o que experimentamos como ansiedade e depressão não é natural ou adequado.

E na hora em que cada um os sente, o que procura? Soluções rápidas para resolver o problema. Tipo “válvula de escape” instantânea.

Agora vamos aos factos. Não há dúvidas de que a ansiedade e a depressão são muito reais. Qualquer um que tenha experimentado as profundezas do desespero sabe as consequências destes problemas, quer a nível físico, mental e espiritual. Acreditem, ninguém quereria isso para a sua vida… Porém, dependendo obviamente da sua intensidade e recorrência, se não experimentássemos estes sentimentos de quando em vez não teríamos “motor” para avançar, para olharmos para dentro e nos podermos (re)centrar.

O que acontece é que a maioria de nós quer ser feliz. E de preferência as pessoas querem que, de alguma forma, as ajudem a aliviar a carga das lutas diárias. O único problema é não saberem como chegar lá. E quando temos dúvidas há “fogo”! E o que sentimos? Dores, dores, e mais dores, depressão, ansiedade e por aí vai em demais sintomatologia.

Primeiro: levante-se. Segundo: procure um sítio onde possa buscar maior compreensão.

Todos nós temos a capacidade de descobrir como nos libertar dessas tensões. E há muita miséria afectiva, emocional, relacional por aí. Cabe a nós decidir se queremos aprender a conhecer-nos e a conhecer os sinais que o nosso corpo e a nossa mente nos dão de forma a podermos vê-los como eles realmente o são! Há sinais claríssimos de que deveríamos estar prontos para efectuar as mudanças necessárias à melhoria das nossas vidas, e à melhoria de nós mesmos. E não existe nenhum motivo para achar que não consegue ou não pode, sentindo-se preso e puxado para trás. O caminho passa simplesmente por perceber que aquilo que experimentamos é uma parte natural do que se é e da nossa existência neste mundo. O que quer que sinta ou que sente ser, acontece sempre por alguma razão. Quer queiramos olhar, quer não, isso estará lá, na mesma. Sempre. Connosco.

Nunca seremos verdadeiramente livres até ao dia em que descobrimos quais são as nossas motivações e aspirações. E por vezes, se não estivéssemos tão assustados e ocupados em “controlar” ou disfarçar ou atenuar as experiências profundas que a depressão ou a ansiedade nos podem trazer, saltaríamos de contentes por poder beneficiar das oportunidades que muitas vezes estas nos oferecem.

E que oportunidades são essas? As oportunidades de crescer. Quando percebemos que estes sintomas de ansiedade, de depressão, de stress, etc., não são mais do que uma sinalética afixada no outdoor da nossa maquinaria natural (corpo e mente), comunicando-nos algo. Eles são como se fossem o nosso próprio GPS, ou melhor dizendo, o nosso sistema de navegação interna. Na verdade, não são mais do que um programa interno (coordenado em co-operância pela equipa cérebro-coração) que está a emitir os seus outputs (tentando fazer o seu melhor) para nos manter ou puxar para o nosso caminho. Este é um processo complementar e absolutamente natural. Nesse sentido, não há nada de “anti-natural” ou desajustado nisso. :) A questão é que por vezes nos tornamos demasiado acomodados e condicionados, passando pelas mais diversas adversidades, sem perceber que na verdade estamos é a trabalhar para o nosso bem maior.

Resumindo e descomplicando. :) O seu GPS interno faz o possível para se comunicar consigo. Mesmo que você se recuse ou tenha medo de o ouvir. E não… não há necessidade de recear o que possa encontrar. Quando abrimos os nossos corações, acontece como “ao menino e ao borracho”…ao que parece, Deus põe a mão por baixo... :)

Sara Ferreira

Sara Ferreira é psicóloga, psicoterapeuta, com formações especializadas na área da Psicologia Clínica e da Saúde e Psicologia Comunitária, sendo actualmente também autora e co-autora em diversas publicações técnicas e científicas de renome, assim como portais de referência na área da Psicologia, desenvolvimento pessoal, saúde e bem-estar. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Licenciada em Psicologia Aplicada pelo ISPA – Instituto Superior de Psicologia Aplicada, com experiência curricular e profissional no acompanhamento psicológico de utentes (ambulatório e consultas externas) na Unidade de Psicologia do Hospital de Santa Marta em Lisboa, exercendo actualmente a sua prática clínica maioritariamente em contexto privado. Colaborou como psicóloga na Direcção de Serviços de Psiquiatria e Saúde Mental da Direcção-Geral da Saúde, e em diversos projectos da Comissão Europeia, nomeadamente nas redes EAAD – European Alliance Against Depression e IMHPA – Implementing Mental Health Promotion Action, tendo também colaborado na preparação e edição do Programa Nacional de Luta Contra a Depressão, no contexto de programas prioritários do Plano Nacional de Saúde 2004-2010. Colaborou no Grupo de Coordenação da Saúde, no contexto da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, tendo também desempenhado funções de investigadora em diversos projectos de investigação e grupos de trabalho nacionais e internacionais sobre boas práticas em saúde mental e na área da Psicologia da Saúde, nomeadamente, a European Health Psychology Society.

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