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Autodeterminado? Ou heterodeterminado?

2017
joana_s.j_rodrigues@hotmail.com
Psicóloga clínica
Publicado no Psicologia.pt a: 2017-02-13

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Autodeterminado? Ou heterodeterminado?

A questão da auto ou hetero determinação, não é de todo, qual a mais ou menos correcta e acertada, mas sim, de que forma temos essa consciência, de que forma nos afecta a nós e aos outros e de que forma lidamos com as consequências dessa nossa atitude.

Por exemplo, quando alguém nos diz que esse curso não tem saída e que por isso temos que escolher outra formação que garanta um emprego, ou quando alguém nos diz que temos que manter o casamento porque, casamento é para a vida. Efectivamente podemos aceitar o conselho e tirar um outro curso, como também podemos tentar manter o casamento. Com certeza que serão as opção mais acertadas, se realmente essas forem uma escolha nossa, sentida. Contudo, quantas vezes sentimos que não é uma opção nossa e escolhemos à mesma avançar com ela? O que nos pode levar afinal a seguir a opinião/conselho/orientação/pressão dos outros, quando estamos a decidir algo para a nossa vida? Na verdade a consequência dessa decisão será vivida apenas por nós... E como é suportar uma consequência que não queríamos, mas que nos vimos levados a ela? Quantas vezes nos sentimos desiludidos, angustiados, arrependidos com um peso que não era suposto? Se temos essa tendência e nos apercebemos que o resultado pode ser devastador para nós, o que nos pode levar a manter essa atitude e a não sermos mais autodeterminados?

Mas por outro lado, quantas vezes decidimos não seguir a opinião/conselho dos outros e seguir a nossa vontade? O que sentimos, quando estamos a fazer o que nos faz mais sentido? Mas quantas vezes nos apercebemos que afinal a outra pessoa podia ter tido razão, ou que teve mesmo. Talvez possamos aprender algo com isso, tenho a certeza, no entanto também nos podemos sentir menos boas pessoas por termos seguido a nossa vontade e não o conselho de quem se preocupa connosco. E quantas vezes surge uma vozinha a chamar-nos egoístas? Mas estaremos realmente a ser egoístas quando seguimos a nossa vontade?

A tomada de consciência das nossas necessidades e o desenvolvimento da nossa assertividade possibilitar-nos-ão uma liberdade na escolha e uma maior capacidade de lidar com as consequências dessa escolha, de forma mais tranquila e menos culpabilizadora.

 

Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

Joana de São João Rodrigues

Joana de São João Rodrigues é Psicóloga, Membro Efetivo da Ordem dos Psicólogos e especialista em Psicologia Clínica e da Saúde. Possui licenciatura e mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. É Pós-Graduada em Educação Social e Intervenção Comunitária e Membro Associado da Associação Portuguesa de Terapias Comportamental e Cognitiva. É Formadora Certificada pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua. Desenvolveu actividade clínica de apoio a doentes com doença oncológica e seus familiares no Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil do Centro Regional de Oncologia de Lisboa, no Serviço da Clínica da Dor. Deu apoio psicológico às famílias e crianças com cardiopatias congénitas internadas no Hospital Vall d'Hebron para cirurgia através da Associació d'ajuda als Afectats de Cardiopaties Infantils de Catalunya (Associação de ajuda aos Afectados por Cardiopatias Infantis da Catalunha), em Barcelona. Desenvolveu actividade de apoio às necessidades das mulheres vítimas de violência doméstica/abuso sexual, pela Associação de Mulheres Contra a Violência, em Lisboa. Esteve integrada em diversos projectos de Cooperação Internacional, onde deu formação na área da promoção da saúde em Angola e Guiné-Bissau. Desde 2011 exerce clínica privada com jovens, adultos e seniores, e é técnica de cuidados continuados integrados de saúde mental na Associação para o Estudo e Integração Psicossocial, em Lisboa. Desde Março de 2016 que integra a Equipa da ClaraMente - Serviços de Psicologia Clínica e Psicoterapia, com o objectivo de promover a saúde mental e a qualidade de vida, disponibilizando serviços de Psicologia Clínica e Psicoterapia em consultório, domicílio e via online.

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