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O regresso às aulas e o voltar à rotina…

2018
andradesofia958@gmail.com
Mestre em Psicologia Clínica e de Aconselhamento. Formadora certificada pelo IEFP
Publicado no Psicologia.pt a: 2018-11-05

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O regresso às aulas e o voltar à rotina…

O mês de setembro representa para muitas crianças, o início de mais um ano letivo, o regresso às aulas e o voltar à rotina novamente. Tudo isto, significa começar a adotar novos hábitos de vida e novos horários para as crianças, exigindo um esforço tanto para os pais como para os filhos. O ideal, é começar com este processo de adaptação uma semana precedente ao regresso às aulas, para que se estabeleça os hábitos normais de rotina.

É importante que os pais e/ou educadores, acompanhem este processo desde o início das aulas, para que os seus filhos se sintam mais confiantes e seguros. Desta forma, deve-se transmitir a ideia de que o regresso à escola é algo positivo, que traz coisas boas, como traçar objetivos e alcançar metas. Para muitas crianças, representa não só o reencontro com amigos e professores, mas também alguma ansiedade e expetativa própria de quem começa um novo ano letivo, ou para quem muda de escola.

Por este motivo, o regresso às aulas representa para muitas crianças, deveres e obrigações, e a ansiedade de voltar a estudar, de comprar o material escolar, de fazer os trabalhos de casa, de arrumar a mochila e escolher a roupa para o dia a seguir, etc., tendo os pais um papel determinante neste processo. Neste sentido, é importante sublinhar a participação de todos neste processo, como base de uma educação parental de proximidade.

Importa frisar, que os pais devem ser participantes ativos na educação parental dos filhos, de forma a contribuir para o seu desenvolvimento e aproveitamento escolar. Quando a criança se sente protegida e apoiada, desenvolve mais adequadamente a sua autoestima, e torna-se capaz de enfrentar desafios de forma imediata.

Independentemente de cada caso parental, é importante estabelecer o diálogo entre pais e filhos, como forma de promover uma boa relação parental e de qualidade em família. É essencial, chegar a casa e perguntar ao seu filho como correu o dia, como se sentiu na escola, para que essa experiência seja partilhada em conjunto.

Muitos especialistas afirmam que os principais problemas familiares surgem quando não existe em casa um acompanhamento adequado, como o diálogo inexistente e ineficaz. Portanto, é importante todo o apoio e orientação, para que o seu filho se torne desde o primeiro dia de aulas, um aluno bem-sucedido.

Torna-se necessário, reforçar a ideia de que a escola é um lugar que se adquire conhecimentos, que nos faz aprender muitos assuntos interessantes, um lugar que nos transmite aspetos positivos, e nos permite evoluir enquanto pessoa. Este será, o melhor argumento para mudar opiniões de subversão face à escola, mudando atitudes para melhorar comportamentos.

Para muitas crianças principalmente as mais extrovertidas, o regresso às aulas, representa um processo normal de socialização e aprendizagem, manifestam alegria no reencontro com colegas e professores. Enquanto que, para as mais introvertidas e mais novas, representa alguma dificuldade e resistência à mudança, própria também da sua faixa etária e do seu grau de escolaridade.

Neste sentido, torna-se necessário estabelecer o diálogo que promova a importância do que vão aprender, que irão encontrar regras e receber instruções. Embora seja, um lugar de aprendizagem, e de conhecimento, é também um espaço e um tempo que permite serem crianças, com intervalo para a brincadeira.

Como especialista na área com crianças e jovens, menciono alguns aspetos a ter em conta, quando se tem filhos na escola, nomeadamente:

  • verificar todos os dias, se o seu filho fez os trabalhos de casa;

  • organizar as mochilas de véspera e verificar se tudo está em ordem;

  • organizar os lanches para o dia a seguir;

  • escolher de véspera a roupa, e responsabilizar o seu filho nessa decisão;

  • optar por acordar o seu filho sempre à mesma hora, fazendo tudo com calma;

  • não sair de casa sem tomar o pequeno-almoço, optando por alimentos saudáveis e nutritivos;

  • cultivar atitudes positivas com o seu filho, treinando o “mindfull”, dando abraço bem apertado ou dando uma boa gargalhada antes de saírem de casa (isto contribui para libertar emoções da nossa corrente sanguínea, ativando a serotonina, um neurotransmissor considerado o hormônio do bem-estar e da felicidade)

O mais importante é estar atento às necessidades do seu filho e contribuir para o seu bem-estar e crescimento saudável.

Sofia Andrade

Sofia Alexandra de Jesus Andrade é psicóloga, especialista em Psicologia Clínica e de Aconselhamento. É Membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses, e Membro Associado do MDM. É também membro de uma IPSS em Lisboa. É Licenciada em Psicologia e Mestre em Psicologia Clínica e de Aconselhamento pela Universidade Autónoma de Lisboa, tendo realizado um estágio de mestrado via profissionalizante na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens do Seixal, onde adquiriu competências pessoais e sociais com crianças e jovens em risco. Realizou também um estágio de Licenciatura no Gabinete de Saúde Ocupacional da Câmara Municipal do Seixal, onde desenvolveu um estudo sobre o levantamento do Absentismo Prolongado dos trabalhadores, bem como consultas de desabituação tabágica. Trabalha há vários anos na Administração Pública, além de ser formadora certificada pelo IEFP e apoiar várias causas sociais e políticas, sendo participante ativa em causas voluntárias. Atualmente dedica-se também à escrita sendo autora do livro intitulado: “Crianças e Jovens em Perigo. Estudos de Caso”, publicado em https://www.morebooks.de

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